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Ética, direitos humanos e

cidadania
Alice Inácio
Andressa Carvalho
Helen Lima
Igor Guia
Thais Gonçalves
Apresentação do tema
 Educar para a cidadania é entendido como um dos principais meios para
resolução de questões sociais, formar e produzir um cidadão. O artigo proposto tem
como principal objetivo demonstrar reflexões entre a relação educação e cidadão.
 A cidadania em relação a educação tem ligação com as relações sociais. A
história brasileira é marcada por escravidão, exclusão, corrupção, ditadura. O
processo de redemocratização da sociedade que enfrentou todo o período da
ditadura e, durante esse processo, a educação ficou centralizada em educar
essencialmente aqueles que foram excluídos da sociedade, isto é, uma educação
para a cidadania que precisa educar um cidadão formado e também um cidadão
que foi e é excluído, no entanto, foram criadas as escolas cidadãs que abrangia
especificamente os excluídos, oprimidos e desfavorecidos do âmbito político, social
e cultural.
 Portanto é fundamental, primeiramente, compreender a construção histórica da
cidadania, a fim de considerar a ruptura que o conceito sofreu, isto é, entre aquilo
que a cidadania deveria ser e o modo de como ela é.

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A cidadania antiga: grega e romana
 A palavra cidadania se dá na origem grega, para os antigos romanos,
significava a sociedade política. Assim, cidadania é a ação que torna “alguém”
civil, habitante de uma cidade, que passa a fazer parte de uma civilização. Os
exercícios democráticos eram desenvolvidos pelos cidadãos, os mesmos se
reuniam na praça pública – Ágora (termo grego para denominar reunião) – para
decidir de modo direto acerca das normas, leis e assuntos de interesse comum.
 A polis (cidades estados, situados nos pontos mais altos das regiões) surge entre
os séculos 7 e 8 a.C., para resolver conflitos existentes nas comunidades gregas,
decorrentes da crise administrativa. Desse modo, o poder da política deve ser
gerado a partir da união entre os homens. Cada polis tinha um espaço
delimitado, uma identidade, leis e regras, os muros forneciam o contorno de seu
território. Era nesse local que os cidadãos livres homens se reuniam para
desempenhar a atividade política, isto é, a verdadeira cidadania.
 Cabe lembrar que o espaço público e privado estava muito bem distinguido
para os gregos, porém quando adentravam na Ágora, a posição de autoridade
era abandonada, nela todos se relacionavam entre iguais.

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 Portanto, não eram todos os indivíduos da sociedade que tinham o privilégio de poder participar
dos debates, pois o debate da cidadania era um privilégio para poucos. Cerca de apenas 6 ou 7% dos
habitantes eram cidadãos (60% eram escravos). Mulheres, crianças, e estrangeiros não eram
considerados cidadãos. Portanto, apenas uma pequena parcela da sociedade grega estava apta a decidir
por todos os demais. Era cidadão o indivíduo pertencente, por laços de sangue à nomes influentes e
que participasse em prol dos interesses da polis (cidade-estado).

 Aqueles que eram considerados cidadãos, necessariamente deveriam ser livres ou se libertar para
a liberdade. O modelo escravagista era o meio decisivo, pois diferente da exploração capitalista a
exploração do trabalho escravo, na antiguidade serviu para liberar os senhores para poder exercer a
liberdade política. Pelo fato de que os escravos ajudavam com a força física nas rotinas cotidianas,
existia um interesse comum e uma amizade recíproca entre o senhor e o escravo, assim, o sentido da
coisa política que está centrada em torno da liberdade “é os homens terem relações entre si em
liberdade, para além da força, da coação e do domínio.

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 Já em Roma, cabe aos reis e não a um regime democrático a autonomia para decidir e também
executar leis. O cidadão romano era aquele que possuia um conjunto de direitos e deveres em relação
à comunidade em que vive. Diferente da Grécia, podemos observar a privatização do espaço público
com a nomeação, na qual funcionários diziam o Direito e também decidiam os rumos da vida pública
romana.

 Portanto, a participação do povo romano na decisão do voto é inferior ao do povo ateniense.


Mas, na Grécia e em Roma. Observa-se que também em Roma existia a ideia de cidadania como
direito de participação, um status de homem livre, em oposição ao não cidadão – escravos e
estrangeiros

 Assim, a cidadania romana continha o objetivo básico da condição civil moderna, isto é,
reconhecer o pertencimento do indivíduo à comunidade – pela relação de direito entre o cidadão e o
Estado –, sendo excludente no momento em que se diferenciava politicamente aos cidadãos do não
cidadão e, inclusiva no momento em que convivia com as identidades coletivas que participavam da
comunidade civil, e não deviam ser necessariamente identidades universalistas. Portanto, cidadão
significava ser romano, homem e livre, destarte, com direitos do Estado e com deveres para com ele.

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Cidadania na Idade Média

 “Um peso colossal de estupidez esmagou o espírito humano. A pavorosa


aventura da Idade Média, essa interrupção de mil anos na história da
civilização, vem menos dos bárbaros do que do triunfo do espírito
dogmático das massas” (Ernest Renan).

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 Basicamente a Sociedade medieval era dividia em Rei, Clero, Nobreza/Sr.
Feudal e Servos

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A CIDADANIA NA IDADE MODERNA
• A centralização do poder, e a instauração da sociedade moderna, requer
várias transformações econômicas e políticas que ocorrem nos séculos XVII
e XVIII.
• Valoriza-se a razão em detrimento da fé, ou seja, as questões não são mais
explicadas a partir da vontade divina e sim pela razão. Ao contrario da
Idade Média onde todos os reis deveriam se submeter a um papa.
• Desse modo, diante do fortalecimento da burguesiaaparece como uma
nova classe hegemônica.
• Segundo John Locke, o estado de natureza está regulamentado pela
razão, assim sendo, os direitos naturais substituem-se para estabelecer a
liberdade, não podendo ser objeto de renúncia por parte do contrato
original, pois, devem permanecer no estado de sociedade.

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 A sociedade é essencial aos homens, o que implica direitos e obrigações, grosso modo,
o governo só deve conciliar. O que significa que o homem não deve ser privado dessa
condição natural e ser submetido pelo poder de outro sem ter a sua própria aceitação.
 Assim, para Locke a sociedade deve ser organizada de forma harmônica, não
necessitando recorrer à ordem política, pois, o Estado surge somente quando os direitos
naturais não possuem mais força para vingarem.
 Locke ainda afirma que o indivíduo é dono/proprietário daquilo que ele consegue
conquistar com o seu esforço, ou seja, com a sua força de trabalho. Portanto, a riqueza
de cada indivíduo é proveniente do seu trabalho e não um resultado da expropriação
de uma propriedade alheia.
 Passados setenta anos após Locke, Rousseau (1712) retoma as ideias em sua obra Do
Contrato Social (1757) transformando os direitos considerados naturais em direitos civis.
 Para Rousseau (1987), a concepção de cidadania não pode desvincular-se da noção
de liberdade e de igualdade, pois, nenhum homem deve comprar outro pelo fato de
ser rico, ou se vender por ser pobre. Dessa maneira, o indivíduo deve ser dono de si
mesmo e também da sua própria vida e não deve ser senhor de ninguém.

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 A cidadania passa a ser vinculada ao Estado-nação, que é seu único emissor. É
possível observar na Declaração Francesa dos Direitos do Homem e do Cidadão
(26/08/1789) o discurso liberal de cidadania. No Art. 1º. – Os homens nascem e
permanecem livres e iguais em direitos, as distinções sociais somente podem ser
fundadas no bem comum.
 No Art. 2º. – O objetivo de toda associação política é a conservação dos direitos
naturais e imprescritíveis do homem, esses direitos são a liberdade, a propriedade e a
resistência à opressão.
 Enquanto no Art. 3º. – O princípio de toda soberania reside essencialmente na nação,
nenhum corpo, nenhum indivíduo pode exercer autoridade que dela não emane
expressamente. É
 A Declaração Francesa transfere a soberania popular para a Assembleia, assim, os
direitos de cidadania de cunho nacionalista, seriam exercidos somente por nacionais
ou considerados naturalizados e não por estrangeiros que residem no país.
 Nesse sentido, buscar tentativas de igualar os indivíduos, por intermédio da cidadania,
torna-se mais importante do que a igualdade em rendimentos. Pois, segundo Marshall
(1967), é por meio da educação que a cidadania operou como um instrumento de
estratificação social, devendo-se ter a consciência de suas consequências, , uma vez
alcançados os direitos de cidadania, tem-se uma cidadania plena.
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Educação e cidadania: uma leitura
arendtiana
 Hannah Arendt filósofa política alemã de origem judaica, uma das mais
influentes do século XX.
 A crise da educação nos Estados Unidos da América durante a década
de 50.
 Os problemas educacionais são reflexos de uma crise que acomete o
mundo moderno.
 A segregação racial em 1957.
 Arendt não é contra a criação de políticas de integração, ela é contra a
delegação feita pela Suprema Corte Norte-americana, confiando às
crianças a solução de uma questão a ser discutida e solucionada entre os
adultos.
 Para Arendt, a tentativa de estabelecer mudanças políticas por meio da
educação pode ter consequências nefastas.

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 Para Arendt, a política é o campo onde os homens estão entre iguais,
com diferentes opiniões e ausência de hierarquias, tomam decisões
coletivas diante dos problemas públicos.
 A relação pedagógica se caracteriza por desigualdade entre os alunos e
professores – baseada não somente nos conhecimentos desiguais, mas
também, na responsabilidade desigual, seja frente ao próprio processo
educativo, seja em relação ao mundo.
 A educação deve apresentar aos alunos como o mundo é, e não como
ele deveria ser, o que supõe que os educadores saibam como ele é, não
do ponto de vista individual, mas ao mundo comum, do qual são
representantes.
 A função da escola é ensinar às crianças o mundo como ele é, e não
instruí-las na arte de viver. Dado que o mundo é velho, sempre mais que
elas mesmas, a aprendizagem volta-se inevitavelmente para o passado,
não importa o quanto a vida seja transcorrida no presente.
 Nossa esperança “reside na novidade que cada nova geração traz
consigo” e, uma educação que pretende fabricar comportamentos
políticos, estaria justamente aniquilando esse potencial.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS
• Relação entre educação e cidadania
 Está vinculado a prática e também à teoria política grega, na qual apenas
cidadãos (minoria) discutiam as questões políticas da cidade.

• Percepção medieval
 Pode-se dizer que a cidadania inexiste pois a maioria da população era formada
por cervos e escravos, predominando assim uma situação de desigualdade.

• Cartas Constitucionais / Declaração de Direito


 Surgiram na Revolução Francesa para fazer com que as leis traduzam uma vontade
geral da população. Por um lado o homem com direitos individuais, e por outro,
um cidadão que possui direitos políticos.

 Os cidadãos se constituem quando APARECEM no espaço público (política), e nele


INTERFEREM, por meio da PALAVRA e também de sua AÇÃO, buscando tratar de
INTERESSE COMUM.

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1- Em relação as Àgoras, se faz verdadeiro:

A) Eram cidades estado, que surgiram entre os séculos 7 e 8 a.C., para resolver
conflitos existentes nas comunidades gregas, decorrentes da crise administrativa
B) Era um certo tipo de união dos povos romanos para decidir de modo direto
acerca das normas, leis e assuntos de interesse comum.
C) Os exercícios democráticos eram desenvolvidos pelos cidadãos, os mesmos se
reuniam na praça pública. Esse termo é de origem grega denominada reunião.
D) Cada uma tinha um espaço delimitado, uma identidade, leis e regras, os muros
forneciam o contorno de seu território.

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