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Aula 06

AULA 06

 Fim da Vida
 Eutanásia, distanásia, ortotanásia e
mistanásia

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“O homem é o único ser sobre a Terra


que tem consciência da sua finitude, o
único a saber que sua passagem neste
mundo é transitória
e que deve terminar um dia.”
Edna Paciência Vietta

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Quando termina a vida humana?

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Eutanásia
 “É a boa morte, morte apropriada, o direito de morrer”
 É a morte da pessoa, que se encontra em grave sofrimento
decorrente de doença, sem perspectiva de melhora, com o
auxílio de médico, com o consentimento da pessoa;
 Elementos:
 Intenção
 Ação (eutanásia ativa): promover a morte mais cedo por motivo de
compaixão, ante o sofrimento insuportável. A provocação da morte de
paciente terminal ou portador de doença incurável, através de ato de
terceiro, praticado por sentimento de piedade.
 Omissão (eutanásia passiva): não realização da indicação terapêutica.
 Efeito da ação: proporcionar qualidade de vida humana na
sua fase final. (morte digna ?)
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Distanásia

 Prolongar, ao máximo, a quantidade de vida humana,


combatendo a morte como grande e último inimigo.
 Erra ao não discernir quando as intervenções terapêuticas
são inúteis e quando se deve deixar a pessoa morrer.
 Ocorre quando o médico, frente a uma doença incurável e
ou mesmo à morte iminente e inevitável do paciente
prossegue valendo-se de meios extraordinários para
prolongar o estado de "mortificação" ou o caminho natural
da morte.
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Ortotanásia

 No meio das duas espécies (EUTANASIA E DISTANASIA) figura a


ortotanásia, que significa a morte "no tempo certo", conceito
derivado do grego "orthos" (regular, ordinário). Em termos práticos,
considera-se ortotanásia a conduta omissiva do médico, frente a
paciente com doença incurável, com prognóstico de morte iminente
e inevitável ou em estado clínico irreversível.
 Neste caso, em vez de utilizar-se de meios extraordinários para
prolongar o estado de morte já instalado no paciente (que seria a
distanásia), o médico deixa de intervir no desenvolvimento natural
e inevitável da morte. Tal conduta é considerada ética, sempre que a
decisão do médico for precedida do consentimento informado do
próprio paciente ou de sua família, quando impossível for a
manifestação do doente.
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 A ortotanásia não se confunde com a chamada


eutanásia passiva.
 Na eutanásia passiva a conduta omissiva do médico que
determina o processo de morte, uma vez que a sua
inevitabilidade ainda não está estabelecida. Assim, os
recursos médicos disponíveis ainda são úteis e possíveis de
manter a vida, sendo a omissão do profissional, neste caso,
realmente criminosa.

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Mistanásia / Eutanásia Social

 É a morte miserável, fora e antes da hora.


 Nada tem de boa, suave ou indolor;
 Ocorre em três situações:
 Grande massa de doentes que não chegam a ser pacientes
pois não conseguem tratamento. Questões políticas, sociais
e econômicas.
 Pacientes vítimas de erro médico;
 Pacientes vítimas de má-prática no tratamento por motivos
econômicos, científicos ou sociopolíticos.

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 Diferenças com o suicídio assistido:


 Eutanásia: médico age com ação ou omissão para ter a
morte;
 Suicídio assistido: morte não depende diretamente de
ação de terceiro, pois ocorre por ação do próprio
paciente, o qual foi orientado, auxiliado ou observado
por terceiro;
 Em ambos deve-se ter a vontade do paciente, pois a
morte é voluntária.

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***Ver referência no final do próximo slide


Na Europa, continente que mais avançou na discussão, a
eutanásia é hoje considerada prática legal na Holanda e na
Bélgica.
Em Luxemburgo, está em vias de legalização (foi legalizado em
2009).
Holanda e Bélgica agiram em cadeia: a primeira legalizou a
eutanásia em abril de 2002 e a segunda, em setembro do mesmo
ano.
Na Suécia, é autorizada a assistência médica ao suicídio.
Na Suíça, país que tolera a eutanásia, um médico pode
administrar uma dose letal de um medicamento a um doente
terminal que queira morrer, mas é o próprio paciente quem deve
tomá-la.

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Já na Alemanha e na Áustria, a eutanásia passiva (o ato de desligar


os aparelhos que mantêm alguém vivo, por exemplo) não é ilegal,
contanto que tenha o consentimento do paciente.
A Europa é o continente mais posicionado em relação à eutanásia,
mas é provável que o Uruguai tenha sido o primeiro país a legislar
sobre o assunto. O Código Penal uruguaio, que remete à década de
1930, livra de penalização todo aquele que praticar “homicídio
piedoso”, desde que conte com “antecedentes honráveis” e que
pratique a ação por piedade e mediante “reiteradas súplicas” da
vítima.
Colômbia – 1997 -> suicídio piedoso
EUA: Oregon – 1997
EUA: Washington, Montana e Vermont -> 2014
(Veja on line, disponível em:
http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/perguntas_respostas/eutanasia/morte-pacientes-
etica-religiao-ortotanasia.shtml#4 – texto adaptado)
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 No Brasil:
 Aceita-se a distanásia, não há controvérsias; em nosso
direito não se considera, neste caso, a conduta médica
ilícita nem culpável.
 Admite-se, sob condições, a ortotanásia; julga-se a
conduta médica lícita do ponto de vista jurídico, quando
não significa a redução do período natural de vida do
paciente nem caracteriza abandono do incapaz.
 Rejeita-se categoricamente a eutanásia; como conduta
típica, ilícita e culpável, ela caracteriza homicídio, sendo
indiferente que o paciente com ela concorde ou mesmo por
ela implore.

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 A eutanásia suscita polêmica pelas mesmas razões que


fazem do aborto um motor de calorosos debates: porque
perpassa a bioética e também a moral de cada um. Não há
consenso a respeito da validade da prática nem mesmo
entre os médicos, porque não há acordo a respeito do que
sentem e pensam doentes em coma ou em estado
vegetativo.

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• Outros textos recomendados


 http://pt.wikipedia.org/wiki/Eutan%C3%A1sia
 http://www.ufrgs.br/bioetica/eutanasi.htm
 http://www.oabsp.org.br/palavra_presidente/2005/81/
 http://jus.com.br/revista/texto/1862/eutanasia-e-distanasia
 http://filosofiacienciaevida.uol.com.br/ESFI/Edicoes/38/artigo147877-
1.asp
 http://www.politize.com.br/eutanasia-o-que-e/
 Filme: A menina de ouro; Mar adentro
 Casos polêmicos:
http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2008/07/09/relembre_outros_cas
os_de_eutanasia_na_europa_nos_estados_unidos-547166524.asp
 http://www.migalhas.com.br/dePeso/16,MI129903,71043-
Ortotanasia+e+a+eutanasia+no+Brasil
 https://www.youtube.com/watch?v=0BCIkL2zclA
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Questões para debate (P05):

 A legalização da eutanásia é a observância do respeito pela autonomia


da pessoa?
 A pessoa pode rejeitar terapias e tratamentos ou está obrigada a seguir
as orientações médicas quando em risco de morte?
 Devemos respeitar a vontade da pessoa numa decisão tão fundamental?
 Com a legalização da eutanásia não se pretende apenas eliminar
situações de sofrimento intolerável? Isso não é uma questão de
dignidade?
 Dizem que com a legalização da eutanásia e do suicídio assistido, não se
toma qualquer partido a respeito de concepções sobre o sentido da vida
e da morte, e respeita-se, apenas, a vontade e as concepções sobre o
sentido da vida e da morte, de quem solicita tais pedidos. Isso procede?

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 Afinal, a medicina está voltada para a proteção da vida humana ou


para a proteção da pessoa humana?
 O que é vida digna?
 Dignidade e vida são conceitos que podem ser separados?
 Que riscos estão em jogo na legalização da eutanásia?
 Como o Biodireito poderia auxiliar nas questões que envolvem a
morte digna?

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