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Curso de Especialização em

Engenharia Naval
Módulo 3: Hidrodinâmica
Parte 1
Introdução e Resistência ao Avanço

Prof. Dr. Alexandre Nicolaos Simos

Especialização em Engenharia Naval – Módulo 3: Hidrodinâmica


Apresentação

 Prof. Alexandre Nicolaos Simos (alesimos@usp.br)


– Graduado em Engenharia Naval e Oceânica, em 1995
– Mestrado e Doutorado em Engenharia Naval pela EPUSP-PNV,
respectivamente em 1997 e 2001
– Pesquisador Visitante da Universidade de Michigan – Ann Arbor em
1999
– Pós-Doutoramento pela USP em 2002
– Professor Doutor junto ao Departamento de Engenharia Naval e
Oceânica da EPUSP desde 2002. Cursos ministrados:
• Mecânica dos Meios Contínuos (grad.)
• Métodos Computacionais para Engenharia I (grad.)
• Princípios Gerais do Projeto de Veleiros (grad.)
• Hidrodinâmica I (pós-grad.)

Especialização em Engenharia Naval – Módulo 3: Hidrodinâmica


Apresentação

 Pesquisa
– Área: Hidrodinâmica de Sistemas Oceânicos
– Foco: Modelagem Analítica e Numérica
– Linhas Atuais:
• Estudo de Movimentos de 2a Ordem de Sistemas Oceânicos em Ondas
(EPUSP/Petrobras)
• Estimação de Espectro Direcional de Ondas a partir dos Movimentos de um
Navio Estacionário (EPUSP/Petrobras)
• Interação Hidrodinâmica nas Forças de Correnteza de um Sistema FPSO-
Aliviador (EPUSP/Petrobras)
• Modelo de Air Gap para Plataformas Semi-Submersíveis (EPUSP/Petrobras)
• Desenvolvimento de um programa de predição de velocidades (VPP) e
simulador de manobra de veleiros (FAPESP)

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Apresentação

 Extensão
– Projeto e Construção de
um Veleiro-Escola para
Deficientes Físicos

EPUSP/FEVESP/FINEP

www.veleiro.usp.br

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O Módulo 3: Parte I

Data Período Horários Assunto


18:30h – 19:20h Apresentação: Professor, alunos e módulo 3

22/02/2007 19:20h – 20:10h Resistência ao Avanço: Introdução


Noite
Quinta-feira 20:10h – 21:00h Resistência Friccional
21:00h – 21:50h Resistência de Pressão Viscosa
18:30h – 19:20h Resistência por Geração de Ondas

23/02/2007 19:20h – 20:10h Métodos para Estimativa de Resistência


Noite
Sexta-feira 20:10h – 21:00h Ensaios em Tanque de Provas
21:00h – 21:50h Estimativa de Potência
08:00h – 08:50h Comportamento no Mar: Introdução
08:50h – 09:40h O Ambiente Marítimo: Ondas
Manhã
09:40h – 10:10h Ondas Regulares
24/02/2007
10:10h – 11:00h Ondas Irregulares
Sábado
13:00h – 13:50h O Conceito de Espectro de Energia
Tarde 13:50h – 14:40h Espectros de Energia Padrão
14:40h – 15:30h Aspectos de Geração de Ondas do Mar

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O Módulo 3: Parte II

Data Período Horários Assunto


18:30h – 19:20h Revisão dos Tópicos Anteriores

01/03/2007 19:20h – 20:10h Equações de Movimento e Períodos Naturais


Noite
Quinta-feira 20:10h – 21:00h Funções de Transferência dos Movimentos
21:00h – 21:50h Exemplos
18:30h – 19:20h Cálculo dos Movimentos: Cruzamento Espectral

02/03/2007 19:20h – 20:10h Exemplo


Noite
Sexta-feira 20:10h – 21:00h Período de Encontro
21:00h – 21:50h Estabilizadores
08:00h – 08:50h Manobrabilidade: Introdução
08:50h – 09:40h Modelagem Hidrodinâmica
Manhã
09:40h – 10:10h Ensaios em Tanque de Provas
03/03/2007
10:10h – 11:00h Testes de Mar
Sábado
13:00h – 13:50h Lemes: Principais Tipos
Tarde 13:50h – 14:40h Forças e Torque
14:40h – 15:30h Discussão e Encerramento

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Resistência ao Avanço
Introdução

 Resistência Hidrodinâmica:
– Força que se opõe ao movimento
de um corpo flutuante ou submerso

 Junto com o estudo de hidrostática


e estabilidade, é um dos tópicos
fundamentais da Arquitetura Naval

 Complexidade: Forças oriundas de efeitos da viscosidade do


fluido e interação entre efeitos viscosos e de ondas

 Ainda hoje, o modelo de cálculo se baseia em ensaios em tanque


de provas

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Resistência ao Avanço
Introdução

 O Problema da Viscosidade

Sir Isaac Newton


dV
 
dy
Philosophiae Naturalis Principia (1687)

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Resistência ao Avanço
Introdução

 Somente 150 anos depois a equação de movimento do fluido foi


formulada em sua forma atual, incluindo os efeitos da viscosidade
(tensões de cisalhamento):
v x v x vx v x 1 p    2 v x  2 v x  2 v x 
 vx  vy  vz        gx
t x y z  x   x 2 y 2 z 2 
v y v y v y v y 1 p    v y  v y  v y 
2 2 2

 vx  vy  vz      gy
t x y z  y   x 2 y 2 z 2 
v z v z vz vz 1 p    2 vz  2 vz  2 v z 
 vx  vy  vz        gz
t x y z  z   x 2 y 2 z 2 
Equações de Navier-Stokes (1822)

 Propriedades da água:
  1000 kg/m 3 (água doce)   1025 kg/m 3 (água salgada)

   106 m 2 /s

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Resistência ao Avanço
Introdução

 Até hoje, não há solução geral das equações de Navier-Stokes

 Mesmo sua solução numérica, através de algoritmos de CFD


(Computational Fluid Mechanics), ainda é muito limitada para o
problema de interesse (escoamento em torno do casco de um
navio)

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Resistência ao Avanço
Introdução

 Alternativas para reduzir a resistência?

1 - Planeio

Requisito Básico: Baixo Peso

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Resistência ao Avanço
Introdução

 Alternativas para reduzir a resistência?

2 - Hidrofólios

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Resistência ao Avanço
Introdução

 Alternativas para reduzir a resistência?

2 - Hidrofólios

Requisito Básico: Baixo Peso

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Resistência ao Avanço
Introdução

 Nosso Foco: Navios Mercantes

Requisito Básico: Alta Capacidade de Carga

Resistência Elevada Alta Potência de Motor


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Resistência ao Avanço
Introdução

 Projeto de um navio:

– Geometria do casco já se encontra bem estabelecida para garantir um


bom compromisso entre capacidade de carga, resistência, estabilidade
e conforto;

– Necessidade de se prever a resistência ao avanço de forma precisa


para se determinar a potência requerida de motor;

– Para isso precisamos conhecer os métodos para cálculo da resistência


ao avanço.

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Resistência ao Avanço
Composição

 Componentes da Resistência ao Avanço

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Resistência ao Avanço
Parâmetros Importantes

 Adimensionais que definem as características de resistência

– Número de Reynolds

VLW L VLW L Caracteriza os


Rn  
  efeitos viscosos

– Número de Froude

V Caracteriza a
Fn 
gLW L geração de
ondas

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Resistência ao Avanço
Parâmetros Importantes

 Análise Dimensional: Metodologia para identificação dos


parâmetros de controle de um problema em função das varáveis
presentes
– Consiste em escrever a quantidade procurada em função das
quantidades básicas:
• Massa (M)
• Comprimento (L)
• Tempo (T)

 Problema de Resistência ao Avanço de uma embarcação -Variáveis


envolvidas:
• Velocidade da embarcação (V);
• Tamanho da embarcação, que pode ser representado por L;
• Densidade do fluido ();
• Viscosidade do fluido ();
• Aceleração da gravidade (g);
• Pressão do fluido sobre o casco (p);

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Resistência ao Avanço
Parâmetros Importantes

 Escrevemos a força de resistência (R), em função das variáveis do


problema
R   aV b Lc  d g e p f
 Escrevemos cada variável em função das quantidades básicas:
a b d e f
ML  M   L  c  M   L   M 
 3    L    2  2 
         
2
T L T LT T LT
 E chegamos a:
d 2 e
R  VL   V   p 
f

      
V 2 L2     gL 
   V 2 

R  VL   V   p 
 f  ,  , 
 V 2 
V L
2 2
     
gL 

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Resistência ao Avanço
Resistência Friccional

 Componente de resistência oriunda do atrito do fluido sobre o


casco
 Em inglês: Friction Resistance
 Notação: Rf
 Coeficiente de Resistência Friccional:

RF 0
CF 0   f ( Rn )
1 / 2 SW V 2

 Modelo de Cálculo: Força equivalente sobre uma placa plana lisa


de mesma superfície SW

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Resistência ao Avanço
Resistência Friccional

 Essa parcela de força depende do escoamento na chamada


camada-limite

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Resistência ao Avanço
Resistência Friccional

 Como já havia antecipado Newton, a força de atrito sobre a placa


dependerá diretamente da viscosidade e da variação da velocidade
média do fluxo na chamada camada-limite.

0.99V
dV
 
dy


dV

dy

Visualização da camada limite laminar em placa plana(Rn = 500):


Condição de aderência e espessura  da camada limite.

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Resistência ao Avanço
Resistência Friccional

 A taxa de variação da velocidade na camada-limite depende das


características do fluxo, se é laminar ou turbulento

Baixos valores de
vazão/viscosidade
VD/

Altos valores de
vazão/viscosidade
VD/

Experiência de Reynolds: Transição do escoamento em dutos.


a) escoamento laminar (Rn = 1150); b) escoamento turbulento (Rn = 2520).

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Resistência ao Avanço
Resistência Friccional

 Taxa de variação da velocidade na camada-limite

1.0

0.9

0.8

0.7

0.6

Laminar
x2/

0.5

0.4

0.3

0.2
Turbulento
0.1

0.0
0.0000 0.2000 0.4000 0.6000 0.8000 1.0000 1.2000
v1/U

Blasius Turb

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Resistência ao Avanço
Resistência Friccional

 Coeficiente de Atrito em Placa Plana

CL Turbulenta

Transição
Fricção em placa plana sobre regime laminar e turbulento

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Resistência ao Avanço
Resistência Friccional

 Em geral, no estudo de navios os números de Reynolds são


bastante elevados, tipicamente acima de 108.
 A camada-limite sobre o casco é, assim, turbulenta.
 A função que representa o coeficiente de atrito de uma placa plana
em regime turbulento é a chamada Linha de Schoenherr (1932):
0.242
1/ 2
 log 10 ( Rn .C F 0 )
(C F 0 )

 ITTC (1957): Nova aproximação levando em conta a influência das


formas usuais de cascos sobre o atrito.

RF 0.075
CF  
1 / 2 SW V 2 (log 10 Rn  2) 2

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Resistência ao Avanço
Resistência Friccional

 ITTC (1957) X Schoenherr

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Resistência ao Avanço
Resistência Friccional

 CURIOSIDADE

– O menor atrito proporcionado pelo fluxo laminar levou a pesquisas


sobre mecanismos de redução da turbulência na camada-limite, dando
origem, por exemplo, ao desenvolvimento de:

• Mecanismos baseados na descarga de polímeros de cadeia-longa

• Revestimentos (shark-skin)

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Resistência ao Avanço
Resistência de Pressão Viscosa

 Componente de resistência oriunda do efeito da viscosidade sobre


o campo de pressão no casco
 Em inglês: Viscous-Pressure Resistance
 Notação: RVP

 Modelo de Cálculo: Não há método direto para cálculo dessa


parcela. Uma estimativa da mesma pode ser obtida a partir de
ensaios em tanque de provas

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Resistência ao Avanço
Resistência de Pressão Viscosa

 Desprezando os efeitos da viscosidade, a pressão no fluido se


relaciona com a velocidade do fluxo através da Equação de
Bernoulli
p v2
  gh  cte
 2

 Nesse caso, o campo de pressões sobre um corpo é tal que a força


de arrasto, obtida pela integral do campo de pressão, é NULA
(Paradoxo de D’Alembert)

 As regiões de proa e popa são regiões de pressão mais elevada,


enquanto o centro é uma região de pressão menor

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Resistência ao Avanço
Resistência de Pressão Viscosa

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Resistência ao Avanço
Resistência de Pressão Viscosa

 Na realidade, porém, a presença da camada-limite altera o campo


de pressão

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Resistência ao Avanço
Resistência de Pressão Viscosa

 Uma das principais alterações decorre da separação da camada-


limite, formando uma esteira rotacional à jusante do escoamento.
 A separação normalmente ocorre quando o fluxo próximo ao corpo
enfrenta um aumento mais intenso do campo de pressão.

Separação da camada limite na superfície de um corpo rombudo;


(a) corpo sem ponto saliente; (b) com ponto saliente (Batchelor (1970)).

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Resistência ao Avanço
Resistência de Pressão Viscosa

 Em geral, quanto mais rombudo o corpo, maior a tendência à


separação e maior a esteira

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Resistência ao Avanço
Resistência de Pressão Viscosa

 A esteira provoca uma redução do campo de pressão na região de


popa do corpo.

sem viscosidade

com viscosidade

 A diferença de pressão entre proa e popa origina o que chamamos


de arrasto de forma.

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Resistência ao Avanço
Resistência de Pressão Viscosa

 A resistência de pressão viscosa resulta, basicamente:


– Da modificação do campo de pressão;
– Da geração dos turbilhões (vórtices) na esteira;

 Os métodos empregados para cálculo da resistência normalmente


incorporam essa parcela através de um coeficiente de forma (k) do
casco:
CV  CF (1  k )

 Esse coeficiente é obtido através de ensaios em tanque de provas.

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Resistência ao Avanço
Resistência de Ondas

 Componente de resistência oriunda da geração de ondas pelo


casco. A “quebra” das ondas geradas, especialmente a onda de
proa, tem influencia sobre a resistência. Por essa razão costuma-
se dividí-la em “geração” e “quebra” de ondas
 Em inglês: Wave Resistance (wave-making e wave-breaking)
 Notação: RW
 Modelo de Cálculo: Não há método direto para cálculo dessa
parcela. É obtida em ensaios de tanque de provas juntamente com
a parcela de pressão viscosa.
 Métodos numéricos são capazes de fornecer uma boa previsão da
parcela de geração de ondas, mas não recuperam os efeitos de
wave-breaking.

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Resistência ao Avanço
Resistência de Ondas

 Geração de ondas: perturbação do campo de pressão do fluido


(hidrostático)

p v2
  gh  cte
 2

Aumento da pressão Elevação da Superfície


Redução da pressão Depressão na Superfície

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Resistência ao Avanço
Resistência de Ondas

 Estudo de Wigley (1931): Identificação dos “sistemas de ondas”

Primário
(comprimento
fixo)

Secundário
(comprimento
varia com V)

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Resistência ao Avanço
Resistência de Ondas

 A combinação das componentes forma o trem de ondas


característico:

19,5o

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Resistência ao Avanço
Resistência de Ondas

 A amplitude de onda gerada varia tipicamente com V2


 A energia de onda varia com a A2
 Assim:
Rw
CW   V 4

1 / 2 SW V 2

 Sobre essa variação média, há outra imposta pelo padrão de


interferência do sistema secundário

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Resistência ao Avanço
Resistência de Ondas

Construtiva

Destrutiva

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Resistência ao Avanço
Resistência de Ondas

 Curva típica de resistência de ondas (CW x Fn)

construtiva

construtiva

destrutiva

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Resistência ao Avanço
Resistência de Ondas

 Acima de uma certa velocidade,


a onda de proa “quebra” e isso
influencia a composição do
sistema de ondas.

 Em geral, o efeito é um aumento


de resistência.

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Resistência ao Avanço
Resistência de Ondas

 Bulbos de proa são dispositivos


projetados para reduzir a
amplitude da onda de proa e,
assim, a resistência RW

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Resistência ao Avanço
Resistência Total

 Além das três principais componentes de resistência


hidrodinâmica, algumas outras merecem destaque:

– Resistência Aerodinâmica
• Atrito e separação da camada-limite aerodinâmica sobre o casco emerso e
super-estrutura;
• Normalmente incorporada através de modelos simplificados (ex ITTC
1978).

– Resistência Adicional em Ondas (Added Waves Resistance)


• Acréscimo de resistência do navio quando navegando em ondas;
• Não há método direto para seu cômputo;
• Estimativas baseadas em ensaios de reboque em ondas;
• Como medida de projeto, algumas vezes considera-se um coeficiente de
aumento de resistência em ondas.

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Resistência ao Avanço
Resistência Total

 Proporção característica entre as componentes de resistência ao avanço

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Resistência ao Avanço
Métodos de Cálculo

 Estimativas Preliminares:
 Séries Sistemáticas
– Conjunto de regressões sobre resultados experimentais;
– Ensaios de modelos com variação sistemática dos parâmetros geométricos
(L/B, B/T, CB, CP, etc…);
– Séries para navios mercantes (ex. Série 60, Série de Taylor) desenvolvidas até a
década de 70;
– A maioria das séries para navios mercantes se encontra ultrapassada.

 Regressões Estatísticas
– Baseadas em resultados obtidos para um grande conjunto de navios de
diferentes tipos;
– Ex: Holtrop-Mennen, Lap-Keller, Hollenbach;
– São encontradas em diversos sistemas de CAD de aplicação naval.

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Resistência ao Avanço
Métodos de Cálculo

 Estimativas Preliminares:
 Navio Semelhante
– Comparação com navio semelhante (parent ship), caso exista;
– Fator de conversão mais comum: Coeficiente de almirantado

V 32 / 3
Potência

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Resistência ao Avanço
Métodos de Cálculo

 Determinação da Resistência: Ensaios em Tanque de Provas


– Realizados nos chamados tanques de reboque (towing-tanks)
– No Brasil: Tanque da Divisão de Transportes do Instituto de Pesquisas
Tecnológicas do Estado de SP (IPT)

Dimensões

L: 240 m

B: 6 m

H: 5 m

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Resistência ao Avanço
Métodos de Cálculo

– Emprego de Modelos em Escala Reduzida

– Fator de escala: l
Lr
L 
m

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Resistência ao Avanço
Métodos de Cálculo

 Problema: Impossível manter a semelhança de Rn e Fn


simultaneamente

– Impondo a igualdade de Fn:

Vm Vr Lm V r
Fn    Fn
m r
V V
m r

gL m
gL r
Lr l

– Impondo a igualdade de Rn:

V m Lm V r Lr Lr
Rn    Rn V  V m  lV r
m r m r

  L
Inviável

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Resistência ao Avanço
Métodos de Cálculo

 EXEMPLO: Navio Petroleiro (escala 1:100)

L pp  200 m
r
L pp  2,00 m
m

B r  40 m B m  0,40 m
T r  16 m T m  0,16 m

V r  20 kn  10,3 m/s

Mesmo Fn V m  1,03 m/s

Mesmo Rn V m  1030 m/s

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Resistência ao Avanço
Métodos de Cálculo

 EXEMPLO: Navio Petroleiro (escala 1:100)

L pp  200 m L pp  2,00 m
r m

B r  40 m B m  0,40 m
T r  16 m T m  0,16 m
V r  10,3 m/s V m  1,03 m/s

Fn  0,23  Fn
m r
Semelhança de RW

Diferença no nível de
Rn  2,06E6  Rn  2,06E9
m r
turbulência da
camada-limite

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Resistência ao Avanço
Métodos de Cálculo

 EXEMPLO: Navio Petroleiro (escala 1:100)

Rn  2,06E9
r

Rn  2,06E 6
m

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Resistência ao Avanço
Métodos de Cálculo

 Necessidade de garantir
a turbulência na
camada-limite do
modelo

 Dispositivo: Excitadores
de Turbulência
– Pinos
– Faixas de Areia

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Resistência ao Avanço
Métodos de Cálculo

 Metodologia para cálculo da resistência a partir dos ensaios:

 Proposta Original: William Froude (1870)


– Separação dos efeitos viscosos e de ondas

CT  CF ( Rn )  CW ( Fn )

– Procedimento para determinar


r
RT

– Similaridade de Froude:

Fn  Fn V r  l .V m
m r

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Resistência ao Avanço
Métodos de Cálculo

 Proposta Original: William Froude (1870)


– Procedimento
Vr
1. Mede-se a resistência total do modelo com velocidade V  m

l
RT m

m
CT
1 / 2 SW m (V m ) 2

2. Desconta-se a parcela friccional (placa-plana) para obter a


resistência de ondas
0.242
 log 10 ( Rn .CF 0 )
m m
CW  CT  CF 0 ( Rn )
m m m m
m
CF 0

3. Como Fn  Fn
m r

CW r  CW m

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Resistência ao Avanço
Métodos de Cálculo

 Proposta Original: William Froude (1870)


– Procedimento
4. Calcula-se o coeficiente de resistência total do navio:
0.242
 log 10 ( Rn .CF 0 )
r r
CT  CF 0 ( Rn )  CW
r r r m
r
CF 0

5. Obtem-se a resistência total do navio para velocidade de avanço V r

1
RT 
r
SW r (V r ) 2 CT r
2

– Problema: Não considera a resistência de pressão viscosa, que


também varia com o número de Reynolds

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Resistência ao Avanço
Métodos de Cálculo

Comparação entre medidas em Escala Real e em Escalas Reduzidas

CVP

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Resistência ao Avanço
Métodos de Cálculo

 Metodologia proposta pela ITTC 1978


– Baseada no Método de Froude, com alguns aprimoramentos:
– Mantém similaridade de Froude: V  l .V
r m

– CF calculado pela linha ITTC 1957:

0.075
CF 
(log 10 Rn  2) 2

– Inclusão da resistência de pressão viscosa através de um fator de


forma k
– Inclusão de fator de rugosidade do casco CA do navio real
– Inclusão de um fator de resistência aerodinâmica CAA do navio real:

CT  (1  k )CF  CW  C A  C AA

Especialização em Engenharia Naval – Módulo 3: Hidrodinâmica


Resistência ao Avanço
Métodos de Cálculo

 Procedimento ITTC 1978


RT m

m
1. Mede-se a resistência total do modelo: CT
1 / 2 SW m (V m ) 2

2. Desconta-se o coeficiente de resistência viscosa para obter o


coeficiente de resistência de ondas:
0.075
CF 
m
CW  CT  (1  k )CF
m m m
(log 10 Rn  2) 2
m

3. Calcula-se o coeficiente total do navio real:


0.075
CF 
r

(log 10 Rn  2) 2
r

CT  (1  k )CF  CW  CA  CAA
r r m
CA  0.00041 (cascos novos)
AT
C AA  0.001
SW
4. Resistência total do navio:
1
RT 
m
SW r (V r ) 2 CT r V r  l .V m
2
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Resistência ao Avanço
Métodos de Cálculo

 Procedimento ITTC 1978


5. O fator de forma, considerado o mesmo para o modelo e o navio real,

é obtido a partir da seguinte regressão sobre os resultados de

ensaios com diferentes velocidades:

CT m ( Fn m ) b
 (1  k )  a
CF m CF m

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Resistência ao Avanço
Métodos de Cálculo

Curva de Resistência Típica (CT x Fn)

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Resistência ao Avanço
Potência Requerida

 Potência Efetiva: Potência requerida para o navio se deslocar


com velocidade de avanço constante V
 Em inglês, Effective Horse Power (EHP)

EHP  RT V
 A potência instalada para mover o navio com velocidade V
deverá ser maior em virtude de fatores como eficiência do
propulsor, eficiência da transmissão, eficiência do motor, entre
outros.
 Maiores detalhes serão vistos no Módulo 5

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Resistência ao Avanço
Potência Requerida

 Exemplo: Estudo de resistência de um navio indicaram que o


coeficiente de resistência total para uma velocidade de 15 nós é
CT=0,0032.
Sabendo que Lpp = 140m, SW = 3300m2, calcule a potência efetiva
(EHP).
Considerar:  = 1025 kg/m3

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