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Erros meus, má fortuna, amor ardente

Luís Vaz de Camões


Renascentismo
Contextualização histórica e literária

• Pouco se sabe da vida de Luís Vaz de Camões. Julga-se que nasceu em Lisboa por volta de
1524 e terá morrido por volta de 1580 na mesma cidade.
• É considerado nos dias que correm um dos mais importantes poetas portugueses. Autor de
uma das obras mais emblemáticas de toda a literatura portuguesa e sua magnum opus, “Os
Lusíadas”.
• Viveu durante a transição da a época medieval para a época renascentista, como tal, teve a
oportunidade de vivenciar as influências histórico-culturais destes dois períodos.
• Importa salientar que para toda a sua projeção foi importante toda a cultura a que teve
acesso, o facto de ter sido militar no Norte de África, o facto de poder ter conhecido
não só a rota seguida por Vasco da Gama mas o Império Português no Oriente e como
conseguinte, toda a sua experiência de vida.
Tema / Assunto do poema

• O tema deste poema é o sofrimento do sujeito poético. É uma reflexão sobre a sua própria
vida pessoal, uma “autobiografia” e até mesmo uma retrospetiva a toda a sua própria vida.
• Após esta retrospetiva, o sujeito poético chega às seguinte conclusões:
 Os seus “Erros”;
 A sua “Má Fortuna” ; Foram os “principais culpados” para a sua vida
 E o “Amor” de infelicidade / sofrimento

• No poema, o sujeito lírico lamenta-se da sua vida desgraçada. Sente-se revoltado e demonstra
nos últimos versos um sentimento de desejo de mudança (vingança).
Estrutura Interna
Erros meus, má fortuna, amor ardente
em minha perdição se conjugaram;
os erros e a fortuna sobejaram,
que para mim bastava amor sòmente.
Este poema pode-se dividir em duas partes.

Tudo passei; mas tenho tão presente


• Na primeira parte do poema, o eu 1º Parte:
poético confessa que viveu uma vida de a grande dor das cousas que passaram,
sofrimento essencialmente “recheada” que as magoadas iras me ensinaram Verso 1 – 12
de sentimentos de tristeza e dor. a não querer já nunca ser contente.
• Na segunda parte do poema, o sujeito 2º Parte:
lírico recorre à interjeição “Oh!” para
Errei todo o discurso de meus anos;
demonstrar o seu sofrimento até
dei causa[a] que a Fortuna castigasse Verso 12 - 14
então. Ele espera que toda esta má sorte
(“Duro Gênio”) o pare de perseguir para as minhas mal fundadas esperanças.
ele poder finalmente viver dignamente.

De amor não vi senão breves enganos.


Oh! quem tanto pudesse que fartasse
este meu duro génio de vinganças!
Estrutura Externa
Erros meus, má fortuna, amor ardente A
em minha perdição se conjugaram; B
os erros e a fortuna sobejaram, B
que para mim bastava amor sòmente. A A rima é interpolada e
O poema “Erros meus, má fortuna, amor ardente”
é um soneto. É constituído por duas quadras e emparelhada, conforme
duas tercetos e os seus versos têm 10 sílabas o esquema rimático
Tudo passei; mas tenho tão presente A
métricas. ABBA
a grande dor das cousas que passaram, B
que as magoadas iras me ensinaram B
De a / mor / não / vi / se / não / bre / ves / en / ga (nos) a não querer já nunca ser contente. A
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

Errei todo o discurso de meus anos; C


dei causa[a] que a Fortuna castigasse D
A rima é interpolada,
as minhas mal fundadas esperanças. E conforme o esquema
rimático CDECDE
De amor não vi senão breves enganos. C
Oh! quem tanto pudesse que fartasse D
este meu duro génio de vinganças! E
Análise do Poema
Erros meus, má fortuna, amor ardente
O eu lírico exprime a sua
em minha perdição se conjugaram; tristeza relativamente à sua
vida passada e invoca três
os erros e a fortuna sobejaram, razões para tal.
que para mim bastava amor sòmente.

Recursos Expressivos: Tudo passei; mas tenho tão presente


a grande dor das cousas que passaram,
Ele perdeu toda esperança
que as magoadas iras me ensinaram sobre qualquer tipo de
• Enumeração v. 1 a não querer já nunca ser contente. felicidade que a vida lhe
pudesse trazer.
• Personificação v. 10
• Anástrofe v. 8 Errei todo o discurso de meus anos; Foi sempre iludido por um
amor impossível e irreal. A
dei causa[a] que a Fortuna castigasse Fortuna (destino) castigou-o
as minhas mal fundadas esperanças. por esta mal fundada
esperança.

De amor não vi senão breves enganos.


O soneto encerra com um
Oh! quem tanto pudesse que fartasse pedido, que traduz a tristeza
este meu duro génio de vinganças! e o desalento do sujeito
poético

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