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Conferencia 10. Recuperação de áreas degradadas.

Introdução.

Na aula anterior tratamos os aspectos principais dos estudos


de impacto ambientais entre eles: Noções gerais de direito
ambiental; Legislação ambiental em Angola; Etapas de
elaboração do EIA/RIMA e o Licenciamento ambiental.

Vamos estudar nesta aula:

• Os principais conceitos relacionados com Recuperação de


Áreas Degradada;
• Os Fundamentos e Procedimentos Básicos para a
Recuperação de Áreas Degradadas;
• Recuperação de áreas degradadas por mineração;
• Mineração e meio ambiente: desafios.
1. CONCEITOS FUNDAMENTAIS:

 Degradação.
Conjunto de processos resultantes de danos no meio ambiente,
pelos quais se perdem ou se reduzem algumas de suas
propriedades, tais como, a qualidade ou capacidade produtiva
dos recursos ambientais.

 Áreas degradadas.
São geradas por intervenções significativas nos processos do
meio físico.

 Degradação ambiental.
É um impacto ambiental negativo.

 Restauração ("restoration").
Reprodução das condições exatas do local, tais como eram
antes de serem alteradas pela intervenção.
 Degradação do solo.
Alterações adversas das características do solo em relação
aos seus diversos usos possíveis, tanto estabelecidos em
planejamento quanto os potenciais.

 Recuperação ("reclamation").
Local alterado é trabalhado de modo que as condições
ambientais acabem se situando próximas às condições
anteriores à intervenção; ou seja, trata-se de devolver ao local
o equilíbrio e a estabilidade dos processos atuantes.

 Reabilitação ("reabilitation").
Local alterado destinado a uma dada forma de uso de solo, de
acordo com projeto prévio e em condições compatíveis com a
ocupação circunvizinha, ou seja, trata-se de reaproveitar a
área para outra finalidade.
 Remediação ("remediation").
Ações e tecnologias que visam eliminar, neutralizar ou transformar
contaminantes presentes em subsuperfície (solo e águas
subterrâneas). Refere-se a áreas contaminadas.

O termo RECUPERAÇÃO é amplamente utilizado, por incorporar os


sentidos de restauração e reabilitação.
2. PROCEDIMENTOS BÁSICOS LIGADOS À RECUPERAÇÃO DE ÁREAS
DEGRADADAS.

É um principio basico de todas as legislações que:

Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a


recuperar o meio ambiente degradado, de acordo com
solução técnica exigida pelo órgão público competente.

Para elaboração de programas de recuperação de áreas


degradadas os empreendimentos devem ter licença própria do
órgão responsável. Portanto, os profissionais devem conhecer
as exigências (normas e dispositivos legais) que o estado tem
para o licenciamento do empreendimento em questão.

A seguir são apresentadas algumas medidas de recuperação


do meio físico em diferentes tipos de empreendimentos.
Boçoroca: Também conhecida como Voçoroca. Significa fenda, ravina,
ruptura na terra. É empregada em geologia para se referir a ravinas
onde o lençol freático foi atingido e que, em função disto, assume uma
dinâmica de evolução própria e até certo ponto independente das
águas superficiais, dando início ao processo de erosão remontante ou
regresiva.

3. FUNDAMENTOS DE RECUPERAÇÃO DE ÁREAS


DEGRADADAS.

 Objetivo. Estabilizar os processos do meio físico atuantes no


meio ambiente degradado (ou processos de degradação).

 Papel da geologia. Identificação e previsão do


comportamento dos fenômenos atuantes no meio físico
degradado e proposição de medidas para ações corretivas
necessárias.
 Técnicas de recuperação:
• Revegetação: desde a fixação localizada de espécies
vegetais (herbáceas ou arbóreas), até reflorestamentos
extensivos;
• Tecnologias Geotécnicas: execução de obras de
engenharia (com ou sem estruturas de contenção e
retenção), incluindo as hidráulicas, que visam a estabilidade
física do ambiente;
• Remediação: execução de métodos de tratamentos
predominantemente químicos (ou biológicos) destinados a
eliminar, neutralizar, imobilizar, confinar ou transformar
elementos ou substâncias contaminantes presentes,
atingindo a estabilidade química do ambiente.

 Solos degradados.
Para a recuperação de solos degradados necessita-se,
correção da degradação, no sentido de estabelecer o equilíbrio
dos processos do meio físico;
• Trabalhos de manutenção, de modo a evitar a reativação
destes processos e a conseqüente anulação das medidas
corretivas.

 Características de indicadores geológico-geotécnicos.

São indicadores quantificáveis que traduzem-se no estágio ou


grau de degradação do solos e permitem dimensionar os
esforços (técnicos e econômicos) aplicados num trabalho de
recuperação.

 Exemplos de indicadores geológico-geotécnicos.

• Feições erosivas de pequeno e grande portes;


• Feições de massa em movimentação;
• Posicionamento do nível freático;
• Dimensão do assoreamento;
• Alcance da poluição do solo;
• Evidências de colmatação do solo;
• Grau de compactação do solo;
• Grau de compactação do solo;
• Variações no pH da água.

4. RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS POR


MINERAÇÃO.

Pressionados pelos órgãos fiscalizadores, os empreendimentos


mineiros começaram a implementar os Planos de Recuperação
de Áreas Degradadas (PRAD). Neste contexto, o PRAD deve
apresentar: caracterização e avaliação completas das
atividades desenvolvidas ou a ser desenvolvidas pelo
empreendimento, assim como da degradação ambiental;
definição e análise das alternativas tecnológicas de recuperação;
definição e implementação das medidas de recuperação; e
proposições para monitoramento e manutenção das medidas
corretivas implementadas.
A seguir são apresentadas algumas áreas de empreendimentos
mineiros que devem ser tratadas no PRAD.

 Área de lavra.

Cavas (secas ou inundadas), frentes de lavra (bancadas ou


taludes), trincheiras, galerias subterrâneas, superfícies
decapeadas, etc .

 Área de infra-estrutura.

Áreas de funcionamento de unidades de beneficiamento, vias de


circulação, etc.

 Área de disposição de rejeitos.

Pilhas ou corpos de bota-fora, solos superficiais, estéreis, bacias


de decantação de rejeitos de beneficiamento.
 Principais alterações ambientais decorrentes da mineração.

O profissional que vai realizar o projeto de recuperação deve


estar atento para o conjunto de alterações que um
empreendimento mineiro pode causar, sendo que cada
empreendimento apresenta suas características próprias,
dependendo da sua localização, do tipo de minério, do tipo de
lavra, entre outros aspectos.

A tabela a seguir apresenta as principais alterações


ambientais decorrentes de mineração.
Em minerações existem dois tipos de recuperação de áreas
degradadas:
• a provisória
• a definitiva.
RECUPERAÇÃO PROVISÓRIA
Quando a área degradada ainda não tem seu uso final definido
(o que inviabiliza sua reabilitação no momento); ou quando o
uso final estiver planejado para longo prazo (as ações devem
buscar a estabilização dos processos atuantes, ou seja,
recuperação suficiente para o período em que a área esteja
desocupada).
RECUPERAÇÃO DEFINITIVA
Quando o uso final do solo estiver definido, o que requer
ações voltadas à estabilização da área, em conformidade
com a nova utilização e, necessariamente, de acordo com o
Plano Diretor do Município ou região. Neste caso evolui-se
para o reaproveitamento da área degradada, ou seja, sua
reabilitação.
Esses conceitos trazem embutidos fatores que influenciam o
desenvolvimento de uma mineração, e que por ventura podem
influenciar a recuperação das áreas degradadas, tais como:
fatores econômicos, tecnológicos, de planejamento,
mudanças de legislação, entre outros.

Deve-se ter em mente que, conforme esses fatores interagem


com a mineração, uma área pode ter uma recuperação
provisória ou definitiva.

Em qualquer dos casos é essencial a elaboração de


um plano de recuperação das áreas degradadas e
sua aprovação pelos órgãos ambientais responsáveis.

Tal plano pode sofrer mudanças ao longo do tempo, desde


que aprovadas pelos referidos órgãos.
A seguir veremos os procedimentos para recuperação de
áreas degradadas por mineração em áreas urbanas.

Atualmente, um dos grandes problemas ambientais são as


áreas de mineração em regiões urbanas, estejam elas em
funcionamento ou desativadas. Isso devido aos impactos
ambientais estarem interagindo diretamente com uma
população vizinha ao empreendimento.

Na figura a seguir são apresentadas etapas e procedimentos


básicos para recuperação das referidas áreas.

 Recuperação de áreas degradadas por mineração em regiões


urbanas etapas e procedimentos básicos.
5. MINERAÇÃO E MEIO AMBIENTE: DESAFIOS.

A recuperação de áreas degradadas por mineração


geralmente envolve diversos agentes, tais como o minerador,
o poder público, a comunidade e o proprietário do terreno.
Geralmente, uma área de mineração apresenta impactos
negativos que são permanentes, como no caso do relevo do
terreno, que na grande maioria das vezes, não retorna à sua
configuração original. Neste contexto, a reabilitação da área,
dando um novo uso para ela, se torna necessária.

Portanto, o planejamento ou programa prévio de recuperação


é benéfico tanto para a comunidade, poder público e
proprietário do terreno, como para o minerador, que conduzirá
suas atividades e o desenvolvimento da lavra, de acordo com
o previsto no programa de recuperação, economizando tempo
e dinheiro.
Surgem destas observações dois termos muito empregados na
recuperação de áreas degradadas.

 Reabilitação orientada de acordo com plano prévio.

Com base em decisões expressas em documento previamente


discutido, negociado e definido entre minerador, poder
público e comunidade diretamente envolvida, incluindo o
proprietário do solo.

 Recuperação simultânea à extração.

Corresponde à incorporação de técnicas disponíveis nas várias


etapas que compõem a mineração. Objetiva aglutinar o
conceito de recuperação ao cotidiano da mineração, não se
limitando ao final da atividade de extração, o que geralmente
dificulta - ou até inviabiliza - financeira e logisticamente a
recuperação da área.
A recuperação simultânea à lavra é amplamente aplicada
principalmente em minerações de grande e médio porte, por
facilitar o desenvolvimento da lavra, e principalmente por
razões de ordem econômica e legal.

Muitas minerações de pequeno porte realizam seus planos de


recuperação somente no papel, porém, a falta de uma decisão
de implantar realmente o plano, a ausência de profissionais
qualificados no quadro de empregados da mineração, etc,
muitas vezes prejudicam a recuperação simultânea,
raramente sendo realizada.

A figura a seguir apresenta as etapas básicas da recuperação


simultânea à extração
Na recuperação simultânea à extração, tem-se que
primeiramente definir o uso futuro que a área será destinada,
que deve levar em conta o Plano Diretor Municipal, as
intenções do proprietário do terreno e a viabilidade econômica
do projeto.
A comunidade interagirá na definição de uso futuro do solo
quando da audiência pública, no caso de empreendimentos
mineiros que tem exigência de elaboração de EIA/RIMA,
sendo que o Plano de Recuperação de Áreas Degradadas
(PRAD) deve ser englobado no EIA/RIMA.

O minerador terá de adequar suas atividades e o


desenvolvimento da mina de acordo com o programa de
recuperação. Portanto, o PRAD deve ser inserido ao Plano de
Lavra e no dia-a-dia da mineração.

Neste contexto, a execução do projeto é simultânea à lavra,


com todas as atividades integradas à recuperação, para que a
reabilitação dessas áreas esteja praticamente pronta à medida
que as frentes de lavra são desativadas. Tal procedimento
assegura que o custo da recuperação seja diluído ao longo da
atividade de extração. .
Se esse procedimento for adequadamente executado, ao final
das atividades de extração (exaurida a jazida), a área estará
totalmente reabilitada para o uso anteriormente definido.
EXERCÍCIOS.

1) Conceitue, com suas palavras, os seguintes termos


relacionados ao meio ambiente:

Degradação Área de Lavra


Restauração Área de Infra-Estrutura
Área de Disposição de
Recuperação
Rejeitos
Reabilitação Recuperação Provisória
Remediação Recuperação Definitiva
2) Você foi contratado por uma empresa para elaborar um
projeto de recuperação de uma boçoroca em área urbana. Essa
boçoroca, além de outros aspectos, está assoreando cursos
d´água fundamentais para o abastecimento de água do município.
Teoricamente, quais são as medidas corretivas que poderiam ser
propostas para o local ?

3) Um determinado bairro está localizado em uma área de risco.


Após chuvas intensas no local há a possibilidade de ocorrência de
escorregamentos. Você foi contratado para mapear feições
indicadoras de riscos nesta área. Quais feições você procuraria
identificar no campo ? Teoricamente, quais medidas você poderia
propor ?

4) Você está realizando um trabalho de recuperação de áreas


degradadas para uma mineradora que explora diabásio para brita
(a céu aberto). Quais alterações ambientais principais decorrentes
da lavra você esperaria encontrar ? Quais as técnicas de
recuperação da área degradada você poderia propor nesse caso ?
Trabalho de curso: Realize um estudo de Impacto ambiental
de um pojecto zona escolhido por vocês. (11/7 e 18/7).

O Estudo de Impacto Ambiental deve abranger as seguintes


informações:

1. Área de Influência do Projeto.


2. Planos e Programas Governamentais (Zoneamento
Ambiental).
3. Alternativas.
4. Descrição inicial do local.
5. Identificação e Avaliação dos Impactos Ambientais (AIA) do
Projeto.
6. Medidas mitigadoras.
7. Impactos desfavoráveis e previsão de orçamento.
8. Medidas Compensatórias.
9. Distribuição e Benefícios Sociais do Projeto.