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1.

CONCEITO DE EXTENSÃO RURAL


• Extensão Rural (ER) é um termo difícil de ser de ser definido por causa da
multiplicidade de objetivos e da diversidade dos meios para se atingir os
mesmos.

2. DIMENSÕES DA EXTENSÃO RURAL


• A E.R compõe-se de duas dimensões: uma comunicacional e outra
educacional, sendo um processo dinâmico que consiste em levar ao
produtor rural informações úteis e relevantes (dimensão
comunicacional), e ajuda-lo a adquirir conhecimentos, habilidades e
atitudes para utilizar com eficiência essas informações (dimensão
educacional).

3.OBJETIVO FINAL DA EXTENSÃO RURAL


• O objetivo final deste processo é o de tornar o agricultor capaz de
melhorar seu nível e qualidade de vida, pela utilização dos
conhecimentos, habilidades e informações adquiridas.

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4.METODOLOGIAS DE TRABALHO EM EXTENSÃO RURAL

• Neste sentido, a E.R. se confunde com a educação não formal e suas


metodologias de trabalho são empregadas em programas não
especificamente agrícolas, como higiene, desenvolvimento
comunitário e planejamento familiar.

5.ATIVIDADES E TIPOS DE ORGANIZAÇÕES ABRANGIDAS PELA


EXTENSÃO RURAL
• A ER é, portanto, um termo amplo, abrangendo as mais variadas
atividades, envolvendo diferentes tipos de organizações (públicas,
privadas e cooperadas), para atingir diversos públicos (homens,
mulheres, jovens), com diferentes mensagens sociais.

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6.FINALIDADE DO PROCESSO DE EXTENSÃO RURAL
• É o processo de estender, ao povo rural, conhecimentos
e habilidades, sobre práticas agropecuárias, florestais e
domésticas, reconhecidas como importantes e
necessárias à melhoria de sua qualidade de vida.

7.JUSTIFICATIVA PARA A EXISTÊNCIA DE UM


PROCESSO DE EXTENSÃO RURAL
• A própria justificativa para a existência de um serviço de
extensão é o de estimular a população rural para que se
processem mudanças em sua maneira de cultivar a
terra, de criar o seu gado, de administrar o seu negócio,
de dirigir o seu lar, de defender a saúde da família, de
educar os seus filhos e, por fim, de trabalhar em favor
da própria comunidade.

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8. O PAPEL DA EXTENSÃO RURAL

 O papel da extensão pode ser revelado através do desdobramento de suas


diferentes finalidades. Entre estas finalidades, estão as seguintes:

• Melhorar as condições econômicas e sociais da população rural.


• Aplicar os conhecimentos da ciência e a pesquisa aos problemas do agricultor e
sua família.
• Estender ao povo rural conhecimentos e habilidades, para a melhoria do seu
nível de vida.
• Estimular os processos de mudanças da população rural, nos campos técnico,
econômico e social.
• Preparar um dispositivo de disparo, que coloque em ação as aspirações e as
capacidades das pessoas para o progresso.
• Criar uma reação em cadeia que resulte em melhores condições de vida e de
trabalho para a população rural.
• Incorporar as massas rurais, através da educação, aos programas de
desenvolvimento de um país.
• Acelerar o desenvolvimento econômico e social das áreas rurais.
• Aumentar a renda do agricultor.
• Servir de ponte entre a pesquisa agropecuária e o produtor rural.

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9. HISTÓRICO DA EXTENSÃO RURAL NO BRASIL

9.1. implantação

• A implantação de uma mentalidade extensionista no


Brasil deve-se, em grande parte, ao trabalho pioneiro
desenvolvido pela ACAR – Associação de Crédito e
Assistência Rural, – fundada em 1948, em Minas
Gerais.

• Por sua vez, a criação da ACAR foi fruto dos esforços


feitos pela “American International Association,” a A.I.A.,
que estava empenhada em difundir o modelo do Serviço
de Extensão norte-americano, como meio de ajudar o
desenvolvimento econômico e social de alguns países
em fase de desenvolvimento.

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9.2. Expansão dos Serviços de Extensão Rural, no Brasil
A expansão dos Serviços de Extensão Rural, no Brasil, processou-se da
seguinte forma:

• Criação da ACAR – 1948

• Em dezembro de 1948, o Governo de Minas Gerais assinava convênio com


a A.I.A., criando a Associação de Crédito e Assistência Rural – ACAR, que
iniciou suas atividades a partir de janeiro de 1949.

• Introduzia-se, assim, no Brasil, a idéia extensionista, com o objetivo de


trabalhar pela promoção do homem rural.

• Surge a ANCAR no Nordeste – 1954

• Devido à criação do Banco do Nordeste do Brasil, com sede em Recife, em


1954, um grupo de líderes e autoridades resolveu criar uma entidade nos
moldes da ACAR, porém de âmbito regional, abrangendo os oitos Estados
do Polígono das Secas: Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba,
Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia.

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• Novos Serviços de Extensão surgem no Sul – 1955/56

• No Rio Grande do Sul, em junho de 1955, surge o terceiro Serviço


de Extensão, com o nome de Associação Sulina de Crédito e
Assistência Rural, – ASCAR, pela iniciativa de várias instituições
públicas e privadas, a qual iniciou suas atividades a partir de 1965.

• Por essa época, existia o “Programa de Cooperação Técnica Brasil


– Estados Unidos”, do qual fazia parte o Escritório Técnico de
Agricultura, ETA”, que funcionava em conjunto com Ministério da
Agricultura.

• O ETA contribuiu de forma decisiva para expansão dos serviços de


extensão, especialmente na região Sul do país.

• Com a participação técnica e financeira do ETA, foram criados e


iniciaram suas atividades, em 1956, mais dois serviços de extensão:
a Associação de Crédito e Assistência Rural do Estado de Santa
Catarina – ACARESC, e a Associação de Crédito e Assistência
Rural do Paraná – ACARPA.

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• Fundação da ABCAR – 1956
• O ano de 1956 foi decisivo para a consolidação da Extensão Rural no Brasil. Após a
criação dos Serviços de Extensão nos estados sulinos, houve um aceleramento no
ritmo de expansão dos serviços, e vários outros estados começaram tomar iniciativa,
para criar seus próprios Serviços de Extensão.

9.3. Empresas responsáveis pela Extensão Rural nos estados brasileiros

• Atualmente, as empresas responsáveis pela Extensão Rural nos estados brasileiros


são:
• EMATER (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural) – nos seguintes
Estados: Rio Grande do Sul, Paraná, Rio de Janeiro e Goiás
• EPAGRI (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Divisão Tecnológica) - em Santa
Catarina
• CATI (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral da Secretaria de Agricultura e
Abastecimento de São Paulo) - São Paulo
• EBDA (Empresa Baiana de Desenvolvimento Agropecuário S.A.) - na Bahia
• IDAM (Instituto de Desenvolvimento Agropecuário do Estado do Amazonas) –
Amazonas
• EMPAER (Empresa Matogrossense de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão
Rural S.A.)- Mato Grosso e Mato Grosso do Sul
• Além destas empresas, ressalta-se o trabalho de organizações não governamentais
brasileiras que se propõem a assessorar e apoiar o desenvolvimento rural.

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10.Definições de Extensão Rural

10.1. Processo educacional em Extensão Rural: é um processo


educacional que objetiva ajudar o povo (considerando povo – indivíduos e
instituições) interpretar e responder, de maneira apropriada, as mensagens
de mudanças que interessam à promoção do desenvolvimento sócio-
econômico do meio rural, através das forças vivas da comunidade.
10.2. Contextualização do processo educacional em Extensão Rural: é
um processo educacional baseado no conhecimento da realidade rural e
adequado às necessidades do meio, tendo a participação da família rural,
dos líderes da comunidade e o apoio das autoridades locais.
10.3. Extensão Rural como processo cooperativo: é um processo
cooperativo de mobilização da liderança política, econômica e social, tendo
em vista sua integração ativa no desenvolvimento da agricultura e na
elevação do nível de vida dos produtores rurais.
10.4. Finalidade do processo cooperativo em Extensão Rural: “é um
processo cooperativo, baseado em princípios educacionais, que tem por
finalidade levar, diretamente, aos adultos e jovens do meio rural,
ensinamentos sobre agricultura, pecuária e economia doméstica, visando
modificar hábitos e atitudes da família, nos aspectos técnico, econômico e
social, possibilitando-lhe maior produção e melhorar a produtividade,
elevando-lhe a renda e melhorando seu nível de vida.”

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11. OBJETIVOS DA EXTENSÃO RURAL
Os objetivos da Extensão Rural são de natureza educacional, por isso destinam-se a provocar
mudanças de comportamento do povo rural. Didaticamente, pode-se agrupar os objetivos em
duas classes:
11.1.Objetivo Principal ou Fundamental:O principal objetivo da Extensão Rural é contribuir
para o desenvolvimento rural, tendo em vista a melhoria da qualidade de vida da população
rural.
11.2.Objetivos Secundários ou de Trabalho
Esses objetivos constituem degraus, para se alcançar o objetivo principal, e são assim
enunciados:

11.2.1.Objetivos de natureza social


São aqueles que procuram aumentar o complexo de necessidade da família, ou o “querer”,
incentivando a busca de um melhor padrão de vida. A aspiração por um padrão de vida
melhor constitui-se num forte estímulo à obtenção de maior produção.

11.2.2.Objetivos de natureza comunitária


São aqueles que visam desenvolver, na população, o sentimento de grupo, como fator
indispensável à organização da classe rural, com o objetivo de encontrar solução para seus
problemas econômicos e sociais.

11.2.3.Objetivos de natureza econômico-financeira


São aqueles que irão possibilitar o aumento de renda da família rural. A questão econômica é
o ponto de partida para a melhoria das condições de vida.
Os objetivos de natureza econômico-financeira jamais poderão ser subestimados no trabalho
educacional de Extensão, pois eles têm grande importância para se alcançar as mudanças,
tanto no campo social, quanto no da tecnologia. A falta de condições financeiras é um fator
que dificulta, em muitos casos,a obtenção das mudanças.

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12.CARACTERÍSTICAS DA EXTENSÃO RURAL
De acordo com os objetivos de um trabalho de extensão, podemos
deduzir algumas das características da Extensão Rural e resumí-las
da seguinte forma:

• Extensão é um sistema educacional.


• Baseia-se na realidade rural.
• Trabalha com programas elaborados com a população.
• Trabalha de forma integrada com outras agências ou instituições.
• Estimula e utiliza a liderança e o trabalho em grupo.
• Adota a família como unidade de trabalho.
• Começa o processo educativo ao nível do agricultor.
• Articula-se com a pesquisa.
• Faz constante avaliação do trabalho em execução.
• Atua em consonância com a política de desenvolvimento do País.
• Deve ser um sistema apolítico.

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13.REQUISITOS BÁSICOS DA EXTENSÂO
Para que a Extensão Rural possa atingir os seus reais
objetivos de ordem prática, é necessário que se disponha
de uns tantos requisitos, entre os quais os mais
importantes são os seguintes:

• Disponibilidade de informações práticas, baseadas nas


necessidades reais.
• Disponibilidade de um sistema de pesquisa, para fornecer
as ditas informações.
• Disponibilidade de pessoal técnico, treinado para o
trabalho de extensão.
• Disponibilidade de bens de produção, a baixo custo.
• Disponibilidade de crédito.
• Disponibilidade de um Serviço de Extensão responsável e
bem estruturado, capaz de elaborar um bom Programa de
Extensão
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14.DIRETRIZES DA EDUCAÇÃO RURAL
A educação rural é parte integrante do desenvolvimento rural e apóia-se
em diretrizes fundamentais que a caracterizam:

 Participação da comunidade. Esta deverá ser da seguinte forma:

• Orgânica: desenvolvida pelos organizações de base da comunidade, ou


apoiando sua organização.
• Permanente: a comunidade deverá se fazer presente ao longo do processo
constitutivo.
• Democrática: reconhecer o direito de todos de participar num plano de
igualdade.
• Desenvolvimento de sua consciência (reflexão). A ação educativa deverá:
• Partir dos níveis de consciência já existentes na comunidade.
• Proporcionar uma metodologia de análise.
• Disponibilizar, para a comunidade, a informação necessária para que ela possa
conhecer a interrelação que existe entre sua realidade particular e um contexto
social maior.
• Vinculação com a atividade econômica e social (ação). A ação educativa deverá:
• Estar fundamentada na experiência direta de trabalho.
• Proporcionar elementos para o desenvolvimento de uma tecnologia adequada,
valorizando as práticas sociais existentes na comunidade.

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15.ARTICULAÇÃO - PESQUISA E EXTENSÃO
• Extensão e Pesquisa são interdependentes e se completam, em todos os níveis de
decisão.

• De igual forma, não se pode perder de vista a idéia da geração e difusão de


tecnologia como componentes de um processo. Este processo se inicia, com o
produtor, fazendo levantamento da definição dos problemas pesquisados.

• Passa pela experimentação que conduz a resultados parciais, prossegue com


teste da tecnologia gerada e conclui-se com a incorporação de tecnologia aos
sistemas de produção em uso pelos produtores.

16. UNIDADE DE OBSERVAÇÃO

• É um método da extensão utilizado para comprovar, no local que será aplicada,


tecnologias geradas e testadas em condições distintas ou para provar linhas de
exploração que tiveram êxito em outros lugares e verificar sua adaptação sob o
ponto de vista agrotécnico e econômico.

• O pesquisador, o extensionista e os produtores em cuja propriedade é montada a


unidade de observação, participam de todas as fases do método: planejamento,
implantação, acompanhamento e análise dos resultados.

• É preciso que os participantes do sistema não se percam no isolacionismo e


descontinuidade.
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