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Faculdade Estácio de Sá - FAL

Disciplina: Processo Civil III


Recursos e Procedimentos Especiais
Docente: Ana Ketsia B. M. Pinheiro

Aula 4
Dos Recursos em Espécie: Apelação
(continuação)
Efeito devolutivo

 A apelação, como qualquer outro recurso,


contém o efeito devolutivo.
 Por força do efeito devolutivo, são transferidas
ao órgão ad quem as questões suscitadas pelas
partes no processo, com o objetivo de serem
reexaminadas.
 O efeito devolutivo pode ser analisado em
relação à sua profundidade e à sua extensão.
Questões:

1. Quanto à extensão, o grau de devolutividade é


definido por quem? E quanto à profundidade?
2. É somente a matéria efetivamente abordada na
sentença que poderá ser inserida no efeito
devolutivo da apelação?
3. Uma vez extinto o processo sem exame de
mérito pela sentença proferida pelo juiz de
primeira instância, poderá o tribunal, ao dar
provimento à apelação, adentrar o exame de
mérito?
Efeito suspensivo

Nos termos do caput do art. 1.012 do NCPC, a


apelação deve ser recebida tanto no efeito
devolutivo como no suspensivo.

EXCEÇÃO: A apelação é desprovida de efeito


suspensivo, contendo, apenas, o efeito devolutivo
nos casos previstos no próprio art. 1.012 do NCPC
Não tem efeito suspensivo a sentença
que:
 Homologar a divisão ou demarcação de terras
(inciso I): essa sentença é constitutiva e pode
produzir efeitos imediatos, ainda que na
pendência de recurso;

 Condenar a pagar alimentos (inciso II): não é o


caso da sentença que majora ou diminui o valor
da pensão, porquanto sejam hipóteses de
sentenças constitutivas;
 Extinguir sem resolução do mérito ou julga
improcedentes os embargos do executado
(inciso III): O objetivo do inciso é favorecer o
exequente, permitindo o prosseguimento da
execução, mesmo se interposta apelação contra
sentença que rejeitou ou julgou improcedentes
embargos à execução.
 Julgar procedente o pedido de instituição de
arbitragem (inciso IV): nos termos do art. 7º da
Lei 9.307/96, que se refere a hipótese de furtar-
se ao compromisso arbitral qualquer das partes
que subscreveram a cláusula compromissória.
Art. 7º Existindo cláusula compromissória e
havendo resistência quanto à instituição da
arbitragem, poderá a parte interessada requerer
a citação da outra parte para comparecer em
juízo a fim de lavrar-se o compromisso,
designando o juiz audiência especial para tal fim.
§ 7º A sentença que julgar procedente o pedido
valerá como compromisso arbitral.
 Confirmar, conceder ou revogar tutela provisória
(inciso V);
 Decretar a interdição: tendo em vista o art. 755,
§ 3º, NCPC, e o art. 1773 do Código Civil.

Art. 755, § 3o A sentença de interdição será inscrita


no registro de pessoas naturais e imediatamente publicada
na rede mundial de computadores, no sítio do tribunal a
que estiver vinculado o juízo e na plataforma de editais do
Conselho Nacional de Justiça, onde permanecerá por 6
(seis) meses, na imprensa local, 1 (uma) vez, e no órgão
oficial, por 3
(três) vezes, com intervalo de 10 (dez) dias, constando
do edital os nomes do interdito e do curador, a causa da
interdição, os limites da curatela e, não sendo total a
interdição, os atos que o interdito poderá praticar
autonomamente.
Hipóteses na legislação extravagante em
que a apelação não tem efeito suspensivo:

 Lei de Ação Civil Pública (art. 14 da Lei Federal


n. 7347/1985);
 Sentença que concede o Mandado de
Segurança (art. 14, § 3º, Lei 12.016/2009);
 Sentença em ações de desejo (art. 58, inciso V,
da Lei federal n. 8.245/1991);
 Sentença que conceder o habeas data (art. 15,
parágrafo único, da Lei n. 9.507/1997);
 Sentença que deferir adoção, salvo se se tratar
de adoção internacional ou se houver perigo de
dano irreparável ou de difícil reparação do
adotando (art. 199-A, Lei n. 8.069/90);

 Sentença que destituir ambos ou qualquer dos


genitores do poder familiar (art. 199-B, lei n.
8.069/90).
Recebimento da apelação
• A petição do apelante é dirigida ao juiz prolator
da sentença impugnada que, ao recebê-la, deve
o juiz intimar o recorrido para contrarrazões.

• A seguir, o juízo a quo deve enviar o recurso para


o Tribunal (juízo ad quem);

• Omitindo a declaração dos efeitos do recurso, a


decisão que recebe a apelação deve ser tida
como portadora do duplo efeito legal.
• As questões resolvidas na fase de conhecimento,
se a decisão a seu respeito não comportar agravo
de instrumento, não são cobertas pela preclusão
e devem ser suscitadas em preliminar de
apelação, eventualmente interposta contra a
decisão final, ou nas contrarrazões.
Juízo de retratação: reexame da matéria
decidia na sentença apelada por ato de
seu próprio prolator
 Publicada a sentença, está encerrada a tarefa
de acertamento a cargo do juiz.
 Torna-se inalterável o decisório por ato do
respectivo julgador, a não ser que haja erro
material ou de cálculo a corrigir ou que tenham
sido interpostos embargos de declaração para
eliminar obscuridade, contradição ou omissão
da sentença (NCPC, art. 494).
 Com a sentença, a possibilidade de reforma do
conteúdo do julgado depende de interposição
do recurso de apelação e somente competirá
ao Tribunal de segundo grau, em regra.

 O efeito devolutivo do recurso gerará o


deslocamento da causa para órgão judicante
hierarquicamente superior.

 Em alguns casos excepcionais, interposta a


apelação, a lei abre oportunidade ao juiz de
rever sua sentença, podendo, assim, impedir a
subida do processo ao tribunal.
Hipóteses de possibilidade de retratação
na Apelação
 Quando a sentença for de indeferimento da
petição inicial, o art. 331 do NCPC faculta ao
juiz, diante da apelação formulada pelo autor,
reformar sua própria decisão, no prazo de 5
dias.

 Somente se o juízo de retratação não ocorrer é


que os autos serão encaminhados ao tribunal.
Se o juiz se retratar, a apelação ficará sem
objeto.
Muito Importante!
 O NCPC amplia o juízo de retratação da
sentença para todas as hipóteses de
extinção sem resolução de mérito.

Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando:


I - indeferir a petição inicial;
II - o processo ficar parado durante mais de 1 (um) ano
por negligência das partes;
III - por não promover os atos e as diligências que lhe
incumbir, o autor abandonar a causa por mais de 30
(trinta) dias;
IV - verificar a ausência de pressupostos de constituição
e de desenvolvimento válido e regular do processo;
V - reconhecer a existência de perempção, de
litispendência ou de coisa julgada;
VI - verificar ausência de legitimidade ou de interesse
processual;
VII - acolher a alegação de existência de convenção de
arbitragem ou quando o juízo arbitral reconhecer sua
competência;
VIII - homologar a desistência da ação;
IX - em caso de morte da parte, a ação for considerada
intransmissível por disposição legal; e
X - nos demais casos prescritos neste Código.
§ 7o Interposta a apelação em qualquer dos casos de que
tratam os incisos deste artigo, o juiz terá 5 (cinco) dias
para retratar-se.
 Também na hipótese de processos seriados, em
que o juiz autoriza a proferir a sentença de
improcedência in limine litis, antes mesmo da
citação do réu (NCPC, art. 332), há previsão
legal de que, ocorrendo apelação do autor, terá
o juiz a faculdade de, em cinco dias, “não
manter a sentença e determinar o
prosseguimento da ação” (art. 332, § 3º).
Deserção
Denomina-se deserção o efeito produzido sobre o
recurso pelo não-cumprimento do pressuposto do
preparo no prazo devido.
Sem o pagamento das custas devidas, o recurso é
inadmitido, provocando coisa julgada sobre a
sentença apelada.

No RN, os valores do preparo estão na Tabela de


Custas (Lei Estadual 9.619/12) e são os seguintes:
Apelação Cível e Recurso Adesivo: R$ 152,18
APELAÇÃO NOS JUIZADOS ESPECIAIS CÍVEIS

A Lei 9.099/95 optou por reduzir


significativamente o arsenal de recursos que é
permitido pelo CPC, simplificando o processo a tal
ponto que restringiu a manifestação de
inconformismo basicamente ao Recurso
Inominado.

 O Recurso Inominado do Juizado Especial Cível


equivale ao Recurso de Apelação, e serve para
atacar sentenças desfavoráveis;
 O processo é submetido à análise de um órgão
colegiado, formado por 3 (três) juízes de 1º grau
de jurisdição, denominado Turma Recursal
Cível, (§ 1º, art. 41 da Lei 9.099/95 e art. 2º
inciso V da lei 2.556/96).
Dispõe o art. 41 da Lei 9.099/95: “Da sentença,
excetuada a homologatória de conciliação ou
laudo arbitral, caberá recurso para o próprio
juizado.”
CUSTAS JUDICIAIS DO RECURSO NO JUIZADO
ESPECIAL CÍVEL
 Nas causas de valor até R$ 500,00: R$ 46,82
 Nas causas de valor entre R$ 500,01 à R$
1.000,00: R$ 93,65
 Nas causas de valor entre R$ 1.000,01 à R$
2.000,00: R$ 152,18
 Nas causas de valor entre R$ 2.000,01 à R$
5.000,00: R$ 234,12
 Nas causas de valor entre R$ 5.000,01 à R$
7.500,00: R$ 351,18
 Nas causas de valor acima R$ 7.500,00: R$
468,25
Justo Impedimento
Se algum obstáculo impedir o apelante de realizar
o preparo até o momento da interposição do
recurso, restará a possibilidade de provar,
posteriormente, “o justo impedimento”, à vista do
qual caberá ao juiz relevar a deserção, fixando-lhe
prazo de cinco dias para efetuar o recolhimento
das custas (art. 1.007, § 6º, NCPC).

Importante
A decisão que releva a deserção se apresenta,
legalmente, como irrecorrível (NCPC, art. 1.007, §
6º).
Não esqueça:
O preparo a menor não gera automaticamente
deserção do apelo. Caberá ao juiz ordenar a
intimação da parte para complementá-lo no prazo
de cinco dias (NCPC, art. 1.007, § 2º).
Somente após o decurso deste prazo é
que será possível declarar-se deserto o
recurso.
Prazo da Apelação
 15 dias - para apelar e para contrarrazoar a
apelação (NCPC, art. 1.003, § 5º), aplicando-se
também esse prazo às ações de rito
sumaríssimo.
Se, todavia, o prazo é superado em razão de
obstáculo do serviço forense, não pode a parte
ficar prejudicada, dado que, durante o embaraço
judicial, não flui nenhum prazo.

Atenção! O tribunal ad quem, antes de apreciar


a apelação, deverá decidir os agravos de
instrumento, porventura interpostos no mesmo
processo (NCPC, art. 946).
A competência funcional para julgar o recurso é
de câmara ou turma do tribunal - o voto é tomado
de três juízes, que formam a denominada “turma
julgadora” (NCPC, art. 941, § 2º). Há, porém,
possibilidade de o relator, em casos de
divergências, propor seja o recurso julgado por
um colegiado maior previsto no regime interno.

Novo CPC, art. 942. Quando o resultado da apelação


for não unânime, o julgamento terá prosseguimento
em sessão a ser designada com a presença de outros
julgadores, que serão convocados nos termos
previamente definidos no regimento interno, em número
suficiente para garantir a possibilidade de inversão do
resultado inicial, assegurado às partes e a eventuais
terceiros o direito de sustentar oralmente suas razões
perante os novos julgadores.
§ 1o Sendo possível, o prosseguimento do julgamento
dar-se-á na mesma sessão, colhendo-se os votos de
outros julgadores que porventura componham o órgão
colegiado.
§ 2o Os julgadores que já tiverem votado poderão rever
seus votos por ocasião do prosseguimento do
julgamento.