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ARGUMENTAÇÃO,

DOGMATISMO E CRÍTICA
PROF. ALEXANDRE H. REIS
O QUE É UM ARGUMENTO?

SUPONHAMOS QUE ALGUÉM DIGA:


Os brasileiros interessam-se por política tal como se interessam por futebol
Ora, o Sr. Nobre é brasileiro e portanto seu interesse por política é tal como o seu
interesse por futebol.
DEFINIÇÃO

Observem que o argumento tem premissas e uma conclusão. A palavra ora articula as
duas primeiras proposições, configurando-as como pontos de partida. A palavrinha
portanto, pelo seu caráter conclusivo, estabelece uma espécie de ponto de chegada,
configurando a última oração como uma consequência do que foi dito anteriormente.
Esta estrutura linguística determinada pode ser chamada de discurso. De início,
podemos definir o argumento como aquele discurso no interior do qual se extrai uma
consequência. Pensando assim, estamos equivalendo o argumento ao raciocínio.
Apesar das diversas formas de argumentos, esta estrutura está sempre presente: ele é
formado por premissa(s)
TIPOS DE ARGUMENTO

• Argumento demonstrativo: adesão racional através de uma demonstração.


• Argumento retórico: adesão emocional através da persuasão.

o primeiro é objeto da Lógica, o segundo, da Retórica


Imagine que um governo autoritário apresente o segundo discurso:

Todo aquele que concorda comigo quer o bem da nação.


Todo aquele que discorda de mim é subversivo.
Todo subversivo quer a desgraça da nação.
Todo aquele que quer a desgraça da nação deve ser punido.
Logo,
aquele que discorda de mim deve ser punido.

Qual a técnica aqui usada pelo governo?

A emoção do medo que se impõe como peso decisivo na avaliação do


argumento: as opções do ouvinte são, ou aceitar ideias com as quais
não concordam ou sofrer algum tipo de punição, a exemplo da tortura.
Retomemos o argumento do Sr. Nobre

Os brasileiros interessam-se por política tal como se interessam por futebol


Ora, o Sr. Nobre é brasileiro e portanto, seu interesse por política é tal como o seu interesse por futebol.

Estrutura: Todo B é P
NéB
NéP
Os
A brasileiros interessam-se por política tal como se interessam por futebol Antecedente
Ora, o Sr. Nobre é brasileiro
Inferência

E portanto seu interesse por política é tal como o seu interesse por futebol. Consequente
A primeira coisa a ser feita, diante de um argumento, é reconhecer o seu antecedente (ou seja, as
premissas) e reconhecer o seu antecedente (conclusão).
A análise de um argumento é a verificação daquilo que nos permite passar das premissas à conclusão.
A LÓGICA se define como a ciência da inferência válida. O argumento que expressa uma inferência válida é
correto, sendo o objeto desta ciência
A RETÓRICA se define como a ciência da inferência não válida ou aparente. O argumento que expressa
este tipo de inferência não é correto, mas aparenta ser correto e é chamado de FALÁCIA.
AS PRINCIPAIS FALÁCIAS

• Irving Copi: “Definimos falácia como uma forma de raciocínio que parece correta, mas que, quando
examindada cuidadosamente, não é”.

As falácias são classificadas em dois tipos, como formais e não-formais.

As falácias seriam chamadas pelos lógicos de irrelevantes, uma vez que das suas premissas não é possível
passar à conclusão, digamos, logicamente. Mas a questão é que há outras técnicas usadas para esta
inferência, que são técnicas psicológicas variadas. E do ponto de vista psicológico, para compreender a
argumentação, estas falácias são relevantes. Vejamos os tipos mais usados e mais comuns, tanto no senso
comum quanto na ciência.
• Argumentum ad Baculum. (“A força gera o direito”), trata-se do recurso a métodos
não racionais de intimidação que pode ser sutil, aberto e até a ameaça. Um exemplo
histórico: Conta Harry Hopkins que durante a Segunda Gerra mundial houve um
encontro com os três grandes em Yalta, e Churchill informara aos demais ter sugerido
ao Papa que um determinado curso de ação seria correto. E Stalin teria manifestado
seu desacordo nestas palavras: “E quantas divisões disse o senhor que o Papa tem
prontas para entrar em combate?”
• Argumentum ad Hominem (ofensivo). Trata-se de um argumento em que qualidades
da pessoa são usadas como premissas para se forçar uma conclusão sobre o seu
pensamento, sua obra, suas ideias. Ocorre quando em vez de refutar a verdade do
que se afirma, parte-se de um ataque ao homem. Um exemplo: As teorias de Francis
Bacon são indignas de confiança, uma vez que ele foi demitido do cargo de Chanceler
por desonestidade. Este argumento é uma falácia porque o caráter pessoal de um
homem é ilogicamente irrelevante para determinar a verdade ou falsidade do que
ele diz ou a correção ou incorreção de seu raciocínio.
Uma variação do argumento ad hominem pode se dar de acordo com suas circunstâncias. É, por isso,
chamado de argumento ad hominem circunstancial.
Imagine que alguém me diga: você não pode caçar animais inofensivos para sua própria diversão,
quem faz isso é um bárbaro. Eu poderia replicar: Ah é? E por que você se alimenta com a carne do gado
inocente? Neste caso, sou acusado pela caça esportiva de bárbaro e devolvo com um ad hominem: o meu
acusador não ouviu de mim uma argumentação que procurou mostrar que é correto sacrificar animais
para satisfação própria, mas que não poderia me criticar por não ser vegetariano, ou seja, dada a certas
circunstâncias especiais em que se encontra. Mesmo não sendo um argumento válido, ele pretende
conquistar o assentimento de algum antagonista, ou da plateia, dada as circunstâncias do interlocutor e
costumam ser bastante persuasivos.
• Argumento ad Ignorantiam. Este tipo de argumento falacioso é sempre cometido quando uma
proposição é sustentada como verdadeira na media em que, simplesmente, não se demonstrou que é
falsa. É muito comum no campo dos fenômenos psíquicos, a telepatia, ufologia, etc. sobre os quais não
há provas claras nem pró nem contra. Muitas pessoas cultas cometem estas falácias.
• Exemplos clássicos: fantasmas existem, dado que não se provou a sua inexistência.