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ABRAHAM JOSHUA

HESCHEL
ABRAHAM JOSHUA HESCHEL
* 11 de janeiro de 1907
+ 23 de dezembro de 1972
Nasceu em Varsóvia - POLÔNIA
Filho de Moshe Mordechai Heschel e Reizel Perlow
Heschel
Casa-se em 1946 com Sylvia Strauss
Filha Susannah Heschel

Teólogo e Filósofo judeu, professor e escritor


ligado a movimentos ativistas
Descendente de rabinos europes tanto por
parte de pai como de mãe

Educação em escola rabínica


Participou de grupos de poesia
Graduou-se em Filosofia
Doutorou-se na Universidade de Berlim em
História
Sua Tese “The Prophets” (1932) foi lançada postumamente
como livro em 1936

Possíveis influências encontradas em suas obras:


FILOSOFIA HASSÍDICA

ESCOLA DE FRANKFURT

PANENTEÍSMO

PLURALISMO RELIGIOSO (SÉC. XX)

KABBALHA

TEOTROPISMO (???)
 Devido às graves perseguições nazistas,
refugia-se em Londres, depois Nova Iorque
 Nos EUA assume postura de militância

“Nossas boas ações são atos de comunhão


com Deus”
Direitos Civis
APARTHEID
Judeus Russos
Guerra no Vietnã
CONCÍLIO VATICANO II
1951 – O SCHABAT – SEU SIGNIFICADO
PARA O HOMEM MODERNO

1951 – O HOMEM NÃO ESTÁ SÓ

 1955 – DEUS EM BUSCA DO HOMEM

 1962 – O ÚLTIMO DOS PROFETAS

O HOMEM À PROCURA DE DEUS


 Heschel, em seu livro Deus em busca do
Homem, indica a via religiosa como um
trajeto para o conhecimento. Segundo ele,
o percurso da narrativa bíblica serve à
consciência que se abre para o drama da
condição humana;
 O autor nos incita a compreender e a
reformular questões às quais atribui
significado efetivo para o entendimento
da estrutura dos conceitos fundamentais,
comuns à ciência, à filosofia e à teologia;
 Proporciona também embasamento
para uma renovada perspectiva da
Filosofia da Religião, sob o ponto de
vista do pensamento judaico.;
 Tece críticas à teologia, entendendo-a
como, essencialmente, descritiva,
normativa e histórica, valorizando o
método e o espírito da indagação
filosófica.
No sentido estrito, Heschel pretende
evidenciar as diferenças entre o
pensamento grego e o judaico, a fim de
relevar aspectos prioritários à consciência
religiosa, demonstrando a importância
epistemológica dessa abordagem.

Ela é inseparável da exigência de


honestidade intelectual que possibilite o
autodiscernimento dentro do judaísmo,
condição para restabelecer uma avaliação
crítica da filosofia da religião.
 A perspectiva hescheliana de pensar o
problema humano tem como postulado a
concepção do homem bíblico e sua
relação com o divino, e o sujeito como
coparticipante da criação.
 Nela, o pensamento crucial, na
mensagem dos profetas, não é a presença
de Deus para o homem, mas, antes, a
presença do homem para Deus. Por isso,
Heschel compreende a Bíblia mais como
uma antropologia de Deus do que uma
teologia do homem.
“Os profetas não falam tanto no
interesse do homem por Deus, como
no interesse de Deus pelo homem”
(HESCHEL, Deus em busca do
Homem, p.16).

Nossa capacidade de buscá-lo é


intrínseca a Ele.
→ O pensamento conceitual;

 → O pensamento situacional;
 O predomínio da razão na filosofia é
a principal diferença em relação ao
pensamento religioso, para o qual
todo discernimento está relacionado
com a vontade de Deus. Heschel
adota a perspectiva epistemológica
do pensamento aberto, que se
sobrepõe àquela que se dirige de
imediato para a busca de soluções.
 Para o autor, no processo do
pensamento é de suma importância
formular questões, pois, em suas palavras,
“uma resposta sem uma pergunta é
privada de vida. Pode entrar na mente;
não penetrará na alma. Pode tornar-se
uma parte do intelecto; não chegará a ser
uma força criativa” (HESCHEL, Deus em
busca do Homem, p.16).
 A teologia, por sua vez, refere-se a um
sentido último, o que, para o autor, diz
respeito às respostas de caráter
dogmático, antecipadamente formuladas,
restringindo a liberdade de pensamento,
pois se ocupam principalmente da
descrição, da norma e da história a
respeito de como Deus se apresenta para
o humano. Deixa de lado a necessidade
premente de estabelecer o homem
como centro da preocupação no
relacionamento com Deus.
 Ao propor uma teologia da profundidade,
Heschel aponta o que considera um erro
grave da teologia conceitual: o fato desta
ter separado a existência dos atos
religiosos das afirmações acerca da
própria teologia.
Ele diz que as idéias a respeito da fé não
devem ser estudadas de modo totalmente
apartado dos momentos de fé, pois,
nestas ocasiões, a experiência do homem
em se conectar intimamente pela atitude
de reverência e, religiosamente,
encaminhar-se em direção à Luz, não
pode ser apreendida apenas pela
formulação de um conceito (HESCHEL,
Deus em busca do Homem, p. 21).
“Quando a fé é substituída pela profissão
de fé, a adoração pela disciplina, o amor
pelo hábito; quando a crise de hoje é
ignorada por causa do esplendor do
passado, a fé se torna mais propriamente
uma herança tradicional do que uma fonte
de vida; quando a religião fala mais pela
autoridade do que pela voz da compaixão,
sua mensagem torna-se sem significado. A
religião é uma resposta aos problemas
fundamentais do homem” (HESCHEL,
Deus em busca do Homem, p. 15).
Vemos que o autor propõe manter esta
questão como o foco principal da filosofia
da religião, relacionado com a tarefa
fundamental de descobrir os problemas
para os quais a religião é uma resposta
relevante. Volta a abordagem filosófica
para o âmbito existencial, o que implica
trabalhar com a descrição das
experiências da consciência na atividade
do conhecimento.
Considera não só a questão do Homem
em geral, mas também a de cada homem
em particular, pois o conhecimento
filosófico deve se estender ao cotidiano,
como condição para atingir algum
conhecimento a respeito de Deus.
Para o autor, o homem fala em símbolos.
Deus fala em acontecimentos e
mandamentos. Assim ele nos diz:
Pensando em tudo isso, começa-se a
querer saber se o simbolismo é uma
categoria autêntica de religião profética.
Ou se não é um meio de uma apologética
mais alta, um método de racionalização.
O que faz com que a Bíblia seja única é o
fato de ela descobrir a vontade de Deus
em palavras simples, dizendo-nos da
presença de Deus na historia e não em
sinais simbólicos e acontecimentos
míticos. A escada misteriosa que Jacó viu
foi um sonho; a redenção de Israel do
Egito foi um fato de ferro. “A escada
estava no ar enquanto a cabeça de Jacó
estava sobre uma pedra” (HESCHEL,
Deus em busca do Homem, p. 182).
Segundo Heschel, se há alguma coisa no
mundo que a Bíblia olha como “símbolo de
Deus é o homem, cada homem”. A idéia
de Deus é real, encontra-se concretizada
na materialidade de Sua criação, o
homem. Para o pensamento judaico, o
valor maior é o homem, ele mesmo é
expressão da realidade da obra do Criador
(HESCHEL, Deus em busca do Homem,
p. 158).
 “Oque pode ter de tão luminoso um dia?
O que há de ser nele tão precioso para
cativar os corações? É que o sétimo dia é
uma mina onde o metal precioso do
espírito pode ser encontrado para, com
ele, construir o palácio no tempo, uma
dimensão em que o humano esta em casa
com o divino (...)” (pg. 29)
 Neste dia celebra-se a presença
divina no tempo:
 “(O Schabat) é santo, não longe de
nós. É santo, para nós. ‘Guardei o meu
Schabat por que ele deve ser santo
para ti’ (Êxodo 31,14). ‘O Schabat
adiciona santidade à Israel’ (Mekilta ao
31,14)”
 “O que o Schabat confere ao
homem é algo real, quase aberto à
percepção, como se uma luz, que
brilha de dentro, que de sua face
resplandece”
(Pg. 123)
 O Schabat e a eternidade
corresponde ao uno. Um exemplo
neste mundo do mundo vindouro.
“Serve de exemplo do mundo
vindouro e o mundo vindouro é
caracterizado pelo tipo de santidade
que o Schabat tem neste mundo (...)
‘O Schabat possui uma santidade
como aquela do mundo vindouro’.
Esse dia santo ‘o Sétimo dia e é o
sinal da ressurreição e do mundo
vindouro, e não poderá haver,
portanto, luto neste dia”. (pg. 105-
106)
 A vida eterna não está longe do
homem, ela é plantada dentro do
homem. Este mundo vindouro não é
uma condição póstuma, mas
atualizado no presente, pelo próprio
ato de santificar o sábado
 A dicotomia judaica não se dá entre
mente e matéria, mas entre sagrado e
profano.
“A lei do Schabat tenta dirigir o corpo
e a mente para a dimensão do
sagrado. Procura nos ensinar que o
homem não está só em relação com
a natureza, mas também em relação
com o criador da natureza” (pg. 109).
 HESCHEL, A. J. O homem não está só. Ed. Paulinas. 1974
 HESCHEL, A. J. O Schabat.
 HESCHEL, A. J. Deus em busca do homem. Ed. Paulinas, 1975
 HESCHEL, A. J. O homem à procura de Deus. Ed. Paulinas, 1974
 HAZAN, G. Filosofia do judaísmo em Abraham Joshua Heschel: Consciência
religiosa, condição humana e Deus. Dissertação de mestrado em Ciências
da Religião. PUC/SP, 2006.
 PFEFFER, R. S. A contribuição de Abraham Joshua Heschel para a Filosofia
das Ciências. Revista Horizonte, v. 9, n. 21, p. 311-328.