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Cotas Raciais e o Vestibular

História
• O primeiro projeto de lei propondo ações afirmativas para população negra é de autoria
do então deputado Abdias Nascimento – Projeto de Lei nº 1.332 de 1983. Em discurso
proferido no Senado Federal, por ocasião dos 110 anos da abolição, ele declarava:

“Ação afirmativa ou ação compensatória, é, pois, um instrumento, ou conjunto de


instrumentos, utilizado para promover a igualdade de oportunidades no emprego, na
educação, no acesso à moradia e no mundo dos negócios. Por meio deles, o Estado, a
universidade e as empresas podem não apenas remediar a discriminação passada e presente,
mas também prevenir a discriminação futura, num esforço para se chegar a uma sociedade
inclusiva, aberta à participação igualitária de todos os cidadãos.”

Fonte: https://www.mdh.gov.br/noticias_seppir/noticias/agosto/lei-de-cotas-nas-universidades-completa-tres-anos
Lei de Cotas
12.711
Art. 1o As instituições federais de educação superior vinculadas ao
Ministério da Educação reservarão, em cada concurso seletivo para
ingresso nos cursos de graduação, por curso e turno, no mínimo 50%
(cinquenta por cento) de suas vagas para estudantes que tenham
cursado integralmente o ensino médio em escolas públicas.

Art. 3o Em cada instituição federal de ensino superior, as vagas de


que trata o art. 1o desta Lei serão preenchidas, por curso e turno, por
autodeclarados pretos, pardos e indígenas e por pessoas com
deficiência, nos termos da legislação, em proporção ao total de vagas
no mínimo igual à proporção respectiva de pretos, pardos, indígenas
e pessoas com deficiência na população da unidade da Federação
onde está instalada a instituição, segundo o último censo da
Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE.
Lei 12.711/2012 – Lei das Cotas
nas Universidades
Quando a questão das cotas para estudantes negros chegou
ao Supremo Tribunal Federal, em 2012, foi votada como constitucional por
unanimidade. Mas foi em 2000 que, por conta de uma lei estadual, a
Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) foi a pioneira em
conceder uma cota de 50% em cursos de graduação, por meio do processo
seletivo, para estudantes de escolas públicas.
• Depois da UERJ, a Universidade de Brasília (UnB) se propôs a
estabelecer as ações afirmativas para negros no vestibular de 2004. A
instituição foi a primeira no Brasil a adotar as cotas raciais. De lá para
cá, várias universidades e faculdades vêm adotando sistemas de ações
afirmativas para os vestibulares e exames admissionais.
• A consolidação das cotas aconteceu principalmente com a lei nº 12.711,
de agosto de 2012, conhecida também como Lei de Cotas. Ela estabelece
que até agosto de 2016 todas as instituições de ensino superior devem
destinar metade de suas vagas nos processos seletivos para estudantes
egressos de escolas públicas. A distribuição dessas vagas também leva
em conta critérios raciais e sociais, pois considera fatores econômicos.
Ensino da História e Cultura Africana e dos
Afro-brasileiros
Lei 10.639
Art. 1º. A Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, passa a vigorar
acrescida dos seguintes arts. 26-A, 79-A e 79-B:

"Art. 26-A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e


particulares, torna-se obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-
Brasileira.

§ 1o O conteúdo programático a que se refere o caput deste artigo incluirá


o estudo da História da África e dos Africanos, a luta dos negros no Brasil,
a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional,
resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e
política pertinentes à História do Brasil.

§ 2o Os conteúdos referentes à História e Cultura Afro-Brasileira serão


ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de
Educação Artística e de Literatura e História Brasileiras.
Lei de Cotas
• Ela não é considerada uma medida de resolução de uma
“dívida histórica”.
• Ela se sustenta, juridicamente, através do conceito de
Isonomia.
• Ela propõe uma intervenção a um problema social atual,
buscando atingir aqueles que são diretamente atingidos pelo
racismo.
O que são Políticas de Ação
Afirmativa?
“Tudo começou em 1995, ano do tricentenário da morte de Zumbi
dos Palmares, quando ocorreu a primeira Marcha Zumbi contra o Racismo,
pela Cidadania e pela Vida, no dia 20 de novembro. Naquela ocasião, cerca
de 30 mil pessoas se reuniram em Brasília para denunciar a ausência de
políticas públicas para a população negra. Entre as reivindicações do
movimento negro brasileiro, estavam as políticas de ações afirmativas.
Outro passo importante para sua implantação no País, foi a participação
brasileira na 3ª Conferência Mundial, conhecida por Conferência de
Durban, contra o racismo, a discriminação racial, a xenofobia e
intolerâncias, realizada pela ONU, na África do Sul, no ano de 2001.
Apesar da falta de consenso, a conferência terminou com muitas
recomendações, sobretudo referentes a "medidas afirmativas", para coibir o
racismo e implantar a igualdade de oportunidades.” (Coleção Caravana de
Direitos Humanos – População Negra)
Leis institucionais de racismo
estrutural (Proibição do Estudo)

- 2º Ato Oficial: Lei Complementar à Constituição do Império de


1824: “A Constituição Imperial de 1824 previu a educação primária gratuita a
todos os cidadãos. Essa determinação excluía os escravizados, já de partida, do
acesso aos estabelecimentos oficiais de ensino, mas possibilitava que a população
negra liberta frequentasse essas instituições. [...] As dificuldades para a
frequência e sucesso das crianças negras na instituição escolar eram de dois
tipos: a pobreza e a discriminação social e racial. [...] A reforma da instrução
primária realizada em 1837 na província do Rio de Janeiro, por exemplo, proibia
a frequência à escola daqueles que sofressem de moléstias contagiosas, dos
escravos e dos pretos africanos, ainda que livres e libertos.” (ALMEIDA &
SANCHEZ, 2016).
Leis institucionais de racismo
estrutural (Proibição do Estudo)
• 3º Ato Oficial: Decreto 1.331, de 1854: “[...]surgiu uma nova legislação
que tratava a respeito da educação dos negros: no dia 17 de fevereiro de 1854, o
Decreto nº 1.331 aprovou as medidas de regulamentação do ensino primário e
secundário, conhecidas, em referência ao então Ministro do Império, como
Reforma Couto Ferraz. O Decreto tornou gratuitas, na Corte, as escolas
primária e secundária, e a primeira delas obrigatória aos maiores de sete anos,
mas estabeleceu que os escravos não seriam admitidos nas escolas públicas do
país, em nenhum dos níveis de ensino.” (ALMEIDA & SANCHEZ, 2016).

Só em 1878 um decreto permitiu a matrícula de negros libertos maiores


de quatorze anos em cursos noturnos. Em 1879 caiu o veto que proibia a
frequência de escravizados em escolas públicas. Foi permitido promover o
letramento de outras pessoas negras em espaços informais. A partir deste
contexto histórico é possível compreender que a luta pelo direito à educação é
uma das reivindicações prioritárias do Movimento Negro.
Instauração das Cotas Raciais
Instauração de Cotas Raciais
Cotas Raciais na UFRGS
O ano de 2005 foi determinante para a mobilização em favor da
implantação de cotas raciais na Universidade. Foram realizados amplos debates,
promovidos por estudantes, técnicos e professores, em parceria com os
movimentos sociais, principalmente os movimentos negros e indígenas.
Em 2006, em diálogo com esses movimentos a Universidade iniciou
oficialmente o debate sobre a implementação de uma política de ações
afirmativas. O resultado deste debate foi a constituição da Comissão Especial
formada por membros do Conselho Universitário (CONSUN) e do Conselho de
Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE), cujo objetivo era formular uma proposta
de política de ações afirmativas a serem adotadas pela UFRGS.
O ano de 2007 foi um marco na luta contra a histórica exclusão de
estudantes negros, indígenas e oriundos de escolas públicas: a proposta do
ingresso por reserva de vagas foi aprovada pelo Conselho Universitário com vigor
a partir do processo seletivo de 2008.
O processo de democratização de acesso na UFRGS teve seu início em
2008/1 com a matrícula de 522 alunos por reserva de vagas, sendo 88
autodeclarados negros, 434 egressos do ensino público e 9 alunos indígenas.

Fonte: http://www.ufrgs.br/acoesafirmativas/acoes-
afirmativas/historico-do-programa-na-ufrgs
Cotas Raciais na UFRGS

(SOUZA, 2017).
“Democracia Racial”
• Beatriz Nascimento

https://www.youtube.com/watch?v=-
LhM1MaPE9c
Construção de marcadores sociais da
democracia racial
Mulato/Pardo/Mestiço/Moreno
Autodeclaração e Heteroidentificação

https://www.youtube.com/watch?v=Dq0O3ZJ
g9V4
Como funciona a Banca da UFRGS

• Processo silencioso.
• Composta por servidores, professores e
por estudantes que possuem vínculo
com o Movimento Negro.
• Identificação dos traços negroides.
Branquitude como padrão de beleza

• Branquitude.
• Acesso ao mercado de trabalho.
• Indústria da beleza.
• Recusa da negritude.
• Casos de indeferimento (Vídeo).
Permanência para Cotistas
• Direito à CEU.
• Benefícios PRAE.
• Possibilidade de pesquisas em relações
étnico-raciais no NEAB (Núcleo de Estudos
Afro-brasileiros, Indígenas e Africanos).
• Não cumprimento da lei 10.639.