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ELEMENTOS E MÉTODOS

DE INTERPRETAÇÃO
HERMENÊUTICA E ARGUMENTAÇÃO JURÍDICA

Adv.º Esp. Suerlene Andrade Coelho


Considerações Iniciais
• O termo, hermenêutica‟ assumiu diferentes acepções conforme
as épocas e pode ser dividido em três fases distintas. A tradição
clássica do século XVII designa a hermenêutica como a arte de
interpretar textos. A compreensão do sentido se desenvolveu
ligada às disciplinas teologia e direito e adquiriu um caráter
essencialmente normativo com o intuito de estabelecer regras
para a interpretação de textos bíblicos e jurídicos.
• Dito de forma mais simples: “Hermenêutica é a teoria científica
da arte de interpretar” (MAXIMILIANO, 2003, p. 1).
HERMENÊUTICA
• Nos dizeres de Reis Junior (2011), existem duas correntes que
norteiam a hermenêutica, uma chamada clássica e a outra
contemporânea. A hermenêutica clássica é dirigida pela concisão
cientificista e adversa a questões metafisicas ou subjetivas, onde
defende as decisões judiciais objetivas e neutras, querendo tornar
possível a separação do Direito dos outros jeitos que envolvam a
sociedade. Já a hermenêutica contemporânea traz consigo os
métodos de interpretação que ressaltam o papel criativo do
interprete, sendo o efeito integrador, máxima efetividade, forca
normativa e princípios da unidade. 
HERMENÊUTICA
• A Hermenêutica Jurídica, teoria científica que tem por
objeto, não a interpretação em si, mas o estudo e a
sistematização dos processos aplicáveis para determinar o
sentido e o alcance das expressões do
Direito (MAXIMILIANO, 2010, p.1). Na interpretação,
aplicam-se os princípios fixados pela hermenêutica por
meio de técnicas que lhes são próprias, as quais estão
estruturadas em métodos e em tipos de interpretação.
• Interpretação Jurídica é aprender ou compreender os
sentidos implícitos das normas jurídicas.
INTERPRETAÇÃO JURÍDICA
• Machado Neto (1975) três funções:
• Função de conferir a possibilidade de aplicação da norma
jurídica.
• Função de entender, ampliar o sentido da norma as
relações novas.
• Função de temperar o alcance de preceito normativo.
HERMENÊUTICA E
INTERPRETAÇÃO
• Hermenêutica jurídica é um ciência auxiliar do direito que
busca nos dizer quais são as formas de se buscar o
entendimento das normas jurídicas.
• Interpretação jurídica passa a ser a aplicação dessas
formas no texto legal concreto para se buscar o sentido
nas normas jurídicas.
MÉTODOS HERMENÊUTICOS

• Na verdade, são regras técnicas que visam à obtenção de


um resultado. Com elas procuram-se orientações para os
problemas de decidibilidade dos conflitos.
METODOS HERMENÊUTICOS

• 1 - Interpretação Literal ou Gramatical


Os problemas referentes à questão de conexão das palavras
nas sentenças. Parte-se do pressuposto de que a ordem das
palavras e o modo como elas estão conectadas são
importantes para obter-se o correto significado da norma
(por meio de instrumentos). A letra da norma, assim, é o
ponto de partida da atividade hermenêutica. Não interpreta
a lei propriamente dita.
METODOS HERMENÊUTICOS

• 2 - Interpretação Histórica
Surgiu a partir da Escola de Histórica de Savigny,
sustentando a ideia que a lei é uma realidade cultural ou
uma realidade que situada no progresso do tempo. A lei
nasce sob os ditames de uma sociedade naquele momento
histórico, naquele contexto de espaço e tempo. Ela
acompanha a sociedade em sua evolução humana social.
Assim,o conhecimento das razões históricas que
impulsionaram o legislador na edição da lei.
METODOS HERMENÊUTICOS

• 3 - Interpretação Autêntica
É aquela que provém do legislador que redigiu a regra a ser aplicada, de
modo que demonstra no texto legal qual a mens legis que inspirou o
dispositivo legal. Podemos afirmar que é aquela interpretação feita,
inclusive pelo Poder que a editou, muitas vezes por intermédio de outra
que a explica em todo ou em parte.
• 4. Interpretação Analógica
Aqui se situa o manuseio dos Princípios Gerais de Direito. Cria-se um
“padrão” a ser seguido nos casos de entendimentos idênticos (análogos).
METODOS HERMENÊUTICOS

• 5. Interpretação Extensiva
Semelhante ao instituto jurídico da analogia direciona a aplicação de
determinada lei a casos que, mesmo não previstos essencialmente por ela, não
são completamente divergentes ou estranhos dos anseios de quem as definiu.
• 6. Interpretação Sistêmica
Verifica-se em qual sistema se insere a norma, relacionando-a às outras
normas pertinentes ao mesmo objeto, bem como aos princípios orientadores
da matéria e demais elementos que venham a fortalecer a interpretação de
modo integrado, e não isolado. Possui um aspecto especulativo (zetético), pois
não se funda na ciência em específico, mas busca algo maior, abrangendo
questões normativas de mesmo sentido jurídico.
METODOS HERMENÊUTICOS

• 7. Interpretação Doutrinária
É a interpretação atribuída pela doutrina, ou seja, pelos cientistas jurídicos,
estudiosos do Direito que inserem os dispositivos legais em contextos variados,
tal como relação com outras normas, escopo histórico, entendimentos
jurisprudenciais incidentes e demais complementos exaustivos de
conhecimento das regras. (Batizada de aspectos positivistas).
• 8. Interpretação Jurisprudencial
É aquela produzida por decisões reiteradas dos tribunais, em seus acórdãos,
súmulas e enunciados.
• 9. Interpretação Sociológica
Implementa o estudo dos fatores sociais que determinam a norma e seus efeitos
ante a sociedade.
REGRAS DE INTERPRETAÇÃO
JURÍDICA
• LEGAIS,
• CIENTÍFICAS
• DA JURISPRUDÊNCIA.
REGRAS LEGAIS DE
INTERPRETAÇÃO
• REGRAS LEGAIS: encontra-se no ART 4°. Quando a lei for
omissa, o juiz decidira o caso de acordo com a analogia, os
costumes e os princípios gerais do direito.
• Encontra-se no ART 5°. Na aplicação da lei, o juiz
atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigência
do bem comum
REGRAS CIENTÍFICAS DE
INTERPRETAÇÃO
• Diversos doutrinadores estudaram e delinearam as regras de
interpretação, como as regras clássicas de JUSTINIANO, em
Corpus luris Civilis. Atualmente as regras criadas por CARLOS DE
CARVALHO na clássica obra Nova Consolidação das Leis Civis.
• §3° Deve-se evitar a supersticiosa observância da lei que, olhando,
só a letra dela, destrói a sua intenção.
• §6° Devem concordar os textos das leis, de modo a torná-los
conforme e não contraditórios, não sendo admissível a
contradição ou incompatibilidade neles.
REGRAS DA JURISPRUDÊNCIA PARA INTERPRETAÇÃO
JURÍDICA

• Regras apresentadas por Barros Monteiro (2015):


• a) Na interpretação deve-se sempre preferir a inteligência que faz sentido à que não faz.
• b) deve-se preferir a inteligência que melhor atenda à tradição do direito.
• c) deve ser afastada a interpretação que leva ao vago, ao inexplicável, ao contraditório e ao
absurdo.
• d) há que se ter em vista o eo quod plerumque fit, isto é, aquilo que ordinariamente acontece no
meio social.
• e) Onde a lei não distingue, o intérprete não deve igualmente distinguir.
• f) todas as leis excepcionais ou especiais devem ser interpretadas restritivamente.
• g) tratando-se porém, de interpretar leis sociais, preciso será temperar o espírito do jurista,
adicionando-lhe certa dose de espírito social, sob pena de sacrificar-se a verdade à lógica.
• h) em matéria fiscal, a interpretação se fará restritivamente.
• i) deve ser considerado o lugar onde será colocado o dispositivo, cujo sentido deve ser fixado.
Considerações finais
• O aplicador do Direito carece da análise e interpretação das normas
postas para se posicionar diante da realidade que lhe é trazida em litígio.
Nesse momento, a hermenêutica surge como o apoio sólido na busca
pelo mais adequado e justo posicionamento, fim último de sua atuação.
• Depreende-se que a junção da aplicação do Direito com interpretação e
Hermenêutica vai ao encontro daquilo que se espera da atuação
contemporânea do aplicador do Direito, uma atividade criativa na
interação entre texto e realidade na produção do Direito. Assim, seu
papel torna-se, cada vez mais imprescindível na concretização da justiça.
Referências
• BARROS MONTEIRO, W. Curso de Direito Civil. Direito das Coisas. SP:
Saraiva. 2015.
• MACHADO Neto, A. L. Compêndio de Introdução à Ciência do Direito.
São Paulo: Saraiva, 1975, p. 216-217
• MAXIMILIANO, Carlos. Hermenêutica e aplicação do direito. 19 ed.
Rio de Janeiro: Forense, 2003.
• REIS JÚNIOR, Ari Timóteo dos. Hermenêutica e aplicação do Direito.
Breves apontamentos sobre a interpretação jurídica no paradigma
contemporâneo. Jus Navigandi, Teresina, ano 16, n. 2794, 24 fev. 2011.