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CENTRO DE ENSINO SUPERIOR DO

AMAPÁ

Gestão das Inundações Ribeirinhas

Disciplina: Drenagem e Pavimentação

Professor: Ozeias Campos Salviano


Acadêmicos 9ENG-V

Carlos Castro
Cledson Tork
Marcus Barros
Maicon Sander
Rivaldo Gomes
Macapá
2019
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Diferença entre Enchente, Inundação e Alagamento


ENCHENTE - Fenômeno fluvial em que um rio, não conseguindo dar vazão à água que aflui num determinado ponto,
eleva o nível das águas. “Diz-se que o rio encheu”

INUNDAÇÃO - Invasão de um local pelas águas, que pode ser da chuva, de um rio que transbordou ou de um cano
que estourou. “As águas da enxurrada invadiram, isto é, inundaram a minha loja”

ALAGAMENTO - Existência de água empoçada em determinado local e que não consegue sair ou tem dificuldades
para escoar. O alagamento pode ser provocado por uma inundação (invasão que vem de fora) ou pelo entupimento
do ralo.. “A minha cozinha está alagada, isto é, cheia de água”

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• Inundações
Conceito : Invasão de um local pelas águas,
que pode ser da chuva, de um rio que
transbordou ou de um cano que estourou.

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• Introdução
A inundação ocorre quando as águas dos rios,
riachos, galerias pluviais saem do leito de
escoamento devido a falta de capacidade de
transporte de um destes sistemas e ocupa áreas
onde a população utiliza para moradia, transporte
(ruas, rodovias e passeios), recreação, comércio,
indústria, entre outros.

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• Características
Quando a precipitação é intensa e o solo não tem capacidade de
infiltrar, grande parte do volume escoa para o sistema de
drenagem, superando sua capacidade natural de escoamento. O
excesso do volume que não consegue ser drenado ocupa a
várzea inundando de acordo com a topografia das áreas
próximas aos rios. Estes eventos ocorrem de forma aleatória em
função dos processos climáticos locais e regionais. Este tipo de
inundação é denominado por muitos autores de Inundação
Ribeirinha. (Carlos E. M. Tucci)

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• Causas
As condições meteorológica e hidrológica propiciam a ocorrência de
inundação. O conhecimento do comportamento meteorológico de longo prazo
é muito pequeno devido ao grande número de fatores envolvidos nos
fenômenos meteorológicos e à interdependência dos processos físicos a que
a atmosfera terrestre está sujeita. As condições hidrológicas que
produzem as inundações podem ser naturais ou artificiais.

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• Condições hidrológicas Naturais


São aquelas cuja ocorrência é propiciada pela bacia em seu estado natural.
Algumas dessas condições são:

• Relevo
• Tipo de precipitação,
• Cobertura vegetal,
• Capacidade de drenagem.

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• Condições Hidrológicas Artificiais


As condições artificiais da bacia são aquelas provocadas pela ação do homem.

Alguns exemplos são:

• Obras hidráulicas
• Urbanização,
• Desmatamento,
• Reflorestamento e uso agrícola.
• Cultural

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• Peculiaridades
Os rios normalmente drenam nas suas cabeceiras, áreas com
grande declividade produzindo escoamento de alta velocidade.
A variação de nível durante a enchente pode ser de vários metros
em poucas horas. Quando o relevo é acidentado as áreas mais
propícias à ocupação são as planas e mais baixas, justamente
aquelas que apresentam alto risco de inundação. A várzea de
inundação de um rio, cresce significativamente nos seus cursos
médio e baixo, onde a declividade se reduz e aumenta a incidência
de áreas planas.

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• Previsão de Cheia em Tempo Atual


Para efetuar a previsão de cheia em curto prazo são necessários: sistemas de coleta e transmissão de dados e
metodologia de estimativa. Os sistemas são utilizados para transmitir os dados de precipitação, nível e vazão,
durante a ocorrência do evento. O processo de estimativa é realizado através do uso de modelos matemáticos
que representam o comportamento das diferentes fases do ciclo hidrológico. Complementarmente é necessário
um Plano de Defesa Civil, quando a enchente atinge uma área habitada, ou no caso de operação de
reservatório um sistema de emergência e operação. (Tucci )

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• Previsão de Cheia em Tempo Atual


Método de determinação de cheia de um projeto

Embora uma infinidade de processos tenham sido propostos para a obtenção de cheia
máxima de projeto, podemos agrupá-los em quatro classes:

• Fórmulas Empíricas (MÉTODO DE FÜLLER ; FÓRMULA DE AGUIAR)


• Métodos Estatísticos (MÉTODO DE FOSTER ; MÉTODO DE GUMBEL)
• Método racional ( APENAS PARA PEQUENAS BACIAS)
• Métodos chuva x deflúvio. (APLICAÇÃO DE CHUVAS INTENSAS AO HIDROGRAMA UNITÁRIO)

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• Previsão do Nível da Enchente


A previsão de níveis de enchentes pode ser realizada com base em

a) previsão da precipitação
Neste caso é necessário estimar a precipitação que cairá sobre a bacia através do uso de
equipamento como radar ou de sensoriamento remoto.

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• Previsão do Nível da Enchente


A previsão de níveis de enchentes pode ser realizada com base em

b) conhecida a precipitação
Conhecida a precipitação sobre a bacia, é possível estimar a vazão e o nível por modelo matemático, que
simule a transformação de precipitação em vazão.

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• Previsão do Nível da Enchente


A previsão de níveis de enchentes pode ser realizada com base em

c) vazão de montante
A previsão em curto prazo, com base em posto à montante da seção de interesse, depende das características
do rio, ou seja da área controlada da bacia. Neste caso, o tempo de antecedência é menor que os anteriores.

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• Previsão do Nível da Enchente


A previsão de níveis de enchentes pode ser realizada com base em

d) combinação dos dois últimos

a combinação dos dois processos anteriores é utilizada na previsão em tempo atual. A apresentação dos
modelos de previsão em tempo atual foge ao escopo.

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• Previsão do Nível da Enchente
Previsão com base na precipitação

Previsão com base no nível ou vazão

Previsão com base na precipitação ou vazão


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• Probabilidade ou risco da inundação:


O risco de uma vazão ou precipitação é entendido neste texto como a probabilidade (p) de ocorrência de
um valor igual ou superior num ano qualquer. O tempo de retorno (T) é o inverso da probabilidade (p) e
representa o tempo, em média, que este evento tem chance de se repetir.

1
𝑇=
𝑝

Para exemplificar, considere um dado, que tem seis faces (números 1 a 6). Numa jogada qualquer a
probabilidade de sair o número 4 é p=1/6 (1chance em seis possibilidades). O tempo de retorno é, em média,
o número de jogadas que o número desejado se repete. Nesse caso, usando a equação acima fica
T = 1/(1/6)=6. Portanto, em média, o número 4 se repete a cada seis jogadas. Sabe-se que esse número não
ocorre exatamente a cada seis jogadas, mas se jogarmos milhares de vezes e tirarmos a média, certamente
isso ocorrerá. Sendo assim, o número 4 pode ocorrer duas vezes seguidas (cont.)

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• Probabilidade ou risco da inundação:


E pode passar muitas vezes sem ocorrer, mas na média se repetirá em seis jogadas. Fazendo uma
analogia, cada jogada do dado é um ano para as enchentes. O tempo de retorno de 10 anos
significa que, em média, a cheia pode se repetir a cada 10 anos ou em cada ano esta enchente tem
10% de chance de ocorrer.

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• Medidas de controle das inundações ribeirinhas


As medidas para o controle da inundação podem ser do tipo estrutural e não-
estrutural. As medidas estruturais são aquelas que modificam o sistema fluvial
através de obras na bacia (medidas extensivas) ou no rio (medidas intensivas)
para evitar o extravasamento do escoamento para o leito maior decorrentes das
enchentes.
As medidas não-estruturais são aquelas em que os prejuízos são reduzidos
pela melhor convivência da população com as enchentes, através de medidas
preventivas como o alerta de inundação, zoneamento das áreas de risco,
seguro contra inundações, e medidas de proteção individual (“flood proofing”).

flood proofing : Impermeabilização da inundação

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Controle das Cheias

Estruturais Não-Estruturais

Medidas Intensivas Medidas Extensivas Sistemas de alerta

Reservatórios Hidráulico-florestal Sistemas resposta

Caixas de expansão Hidráulico-agrário Educação

Diques
Seguros contra
enchentes

Polders
Mapas de inundação
Melhoramentos do
álve

Retificações

Canais de devios

Canais paralelos

Figura - Medidas para controle das cheias


Canais extravasores
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• Medidas de controle das inundações ribeirinhas
Cobertura Vegetal
Agem nas Bacias
Extensivas

Controle da erosão do solo

Medidas Estruturais

Aceleram o escoamento
Agem nos Rios
Intensivas Retardam o escoamento

Desvio de escoamento

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• Medidas Estruturais
As medidas estruturais são obras de engenharia implementadas para reduzir o risco de
enchentes. Essas medidas podem ser :

Medidas extensivas são aquelas que agem na bacia, procurando modificar as relações
entre precipitação e vazão, como a alteração da cobertura vegetal do solo, que reduz e
retarda os picos de enchente e controla a erosão da bacia.
Construção do polder da margem
direita da Ponte da Vila Maria.
Medidas intensivas são aquelas que agem no rio e podem ser de três tipos:
a) aceleram o escoamento: Construção de diques e polders, aumento da
capacidade de descarga dos rios e corte de meandros.

b) retardam o escoamento: Reservatórios e as bacias de amortecimento.

c) desvio do escoamento: São obras como canais de desvios.

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• Medidas Estruturais Intensivas:


Reservatório: O reservatório de controle de enchentes funciona retendo o
volume do hidrograma durante as enchentes, reduzindo o pico e o impacto a
jusante do barramento. Na figura abaixo observa-se o hidrograma natural de um rio.
Considerando um volume V do hidrograma capaz de ser retido por um reservatório,
pode-se observar a redução da vazão máxima e o hidrograma resultante.

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• Medidas Estruturais Intensivas:


Diques são barramentos ou muros laterais de terra ou de concreto, inclinados ou retos,
construídos ao longo das margens do rio, de altura tal que contenham as vazões no canal
principal a um valor limite estabelecido em projeto.

Diques

Áreas protegidas

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• Medidas Intensivas:
Caixa de expansão: uma caixa de expansão é corretamente indicada para aquela área
alagável destinada a exercitar um efeito de capitação da onda de cheia que se
propaga ao longo de um curso d’água. A função de uma caixa de expansão é similar a
de um reservatório de laminação de cheia.
Q
Pico do
(m3/s)
hidrograma
Caixa de expansão
Redução
V do pico Hidrograma
amortecido
V ou laminado

Curso d’água
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Tempo
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• Medidas Intensivas:
Polders: São utilizados para proteger áreas restritas.
A distinção entre diques e polderes é que estes, utilizam uma estação de bombeamento
para retirar as águas que chegam na área protegida durante uma enchente.

Ribeirão
Área protegida
Área protegida Bombeamento
A’
A’
A
A Comportas
Rio principal
Rio principal Seção AA’
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• Medidas Intensivas:
Melhoramentos do álveo: os melhoramentos do álveo (leito), tem a finalidade de
diminuir o tirante hídrico do rio para uma mesma vazão. Isto pode ser obtido
,aumentando a área da seção transversal do rio, através do alargamento da calha (Fig.
A) ou do aprofundamento do canal (Fig. B) ou ainda através do aumento da
velocidade (diminuindo a rugosidade, aumento da declividade) fig. C.
Cota da margem
Cota da margem do rio
Margens ampliadas Linha d`água original
Linha d`água de cheia Linha d`água alterada
Margens do rio Após o aprofundamento

Alteração da linha d´água


Com margens ampliadas
Fundo do Rio

Fig . A Fundo do Rio


Fig . B
DATUM
Aprofundamento da Seção
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• Medidas Intensivas:

Retificações: A retificação de um rio consiste na construção de um novo leito para o rio,


retilíneo ou quase, em uma zona no qual em geral o rio percorre numerosos meandros. O
primeiro efeito de uma retificação é a redução do percurso d ’água com consequente
aumento da declividade

Meandro

Retificação
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• Medidas Intensivas:

Canais de desvios: um canal de desvio serve para desviar parte da vazão da cheia do curso
d’água principal, diminuindo assim a vazão do rio na zona que se deseja proteger Neste tipo
particular de obra em geral a água desviada não retorna mais ao canal principal, mas sim para
um lago, um outro curso d’água ou diretamente ao mar.

Canal de desvio

Oceano

Canal de desvio
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• Quadro Resumo Medidas Estruturais Intensivas
Medidas Estruturais
Medida Principal Vantagem Principal Desvantagem Aplicação

Alto grau de proteção de Danos significativos caso Grandes rios e nas


Diques e Polders
uma área falhe planicies

Melhoria do Canal:
Redução da rugosidade por Aumento da vazão com
Efeito localizado Pequenos rios
desobstrução pouco investimento

Amplia a área protegida e Impacto negativo em rio Área de inundação


Corte de meandro
acelera o escoamento com fundo aluviar estreita

Reservatório:
Localização difícil devido a
Todos os reservatórios Controle a jusante Bacias intermediárias
desapropriação
Mais eficiente com o Projetos de usos
Reservatórios com comporta Vulnerável a erros humanos
mesmo volume múltiplos
Operação com o mínimo Restrito ao controle de
Reservatório para cheias Custo não partilhado
de pedras enchentes

Mudança de canal
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Caminho da cheia Amortecimento de volume Depende da Topografia Grandes bacias

Desvios
Reduz vazão do canal
Ídem ao anterior bacias médias e grandes
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principal
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• Medidas Extensivas:
Cobertura vegetal: a cobertura vegetal tem capacidade de armazenar
parte do volume de água precipitado pela interceptação vegetal,
aumentar a evapotranspiração e de reduzir a velocidade do escoamento
superficial pela bacia hidrográfica.

Controle da erosão do solo: o aumento da erosão tem implicações ambientais pelo transporte de
sedimentos e seus agregados, podendo contaminar os rios a jusante e diminuir a sua seção e
alterando o balanço de carga e transporte dos rios. Um dos fatores é a redução da seção dos rios e o
aumento da frequência das inundações em locais de maior sedimentação. O controle da erosão do
solo pode ser realizado pelo reflorestamento, pequenos reservatórios, estabilização das margens e
práticas agrícolas corretas. Esta medida contribui para a redução dos impactos das inundações.

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• Quadro Resumo das Medidas Estruturais

Medidas Estruturais

Medida Principal Vantagem Principal Desvantagem Aplicação

Medidas Extensivas

Alteração da Redução do Pico de Impraticável para grandes


Cobertura Vegetal Cheia áreas Pequenas bacias

Reduz assoreamento Idem ao anterior Pequenas Bacias


Controle de perda do
solo

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Canal da Mendonça Júnior – Macapá