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FROMAS DE GARANTIA DE

EMPREGO

COGEAE – ESPECIALIZAÇÃO PUC-SP


Prof. Dr. Túlio Massoni
tuliomassoni_puc@hotmail.com
Tópicos da aula
 Noções introdutórias
 Conceito e questões terminológicas
 Estabilidade e Dispensa
 Tipos de estabilidade:
 Definitiva/Provisória
 Geral/Especial
 Garantias Provisórias de emprego:
 Dirigente Sindical
 Representante na CIPA
 Gestante
 Empregado Acidentado
 Outras hipóteses de estabilidade no emprego
NOÇÕES INTRODUTÓRIAS: o
princípio da continuidade
 Sendo o contrato de trabalho um contrato de trato
sucessivo (não istantaneo), há uma intima
correlação entre a estabilidade no emprego e o
princípio da continuidade.

 O principal fundamento da garantia de


emprego (e por consequência da estabilidade) é o
princípio da continuidade da relação empregatícia.
Continuidade = a tendência do Direito do
Trabalho de atribuir à relação de emprego
a mais ampla duração, sob todos los
aspectos (A. Plá Rodriguez).

Estabilidade = dignidade do trabalhador

(Flexibilidade das relações de


trabalho/Deregulamentação/Contratos
Atípicos)
Ordenamento trabalhista brasileiro
(“fragilidade do sistema” A. M. Nasc.)

- A Constituição 1988: enfraqueceu


princípio da continuidade da relação
de emprego = FGTS

- Porém normas especiais dificultam e


tornaram mais onerosa a dispensa
através das estabilidades especiais
CONCEITO E QUESTÕES
TERMINOLÓGICAS:
Estabilidade vs. Garantia de
emprego
 Amauri Mascaro Nascimento:
“insitutos diversos, mas afins. A
g.d.emprego genus (política de
emprego) e estabilidade nele
comprendida species”.
Estabilidade vs. Garantia de
emprego
 Sérgio Pinto Martins: “Estabilidade proíbe
o direito potestativo de dispensa.
G.d.emprego restringe o direito potestativo
do empregador de dispensar o empregado
sem que haja motivo relevante ou causa
justificadora, durante um certo período
de tempo. Estabilidade provisória é uma
definição inadequada = contraditória”.
Estabilidade vs. Garantia de
emprego
 Antonio Galvão Peres: “a estabilidade
revelaria a proibição de dispensa sem
a prefixação de um prazo, enquanto a
garantia de emprego designaria
proibição provisória, condicionada a
limite temporal”
Estabilidade vs. Garantia de
emprego
 M. Godinho Delgado: “A estabilidade
seria a vantagem de caráter
permanente deferida ao empregado
em virtude de uma circunstância
tipificada de caráter geral, para
assegurar a manutenção indefinida no
tempo do vínculo empregatício” […]
Estabilidade vs. Garantia de
emprego
 […] “G.d.emprego é a vantagem
jurídica de caráter transitório
deferido ao emrpegado em virtude de
uma circunstância contratual ou
pessoal de caráter especial, de modo
a assegurar o vínculo empregatício
por um lapso temporal definido,
independentemente da vontade do
empregador”.
ESTABILIDADE E OUTRAS SITUAÇÕES
SIMILARES
 Estabilidades no emprego não se confundem com outras
situações nas quais o poder potestativo do empregador de
rescindir unilateralmente o contrato de trabalho fica limitado
(dificultam a extinção do contrato):
 cotas para pessoas portadoras de deficiência;
 dispensa discriminatória, abusiva, obstativa ..SÃO
ESPÉCIES DO GÊNEROS “DISPENSA ARBITRÁRIA” – Meu
entendimento pessoal.;
 contrato a prazo com necessidade de motivação da
rescisão antecipada (aprendizagem)
 Suspensões e interrupções do contrato de trabalho.
CLASSIFICAÇÃO DAS ESTABILIDADES:
A) Quanto à causa da proteção: individuais e
coletivas
1. Individual ou pessoal: originam-se em função de
determinada característica pessoal de seu
portador (ex. Gestante, acidentado)
2. Coletiva ou institucional: originam-se em função
da defesa dos interesses de uma coletividade (ex.
Dirigente sindical, cipeiro)
OBS: distinção importante para casos de demora no
ajuizamento da ação ou extinção de
estabelecimento
Quanto aos efeitos da extinção do estabelecimento o TST
ressaltou a distinção entre as modalidades coletivas e
individuais com consequëncias distintas
“(...). Cumpre observar que, em relação ao empregado dirigente sindical,
esta Corte firmou sua jurisprudêcia no sentido de afastar o direito
quando o estabelecimento fechado situa-se no ámbito da base
territorial do sindicato, conforme diretriz abraçada pela OJ n.86 da
SBDI-1 desta Corte. A estabilidade do empregado dirigente sindical é
diferente da relativa à empregada gestante, embora ambos tenham
adquirido estabilidade provisória por força de mandamento
constitucional. A diferença reside no fato de a estabilidade do dirigente
sindical estar ligada à representação da categoria naquela base
territorial, enquanto que a da gestante independe da localidade em
que a empregada irá prestar seus serviços. A garantia, para o
dirigente sindical, é institucional, enquanto a da gestante é pessoal.
Recurso conhecido e desprovido no particular, e provido quanto à
correção monetária” (TST- Decisão: 25-09-2002 - RR n. 635682 -
Ano: 2000 – 4 Turma - DJ: 25-10-2002 - Relator Ministro Ives Gandra
Martins Filho).
Quanto aos efeitos da extinção do estabelecimento o TRT
da II região - SP

“(...) Essas estabilidades provisórias [as coletivas] são vidas


enquanto subsistir a atividade econômica, já que estão
relacionadas com a representação profissional e com a existêcia da
própria CIPA. Não é o caso da estabilidade por acidente de
trabalho ou mesmo da própria gestante, as quais são estabilidades
vinculadas a situações concretas de cada empregado e do seu
contrato de trabalho”. (TRT 2ªRegião – Ac. n. 20040384653 DECISÃO: 28
07 2004 - RO NUM: 01753 - Ano 2003 – RO n. 01753-2001-444-02-00 – 7ª
Turma - DOE SP Data: 20/08/2004 - Relator Francisco Ferreira Jorge Neto).
CLASSIFICAÇÃO DAS ESTABILIDADES:
B) Quanto ao seu grau: relativa e absoluta
(M. V. Russomano)
1. RELATIVA (ou imprópria): a despedida é
meramente dificultada através da da
obrigação do empregador de indenizar.
(se a lei faculta ao empregador indenizar o período, não
se trataria propriamente de estabilidade).
2. ABSOLUTA (ou própria):a despedida é
evitada pelo reconhecimento do direito de
reintegração do trabalhador injustamente
despensado (é direito do trabalhador de permanecer
no emprego, mesmo contra a vontade do empresário,
enquanto inexistir causa relevante que justifique sua
despedida).
CLASSIFICAÇÃO DAS ESTABILIDADES:
C) Definitiva e provisória
 estabilidade definitiva : garantia de continuar no
emprego de forma indefinida, mesmo contra a
vontade o empregador, salvo por motivo de falta
grave [ex.estabilidade decenal (art. 492 da CLT)].
 estabilidade provisória é o direito conferido a certos
empregados, em de circunstáncias excepcionais em
que se colocam em relação ao emprego, de não ser
dispensado sem um justo motivo ou de forma
arbitrário, por um determinado período (ex. dirigente
e representante sindical,representante dos
trabalhadores na CIPA, acidentado, gestante).
CLASSIFICAÇÃO DAS ESTABILIDADES:
C) Definitiva e provisória

 provisórias (também estabilidade especial,


temporária ou imprópria) porque o empregado só tem
direito a elas enquanto perdurar a situação que lhe
deu origem.
 Também garantia de emprego provisória quando
se referem à estabilidades provisórias.
 Outros não utilizam g.d.emprego para que as
estabilidades provisórias não sejam confundidas
com outros institutos que dificultam a extinção
do contrato de trabalho sem justa causa (ex.
Multa de 40% do FGTS).
ESPÉCIES DE ESTABILIDADES:
1. ESTABILIDADE DECENAL (POR TEMPO DE
SERVIÇO)

 ART.492 ss. CLT: assegurada aos


empregados que contassem com mais de 10
(dez) anos no emprego
“O empregado que contar mais de 10 anos de
serviço na mesma empresa não poderá ser
despedido senão por motivo de falta grave ou
circunstância de força maior, devidamente
comprovadas”.
1. ESTABILIDADE DECENAL (POR TEMPO DE
SERVIÇO)

 S. 26 TST: Presume-se obstativa à estabilidade a


despedida, sem justo motivo, do emprega-do que alcançar
nove anos de serviço na empresa (cancelada)
 Extinta em razão da instituição do Fundo de
Garantia por Tempo de Serviço como regime
obrigatório (CF/88, art.7°, inciso III)

 Art. 492 ss CLT revogados tacitamente.

 Entre L. 5.107/66 e a Carta Magna o


empregado podia optar ou não pelo FGTS.
2. ESTABILIDADES
ESPECIAIS/PROVISÓRIAS (...)
(Garantias provisórias de emprego):

NECESSÁRIA PRESENÇA DE DOIS


REQUISITOS:
1. Inexistência da prática de falta grave,
justa causa ou infração disciplinar
pelo empregado;
2. Ausência de prazo determinado para
o termino do contrato (não vale este
requisito para gestante)
Garantias Provisórias de Emprego:
DIRIGENTE SINDICAL
Art. 8, inciso VIII da CF/88 & Art. 543
CLT, parágrafo 3°:
“é vedada a dispensa do empregado
sindicalizado a partir do registro da
candidatura a cargo de direção ou
representação sindical e, se eleito,
ainda que suplente, até um ano após
o final do mandato, salvo se cometer
falta grave nos termos da lei”.
Garantia de matriz coletiva:
 Relacionada com a atividade de
representação sindical não com o empregado
em si mesmo considerado
 Conforme O. B. Magano é uma garantia que
“torna o grupo organizado de trabalhadores
o verdadeiro beneficiário da garantia”.
 Junto com o conjunto de
proteções=“imunidades sindicais”
a) Limites ao número de dirigentes
sindicais detentores da estabilidade
 Art. 522 CLT = mín. 3 e max. 7, eleitos
pela assembléia geral.
 Problema com art. 7 CF/88 = não
interferência ou intervenção do Poder
Público na organização sindical.
 TST, Súmula 369, II (ex OJ 266) = “O
art. 522 da CLT, que limita a sete o número
de dirigentes sindicais, foi recepcionado
pela Constituição Federal de 1988”
Limites ao número de dirigentes
sindicais detentores da estabilidade
 Limites necessario porque ultrapassa a
autonomia interna do sindicato atingindo direito
de outrem = a estabilidade do dirigente sindical
cria uma orbogaçao ao empregador.
 NÚMERO DE DIRIGENTES SINDICAIS - ABUSO DE
DIREITO. O entendimento de que a entidade sindical incorreu em
abuso de direito ao permitir que 54 empregados da Empresa
integrassem a diretoria da Federação não afronta de forma direta o
art. 8コ, I, da Constituição da República, pois a autonomia
prevista constitucionalmente não pode ser usada para garantir
estabilidade a membros integrantes da diretoria que supera em
muito a razoabilidade. Recurso de Revista não conhecido.(TST -
DECISÃO: 10 05 2000 – RR n. 355540 - Ano: 1997 - Recurso de Revista
– 5 Turma - DJ - Data: 02-06-2000 - PG: 320 – Relator Ministro Rider
Nogueira De Brito).
Limites ao número de dirigentes
sindicais detentores da estabilidade
 Há decisões restringindo ainda mais a interpretação dada ao 522
CLT, escluindo a estabilidade para los suplentes:
 RECURSO DE REVISTA. ESTABILIDADE PROVISÓRIA.
DIRIGENTE SINDICAL. LIMITAÇÃO. O artigo 522 da
Consolidação das Leis do Trabalho limita o núero de dirigentes
sindicais beneficiários da garantia de emprego prevista no artigo 543,
3°, do mesmo diploma legal. A exegese do artigo 522 da CLT leva a
crer que gozam de estabilidade apenas os integrantes da diretoria
até o limite máxmo de sete. Na hipóese, o Tribunal Regional
registrou expressamente que o sindicato contava com sete diretores e o
mesmo número de suplentes, tendo o reclamante sido eleito como
suplente. Excedendo, portanto, o limite legal, não há falar em
estabilidade provisória. Hipóese de incidência da Súmula n. 369, II,
desta Corte superior. Recurso de revista conhecido e provido. (TST -
RR - 375/2002-085-15-00 - 1ェ Turma – Rel. Min. Lelio Bentes Corrêa
- DJ - 23/11/2007).
b) E os membros do conselho fiscal
têm estabilidade?
 Art. 522 CLT = conselho fical é orgão
da administração do sindicato; de
gestão financeira.
 OJ 365 SDI-1.
 Jurisprudência do TST = compete
exclusivamente à diretoria, a atuação
política da defesa dos interesses da
categoria (causa).
c) Dirigentes de entidades sindicais de
nível superior (Federações e
Confederações)
 Art. 573 CLT: “o agrupamento de sindicatos
em federações obedecerá às mesmas regras
que as establecidas neste capítulo para o
agrupamento das atividades e profissões em
sindicatos”.
 Art. 538 CLT:não faz menção ao suplentes
(interpretações ampliativas e restritivas da
jurispudência) = aplicação analogica do art.
522
Diretores de Centrais Sindicais:
não têm direito a estabilidade
 Art. 8 CF/88: organização sindical por
categoria e sistema confederativo.
 STF: reiterou a inexistência de
personalidade sindical das Centrais Sindicais
= são desprovidas prerrogativas sindicais:
celebrar acordos e convenções coletivas,
ajuizar dissidio coletivo ...
 Representantes indicados no Conselho
Curador FGTS: sim estabilidade mas não
ligada à central sindical
d) Delgados sindicais de base
 OJ SDI-1, n.369 TST: “O delegado sindical
não é beneficiário da estabilidade provisória
prevista no art. 8º, VIII, da CF/1988, a qual é
dirigida, exclusivamente, àqueles que
exerçam ou ocupem cargos de direção nos
sindicatos, submetidos a processo eletivo”
(Entretanto, atualmente, muitas categorias vem
trazendo a estabilidade do delegado sindical em
acordos ou convenções coletivas).
Estabilidade sindical e registro da
entidade sindical:
 Não obstante o art. 8, I da CF/88 - existe
necessidade de registro no Ministerio do
Trabalho para que se considere fundada uma
entidade sindical.
 Problema: tem estabilidade o dirigente do
sindicato que sofreu impugnação ou mesmo
ainda quando não estivesse perfecionado o
procedimento?
e) Estabilidade sindical e registro da
entidade sindical (contra Robortella):
 Corrente jurisprudencial majoritária concluiu pela
estabilidade:Precedente Jurisprudencial do STF (RE n. 205.107-1-
MG, DJ em 25.09.98, Rel. Min. Sepúlveda Pertence):Estabilidade
sindical provisória (CF, art. 8, VII); reconhecimento da garantia aos
diretores eleitos, na assembléia constitutiva da entidade sindical,
desde, pelo menos, a data do pedido do registro no Ministério do
Trabalho, o que não contraria a exigêcia deste, constante do art. 8, I, da
constituição. 1. A constituição de um sindicato – posto culmine no
registro no Ministério do Trabalho – a ele não se resume: não é um
ato, mas um processo. 2. Da exigência do registro para o
aperfeiçoamento da constituição do sindicato, não cabe inferir que são
a partir dele estejam os seus dirigentes ao abrigo da estabilidade
sindical; é interpretação pedestre, que esvazia de eficácia aquela
garantia constitucional, no momento talvez em que ela se
apresenta mais necessária, a da fundação da entidade de classe.
Comunicação da candidatura e eleição
ao empregador:
 Art. 543, par. 5°: “para fins deste artigo, a
entidade sindical comunicará por escrito à
empresa, dentro de 24 horas, o dia e a
hora do registro da candidatura (...)”.
 S. 369 TST (2012): “é assegurada a estabilidade
provisória ao empregado dirigente sindical, ainda
que a comunicação do registro da candidatura ou da
eleição e da posse seja relizada fora do prazo
previsto no arto. 543 da CLT, desde que a ciência
ao empregador, por qualqeur meio, occorra na
vigência do contrato de trabalho”
f) Duração mandato, cumulatividade de
cargos, reeleições ...
 Art. 8, VIII da CF/88: a estabilidade sindical
não é ilimitada.

 Garantia provisória restrita no tempo


(O prazo do mandato do dirigente sindical será previsto
no Estatuto do Sindicato# CIPA - mandato = 1 ano)
 O efeito ultrativo da estabilidade contraria a
sua natureza provisória (abuso do direito).
g) Dirigente sindical de sindicato não
integrante da categoria dos
trabalhadores da empresa:
 Não tem estabilidade provisória.
 A estabilidade se refere à função de
representante da categoria = não
havendo relação entre a categoria,
objeto da proteção e o emprego, não
pode ter estabilidade.
 Não tem CONFLITO DE INTERESSES
h) Estabilidade e localidade de
prestação de serviços:

 Inexistência de conflito de interesse


nega a estabilidade provisória = falta
a causa.
 Não tem direito a estabilidade o
empregado eleito para direção de
sindicato cuja base territorial não
abrange a empresa em qual trabalha.
DIRIGENTE DE SINDICATO
PATRONAL
 Controvertido: para alguns, não há
direito à estabilidade, pois não entre
em choque com os interesses da
empresa
SÚMULA 369 TST:
 I - É assegurada a estabilidade provisória ao
empregado dirigente sindical, ainda que a
comunicação do registro da candidatura ou da
eleição e da posse seja realizada fora do prazo
previsto no art. 543, § 5º, da CLT, desde que a
ciência ao empregador, por qualquer meio, ocorra
na vigência do contrato de trabalho.
 II - O art. 522 da CLT foi recepcionado pela
Constituição Federal de 1988. Fica limitada, assim,
a estabilidade a que alude o art. 543, § 3.º, da CLT
a sete dirigentes sindicais e igual número de
suplentes.
 III - O empregado de categoria diferenciada eleito
dirigente sindical só goza de estabilidade se exercer
na empresa atividade pertinente à categoria
profissional do sindicato para o qual foi eleito
dirigente.
i) SÚMULA 369, TST:
 IV - Havendo extinção da atividade empresarial no
âmbito da base territorial do sindicato, não há razão
para subsistir a estabilidade.
 V - O registro da candidatura do empregado a
cargo de dirigente sindical durante o período de
aviso prévio, ainda que indenizado, não lhe
assegura a estabilidade, visto que inaplicável a
regra do § 3º do art. 543 da Consolidação das Leis
do Trabalho.
Garantias Provisórias de Emprego:
REPRESENTANTE NA CIPA
 CIPA: art. 164 ss.CLT; art.10 ADCT; S. 339;
 Somente gozará de estabilidade os
membros da CIPA eleitos pelos empregados
(art.164 CLT).
 Presidente da CIPA - é designado pelo
empregador e, portanto, não goza de direito
à estabilidade. Já o vice presidente, eleito
pelos empregados, é detentor de
estabilidade.
CIPEIRO
 O período de estabilidade do membro da
CIPA incidirá desde o registro da
candidatura até 1 ano após o fim do
mandato (art. 10, II, "a", do ADCT )
 A estabilidade do cipeiro não é um direito
pessoal - extinta a empresa, extingue-se
também a estabilidade.
 A demissão por justa causa do cipeiro não
necessita de inquérito judicial prévio
(Súmula 339, II TST)
CIPEIRO: SÚMULA 339 TST

 II - A estabilidade provisória do cipeiro não


constitui vantagem pessoal, mas garantia
para as atividades dos membros da CIPA, que
somente tem razão de ser quando em
atividade a empresa. Extinto o
estabelecimento, não se verifica a
despedida arbitrária, sendo impossível a
reintegração e indevida a indenização do
período estabilitário.
CIPERIO: MEMBROS SUPLENTES

 Não existe norma expressa nesse sentido;


 Entendimento superado: leitura literal da
norma excluia a possibilidade de cipeiros
suplentes;
 Atualmente Súmula 676 STF:“A garantia de
estabilidade provisória prevista no art. 10, II,
"a", do ADCT, também se aplica ao suplente
do cargo de direção de Comissões Internas
de Prevenção de Acidentes”.
CIPEIRO: MEMBROS SUPLENTES

 Súmula 339, I TST:“O suplente da CIPA


goza da garantia de emprego prevista
no art. 10, II, "a", do ADCT a partir da
promulgação da Constituição Federal
de 1988”.
OS NOMEADOS PELO
EMPREGADOR
 CIPA é paritária, bipartite.
 Entendimento majoritário não estende
a proteção aos cipeiros indicados pelo
empregador
CIPEIRO: MOTIVOS TÉCNICOS, ECONÔMICOS E
DISCIPLINARES
 A dispensa do membro da CIPA é autorizada não
apenas na hipótese de pratica de justa causa, mas
também por motivo técnico, econômico ou
finaceiro (art. 165 CLT).
 Interpretação restritiva = extrema ratio
 Segundo o TST: “somente na extinção do
estabelecimento, e não de mero setor da empresa é
que”
 O papel do CIPEIRO é velar pela segurança na
empresa e não apenas do local específico em que
desenvolve suas próprias atividades.
Garantias Provisórias de Emprego:
GESTANTE

A empregada gestante tem direito à


garantia de emprego, desde a
confirmação da gravidez até cinco
meses após o parto (Ato das
Disposições Constitucionais Transitórias,
art. 10, II, b)
GESTANTE: normativa
 ART. 10, II, b, ADCT/CF/88;
 S. 244 TST: I - O desconhecimento do estado gravídico
pelo empregador não afasta o direito ao pagamento da
indenização decorrente da estabilidade (art. 10, II, "b" do
ADCT).
II - A garantia de emprego à gestante só autoriza a
reintegração se esta se der durante o período de
estabilidade. Do contrário, a garantia restringe-se aos salários
e demais direitos correspondentes ao período de estabilidade.
III - A empregada gestante tem direito à estabilidade provisória
prevista no art. 10, inciso II, alínea “b”, do Ato das Disposições
Constitucionais Transitórias, mesmo na hipótese de admissão
mediante contrato por tempo determinado.
GESTANTE: normativa

 ART. 4º-A LEI 5859/72 (lei

11.324/2006):

“ É vedada a dispensa arbitrária ou sem


justa causa da empregada doméstica
gestante desde a confirmação da
gravidez até 5 (cinco) meses após o
parto”
GESTANTE: da comunicação ao
empregado
 teorias da responsabilidade:
Subjetiva: a empregada deve comprovar a gravidez perante o
empregador, apresentando atestado médico ou exame laboratorial,
para que faça jus à garantia de emprego.
Objetiva: o desconhecimento do empregador a respeito do estado
gravídico não é óbice para a garantia de emprego, que será devida
ainda que o empregador não tenha ciência do fato, vale dizer,
independentemente de comunicação por parte da gestante.

 A teoria da responsabilidade objetiva foi acolhida pelo TST


por meio da edição da Sumula n. 244, item I
No mesmo sentido o STF

 “art. 10, II, b, do ADCT confere estabilidade provisória à


obreira, exigindo para o seu implemento apenas a
confirmação de sua condição de gestante, não havendo,
portanto, de se falar em outros requisitos para o exercício
desse direito, como a prévia comunicação da gravidez ao
empregador." (STF - RE 259.318, Rel. Min. Ellen Gracie,
julgamento em 14-5-02, DJ de 21-6-02). No mesmo
sentido: No mesmo sentido: AI 277.381-AgR, Rel. Min.
Joaquim Barbosa, DJ de 22-9-06).
GESTANTE: DA EXPRESSÃO “CONFIRMAÇÃO DA
GRAVIDEZ”

“Momento da concepção” ou “moemento


em que a empregada teve ciência” ??
(dies a quo)
Dies a quo...
1. Segundo uma leitura teleologica/do
fato objetivo: o que importa é o fato
objetivo da gradividez; é a causa
eficiente da garantia constitucional.
2. Outra orientação: o que importa é a
data em que fez exame, ou seja, a
data em que a empregada
efetivamente teve ciência de seu
estado gravídico;
GESTANTE: exigência de atestado médico
 Lei 9.029/1995: proíbe a adoção de qualquer prática
discriminatória e limitativa para efeito de admissão ou de demissão de
empregado, seja por motivo de sexo, origem, raça, cor, estado civil,
situação familiar ou idade.
 Proíbe também a exigêcia de atestados de gravidez e esterilizaçãoo,
e outras práicas discriminatóias para efeitos de admissão ou de
permanêcia no emprego, tipificando como crime, a exigêcia de
teste, exame, e atestado de gravidez.
 Adaptando a Consolidação das Leis do Trabalho ao preceito
constitucional (artigo 5°), o legislador, no capítulo que trata da
proteção á mulher, acrescentou a Letra A ao artigo 373 no texto da
CLT, repetindo as disposições da Lei 9.029/95
GESTANTE: exigência de atestado médico
 Conforme leitura literal da CLT: não há qualquer
impedimento legal ao pedido de exame médico que
comprove não ser gravídico seu estado quando da
ruptura do pacto laboral;
 Emilio Gonçalves: acolhe a proibição na fase de
admissão, mas a admite na fase dimissional, com a
finalidade de manter a deliberação de dispensar a
empregada ou de mantê-la no emprego”
 Sergio Pinto Martins: no mesmo sentido, ressalvando
a locução “manuteção da relação de emprego”
GESTANTE: aviso prévio
 lei Federal 12.812 de 16 de maio de 2013,
que acrescenta o artigo 391-A à CLT, com a
seguinte redação:
“Art. 391-A. A confirmação do estado de
gravidez advindo no curso do contrato de
trabalho, ainda que durante o prazo do
aviso prévio trabalhado ou indenizado,
garante à empregada gestante a
estabilidade provisória prevista na alínea
b do inciso II do art. 10 do Ato das
Disposições Constitucionais Transitórias."
Garantias Provisórias de Emprego:
EMPREGADO ACIDENTADO
 A estabilidade do acidentado restringe-se ao
acidente de trabalho ou a ele equiparado
(trajeto casa-trabalho/trabalho-casa;
doenças ocasionadas por força do contrato
de trabalho ou na execução do trabalho).
 A estabilidade do acidentado exige que o
afastamento em razão do acidente de
trabalho seja superior a 15 dias, gerando
direito ao recebimento do auxílio
acidentário (nos primeiros 15 dias, a
responsabilidade é do empregador).
Garantias Provisórias de Emprego:
EMPREGADO ACIDENTADO
 artigo 118 da Lei nº 8.213/91: o
segurado que sofreu acidente do
trabalho tem garantida, pelo prazo de
12 meses, a manutenção de seu
contrato de trabalho na empresa,
após a cessação do auxílio-doença
acidentário, independente de
percepção de auxílio-acidente.
EMPREGADO ACIDENTADO

 se a doença for descoberta somente após a


extinção do contrato, o empregado deverá
ser reintegrado ou indenizado pelo período
de 12 correspondente à estabilidade
(Súmula 378, II TST). Neste caso, a
contagem da prescrição para o ajuizamento
da reclamação trabalhista (prazo=2 anos)
somente se inicia a partir da descoberta da
doença, aplicando-se a contagem da
prescrição do Código Civil.
Questões para discussão
 A) sub-notificação de CATs pelas
empresas
 B) Divergência entre laudos do INSS e
perícia da JT
 C) declaração de nexo causal: a atual
visão sistêmica e ampla do “MEIO
AMBIENTE DO TRABALHO”
Empregado acidentado: Súmula 378 TST:
 I - É constitucional o artigo 118 da Lei nº 8.213/1991
que assegura o direito à estabilidade provisória por
período de 12 meses após a cessação do auxílio-
doença ao empregado acidentado.
 II - São pressupostos para a concessão da
estabilidade o afastamento superior a 15 dias e a
conseqüente percepção do auxílio-doença
acidentário, salvo se constatada, após a despedida,
doença profissional que guarde relação de
causalidade com a execução do contrato de
emprego
 III - O empregado submetido a contrato de trabalho
por tempo determinado goza da garantia provisória
de emprego decorrente de acidente de trabalho
prevista no n no art. 118 da Lei nº 8.213/91.
PROTEÇÕES JURISPRUDENCIAIS -
Súmula 443,TST:
 Presume-se discriminatória a
despedida de empregado portador do
vírus HIV ou de outra oença grave que
suscite estigma ou preconceito.
Inválido o ato, o empregado tem
direito à reintegração no emprego.
Outras Hipóteses de
Estabilidade no Emprego
 Os sindicatos, determinam em Acordos e
Convenções algumas estabilidades, tais
como:
 Garantia ao Empregado em Vias de
Aposentadoria
 Aviso Prévio
 Complementação de Auxílio-Doença
 Estabilidade da Gestante
LICENÇA PARA CÂNCER
 Bancária receberá R$ 160 mil por
perseguições após licença para tratar
câncer
 Uma bancária que sofreu sucessivas transferências e foi rebaixada de função
ao retornar ao trabalho após nove meses de licença para tratar câncer de
mama receberá R$ 160 mil por dano moral. O Itaú Unibanco S/A tentou trazer
ao TST sua pretensão de reduzir o valor da condenação, mas a Quinta Turma
rejeitou seu agravo de instrumento, por concluir que o Tribunal Regional do
Trabalho da 3ª Região (MG) decidiu com base nas provas e, ao fixar o valor da
indenização, considerou a extensão do dano, a condição econômica das partes e o grau de culpa do
banco.
 O Itaú foi condenado pelo juízo da Vara do Trabalho de Almenara (MG) a indenizar em R$ 50 mil a
bancária por dano moral, por considerar que houve abuso no poder diretivo do banco, que "atuou de
forma discriminatória e sem qualquer comprometimento social para com aqueles trabalhadores que tiram
licença por motivo de saúde".
CONT.
 Perseguição
 Admitida em 1979 como escriturária, a trabalhadora foi caixa e depois gerente operacional, até ser
demitida em 2011. Nos últimos quatro anos de contrato, disse ter sofrido perseguições da chefia. A
licença para tratamento do câncer ocorreu em 2006, e, em fevereiro 2007, quando retornou, ainda

abalada e com quadro depressivo pela retirada da mama e pelos tratamentos , foi transferida para
Governador Valadares.
 Na reclamação trabalhista, ela afirma que "implorou à chefia" para não ir, devido à
necessidade de estar próxima da família, mas não foi atendida. A partir daí, segundo ela, as
perseguições aumentaram: foi rebaixada de função e deslocada para várias cidades da região, cobrindo
férias de funcionários de agências pequenas, sempre como caixa. De 2008 a 2011, foram 18
transferências.
 Tendo como parâmetro depoimentos de testemunhas, o juízo concluiu que havia discriminação por parte
do banco em relação aos empregados afastados por longo período, que eram deslocados para atividades
menores, transferidos de agência e submetidos a extrema pressão psicológica.

 Processo: AIRR-1140.05.2012.5.03.0046
Trabalhador com epilepsia é reintegrado após demissão sem justa
causa

 A Louis Dreyfus Commodities Brasil S.A terá de reintegrar a seu quadro um empregado com epilepsia

demitido sem justa causa 20 dias depois de retornar ao trabalho após o termino de auxílio doença .
Graças a uma tutela antecipada da Justiça Federal que garantiu o restabelecimento do benefício, ele
comprovou que estava inapto para ser demitido.
 A empresa perdeu a ação em todas as instâncias da Justiça do Trabalho da 23ª Região. O agravo de
instrumento pelo qual pretendia trazer o caso à discussão no Tribunal Superior do Trabalho foi desprovido

pela Sexta Turma, e o processo já transitou em julgado, não cabendo mais recursos .
 No processo, consta um atestado emitido por neurologista em outubro de 2010 descrevendo que o
trabalhador, auxiliar de pátio da Louis Dreyfus em Rondonópolis (MT), apresentava quadro de epilepsia
de difícil controle em fase de ajuste de dose e troca de medicação, sendo necessário afastamento do
trabalho "por tempo indeterminado". O afastamento durou até abril de 2011, quando o INSS suspendeu o

auxílio doença e, em maio de 2011, ele foi demitido. Após passar pelo exame demissional, um atestado
de saúde ocupacional declarou-o "apto para o trabalho".
 Na reclamação trabalhista, ele pediu a declaração de nulidade da rescisão contratual e indenização por

danos morais, no valor de R$ 31 mil .


Cont.Caso Epilepsia
 Para o relator do agravo, ministro Aloysio Corrêa da Veiga,
ficou evidenciado que o trabalhador não estava apto para ser
dispensado, pois ainda necessitava de tratamento médico e
afastamento do trabalho para essa necessidade, estando
incapacitado total e permanentemente para atividades de
risco, e total e temporariamente para outras atividades.
"Nesse contexto, não há como se concluir pela alta
previdenciária, especialmente em razão da decisão da Justiça
Federal determinando o restabelecimento do auxílio doença e
da prova pericial", concluiu. A decisão foi unânime.
 Processo: AIRR-177-17.2012.5.23.0021
OBRIGADO!
 BOM SÁBADO a todos!
 TÚLIO MASSONI
 tuliomassoni_puc@hotmail.com