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Historial da Lei da gravitação universal

Licenciatura em ensino de Física 3º ano, III grupo.

Ivanélio Albino Álvaro


Azarias Raimundo Wairesse
Dotito Roia Tesoura
Geremias Tubobo Cavalo
Jorge Zama
Sancho Sebastião

Universidade Pedagógica
Tete
2017
O movimento dos corpos celestes intrigou o Homem
desde os primórdios da civilização. Talvez um dos
processos mais interessantes da história da ciência
tenha sido a evolução do nosso conhecimento do
movimento planetário.
Os gregos pensavam que a Terra era o centro do
universo. Supunham que a terra era o centro
geométrico e que todos os corpos celestes se moviam
em torno dela. Os corpos conhecidos naquela época
eram colocados de acordo com a sua distância média
com a terra. A ordem era: Lua, Mercúrio, Vênus, Sol,
Marte, Júpiter e Saturno; as estrelas eram fixas e
dispersas numa esfera exterior.
Cont.
 Na primeira hipótese sobre o movimento planetário supunha-
se que estes planetas descreviam círculos concêntricos em volta
da terra. Esta suposição, no entanto, não descrevia bem o
movimento observado dos planetas, em relação á terra. Em
consequência, a descrição geométrica para explicar as
observações astronómicas do movimento planetário tornou-se
cada vez mais complexa. No seculo II d.C., o astrónomo
Ptolomeu de Alexandria desenvolveu a sua teoria dos epiciclos
para explicar este movimento geocêntrico. No caso mais
simples, supunha-se que o planta se movia uniformemente num
ciclo conhecido como epiciclo. O centro do epiciclo, por sua
vez, movia-se sobre um círculo maior, conhecido como
deferente.
Cont.
Fig1. Modelo dos epiciclos para o movimento planetário
referido á terra (fonte: Alonso & Finn)
.
 Esta descrição foi aceita como correcta ate o seculo
XVI quando Nicolau Copérnico (1473-1543)
desenvolveu um modelo diferente. Copérnico
procurava uma explicação mais simples e, deste modo,
propôs um modelo em que todos os planetas,
incluindo a terra, se moviam em relação ao sol, que
estaria no centro. Esta descrição foi aceita como
correcta ate o seculo XVI quando Nicolau Copérnico
(1473-1543) desenvolveu um modelo diferente.
Copérnico procurava uma explicação mais simples e,
deste modo, propôs um modelo em que todos os
planetas, incluindo a terra, se moviam em relação ao
sol, que estaria no centro.
.
 Este modelo heliocêntrico, não era novo, já tinha sido
proposto pelo astrónomo Aristarco, no seculo III a.C.
segundo Copérnico, as orbitas dos planetas estariam
situadas pela seguinte ordem em relação ao Sol: Mercúrio,
Vénus, Terra, Marte, Júpiter e Saturno, enquanto a Lua
girava em torno da terra. O que Copérnico propôs foi
essencialmente um sistema de referência, com a origem
colocada no sol. No referido sistema, o movimento dos
planetas teria uma descrição mais simples.
 O sol, o corpo maior do nosso sistema planetário,
praticamente coincide com o centro de massa do sistema.
Isso justifica a sua escolha como centro de referencia, uma
vez que é praticamente um sistema inercial, Excepto no seu
movimento em relação ao centro da galáxia. A proposta do
Copérnico ajudou o astrónomo Johannes Kepler (1571-1630)
a estabelecer as leis do movimento planetário. Que são:
1ª. Os planetas descrevem órbitas elípticas, com o Sol num foco.
2ª. O vector de posição de qualquer planeta em relação ao Sol
varre áreas iguais de uma elipse em intervalos de tempos
iguais.
3ª. Os quadrados dos períodos de revolução dos planetas são
proporcionais aos cubos das suas distâncias médias do sol.

 O estabelecimento destas leis foi um esforço analítico


assombroso por parte de Kepler, particularmente em virtude da
precisão limitada dos dados que tinha a sua disposição. Há
indícios que os dados experimentais eram insuficientes para
demonstrar as suas leis, em razão da sua imprecisão, e de que
Kepler possa ter ajustado os valores das posições planetárias
para concordarem com as suas leis, mas mesmo que isso seja
verdade, não desvaloriza a sua proeza.
A contribuição de Galileu
 Galileu, contemporâneo e correspondente de Kepler, aderiu
calorosamente ao modelo de Copérnico-Kepler, só não aceitado as
orbitas elípticas, porque não estavam de acordo com a tal «linha
perfeita» que devia ser seguida pelos corpos celestes… um resíduo
das ideias antigas, de que não se conseguiu libertar.
 O entusiasmo de Galileu aumentou quando a partir de 1609, passou a
utilizar sistematicamente o telescópio, através do qual pôde observar
as montanhas da Lua, os quatro satélites de Júpiter, as fases do
Vénus, as manchas solares (afinal, o sol não era um objecto celeste
perfeito),…
 Galileu, apesar da sua amizade com o Papa Urbano VIII, também foi
julgado pela inquisição em 1632, sendo obrigado a renunciar
publicamente às suas ideias. Com 68 anos e fragilizado, conhecedor
do que sucedera com Giordano Bruno, cedeu á exigência do tribunal,
tendo-lhe sido imposta prisão domiciliária.
Cont.
 Foi em casa e após o julgamento que o físico Galileu, quase
cego e acompanhado apenas por alguns discípulos, concluiu a
sua obra científica principal: estabeleceu a lei da queda dos
graves, combinou a dedução lógica com a indução
experimental, sujeitou os dados á análise matemática, etc. E
para descrever o movimento acelerado, «esse movimento que a
natureza utiliza», escolheu a aceleração e não a velocidade
como o conceito mais adequado. Com Galileu nasceu uma
nova física. Mas não chegou a gravitação porque ainda não
estava na hora!
 Escolher entre o modelo de Ptolomeu e o modelo de
Copérnico-Kepler foi durante um tempo uma questão de
simples preferência. Mas, depois de Galileu, a opção pelo
modelo heliocêntrico tornou-se uma necessidade intelectual. A
evidência experimental a favor do modelo de Copérnico-Kepler
foi-se acumulando de forma impressionante.
A lei da gravitação
 As leis de Kepler proporcionaram uma descrição de forma
como se movem os planetas, mas não nos fornecem mas
não nos fornece nenhuma indicação sobre por que fazem
desse modo, e não de outro.
 Depois da formulação das leis do movimento, a segunda
contribuição de Newton, e talvez a maior, para a física, foi
a formulação da lei da gravitação universal. Esta lei prevê
a interação atrativa entre dois corpos, planetas ou
pequenas partículas, que produz um movimento que está
de acordo com a descrição dada pelas leis de Kepler. A lei
da gravitação foi formulada por Newton em 1666, mas
não foi publicada até 1678, altura em que apareceu como
um capítulo na sua monumental obra Principia
Mathematica Philosophie Naturalis.
A balança de Cavendish
 O físico britânico Henry Cavendish (1731-1810), no final
do seculo XVIII, cerca de 100 anos após a publicação do
Principia, mediu experimentalmente a constante de
gravitação universal, G. Cavendish utilizou um
dispositivo que é conhecido por balança de torção,
realizou a seguinte experiencia: equilibrou
cuidadosamente duas pequenas esferas, de massas e ,
em uma barra horizontal. Aproximando destas massas
duas esferas maiores e , Cavendish verificou que a
barra girava, provocando uma torção no fio que a
sustentava. Este facto mostrou que existe, realmente,
uma força de atracão entre e e entre e , como Newton
havia previsto.
Fig2. Experiencia da balança de torção utilizada por Cavendish
(fonte: Maximo & Alvarenga)
Êxitos e limitações da teoria newtoniana
da gravitação
 A teoria de Newton teve êxitos apos êxitos desde o seculo
XVII até o final do seculo XIX. Entre esses êxitos encontra-se
a explicação das marés (devidas aas forças de gravitação entre
a terra e a lua, principalmente), a explicação da precessão dos
equinócios e a previsão das órbitas dos cometas.
 Foi também graças a teoria da gravitação universal que se
previu a existência de novos planetas como o Plutão (1846), o
Neptuno (1930). Quando os astrónomos apontaram os
telescópios para os locais indicados pelos cálculos, eles
estavam lá.
 Ainda hoje a lei da gravitação é muito utilizada para calcular as
órbitas dos satélites artificiais, fazem-se as previsões dos
eclipses e da passagem de cometas nas vizinhanças da Terra.
Cont.
 Apesar de todos estes sucessos, a lei da gravitação de Newton
deixa muitas questões por resolver. A primeira é que ela traduz
apenas o que se passa e como se passa, mas nada interpreta: é
omissa quanto ao porquê. Newton sentiu este ponto fraco e
chegou a admitir a existência do «éter», preenchendo o espaço
e desempenhando o papel de transmissor das interações
gravitacionais.
 Entre os problemas que nunca foram resolvidos com a teoria da
gravitação de Newton, encontram-se pequenas variações nas
órbita do Mercúrio, descobertas ainda no séc.. XIX. Problemas
estes que só foram resolvidos pela teoria da Relatividade Geral
de Einstein em 1919. Esta teoria, descreve a gravitação por
«deformação do espaço-tempo».
Bibliografias

 Alonso, Marcelo & Finn, Edward J. física um curso


universitário, Mecânica. Volume 1. Editora EGADRD
Blucher LTD, edição estudantil, S. Paulo 1972
 ALVARENGA, Beatriz & MAXIMO, António. Física
ensino medio, volume 1, 1ª edição, editora Scipione, S.
Paulo 2006
 FIOLHAIS, Carlos, et all. Física 12º ano, 2ª edição.
Didáctica Editora, Abril de 1997, Lisboa