Você está na página 1de 19

Reforma

Trabalhista:
Inconstitucionalidade
por esvaziamento de
Direitos Sociais

Prof. Denisson Gonçalves Chaves


Em primeiro lugar a Constituição!!!
• Afinal, para que serve a Constituição mesmo?
• Os direitos sociais de segunda dimensão, será?
• O que é vulnerabilidade? E porque alguns pensam que
ela caiu do céu?
• Proteger o trabalhador? Por que? De quem?
A formalidade e a materialidade das
Normas e o Esvaziamento da Constituição

O que é suprimir e o que esvaziar?


A era do Vazio?
Esvaziando os Direitos Sociais
Negociado sobre o Legislado
• “A ferramenta de um homem. É a arma de outro” (Bruce
Wayne/Batman – Cavaleiro das Trevas)
• A lei que silencia as leis;
• Fetiche neoliberal pelos mitos da igualdade sem Estado;
• Homens de “bens”, estes, os empregadores;
• Trabalhadores solitários, trabalhos precários e acordos
TEMERários
PROBLEMAS EMPÍRICOS DA REFORMA

• 1. Aumento de Processos na Justiça do Trabalho;


• 2. Queda da Arrecadação Tributária;
• 3. Enfraquecimento dos Sindicados
JUSTIÇA DO TRABALHO E REFORMA
UM PROBLEMA DA REFORMA:
• Princípio da Intervenção Mínima na Autonomia Coletiva

A Justiça Trabalhista deverá limitar-se-á a análises formais das


convenções e acordos coletivos.

POR QUE É INCONSTITUCIONAL?


“A lei não excluirá da Apreciação do Judiciário Lesão ou Ameaça a
Direito” (Art. 5, XXXV, CF)
POR QUE A JUSTIÇA DO TRABALHO É
IMPORTANTE?
ANÁLISE DO DADO
• [...] em seus diferentes graus, a JT recebeu 3,8 milhões
de novas reclamações em 2015 – em sua maior parte,
com empregados demandando o reconhecimento de
direitos eventualmente não observados por
empregadores. A essas 3,8 milhões, somaram-se outras
2,1 milhões de reclamações residuais, que não foram
julgadas em anos anteriores, totalizando 5,9 milhões
de reclamações requerendo atenção por parte da JT.
(IPEA, 2017, p. 67).
A RELAÇÃO NÃO AFETUOSA E A JUSTIÇA
DO TRABALHO
ANÁLISE DO DADO
[...] os temas que mais se destacam são os relacionados às
rescisões dos contratos individuais de trabalho, que
envolvem o pagamento de um conjunto de verbas
rescisórias pelos empregadores aos empregados – como:
saldo de salário, aviso prévio, 13o salário proporcional,
férias vencidas e proporcionais e multa de 40% sobre o
saldo do FGTS (CNJ, 2015). Em outras palavras, até mesmo
no que se refere aos temas dominantes nas demandas, a JT
parece ser uma justiça típica do período pós-vínculo de
trabalho (IPEA, 2017, p. 67).
DESMISTIFICANDO A TESE DA
UNILATERALIDADE DA JUSTIÇA DO TRABALHO
ANÁLISE DO DADO
• Desse modo, algumas alegações comuns e reiteradas a
respeito da JT devem ser ponderadas – alegações como
“tudo que o empregado pede a justiça do trabalho dá”.
Como as informações do gráfico 3 indicam, os
resultados totalmente favoráveis aos empregados
são bastante raros. Os resultados mais frequentes
envolvem decisões parcialmente favoráveis, seja por
meio de conciliações com os empregadores, seja por
meio de decisões de mérito dos magistrados (IPEA,
2017, p. 68).
UM QUESTIONAMENTO SOBRE O DADO
A Reforma utiliza a fórmula do “negociado sobre o legislado”,
argumentando que a negociação dá dinâmica as relações
trabalhistas.
MAS, o dado anterior mostra que as CONCILIAÇÕES ocupam 36%
da resolução dos litígios trabalhistas. Ora, a conciliação é uma
forma de negociação, porém, realizada perante a Justiça do
Trabalho.
LOGO, qual o objetivo da REFORMA:
a) Negociar, ou
b) Retirar da negociação a Justiça (do Trabalho)?
Dados Empíricos:
Trabalhadores
Sindicalizados e não
sindicalizados
REMUNERAÇÃO
Fonte: IPEA, 2017.
Em suma, embora inesperado, há um
diferencial remuneratório entre os
trabalhadores brasileiros, aparentemente
relacionado à filiação sindical, o qual é
bastante relevante, pois, em números relativos,
corresponde a 33,5%
(IPEA, 2017, p. 12)
DADOS EMPÍRICOS: REMUNERAÇÃO
INDIRETA
• Sobre o auxílio-saúde, 36,0% dos trabalhadores
sindicalizados se beneficiam dele, contra 20,3% dos não
sindicalizados. A propósito do auxílio-alimentação,
63,9% dos trabalhadores sindicalizados têm acesso a
ele, contra 49,3% dos não sindicalizados. Finalmente,
sobre o auxílio-transporte, 54,4% dos sindicalizados se
beneficiam dele, contra 49,1% dos não sindicalizados
(IPEA, 2017, p. 13).

CONCLUSÃO DO IPEA
• [...] atualmente, há evidências empíricas de diferenciais
de remunerações entre esses trabalhadores
(sindicalizados e não sindicalizados). Uma comparação
simples das remunerações diretas envolvendo
trabalhadores sindicalizados e não sindicalizados revela
que os primeiros estão 33,5% acima dos últimos. Além
disso, um simples contraste de remunerações indiretas
mostra que os trabalhadores sindicalizados têm mais
acesso a benefícios como auxílio-alimentação, auxílio-
transporte e auxílio-saúde (IPEA, 2017, p. 13).
CONCLUSÕES

• A reforma em muitos pontos é violadora da Constituição, não em


aspectos de forma, mas de material, a principal forma de
contrariedade está no que chamo de ESVAZIAMENTO.