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O que é a Cinética Química?

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A cinética química estuda a velocidade a que as
reações químicas ocorrem.

Existem fatores que afetam a velocidade das


reações químicas:
– Concentração dos reagentes
– Temperatura
– Área superficial (estado de divisão) dos
reagentes
– Pressão
– Presença de catalisadores
Rápidas Lentas
Reações Químicas

Moderadas

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Reação Rápida

6NaN3(l) + Fe2O3(s) faísca 3Na2O(s) + 2Fe(s) + 9 N2(g)

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Reação Moderada

Decomposição dos
Alimentos

Reação Lenta

Formação do
Petróleo

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VELOCIDADE DE UMA REAÇÃO
É a medida da rapidez com que uma reação ocorre. A
velocidade de uma reação química pode ser determinada
pela quantidade de reagente consumido ou pela
quantidade de produto formado, divido pelo número de
mols de reagentes Ou produtos. Em um intervalo de Tempo
(Δt).

aA + bB cC + dD
A velocidade é dada por:

1 [ A] 1 [ B] 1 [C ] 1 [ D]
velocidade     
a t b t c t d t
Velocidade média de uma reação

velocidade média de Br2 


Br  2 final
 Br2 inicial

ΔBr2 
t final  t inicial Δt

Consideramos a reação:
Br2(aq) + HCOOH (aq) → 2Br-(aq) + 2H+(aq) + CO2 (g)

A diminuição da concentração de bromo à medida que o


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tempo passa manifesta-se por uma perda de cor da solução
Velocidade de uma reação
AB

tempo
Cálculo da Velocidade média
o Para t = 0 (início da reação) há 1,00 mol A (100 esferas
pretas) e B não está presente. Para t = 20 min, existem 0,54
mol A e 0,46 mol B

Para t = 40 min, existem 0,20 mol A e 0,80 mol B

A velocidade média de A e B depois de 40 min será


ΔA  ΔB
Velocidade média de A e B   
Δt Δt
(0,20 - 1,00) (0,80 - 0)
Velocidade média     0,20 mol/min
40 40
A velocidade média diminui com o tempo
VELOCIDADE MÉDIA DA REAÇÃO

Consideremos a seguinte reação:


2AB
Consomem-se dois mols de A por cada mol de B que se forma, ou
seja, a velocidade com que A se consome é o dobro da velocidade
de formação de B. A velocidade da reação é:

1 [ A] [ B ]
velocidade _ média _ da _ reação   
2 t t
No caso geral, para a reação:
aA + bB → cC + dD
A velocidade da reação é dada por:

1 [ A] 1 [ B] 1 [C ] 1 [ D]
velocidade     
a t b t c t d t
Utilidade das equações cinéticas

1- Calcular a velocidade de uma reação a


partir do conhecimento da constante de
velocidade e das concentrações de
reagentes;

2- Calcular a concentração de reagentes


em qualquer instante durante o decorrer de
uma reação.
Cinética Química
Lei da Ação das Massas

 (1833-1902), Cato Guldberg e Peter Waage

“A cada temperatura, a velocidade de uma reação é


diretamente proporcional ao produto das
concentrações dos reagentes, elevadas a
expoentes determinados experimentalmente”
Cinética Química
Lei da Ação das Massas
 (1833-1902), Cato Guldberg e Peter Waage

“A cada temperatura, a velocidade de uma reação é


diretamente proporcional ao produto das
concentrações dos reagentes, elevadas a
expoentes determinados experimentalmente”

aA + bB => cC + dD

V = k [A] [B]β
k é uma constante da velocidade a uma dada temperatura
 e β são expoentes determinados experimentalmente
Cinética Química
Reação Elementar
Quando a reação química se desenvolve em uma única
etapa, dizemos que a reação é elementar.

Numa reação elementar, os expoentes a que devem ser


elevadas as concentrações dos reagentes na expressão
da velocidade são os próprios coeficientes dos
reagentes na equação balanceada

aA + bB => cC + dD

V = k [A]a [B]b
Cinética Química

Reação Elementar

Numa reação elementar, os expoentes a que devem ser


elevadas as concentrações dos reagentes na expressão
da velocidade são os próprios coeficientes dos
reagentes na equação balanceada

1 H3O+ + 1 OH- => 2 H2O

V = k [H3O+] [OH-]
Cinética Química
Reação Não-Elementar

Quando a reação se desenvolve em duas ou mais etapas


distintas, a velocidade da reação depende apenas da
velocidade da etapa lenta.

A etapa lenta é a etapa determinante da velocidade da


reação
Cinética Química
Reação Não-Elementar

A etapa lenta é a etapa determinante da velocidade da


reação

2 H2 + 2 NO => 1 N2 + 2 H2O

Etapa I 1 H2 + 2 NO => 1 N2O + 1 H2O (lenta)


Etapa II 1 H2 + 1 N2O => 1 N2 + 1 H2O (rápida)

Reação Global 2 H2 + 2 NO => 1 N2 + 2 H2O


Cinética Química
Reação Não-Elementar

2 H2 + 2 NO => 1 N2 + 2 H2O
Etapa I 1 H2 + 2 NO => 1 N2O + 1 H2O (lenta)
Etapa II 1 H2 + 1 N2O => 1 N2 + 1 H2O (rápida)
Reação Global 2 H2 + 2 NO => 1 N2 + 2 H2O

A velocidade da reação global será determinada pela


velocidade da etapa I

V = k [H2] [NO]2
Cinética Química
Ordem de uma reação

Chamamos de ordem de uma reação a soma de todos


os expoentes que aparecem na expressão da
velocidade da reação

aA + bB + cC => dD + eE + fF

V = k [A]α[B]β[C]

Ordem da reação:  + β + 
Cinética Química
Ordem de uma reação

A ordem da reação em relação a um reagente indica


a dependência existente entre a concentração desse
reagente e a velocidade da reação global.

2 H2 + 2 NO => 1 N2 + 2 H2O
V = k [H2] [NO]2

Ordem da reação: 1 +2 = 3 (3ª ordem)


Ordem da reação em relação ao H2: 1ª ordem, v = k [H2]
Ordem da reação em relação ao NO: 2ª ordem, v = k [NO]2
EQUAÇÃO DE VELOCIDADE OU
LEI CINÉTICA DE UMA REAÇÃO
Consideramos a reação

NH4+ (aq) + NO2- (aq)  N2 (g) + 2 H2O (ℓ)


para a qual
EQUAÇÃO DE VELOCIDADE
Verifica-se que

o quando a [NH4+] duplica, mantendo a [NO2-] constante, a


velocidade duplica;

o quando a [NO2-] duplica mantendo a [NH4+] constante, a


velocidade também duplica;

Logo, v  [NH4+][NO2-]

Equação de velocidade ou Lei cinética da reação:

v = [NH4+][NO2-]

onde k é a constante de velocidade da reação.


ORDEM DE REAÇÃO E CONCENTRAÇÃO
Uma reação é de:

o ordem zero em relação a um reagente se a alteração da


concentração desse reagente não causa alteração à sua
velocidade.

o primeira ordem em relação a um reagente se, duplicar a


concentração, duplica a velocidade da reação também.

o é de ordem n em relação a um reagente se, duplicar a


concentração aumenta de 2n a velocidade da reação.
Ordem de uma reação
aA + bB + cC => dD + eE + fF
Experiência [A] [B] [C] Velocidade/mol
(L.min-1)
1ª 2 mol/L 3 mol/L 1 mol/L V1 = 0,5

2ª 4 mol/L 3 mol/L 1 mol/L V2 = 2,0

3ª 4 mol/L 6 mol/L 1 mol/L V3 = 2,0

4ª 4 mol/L 6 mol/L 2 mol/L V4 = 16,0


Ordem de uma reação
Experiência [A] [B] [C] Velocidade/mol
(L.min-1)
1ª 2 mol/L 3 mol/L 1 mol/L V1 = 0,5

2ª 4 mol/L 3 mol/L 1 mol/L V2 = 2,0

3ª 4 mol/L 6 mol/L 1 mol/L V3 = 2,0

4ª 4 mol/L 6 mol/L 2 mol/L V4 = 16,0

Comparando 1ª e 2ª

v = k [A]2
4 v = k [2 A]2
Ordem de uma reação

Experiência [A] [B] [C] Velocidade/mol


(L.min-1)
1ª 2 mol/L 3 mol/L 1 mol/L V1 = 0,5

2ª 4 mol/L 3 mol/L 1 mol/L V2 = 2,0

3ª 4 mol/L 6 mol/L 1 mol/L V3 = 2,0

4ª 4 mol/L 6 mol/L 2 mol/L V4 = 16,0

Comparando 2ª e 3ª
v = k [B]0
Ordem de uma reação
Experiência [A] [B] [C] Velocidade/mol
(L.min-1)
1ª 2 mol/L 3 mol/L 1 mol/L V1 = 0,5

2ª 4 mol/L 3 mol/L 1 mol/L V2 = 2,0

3ª 4 mol/L 6 mol/L 1 mol/L V3 = 2,0

4ª 4 mol/L 6 mol/L 2 mol/L V4 = 16,0

Comparando 3ª e 4ª
v = k [C]3
8 v = k[2 C]3
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FATORES QUE AFETAM A
VELOCIDADE DAS REAÇÕES
EFEITO DA TEMPERATURA NA
VELOCIDADE DE REAÇÃO

Para a maioria das reações, a


velocidade aumenta com um
aumento da temperatura.
Superfície de Contato
Pressão
Um aumento de pressão em um sistema em reação
implica uma diminuição em seu volume. Desse
modo, haverá um numero maior de partículas
reagentes por unidade de volume (aumento na
concentração), o que possibilitará um maior número
de colisões efetivas entre as partículas.
Notar que a pressão só exerce influência significativa
na taxa de reação quando houver ao menos uma
substância gasosa como reagente.
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TEORIA DAS COLISÕES DE ARRHENIUS
Modelo que explica o aumento da velocidade das
reações com o aumento da temperatura, considerando
que as moléculas, para reagirem, têm que colidir umas
com as outras.
Contudo, nem todas as colisões resultam na formação
de produtos; só uma pequena parte delas vai resultar
na ocorrência de reação, dependendo de dois fatores:

1. Fator de orientação
2. Energia cinética
Fator de orientação

Para que uma reação aconteça, é necessário que as


moléculas dos reagentes colidam com a orientação
correta.

Colisão Eficaz
Colisão eficaz

Colisão Ineficaz
Energia de ativação
Tal como uma bola não consegue alcançar o topo de
uma colina se não rolar com energia suficiente até à
colina, uma reação não ocorre se as moléculas não
possuírem energia suficiente para ultrapassar a barreira
de energia de activação.
Energia de ativação
segundo a teoria das colisões, para que as
moléculas possam reagir, devem colidir com energia
cinética total maior ou igual do que a energia de
ativação (Ea). É a energia necessária para que se
inicie uma dada reação.
Complexo Ativado
• Complexo ativado: é a espécie formada transitoriamente
pelas moléculas de reagentes, como resultado da colisão,
antes da formação do (s) produto (s)
A+ B  C + D
Complexo
activado

Complexo
activado

Reação exotérmica Reação endotérmica


CATÁLISE
Um catalisador é uma substância que aumenta a velocidade de uma
reação química, sem ser consumida durante essa reação.

Um catalisador aumenta a velocidade de uma reação por


diminuir a sua energia de activação.
Ea k

uncatalyzed catalyzed

Velocidade Reação catalisada > Velocidade não catalisada


Catálise
• Existem dois tipos de catalisadores: Homogêneos e
heterogêneos.
Catálise homogênea: o catalisador encontra-se na mesma fase
dos reagentes e produtos
•Catálise ácida

•Catálise básica

Catálise heterogênea: o catalisador encontra-se numa fase


diferente dos reagentes e produtos

•A síntese de Haber do amoníaco

•A síntese do ácido nítrico

•Conversores catalíticos
CATÁLISE HETEROGÊNEA
Processo Haber (produz NH3)

A síntese de Haber do
amoníaco

Fe/Al2O3/K2O
N2(g) + 3H2(g) 2NH3(g)
catalisador
PROCESSO DE OSTWALD (produz
HNO3)

Pt-Rh catalisador
usado
No processo de
Ostwald

Catalisador de platina-ródio
4NH3(g) + 5O2(g) 4NO(g) + 6H2O(g)

2NO(g) + O2(g) 2NO2(g)


2NO2(g) + H2O(l) HNO2(aq) + HNO3(aq)
Conversores Catalíticos
Recolha de gases
de escape

Tubo de escape
Extremidade do
tubo de escape

Compressor de ar: fonte


de ar secundário
Conversores
Catalíticos

Conversor
CO + HC não sofreram combustão + O2 catalítico CO2 + H2O

Conversor
2NO + 2NO2 2N2 + 3O2
catalítico
Catálise Enzimática
• As enzimas são catalisadores biológicos.
• As enzimas atuam apenas sobre moléculas especificas,
chamadas substratos (ou seja, reagentes), deixando
inalterado o resto do sistema.

• Uma enzima é tipicamente uma proteína de dimensões


elevadas que contém um ou mais centros ativos. É nesses
centros que ocorrem as interações com as moléculas de
substrato. Estes centros ativos têm estruturas compatíveis
apenas com certas moléculas com uma relação topológica
semelhante à que existe entre
k uma chave e a respectiva
fechadura.
E+S ES

ES P+E
CATÁLISE ENZIMÁTICA
Efeito de um catalisador enzimático
numa reação química
Reação catalisada por uma
Reação não catalisada
enzima

A reação catalisada ocorre num mecanismo em duas


etapas. A segunda etapa (ES  E + P) é a etapa que
controla a velocidade da reação.
Três experimentos foram realizados para investigar a velocidade
da reação entre HCl aquoso diluído e ferrometálico. Para isso,
foram contadas, durante 30 segundos, as bolhas de gás formadas
imediatamente após os reagentes serem misturados.
Em cada experimento, usou-se o mesmo volume de uma mesma
solução de HCl e a mesma massa de ferro, variando-se a forma
de apresentação da amostra de ferro e a temperatura.
O quadro indica as condições em que cada experimento foi
realizado.

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Analise o seguinte diagrama e responda às perguntas:

a) Escreva a equação da reação química em questão


b) Como se chama a situação representada por “N2O3Cl”?
c) a que corresponde o trecho marcado com a letra x?
d) A que corresponde o trecho marcado coma letra y?
e) A reação em questão é endotérmica ou exotérmica? 59