Você está na página 1de 13

Introdução à Epistemologia

Alessandro de Melo
DETUR/I
PPGE/UNICENTRO
Introdução à Epistemologia
• O que é a epistemologia ou teoria do
conhecimento?
– Natureza do conhecimento;
– Relação entre sujeito e objeto;
– Formas de se alcançar o conhecimento;
– Validade dos procedimentos utilizados na
pesquisa;
– Confiabilidade dos resultados;
– As formas de comunicação do conhecimento.
Introdução à Epistemologia
• Mas o que é o conhecimento?
– É, antes, uma relação social;
– Relação que ocorre entre sujeitos e objetos do
conhecimento;
– Sujeito: nós, pesquisadores;
– Objeto: o mundo, ou, no caso, o fenômeno educativo em
todas as suas dimensões e possibilidades de análise;
• Objetivo da produção científica:
– Resolver problemas reais/tecnologia;
– Reproduzir no pensamento, o mais fielmente possível, o
movimento da realidade;
– Abstrair, ou seja, classificar, e, logo, produzir teoria.
Introdução à Epistemologia

“Toda modalidade de conhecimento realizado por nós


implica uma condição prévia, um pressuposto
relacionado a nossa concepção da relação sujeito/objeto.
Qual a contribuição de cada polo desta relação: sujeito
que conhece e objeto conhecido? São independentes um
do outro? Ou um depende do outro? Ou um se impõe ao
outro? O resultado do conhecimento é determinado pelo
objeto, exterior ao sujeito ou, ao contrário, o que
conhecemos é mais a expressão da subjetividade do
pesquisador do que o registro objetivo da realidade?”
(SEVERINO, 2007, p.100-102)
Introdução à Epistemologia
• Modernidade (século XVI ao XIX):
– Do teocentrismo medieval para o antropocentrismo;
– Conhecimento passa a ser compreendido como uma
atividade humana, social;
– São as capacidades humanas que levam à possibilidade de
conhecer o mundo.
– O conhecimento científico passa a ser considerado como o
único verdadeiro e universal.
– Foi assim que o sistema conhecido por nós das Ciências
Naturais se desenvolveu.
– E foi caudatário desta que as Ciências Humanas surgiram.
Uma poesia de Voltaire
Deus fala e o caos se dissipa à sua voz
Para um centro comum tudo gravita a um só
tempo
Essa poderosa força, alma da natureza
Jazia oculta numa noite escura
O compasso de Newton, a medir o Universo
Ergueu enfim o grande véu e os céus se
abriram.
Racionalismo
• O Racionalismo (berço na França)
– Principal nome: René Descartes (1596-1650);
• Esta corrente acredita que é a capacidade racional do ser humano
que o torna capaz de conhecer;
• Mas considera o conhecimento não mais como o conhecimento
das essências das coisas, mas como “representações” ou ideias
produzidas pelo sujeito sobre as coisas exteriores;
• Parte da concepção de que a própria realidade é racional, e que é
organizada lógica e matematicamente (veja a poesia de Voltaire);
• Utiliza como método de conhecimento a “dedução”, ou seja, parte
de axiomas (verdades) gerais, e, a partir daí, generaliza-se para
todos os casos particulares.
Racionalismo
“A realidade é um sistema de causalidades racionais
rigorosas que podem ser conhecidas e transformadas
pelo homem. Nasce a idéia de experimentação e de
tecnologia (conhecimento teórico que orienta as
intervenções práticas) e o ideal de que o homem
poderá dominar tecnicamente a Natureza e a
sociedade. Predomina, assim, nesse período, a idéia de
conquista científica e técnica de toda a realidade, a
partir da explicação mecânica e matemática do
Universo e da invenção das máquinas, graças às
experiências físicas e químicas.” (CHAUÍ, 2000, p.57)
Empirismo
• O Empirismo (berço na Inglaterra)
– Principal autor: Francis Bacon (1561-1626);
• Para esta corrente o conhecimento é adquirido pela via das
experiências;
• O ser humano sem experiência é como uma tábula rasa;
• O primeiro passo são as sensações, que juntas formam as percepções
(várias sensações em um único objeto). As ideias são as reuniões e
repetições das percepções, que podem ser por semelhança, por
diferença etc.
• Do conjunto das ideias advém os pensamentos;
• No entanto, a universalidade é só a repetição das percepções, ideias,
pensamentos. Não é possível de se averiguar.
Empirismo
“A experiência me mostra, todos os dias, que, se eu
puser um líquido num recipiente e levar ao fogo, esse
líquido ferverá, saindo do recipiente sob a forma de
vapor. Se o recipiente estiver totalmente fechado e eu
o destampar, receberei um bafo de vapor, como se o
recipiente tivesse ficado pequeno para conter o
líquido.
Experiências desse tipo, à medida que vão se
repetindo sempre da mesma maneira, vão criando em
mim o hábito de associar o calor com certos fatos.”
(CHAUÍ, 2000, p.89)
Superação da dualidade
empirismo/racionalismo
• Immanuel Kant, filósofo alemão, coloca a discussão de
cabeça para baixo, promove uma verdadeira revolução;
• Ao invés de partir da concepção sobre o que era a
realidade, se era racional ou não etc., propôs que
pensássemos sobre o que é a razão e o que ela pode ou
não conhecer;
• Ao invés do objeto passou a colocar no centro o sujeito do
conhecimento, a razão;
• A razão seria uma estrutura universal e inata, vazia;
• São as experiências que enchem de conteúdo a razão.
Superação da dualidade
empirismo/racionalismo
• Não existem ideias inatas. Só a estrutura da razão é
inata, existe antes de qualquer experiência;
• Nem tampouco a razão é construída pelas experiências;
• A razão, ao receber os conteúdos das experiências,
formula as ideias.
“O que é o conhecimento racional, sem o qual não há
Filosofia nem ciência? É a síntese que a razão realiza
entre uma forma universal inata e um conteúdo
particular oferecido pela experiência.” (CHAUÍ, 2000, p.
96)
Procedimentos da razão: dedução
e indução
• Indução é o processo de conhecimento que parte do
particular para o universal.
“De alguns fatos observados (fatos particulares), ele conclui
que a relação identificada se aplica a todos os fatos da
mesma espécie, mesmo àqueles não observados (princípio
universal).” (SEVERINO, 2007, p.104)
• Dedução parte de proposições gerais, premissas universais,
uma conclusão de que esta vale para determinados casos
particulares.
• Exemplo: todos os homens são mortais, logo, o João José
da Silva Souza irá morrer um dia.