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DILEMAS SOBRE O SURGIMENTO DA

HISTORIOGRAFIA LATINA: MOMIGLIANO E


O ESTUDO DE FÁBIO PICTOR.
Acadêmicos: Eduardo Scardoelli Bussolo
Kelvin Akira Da Silva
Marcelino Valencio Junior
Sarah Beatriz Frainer
Sobre a autora:
Juliana Bastos Marques
■ Professora Adjunta em História Antiga/Estudos Orientais na
■ mestrado em História Econômica (2003, bolsista FAPESP)
■ doutorado em História Social pela Universidade de São Paulo.
■ coordenadora nacional do Grupo de Trabalho de História Antiga da ANPUH
■ Professora do Programa de Pós-Graduação em História da UNIRIO (PPGH) e do
ProfHistória
■ Professora voluntária no Programa Wikipédia no Ensino

■ Atua principalmente nos seguintes temas: Historiografia antiga, Historiografia latina,


e Império Romano; Teoria da História; tecnologia wiki na Educação.
INTRODUÇÃO
QUAL É O SIGNIFICADO DO
LUGAR QUE FÁBIO PICTOR
ASSUME NA HISTORIOGRAFIA
EM ROMA?
Momigliano

■ Momigliano foi um homem com a alma do século XX, um italiano judeu refugiado
em Oxford – depois, por um curto período, nos EUA –, preocupado com o sentido de
pensar a História Antiga, e em especial sua escrita, como a origem de seu mundo.

■ Momigliano introduz a importância de se refletir sobre a posição de Fábio Pictor na


historiografia, fazendo uma recapitulação a partir do surgimento das histórias
nacionais durante o período renascentista.
Historiografia

■ Se por um lado a historiografia latina, culminando em especial na figura de Tito


Lívio, tem sua origem em Fábio Pictor.

■ A proeminência da historiografia romana republicana no desenvolvimento da


historiografia ocidental a partir da Renascença também se dá por ter aquela um
foco específico na cidade de Roma e nas maneiras com que a urbs se relaciona
com seu exterior.
EM QUE MEDIDA FÁBIO PICTOR
FOI INICIADOR DE UM MODELO
DE ESCRITA E ABORDAGEM DA
HISTÓRIA QUE VEIO A SE
TORNAR A HISTÓRIA
NACIONAL?
Fábio Pictor
■ Como é de praxe para os historiadores antigos, sabemos muito pouco sobre a vida
de Fábio Pictor.

■ A obra apresenta um aparente paradoxo, que é o fato de Fábio Pictor ter escrito sua
história sobre Roma em grego, apesar de ser um eminente patrício romano.

■ Não se pode determinar de maneira segura qual seria a língua usada pelo autor em
seu texto apenas pelos fragmentos coletados de outros autores posteriores que o
citam.

■ As primeiras edições de fragmentos dos historiadores romanos surgiram no século


XVI, mas foi apenas na virada do século XIX para o século XX que foi compilada uma
edição completa, com notas, comentários e aparato crítico.
FÁBIO PICTOR: ATÉ QUE PONTO
ELE FOI UM ESCRITOR
ORIGINAL NA FORMA E NO
CONTEÚDO?
Fontes gregas e romanas das quais
Fábio Pictor teria partido:

■ Díocles de Pepareto: fundação de Roma; gregos conheciam as histórias sobre as


origens (Remo e Rômulo)?

■ Possível influência indireta de Timeu.


■ Os fragmentos que restam da obra de Fábio Pictor são bastante parciais.

■ Importância do método grego; Fábio Pictor não nega os relatos gregos das origens
de Roma.

■ Originalidade: Pictor combina a tradição e o método com as fontes romanas


disponíveis.
Problematização das fontes
disponíveis:
■ Canções dos banquetes: transmissão oral dos relatos das origens de Roma; mais
controversa. – Já havia tradição consolidada ou Pictor ajudou a construí-la?

■ Anais Pontificais: existência e importância certa; o que continha, como era


compilado e usado é inconclusivo (Catão x Cícero e Sérvio). – Registro de
acontecimentos de significado religioso? Relevância? Simples enumeração de
eventos? – Por que anais? (difere das “histórias”) – Seria Fábio Pictor um analista
propriamente dito?

■ As tradições orais das famílias aristocráticas de Roma: usados para completar os


vazios deixados pelas outras fontes (em especial os Anais Pontifíciais); não há
referencia explicita, mas o culto aos antepassados é uma característica
fundamental da elite romana – possibilidade de relato parcial, o que Momigliano
discorda
POR QUE – E,
PRINCIPALEMENTE, PARA
QUEM – FÁBIO PICTOR
RESOLVEU ESCREVER UMA
HISTÓRIA DE ROMA?
PICTOR ESCREVEU EM GREGO:
POR QUÊ?
“OS HISTORIADORES ROMANOS [TRADIÇÃO QUE SE FORMOU
EM ROMA] NÃO APENAS ESCREVIAM SOBRE A HISTÓRIA DA
CIDADE DE ROMA, MAS SIM SOBRE A SUA CIDADE, COM O
PROPÓSITO DE DEMONSTRAR UM PASSADO
PARTICULARMENTE GLORIOSO QUE DESEMBOCOU NA
GRANDEZA POR ELES CELEBRADA – SUA PARCIALIDADE SERIA
UM COMPONENTE INTRÍNSECO DA SUA VISÃO DE MUNDO, E
NÃO NECESSARIAMENTE O QUE CHAMAMOS DE
PROPAGANDA.”
■ Seu público-alvo pode ter sido tanto o mundo grego quanto a elite romana (que em
sua época era “helenizada” e fluente em grego).

■ No entanto, são vários os autores [incluindo Alföldi] que ainda defendem que a
motivação de Fábio Pictor teria sido essencialmente propagandística.

■ Autora acredita ser exagerado pensar que Fábio Pictor teria deliberadamente
inventado uma tradição sobre as origens de Roma em uma intenção que hoje
chamamos “propagandística para legitimar Roma”.

■ “Invenção” em qual sentido? - no sentido retórico, é uma ferramenta utilizada em


toda a historiografia antiga para reconstruir o passado através da probabilidade e
da verossimilhança.
- “ANALISANDO AS FONTES E INFLUÊNCIAS DE FÁBIO PICTOR,
ACREDITO QUE ELAS CONVERGEM PARA UMA EVIDENTE
INTEGRAÇÃO CULTURAL ENTRE ROMA, O MUNDO GREGO E O
RESTO DO MEDITERRÂNEO JÁ NO SÉCULO III A.C.” (P.104).
■ Período helenístico: construção de laços culturais e políticos entre os gregos e a
Ásia, o Egito e o Mediterrâneo ocidental (onde Roma se inclui).

■ “Mais do que uma “história nacional”, termo que só faz real sentido muito tempo
depois, a iniciativa pioneira de Fábio Pictor dialoga com seu próprio tempo.” (p.104)
- o contexto de
■ integração cultural entre mundos do qual Fábio Pictor é um produto análogo ao
nosso (identidade x integração).
Fontes:

■ Marques, Juliana Bastos. Currículo Lattes, Disponivel em:


http://lattes.cnpq.br/3650739332337323. Acesso em: 16 de maio de 2018.