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DESEQUILÍBRIOS

ÁCIDO - BÁSICOS

Profª SILVANA POLICASTRO


2012
DESEQUILÍBRIO ÁCIDO-BÁSICO

“ O DESEQUILÍBRIO ÁCIDO BÁSICO OCORRE QUANDO


EXISTE H+ (íons hidrogênio) EM DEMASIA (ACIDOSE)
OU ABAIXO DO NORMAL ( ALCALOSE).”

Simpson, 2004.
IMPORTANTE !!!!!

O reconhecimento dos mecanismos homeostáticos que controlam

o equilíbrio ácido-base é fundamental pois, os distúrbios ácido-

base estão associados ao maior risco de disfunção de órgãos e

sistemas e óbito em pacientes internados em terapia intensiva.


O QUE É EQUILÍBRIO ÁCIDO-BÁSICO ???

É A REGULAÇÃO DOS ÍONS H+ ( hidrogênio)


NOS LÍQUIDOS CORPORAIS.

 A concentração H+ em diferentes soluções pode variar desde


menos 10-14 Eq/l até mais 100, variando mais de um quatrilhão de
vezes;

 No corpo humano, a concentração de H+ situa-se a meia distância


entre os dois extremos.
SISTEMAS TAMPÕES

 São sistemas que tendem a se opor às mudanças de pH,

 mantém a homeostase (regulação da concentração de H+)

Equilíbrio ácido - básico


CONCEITO DE pH e pOH

 O pH é o inverso do logaritmo da concentração de H+;

 O pOH é o inverso do logaritmo da concentração de OH-.

pH = - log [H+]

pOH = - log [OH-]


TRANSFORMAÇÃO DO CO2 EM
BICARBONATO

 O CO2 se difunde para o interior da hemácia e reage com a água lá


presente graças a enzima anidrase carbônica formando o ácido
carbônico;

 O ácido carbônico se dissocia em hidrogênio livre + íon bicarbonato


(pH);

 Sai da hemácia ao mesmo tempo em que o cloreto entra e segue


transportado no plasma.
CO2 + H2O ↔ H2CO3 ↔ H+ + HCO3-
Ácido carbônico

Se [HCO3- ] pH

Se [CO2 ] pH
MECANISMOS REGULADORES DO
EQUILÍBRIO ÁCIDO-BÁSICO

1. SISTEMA TAMPÃO:

 Extracelular: bicarbonato, fosfato e proteínas plasmáticas;


 Intracelular: hemoglobina, complexos organo-fosforados, proteínas
tissulares e apatita óssea (mineral do grupo dos fosfatos com alta
concentração de íons hidróxido – OH-) .

2. SISTEMA RESPIRATÓRIO:

 Eliminação de CO2;
 Retenção de CO2.
MECANISMOS REGULADORES DO
EQUILÍBRIO ÁCIDO-BÁSICO

3. SISTEMA RENAL:

 Reabsorção de bicarbonato;
 Regeneração do bicarbonato decomposto pelas reações com
ácidos;
 Excreção de ácidos (secreção de H+).
IMPORTANTE !!!!!

O SISTEMA QUE NÃO É RESPONSÁVEL PRIMARIAMENTE PELO


DESEQUILÍBRIO ÁCIDO BÁSICO, USUALMENTE TENTA
RETORNAR O pH PARA A FAIXA DE NORMALIDADE.

COMPENSAÇÃO COMPLETA: refere-se a todo caso que a resposta


compensatória retorna o pH à faixa normal;

COMPENSAÇÃO PARCIAL: refere-se a todo caso que a resposta


compensatória iniciou, mas não teve tempo suficiente para retornar
o pH à faixa normal.
TAMPÕES ATUANTES NO ORGANISMO

pKa Concentração Capacidade


(mmol/l) tamponante
(mEq/l)
BICARBONATO 6,33 25 1

HEMOGLOBINA 7,2 53 40

PROTEÍNAS 6,8 1,2 0,3

FOSFATO - - 8

pKa = unidade que mede a acidez (quanto menor o valor da pKa, maior a
acidez do ácido).
SISTEMAS TAMPÕES ATUANTES

TAMPÕES PLASMÁTICOS:

 Tampão bicarbonato, hemoglobina e proteínas;


 ↓ o efeito de ácidos ou bases adicionados nos tecidos corporais;
 Arterial e venoso (pO2 e pCO2);
 Atuação imediata.

SISTEMA PULMONAR:

 Tampão bicarbonato e hemoglobina;


 Elimina ou retém CO2;
 Controle da ventilação (pO2 e pCO2);
 Atuação em minutos a horas.
SISTEMAS TAMPÕES ATUANTES

SISTEMA RENAL:

 Tampão bicarbonato e fosfato;


 Elimina a amônia;
 Excreção de urina ácida ou básica;
 Atuação em minutos a horas.
AVALIAÇÃO DO ESTADO ÁCIDO-BÁSICO

1. CONTROLE DA VENTILAÇÃO MECÂNICA:

 Oxigenação: pO2, saturação de O2 e outros;

 Ventilação: pCO2.

2. ESTADO ÁCIDO-BASE:

 pH;

 Excesso de bases (BE).


EQUILÍBRIO ÁCIDO - BÁSICO

 O equilíbrio entre ácidos e bases depende de reações para correção dos


desvios da homeostase;
 Metabolismo normal : H+ no fluído extracelular;
 Para neutralizar esta carga ácida ( e manter o pH)

Ação dos tampões do organismo


Regulação respiratória
Regulação renal
EQUILÍBRIO ÁCIDO - BÁSICO

 O transporte de CO2 exerce profundo efeito sobre o equilíbrio ácido-


básico do sangue e do organismo como um todo;

 Pulmão: excreta mais de 10.000 mEq. de ácido carbônico/dia;

 Os rins excretam menos de 100 mEq. de ácidos fixos/dia;

Alterando a ventilação alveolar (e assim a eliminação de CO2), o organismo

possui grande controle sobre o mesmo.


PARTICIPAÇÃO DO K+ NO EQUILÍBRIO ÁCIDO-
BÁSICO

 Um aumento do potássio intracelular determina aumento do


transporte do H+ para fora da célula → aumento no extracelular =
acidose hipercalêmica;

 A redução da concentração intracelular de potássio causa efeito


exatamente oposto = redução no extracelular = alcalose
hipocalêmica.
EQUAÇÃO DE HENDERSON-HASSELBALCH

AC
CO2 + H2O H2CO3 H+ + HCO3-
Ácido carbônico

O pH é resultante da solução de CO2 no sangue e da consequente


dissociação do ácido carbônico (constante de dissociação = KA).

A concentração de bicarbonato é determinada, principalmente,


pelo rim e a pCO2 , pelo pulmão.
DESEQUILÍBRIO
ÁCIDO-BÁSICO
RECORDANDO CONCEITOS ...

 ÁCIDO: substância capaz de doar prótons (H+). Ex.: H2CO3,


NH4, H2PO4;
 BASE: substância capaz de receber prótons (H+). Ex.: HCO3,
NH3, HPO4;
 Sistema tampão: ácido + base conjugados, capaz de minimizar
alterações na concentração hidrogeniônica de uma solução.
ALTERAÇÕES DA RELAÇÃO
HCO3- / pCO2

4 MANEIRAS DESEQUILÍBRIOS ÁCIDO BÁSICOS

1. HCO3- e pCO2 aumentados;

2. HCO3- e pCO2 diminuídos;

3. HCO3- aumentado e pCO2 diminuído;

4. HCO3- diminuído e pCO2 aumentado.


CAUSAS DO DESEQUILÍBRIO ÁCIDO / BÁSICO
D
I
S DISTÚRBIOS METABÓLICOS
T
Ú
R
B Ganho ou perda de ácidos ou bases
I
O
S DISTÚRBIOS RESPIRATÓRIOS

M
I
S Diminuição ou aumento da ventilação pulmonar
T
O
S
ACIDOSE E ALCALOSE RESPIRATÓRIA

“Os termos referem-se às anormalidades do equilíbrio

ácido-básico, causadas por excesso ou insuficiência de

CO2 (dióxido de carbono) nos líquidos corporais.”

Guyton, 2003.
VALORES NORMAIS PARA SANGUE ARTERIAL

pH: 7,35 – 7,45


pCO2: 35 – 45 mmHg (*)
CO2: 24 – 28 mmol/l (*)
HCO3: 22 – 26 mEq/l (#)
BE: +2 a - 2 mEq/l (#)
PaO2: 80 – 100 mmHg
SatO2 > ou igual a 90%

( * ) Alteram-se com distúrbios respiratórios


( # ) Alteram-se com distúrbios metabólicos
DESEQUILÍBRIO ÁCIDO-BÁSICO

1. ACIDOSE RESPIRATÓRIA

 Causada pelo aumento da pCO2 (pCO2 > 45 mmHg) ;

 Redução da relação HCO3- / pCO2 ;

 Consequente redução do pH (pH < 7,35 ou normal);

 Retenção de dióxido de carbono e ↑ dos íons de hidrogênio livres


(H+);

 Toda vez que a pCO2 subir, o bicarbonato aumenta em alguma


extensão devido à dissociação do ácido carbônico produzido;
DESEQUILÍBRIO ÁCIDO-BÁSICO

ACIDOSE RESPIRATÓRIA

 Causada por hipoventilação ou desigualdade ventilação-perfusão;

 Se a acidose respiratória persistir, o rim responde conservando

HCO3- e eliminando uma urina mais ácida;

 A compensação renal raramente é completa e o pH não retorna

totalmente ao seu nível normal de 7,40.


DESEQUILÍBRIO ÁCIDO-BÁSICO

ACIDOSE RESPIRATÓRIA

CAUSAS: ALTERAÇÕES DO SISTEMA RESPIRATÓRIO

 Perfusão: embolia pulmonar maciça, PCR;

 Ventilação: EAP ou PNM graves, SARA;

 Obstrução das vias aéreas: broncoespasmo ou laringoespasmo


graves, apnéia do sono, aspiração;

 Restrição pulmonar torácica: tórax assimétrico (trauma, má


formação), pneumotórax, hemotórax, hipocalemia severa;
DESEQUILÍBRIO ÁCIDO-BÁSICO

ACIDOSE RESPIRATÓRIA

CAUSAS: ALTERAÇÕES DO SISTEMA RESPIRATÓRIO

 SNC: anestesia, uso de opióides ou sedativos, trauma, AVC;

 Medula e nervos periféricos: botulismo, tétano, intoxicação por


organofosforados, Síndrome de Guillain-Barré, lesões cervicais;
uso de bloqueadores neuromusculares;

 Falha do respirador mecânico.


DESEQUILÍBRIO ÁCIDO-BÁSICO

ACIDOSE RESPIRATÓRIA

QUADRO CLÍNICO:

 Alteração do nível de consciência (narcose hipercápnica);

 Cefaléia;

 Desorientação, estupor, coma;

 Irritabilidade neuromuscular, edema de papila (hipertensão


intracraniana);

 Hipotensão.
DESEQUILÍBRIO ÁCIDO-BÁSICO

ACIDOSE RESPIRATÓRIA

TRATAMENTO:

 Corrigir a causa precipitadora da retenção de CO2;

 Restaurar a ventilação e corrigir a retenção de CO2 (IOT, VMA,


fisioterapia respiratória, uso de broncodilatadores);

 A HIPERCAPNIA NÃO DEVE SER CORRIGIDA TÃO


RAPIDAMENTE A PONTO DE PROVOCAR ALCALEMIA (deve-se
monitorar o pH durante a correção).
1. ACIDOSE RESPIRATÓRIA
SEM COMPENSAÇÃO METABÓLICA:

Exemplo de gasometria:

pH 7,24
 pH baixo;
PaCO2 60 mmHg
 PaCO2 elevada;
PaO2 56 mmHg
 PaO2 baixa;
-
HCO3 24mmol/l
 Não há alteração do bic.
BE 0

SaO2 94%
ACIDOSE RESPIRATÓRIA
COM COMPENSAÇÃO METABÓLICA:

Exemplo de gasometria:

pH 7,37
 pH próximo do normal;
PaCO2 55 mmHg
 PaCO2 elevada;
PaO2 72 mmHg
 PaO2 baixa;
HCO3- 32 mmol/l
 Aumento do bic;
BE + 6  BE + para restaurar o pH
SaO2 95% à normalidade.
DESEQUILÍBRIO ÁCIDO-BÁSICO

2. ALCALOSE RESPIRATÓRIA

 Causada pelo decréscimo da pCO2 (pCO2 < 35 mmHg) ;

 Aumento da relação HCO3- / pCO2 ;

 Consequente elevação do pH (pH > 7,45 ou normal);

 Déficit de base devido consumo excessivo;

 Excreção excessiva de dióxido de carbono e ↓ dos íons de


hidrogênio livres (H+).
DESEQUILÍBRIO ÁCIDO-BÁSICO

ALCALOSE RESPIRATÓRIA

 Causada por hiperventilação, por exemplo, em alta altitude;

 A compensação renal ocorre pela excreção aumentada de

bicarbonato, fazendo com que a relação HCO3- /pCO2 volte ao

normal.
DESEQUILÍBRIO ÁCIDO-BÁSICO
ALCALOSE RESPIRATÓRIA

CAUSAS → hiperventilação

 Influências corticais: ansiedade, dor, histeria e stress;

 Hipoxemia: altitude, shunt pulmonar, desequilíbrio ventilação


perfusão, estímulos físicos, ↓ do movimento diafragmático, rigidez
pulmonar;

 Medicamentosa: grandes doses de aspirina e aminofilina, nicotina,


cafeína, progesterona, hormônio tireoidiano (estimulam o centro
respiratório);
DESEQUILÍBRIO ÁCIDO-BÁSICO

ALCALOSE RESPIRATÓRIA

CAUSAS:

 SNC: hemorragia sub-aracnóide, meningite;

 Pirexia na febre (estimulação do centro respiratório do tronco


cerebral);

 Condições específicas: gravidez, exposição ao calor, hiponatremia,


sepse, cirrose hepática, ventilação mecânica inadequada.
DESEQUILÍBRIO ÁCIDO-BÁSICO

ALCALOSE RESPIRATÓRIA

QUADRO CLÍNICO:

 Parestesia periférica (sensação de “formigamento” nos lábios e


face) devido ↓ dos níveis sanguíneos de CO2;

 Espasmos musculares (devido desestabilização dos íons cálcio);

 Vômitos;

 Sensação de “cabeça leve”;

 Tetania e desmaios.
DESEQUILÍBRIO ÁCIDO-BÁSICO

ALCALOSE RESPIRATÓRIA

TRATAMENTO:

 Tratar o distúrbio gerador da hiperventilação;

 Reduzir a frequência respiratória;

 Aumentar a concentração de CO2 no ar inspirado;

 Se paciente intubado, controle da FR no ventilador mecânico


inclusive utilizando-se de sedativos para tal;

 Ventilação mecânica.
2. ALCALOSE RESPIRATÓRIA
SEM COMPENSAÇÃO METABÓLICA:

Exemplo de gasometria:

pH 7,50
 pH alto;
PaCO2 19 mmHg
 PaCO2 baixa;
PaO2 65 mmHg
 PaO2 baixa;
HCO3- 22 mmol/l
 HCO3- pouco abaixo;
BE +1
 BE dentro do normal.
SaO2 92%
ALCALOSE RESPIRATÓRIA
COM COMPENSAÇÃO METABÓLICA:

Exemplo de gasometria:

 pH alto;
pH 7, 44
 CO2 baixo;
PaCO2 19 mmHg
 PaO2 baixa;
PaO2 67 mmHg
 HCO3- baixo;
HCO3- 15 mmol/l
 BE baixo (deficiência
BE - 9 de base para que o
SaO2 93% pH volte ao normal = +
ácido).
ACIDOSE E ALCALOSE METABÓLICA

“Os termos referem-se a todas as outras anormalidades do

equilíbrio ácido-básico, à exceção das causadas por

excesso ou insuficiência de CO2 (dióxido de carbono)

nos líquidos corporais.”

Guyton, 2003.
DESEQUILÍBRIO ÁCIDO-BÁSICO
3. ACIDOSE METABÓLICA

METABÓLICA = Alteração primária no HCO3-

 Causada pelo excesso da produção de ácidos fixos (orgânicos ou


inorgânicos) = lactato ou HCO3- (ácidos metabólicos);

 ↓ HCO3- e ↓ pCO2 (por compensação);

 Queda da relação HCO3- / pCO2 ;

 Consequente queda do pH (pH < 7,35 ou normal);

 Déficit de base.
DESEQUILÍBRIO ÁCIDO-BÁSICO

ACIDOSE METABÓLICA

 A queda do HCO3- pode ser causada pelo acúmulo de ácidos no

sangue (ex. diabetes mellitus descompensado) ou pelo acúmulo de

ácido láctico devido à hipóxia tecidual;

 A compensação respiratória ocorre por um ↑ na ventilação que ↓ a

pCO2 e eleva a relação HCO3- / pCO2 .


DESEQUILÍBRIO ÁCIDO-BÁSICO
ACIDOSE METABÓLICA

CAUSAS

1. Normoclorêmicas:

 Cetoacidoses: diabética, alcoólica, inanição;

 Intoxicações: metanol, salicilatos, paraldeído;

 Acidose láctica: choque, anemia grave, asfixia, intoxicação por CO,


sepse, convulsões, neoplasias.
DESEQUILÍBRIO ÁCIDO-BÁSICO
ACIDOSE METABÓLICA

CAUSAS

2. Hiperclorêmicas:

 Perdas de Bicarbonato: diarréias, fístulas ou drenagens biliares,


pancreática ou duodenal;

 Sobrecarga de ácidos: hiperalimentação;

 Defeitos na acidificação urinária: acidose tubular renal, insuficiência


renal incipiente.
DESEQUILÍBRIO ÁCIDO-BÁSICO

ACIDOSE METABÓLICA

QUADRO CLÍNICO:

 Respiração de Kussmaul;

 Cefaléia, astenia, náuseas, vômitos e dor abdominal;

 Depressão do miocárdio (↓ a contratilidade miocárdica) e do SNC;

 Vasodilatação periférica.
DESEQUILÍBRIO ÁCIDO-BÁSICO

ACIDOSE METABÓLICA

TRATAMENTO:

 Tratar a doença ou estado patológico que originou a acidose;

 Restauração da volemia e correção dos distúrbios eletrolíticos


associados;

 Administração de alcalinizantes (bicarbonato, lactato, acetato);

 Diálise.
BICARBONATO DE SÓDIO

INDICAÇÃO: nível do pH

 Geralmente pH < 7,20 HCO3- 15mEq/l;

 Dose: ▲ HCO3- x 0,3 x peso;

 Administração venosa;

 Apresentação: solução a 8,4% onde há 1mEq/ml.


3. ACIDOSE METABÓLICA
SEM COMPENSAÇÃO RESPIRATÓRIA:

Exemplo de gasometria:

pH 7,20  pH baixo;

PaCO2 35 mmHg  PaCO2 baixa;

PaO2 75 mmHg  PaO2 abaixo do normal;

HCO3- 16 mmol/L  Déficit de base devido


pouco HCO3- circulante.
BE -12

SaO2 96%
ACIDOSE METABÓLICA
COM COMPENSAÇÃO RESPIRATÓRIA:

Exemplo de gasometria:
 pH normal;
 PaCO2 baixo;
pH 7,35  PaO2 normal;
PaCO2 20 mmHg  BE baixa devido pouco
PaO2 88 mmHg HCO3-;

HCO3- 12 mmol/L  O sistema respiratório

BE - 14 compensou, diminuindo o
nível de CO2, reduzindo os
SaO2 97%
íons livres de H+ .
DESEQUILÍBRIO ÁCIDO-BÁSICO
4. ALCALOSE METABÓLICA

METABÓLICA = Alteração primária no HCO3-

 Causada por uma perda de ácidos ou aumento nos tampões


alcalinos, ou seja, aumento do bicarbonato;

 ↑ HCO3- e ↑pCO2;

 Aumento da relação HCO3- / pCO2 ;

 Consequente aumento do pH (pH > 7,45 ) ou normal;

 Aumento de base.
DESEQUILÍBRIO ÁCIDO-BÁSICO

ALCALOSE METABÓLICA

 A queda do HCO3- pode ser causada pelo acúmulo de ácidos no

sangue (ex. diabetes mellitus descompensado) ou pelo acúmulo de

ácido láctico devido à hipóxia tecidual;

 A compensação respiratória ocorre por um ↓ na ventilação alveolar

que ↑ a pCO2 e aumenta a relação HCO3- / pCO2 ;

 A compensação respiratória na alcalose metabólica é pequena e

pode estar ausente.


DESEQUILÍBRIO ÁCIDO-BÁSICO
ALCALOSE METABÓLICA

CAUSAS

 Não ocorre com a mesma frequência que a acidose metabólica;

 Retenção de bicarbonato pelo rim: hipovolemia, hipopotassemia,


aumento da pCO2, hipocalcemia, atividade adrenérgica,
hipoalderosteronismo;

 Administração de diuréticos;

 Ingestão excessiva de substâncias alcalinas (bicarbonato de sódio);

 Vômitos excessivos.
DESEQUILÍBRIO ÁCIDO-BÁSICO

ALCALOSE METABÓLICA

QUADRO CLÍNICO:

 Hipoventilação;

 Apatia, convulsões, tetania ;

 Depressão do miocárdio;

 Hiperexcitabilidade do SNC e nervos periféricos;

 Hipopotassemia.
DESEQUILÍBRIO ÁCIDO-BÁSICO

ALCALOSE METABÓLICA

TRATAMENTO:

 Tratar a doença ou estado patológico que originou a alcalose;

 Reposição de água e eletrólitos (sódio e potássio) enquanto se


trata a causa base;

 Se alcalose muito severa: administração de cloreto de amônio EV.


4. ALCALOSE METABÓLICA
SEM COMPENSAÇÃO RESPIRATÓRIA:

Exemplo de gasometria:

pH 7,67  pH alto;

PaCO2 31 mmHg  PaCO2 baixa;

PaO2 97 mmHg  PaO2 normal;


-
HCO3 38 mmol/L  HCO3- aumentado;

BE + 15  Excesso de base devido


mais HCO3- circulante.
SaO2 98%
ALCALOSE METABÓLICA
COM COMPENSAÇÃO RESPIRATÓRIA:

Exemplo de gasometria:
 pH normal;
 PaCO2 alta;
pH 7,45  PaO2 normal;
PaCO2 57 mmHg  BE pouco aumentada mas
PaO2 93 mmHg próximo ao normal;

HCO3- 32 mmol/L  O sistema respiratório

BE + 4 compensou, aumentando o
nível de CO2, com
SaO2 96%
consequente aumento dos
íons livres de H+ .
RESUMO DAS ALTERAÇÕES EM DISTÚRBIOS
ÁCIDO-BÁSICOS

DISTÚRBIO ÁCIDO-BÁSICO pH PaCO2 HCO3-

Acidose respiratória ↓ ↑ normal

Acidose metabólica ↓ normal ↓

Alcalose respiratória ↑ ↓ normal

Alcalose metabólica ↑ normal ↑

Acidose metab. com comp. resp. ↓* ↓ ↓

Acidose resp. com comp. metab. ↓* ↑ ↑

Alcalose metab. com comp. resp. ↑* ↑ ↑

Alcalose resp. com comp. metab. ↑* ↓ ↓


DISTÚRBIOS PRIMÁRIOS DE
DESEQUILÍBRIOS/ MECANISMOS
COMPENSATÓRIOS/ÓRGÃOS ENVOLVIDOS
CONDIÇÃO DISTÚRBIO COMPENSAÇÃO ÓRGÃO
PRIMÁRIO ENVOLVIDO

↓ HCO3- Acidose Hiperventilação e pulmão


metabólica excreção de CO2

↑ HCO3- Alcalose Hipoventilação e pulmão


metabólica retenção de CO2

↑ CO2 Acidose retenção de HCO3- rim


respiratória e excreção de H+

↓ CO2 Alcalose retenção de H+ e rim


respiratória excreção de HCO3-
GASOMETRIA ARTERIAL
GASOMETRIA ARTERIAL

 Exame laboratorial que fornece a análise do pH e das pressões


parciais de O2 e CO2, bicarbonato e diferença de bases em amostra
de sangue arterial ou venoso;

 A leitura é obtida através das comparação desses dados com os


parâmetros internos do gasômetro;

 Se análise da performance pulmonar = sangue arterial;

 Se análise metabólica = sangue arterial ou venoso.


GASOMETRIA ARTERIAL

“ Através da gasometria arterial obtém-se a percepção


valiosa e exata da função respiratória do paciente e
percepção de sua condição metabólica”.

(Jevon e Ewens, 2009.)


INDICAÇÕES PARA COLETA DE GASOMETRIA
ARTERIAL

 Comprometimento respiratório;

 Pós PCR;

 Condições metabólicas alteradas (ex. cetoacidose diabética);

 Deterioração repentina e inexplicada do nível de consciência;

 Mudanças nos ajustes de ventilação invasiva e não invasiva;

 Grandes traumas.
MÉTODO DE COLETA
(por punção)

 Antissepsia da pele com àlcool a 70%;

 Opção pelas artérias preferenciais (radiais);

 Heparinização da seringa ou seringa própria já heparinizada;

 Coleta em condições de anaerobiose;

 Tempo de espera para processamento após a coleta:

 Máximo 20 minutos (esfriamento da amostra, glicólise

anaeróbica);

 compressão local após a punção.


MÉTODO DE COLETA
(por artéria canulada)

 Antissepsia da dânula de 3 vias com àlcool a 70%;

 Desprezar 2 ml de sangue (contaminação com soro) ;

 Coletar cerca de 1 ml de sangue em seringa heparinizada

(lentamente);

 Coleta em condições de anaerobiose;

 Lavagem do sistema com flush, garantindo a permeabilidade do vaso;

 Verificar o retorno do traçado da curva de pressão arterial no monitor;

 Tempo de espera para processamento após a coleta:

 Máximo 20 minutos (esfriamento da amostra, glicólise anaeróbica).


MEDIDA DOS GASES SANGUÍNEOS

 Os gases sanguíneos podem ser medidos em :

1. Quilopascais (kPa) ou,

2. Milímetros de mercúrio (mmHg).

PARA CONVERTER kPa em mmHg : kPa X 7,5 = mmHg

PARA CONVERTER mmHg em kPa : mmHg / 7,5 = kPa


VALORES NORMAIS DOS GASES SANGUÍNEOS
Arterial Venoso
pH 7.40 (7.35-7.45) 7.36 (7.31-7.41)

pO2 80-100 mmHg 35-40 mmHg

pCO2 35-45 mmHg 41-51 mmHg

HCO3- 22-26 mEq/L 22-26 mEq/L

SaO2  90% 70-75%


BE -2 a + 2 mmol

Lactato 0,5-2,1 mmol/l ou 5-20 mg/dl


INTERPRETAÇÃO
DA
GASOMETRIA
INTERPRETAÇÃO DA GASOMETRIA

pH

 Valor normal: 7,35 – 7,45;

 Mede o equilíbrio geral do ácido-básico da amostra de sangue;

 Influenciado tanto pela função respiratória quanto pela metabólica;

 Se pH < 7,35 = acidose;

 Se pH > 7,45 = alcalose.


INTERPRETAÇÃO DA GASOMETRIA

paO2

 Valor normal: 80 a 100 mmHg;

 Mede a pressão parcial de O2 dissolvido na amostra de sangue e

não a quantidade de oxigênio no sangue;

 Exprime a eficácia das trocas de O2 entre alvéolos e capilares

pulmonares ( a PO2 arterial é sempre < que a PO2 alveolar);

 Se paO2 < 80 mmHg = hipóxia.


INTERPRETAÇÃO DA GASOMETRIA

paCO2

 Valor normal: 35 – 45 mmHg ;

 Mede a pressão parcial de CO2 dissolvido no sangue (é + solúvel

que o O2);

 Indica a eficácia da ventilação alveolar, portanto, seus níveis

dependem basicamente da ventilação pulmonar;

 Se paCO2 < 35 mmHg = hiperventilação;

 Se paCO2 > 45 mmHg = hipoventilação.


INTERPRETAÇÃO DA GASOMETRIA

HCO3-

 Valor normal: 22 – 26 mEq/l ;

 É um dos principais tampões do organismo;

 Se HCO3- < 22 mEq/l = acidose;

 Se HCO3- > 26 mEq/l = alcalose.


INTERPRETAÇÃO DA GASOMETRIA

BE

 Valor normal: -2 a + 2 mmol ;

 BE (excesso de base): é a quantidade de ácido ou base necessária

para restaurar o sangue para um pH de 7,40;

 Valor negativo = deficiência de base (ou excesso de ácido);

 Valor positivo = excesso de base (ou deficiência de àcido).


INTERPRETAÇÃO DA GASOMETRIA

SaO2

 Valor normal: > 90%;

 Refere-se ao percentual de oxigênio que se combinou com a

molécula de hemoglobina (Hb).


DISTÚRBIOS DO EQUILÍBRIO ÁCIDO / BÁSICO

ACIDOSE : [ H + ] no sangue

CO2 bases / ácidos orgânicos


(acidose respiratória) (acidose metabólica)

ALCALOSE: [ H + ] no sangue

CO2 bases / perdas de ácidos orgânicos


(alcalose respiratória) (alcalose metabólica)
GASOMETRIA ARTERIAL
MÉTODO PRÁTICO
pH
7,35-7,45

acidose alcalose

PaCO2
Componente
35- 45 mm Hg
respiratório
alcalose acidose

HCO3-
22-26 mEq/l Componente
metabólico

acidose alcalose
EXEMPLOS DE GASOMETRIA ARTERIAL

CASO 1
 1º passo: analisar o distúrbio
primário → pH < 7,35
configura acidose;
pH 7,20
 2º passo: para avaliar se
pO2 89 mmHg
metabólica ou respiratória,
pCO2 34 mmHg avaliar os níveis de CO2 e
HCO3-. No caso, HCO3-
-
HCO3 18 mEq/l
diminuído (< 22 m Eq/l),
BE -4 portanto, metabólica.

Sat O2 94%
EXEMPLOS DE GASOMETRIA ARTERIAL

 1º passo: analisar o distúrbio


CASO 2 primário → pH < 7,35
configura acidose;
 2º passo: para avaliar se
pH 7,30
metabólica ou respiratória,
pO2 83 mmHg avaliar os níveis de CO2 e
HCO3-. No caso, HCO3-
pCO2 19 mmHg
diminuído (< 22 m Eq/l),
HCO3- 8 mEq/l portanto, metabólica;

BE -6  Observa-se também
diminuição da pCO2 ,
Sat O2 91%
indicando compensação
respiratória.
EXEMPLOS DE GASOMETRIA ARTERIAL

 1º passo: analisar o distúrbio


CASO 3 primário → pH > 7,45
configura alcalose;
 2º passo: para avaliar se
pH 7,55
metabólica ou respiratória,
pO2 89 mmHg avaliar os níveis de CO2 e
HCO3-. No caso, pCO2
pCO2 20 mmHg
diminuída (< 35 mmHg),
HCO3- 18 mEq/l portanto respiratória;

BE -3  Observa-se também
diminuição da HCO3-,
Sat O2 92%
indicando compensação
metabólica.
REFERÊNCIAS SUGERIDAS
1. SCHELL, HM, PUNTILLO, KA. Segredos de enfermagem em terapia intensiva. Porto
Alegre: Artmed, 2005.

2. KNOBEL, E. Condutas no paciente grave. 3.ed. São Paulo: Atheneu, 2006.

3. MORTON, BG; FONTAINE, DK; HUDAK, CM; GALLO, BM. Cuidados críticos de
enfermagem: uma abordagem holística. 8.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,
2007.

4. SWEARINGEN, PL; KEEN, JH. Manual de enfermagem no cuidado crítico:


intervenções em enfermagem e problemas colaborativos. 4. ed. Porto Alegre:
Artmed, 2005.

5. CINTRA, EA; NISHIDE, VM; NUNES, WA. Assistência de enfermagem ao paciente


gravemente enfermo. 2, ed. São Paulo: Atheneu, 2001.
REFERÊNCIAS SUGERIDAS
6. BORGES, DR; ROTHSCHILD, HA. Atualização Terapêutica. 20 ed., São Paulo: Artes
Médicas, 2001.

7. RIBEIRO, SF. Monitorização hemodinâmica não invasiva. IN: CINTRA, EA; NISHIDE,
VM; NUNES WA. Assistência de Enfermagem ao paciente gravemente enfermo. São
paulo: Atheneu, 2003.p.107-122.

8. PASSOS, E; CASTILHO, VG. Papel da enfermagem na assistência ao paciente em


ventilação mecânica. IN: Jornal de Pneumologia da Sociedade Brasileira de
Pneumologia e Tisiologia. II Consenso Brasileiro de Ventilação Mecânica. V26(2).
2000. p.27-35.

9. HUDAK, CM; GALLO, BM. Cuidados Intensivos: uma abordagem holística. 6.ed. Rio
deJaneiro: Guanabara Koogan, 1997. p.358-66.
REFERÊNCIAS SUGERIDAS

10. JEVON, P; EWENS, B. Monitoramento do paciente crítico. 2 ed., São Paulo:


Artmed, 2009. p. 51-81.

11. WEST, JB. Fisiologia Respiratória. São Paulo: Manole, 2002.p. 71-86.