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Mente, Cérebro e

Ciência, capítulos II e III


Lisboa: Edições 70, 1987

Bruno Granero RA : 21002510


Edson Rodrigues RA : 21010411
Erik Soares RA : 11041213
Tatiane Dias RA : 11038915
Capítulo II : Podem os computadores pensar?

Dualismo de Propriedades
x
Inteligência Artificial Forte
IA Forte
● H. Simon: Máquinas já podem literalmente
pensar
● Newell: Inteligência é manupulação de
símbolos
● McCarthy: Máquinas simples tem crenças
Computador Digital:
opera em termos puramente formais.

“[...] especificamos os passos na operação do computador em termos de símbolos abstratos — seqüências


de zeros e uns impressos numa fita [...]. Os zeros e os uns, por exemplo, são simples numerais; nem sequer estão
em vez de números.” (SEARLE, p. 38)
Estados mentais:
Têm certo conteúdo, são semânticos.
“Isto é, mesmo se os meus pensamentos ocorrem em séries de símbolos, deve haver algo mais no
pensamento do que as séries abstratas, porque as séries por si mesmas não têm qualquer significado [...]. Numa
palavra, a mente tem mais do que uma sintaxe, possui também uma semântica. A razão por que nenhum
programa de computador pode alguma vez ser uma mente é simplesmente porque um programa de computador é
apenas sintático, e as mentes são mais do que sintáticas. As mentes são semânticas, no sentido de que possuem
mais do que uma estrutura formal, têm um conteúdo.” (SEARLE, p.39 grifo nosso)
Quarto Chinês
Suponha-se um excelente programa para
simular a compreensão de chinês. O
computador compreende o chines como um
falante nativo?

Suponhamos um quarto com símbolos


disponíveis e um livro de regras…
“[...] de nenhum modo se pode aprender chinês pela simples
manipulação desses símbolos formais. ” (SEARLE, p. 40)
Quarto Chinês
(1) Caso a IA seja verdadeira, então existe um programa
para chinês de modo que se qualquer sistema
computacional execute, o sistema então venha a
compreender chinês.
(2) Eu posso executar um programa para chinês sem vir a
compreender chinês.
(3) Então a IA é falsa.

(Guimarães, 2010)
Respostas ao argumento
● Resposta do sistema
● Resposta do robô
● Simulação do cérebro
Sobre computadores..
“O computador é, por definição, incapaz de
duplicar essas características [mentais], por
mais poderosa que possa ser sua capacidade
em simular”

(Searle, p. 46, grifos do autor)


Estrutura do Argumento
P1) Cérebros causam mentes
P2) A sintaxe não é suficiente para a semântica(verdade
conceitual)
P3) Programas de computador são totalmente definidos
por sua estrutura formal (verdade por definição)
P4) A mente possui conteúdo semântico (fato óbvio)
Estrutura do Argumento
C1) Nenhum programa é, por si mesmo, suficiente para
produzir uma mente (P2; P3 e P4)
C2) O modo como o funcionamento cerebral causa a
mente não pode ser unicamente em decorrência da
ativação de um programa de computador (P1 e C1)
C3) Qualquer coisa que cause uma mente tem que ter
capacidades causais pelo menos equivalentes àquelas do
cérebro (P1)
Estrutura do Argumento
C4) A implementação de um programa de computador não
seria capaz de dotar, por si mesma, uma máquina de
estados mentais semelhantes aos nossos, já que esta teria
que ter capacidades causais equivalentes às capacidades
do nosso cérebro (C1 e C3).
Capítulo III : Ciência Cognitiva
Duas explicações para comportamentos: Psicologia Comum e Neurofisiolágica
«Basil votou a favor dos Conservadores porque gostou da atuação da Senhora Tatcher na questão das Malvinas»
[PSICOLOGIA COMUM]
«Basil votou nos Conservadores em virtude de uma condição do seu hipotálamo.»
[NEUROFISIOLÓGICA]

● Os esforços mais recentes para tentar explicar o hiato existente entre


mente e corpo, psicologia e neurofisiologia, é a analogia entre cérebro
humano e computador digital.

“Segundo a versão mais extrema desta concepção, o cérebro é justamente um computador digital e a mente é
um programa de computador. ”
(SEARLE, p. 35)
A Ciência Cognitiva
Essas bases [Psicologia Comum e Neurofisiolágica] dividem as explicações entre mental e físico
❖ Essas dificuldades geram um hiato entre cérebro e mente;
❖ Esse hiato gerou explicações intermediarias para preenchê-lo;

• Esta tentativa conhecida como cognitivismo, pretende preencher


esse hiato e procede do trabalho feito em Psicologia Cognitiva e em
Inteligência Artificial formando a corrente principal de uma nova
disciplina, a Ciência Cognitiva.

• Esta ciência vê o computador como a imagem correta da mente


porém, não tem de afirmar que os computadores tem pensamentos
e sentimentos.
Programa de Investigação do
Cognitivismo
Premissa 1: Pensar é processar informação
Premissa 2: Processar informação é manipular símbolos
Premissa 3: Computadores processam símbolos
Conclusão 1: Assim a melhor maneira de estudar a mente é estudar os programas
computacionais (cognição)
Conclusão 2: Assim a cognição deve estudar estados mentais pelo seu funcionamento como
sistema de processamento de informação
Conclusão 3: Assim o sistema físico (células nervosas e estados mentais conscientes) não
são relevantes
Conclusão 4: O hiato é colmatado
A Ciência Cognitiva
• Uma das razões que as pessoas têm para supor que o cognitivismo é verdadeiro,
advém de duas espécies de provas.

○ TEMPO DE PROCESSAMENTO:

“(...) a primeira [prova] provém das experiências do tempo de reação isto é, experiências que mostram que
diferentes tarefas intelectuais exigem diferentes quantidades de tempo para que as pessoas as possam
executar.” (SEARLE, p.56)

• A idéia é correlacionar as quantidades de tempo de processamento entre cérebro e


computador. Se as relações forem similares, isto seria uma prova de que o sistema
humano trabalha com os mesmos princípios de um computador.
A Ciência Cognitiva
○ REGRAS GRAMATICAIS:

“A segunda espécie de prova procede da lingüística, especialmente do trabalho de Chomsky e dos seus colegas
em gramática generativa. A idéia aqui é que as regras formais da gramática, que as pessoas seguem ao falarem
uma língua, são semelhantes às regras formais que um computador segue.” (SEARLE, p. 56)

• A idéia é que se podemos conceber computadores que seguem regras quando


processam informação e que, aparentemente, os seres humanos também
seguem regras ao pensar, então, existe algum sentido unitário entre o cérebro e
o computador funcionarem de maneira semelhante.
Refutação
• Para que a regra seja seguida, o significado da regra tem de desempenhar algum
papel causal.

• No sentido em que os seres humanos seguem regras, nesse sentido os


computadores de modo nenhum seguem regras. Apenas atuam de acordo com
certos procedimentos formais.

• O programa do computador determina os passos do processamento, portanto,


no sentido literal em que o seres humanos seguem regras os computadores não
seguem regras.
A Ciência Cognitiva

• Estamos agora em condições de afirmar qual era o erro


presente na evidência linguística a favor do cognitivismo. Se
é verdade que as pessoas seguem regras de sintaxe quando
falam, isso não mostra que elas se comportam como
computadores digitais, porque, no sentido em que elas
seguem regras de sintaxe, o computador não segue de modo
algum quaisquer regras. Executa apenas procedimentos
formais.
Tipos de Processamento da
Informação
“Temos assim dois sentidos de seguir regras, um literal e um metafórico” (SEARLE, p. 60,).

Processamento Psicológico x “como se” Processamento

“O primeiro tipo, que eu chamarei «processamento psicológico de informação», implica estado mentais. [...] .
Mas existe um outro sentido de processamento de informação no qual não existem quaisquer estados mentais.
Nestes casos, há processos como se estivesse a ocorrer algum processamento mental de informação. Chamemos
a esta segunda espécie de casos de processamento de informação formas «como se» de processamento de
informação. É perfeitamente inócuo usar estes dois tipos de atribuições mentais, contanto que não as
confundamos.” (SEARLE, p.61)
Processamento da Informação
Processamentos psicológicos necessitam de processos psicológicos e de
neurofisiologia para se causarem e serem realizados.

“É um fato óbvio que o cérebro tem um nível de efetivos processos psicológicos de informação. [...] Além disso,
há todo o tipo de coisas que têm lugar no cérebro ao nível neurofisiológico e que, de fato, causam os nossos
processos de pensamento. Mas, muitas pessoas supõem que, além desses dois níveis, [...], deve existir algum
nível adicional de processamento de informação computacional.”

A água a deslizar pela encosta

“Se se falar de água a correr pela encosta abaixo, toda a gente pode ver que isso é psicologicamente irrelevante.
Mas é muito mais difícil ver que exatamente a mesma coisa se aplica ao cérebro.”
Estrutura do Argumento

(i) Computadores possuem uma descrição formal de processos da


informação;
(ii) Computadores não possuem processos psicológicos nem
neurofisiologia que possibilitem a interpretação semântica;
(iii) Por consequência, os computadores não possuem processos
mentais iguais aos dos humanos;
(iv) A descrição da realização de processos mentais como processos
informacionais é feita apenas de forma metafórica.
Ciência Intermediária

Haverá alguma teoria interna por detrás do comportamento


significativo?

Busca de Chomsky - Gramatica Universal

Se “[...] existem certas características comuns a todas as línguas e, se essas características são forçadas pelas
características comuns do cérebro humano, então, deve existir no cérebro um inteiro conjunto complexo de
regras de gramática universal.” “Mas uma hipótese muito mais simples seria a de que a estrutura fisiológica do
cérebro instiga gramáticas possíveis sem a intervenção de um nível intermediário de regras ou teorias.”
(SEARLE, p 63)
Percepções: Humanos x IA
● Equilíbrio;
● Visão infravermalha ou ultravioleta;
● Reconhecimento de rostos;
● Adição;

“Não temos boas razões para supor que, além do nível dos nossos estados mentais e do nível da nossa
neurofisiologia, ainda tem lugar, de modo inconsciente, algum cálculo.” (SEARLE, p. 66)

“[...] talvez não exista qualquer nível mental teorético subjacente a essas capacidades: o cérebro simplesmente
as faz. Estamos neurofisiologicamente de tal modo construídos que o assalto dos fótons às nossas células
fotoreceptoras nos capacita para ver e estamos neurofisiologicamente de tal modo construídos que a estimulação
do ouvir outras pessoas a falar e a interação com elas nos capacita para aprender uma língua.” (SEARLE, p. 66)
Considerações Finais
Foi possível:
● Explicitar as premissas do cognitivismo e deixar em destaque suas inconsistências
e ambiguidades;
● Mostrar que não há prova empírica suficiente para suportar as teorias do
cognitivismo;
● Propor uma alternativa que não exige postulação de níveis intermediários.

“Provavelmente o computador não é uma metáfora para o cérebro melhor ou pior do


que anteriores metáforas mecânicas.” (SEARLE, p. 69)