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TRANSFERÊNCIA DE

CALOR
AULA 1 – PROFA. PATRICIA FREGOLENTE
TRANSFERÊNCIA DE CALOR -
INTRODUÇÃO
Transferência de Calor = Energia em trânsito devido a uma diferença de temperatura.

Diferença de Temperatura = Gradiente de Temperatura ∆T


Equilíbrio

50 °C 20 °C 30 °C

Da termodinâmica: o corpo não possui calor. Ele possui uma temperatura. O calor surge
na fronteira do sistema, portanto é um fenômeno transitório que cessa quando não há
mais diferença de temperatura.
Mecanismos de Transferência de Calor

Modos de Transferência de Calor: condução, convecção e radiação.


Transferência de Calor por Condução
Ocorre em meio estacionário, que pode ser um sólido ou um fluido em virtude
de um gradiente de temperatura entre suas fases.

A energia é transportada de uma região de alta temperatura para outra mais


baixa DENTRO DE UM MEIO (sólido, líquido, gasoso) ou ENTRE MEIOS
DIFERENTES EM CONTATO DIRETO.

T1
q
Parede
sólida
T2
Transferência de Calor por Convecção
Quando a transferência de energia se dá entre uma superfície e um fluido em movimento em
virtude da diferença de temperatura entre eles.

CONVECÇÃO NATURAL = aquecimento da molécula. O movimento das moléculas quentes faz


movimentar a porção de água fria.

CONVECÇÃO FORCADA = movimento induzido. Ex: ventilação.


O ar é um fluido em movimento induzido por um ventilador que
troca energia com uma pessoa.
Transferência de Calor por Radiação
Radiação é a energia emitida pela matéria que se encontra em um temperatura diferente de
zero.
Essa emissão pode ser atribuída a mudanças nas configurações eletrônicas dos átomos ou
moléculas que constituem a matéria.
Enquanto a condução e a convecção precisam de um meio para haver a transferência de
energia, a radiação não necessita de um meio material. A TC por radiação se dá de forma mais
eficiente no vácuo.
Importância da Transferência de Calor
•Problemas com refrigeração (ventilação) de motores, ar condicionado;
•Estudos sobre evaporação, condensação.
•Estudos sobre dissipadores de calor em microeletrônica, transferência de calor em
caldeiras, máquinas térmicas;
•Estudos sobre diminuição da descarga de calor no ambiente evitando poluição térmica
através de torres de resfriamento;
•Maximizar a transferência de calor e manter a integridade de materiais em altas
temperaturas;
• Estudos sobre performance de sistemas de propulsão em motores a combustão,
foguetes, etc...
TERMODINÂMICA: w = qe - qs : não permite
dimensionar os equipamentos (tamanho e diâmetro
das serpentinas do condensador e do evaporador,
por exemplo), apenas lida com as formas de energia
envolvidas e o desempenho do equipamento.

TRANSFERÊNCIA DE CALOR: permite dimensionar


os equipamentos térmicos de transferência de calor.
Por exemplo, responde às seguintes perguntas:
- Qual o tamanho do evaporador / condensador?
- Qual o diâmetro e o comprimento dos tubos?
- Como atingir maior / menor troca de calor?
Sistema de unidades
Na maioria dos casos, utilizaremos o sistema SI de unidades

Unidades Unidade SI Unidades Derivadas Unidades SI


Temperatura K Força F=m.a 1 𝑘𝑔. 𝑚
= 1𝑁
Comprimento m 𝑠2
Trabalho 𝜏 = 𝐹. 𝑙 𝑁. 𝑚 = 𝐽
Massa kg
Potência 𝑃 = 𝜏/𝑡 𝐽
Tempo s =𝑊
𝑠

𝑞ሶ =fluxo de calor W, Btu/h;


Q = quantidade de calor transferido; J, Btu
TC - Condução
A lei de Fourier foi desenvolvida a partir da observação dos fenômenos da natureza em experimentos.

𝑑𝑇 Lei de Fourier
𝑞ሶ = −𝑘𝐴 da condução.
𝑑𝑥
onde, 𝑞=
ሶ fluxo de calor por condução ( Kcal/h no sistema métrico ou W no SI)
k, condutividade térmica do material (W/m°C);
A, área da seção através da qual o calor flui, medida perpendicularmente à direção do fluxo ( m²);
dT/dx, razão de variação da temperatura T com a distância, na direção x do fluxo de calor ( °C/m ).
A equação de Fourier é a pedra fundamental no estudo da transferência de
calor por condução. Suas principais características são a de não ser uma
expressão que pode ser derivada a partir de princípios fundamentais, ela é uma
generalização baseada em evidências experimentais, que também pode ser
chamada de fenomenológica, pois é totalmente empírica. Considerando um
experimento de condução em regime estacionário, na figura 3, um bastão
cilíndrico de material conhecido e condutividade térmica de valor k. As laterais
são isoladas termicamente, sendo que T1>T2.

Transferência de Calor
Unidimensional por
Condução

Experimento de condução térmica em regime estacionário


Propriedades Térmicas da Matéria: Condutividade Térmica (k)
Para utilizarmos a lei de Fourier, a condutividade térmica do material deve ser conhecida. Essa
propriedade é definida como uma propriedade de transporte e fornece uma indicação da taa na qual a
energia é transferida pelo processo de difusão. Na figura observamos que para sólidos que para sólidos o
valor da condutividade térmica é maior que dos gases, na ordem de 4 vezes, e os líquidos possuem
valores intermediários. Essa diferença se deve à diferença do espaçamento molecular das partículas em
cada estado.

Condutividade Térmica
[W/m.K]
TC por Condução em Parede Plana
Consideremos a transferência de calor por condução através de uma parede plana submetida a
uma diferença de temperatura. Um bom exemplo disto é a transferência de calor através da
parede de um forno.

Na figura vemos que na face interna ( x=0 ) a temperatura é T1 e na face externa ( x=L ) a
temperatura é T2. Para a transferência em regime permanente o calor transferido não varia com
o tempo. Para a área transversal da parede “A” e a condutividade “k” constantes, a integração da
equação de Fourier , fica assim:

𝑘𝐴
𝑞ሶ = ∆𝑇
𝐿
Analogia entre Resistência Térmica e
Elétrica
Dois sistemas são análogos quando eles obedecem a equações semelhantes.

∆𝑇 ∆𝑇 =potencial que causa a TC


𝑞ሶ = 𝐿 ⇒ 𝐿
𝑘.𝐴
= resistência térmica R que a parede oferece à TC
𝑘.𝐴

∆𝑇 Lei de Ohm:
𝑞ሶ = onde R é a resistência térmica da parede
𝑅
∆𝑈
𝑖=
𝑅
Ex 1 – TC por condução
Um equipamento condicionador de ar deve manter uma sala, de 15 m de comprimento,
6 m de largura e 3 m de altura a 22 °C. As paredes da sala, de 25 cm de espessura, são
feitas de tijolos com condutividade térmica de 0,14 Kcal/h.m.°C e a área das janelas
podem ser consideradas desprezíveis. A face externa das paredes pode estar até a 40
°C em um dia de verão. Desprezando a troca de calor pelo piso e pelo teto, que estão
bem isolados, pede-se o calor a ser extraído da sala pelo condicionador ( em HP ).

OBS : 1 HP = 641,2 Kcal/h


Associação de Paredes em Série
Consideremos um sistema de paredes planas associadas em série,
submetidas a uma diferença de temperatura.
Assim, haverá a transferência de um fluxo de calor contínuo no regime
permanente através desta parede composta.
Ex 2 : Fluxo de calor através de paredes compostas
Uma parede de forno é constituída de duas camadas: 0,20m de tijolo refratário (k=1,2
kcal/hm°C) e 0,13 m de tijolo isolante (K=0,15 kcal/hm°C). A temperatura da superfície interna
do refratário é 1675 °C e a temperatura da superfície externa do isolante é 145 °C. Desprezando
a resistência térmica das juntas de argamassa, calcule:
A) o calor perdido por unidade de tempo a cada m² de parede.
B) a temperatura da interface entre as paredes.
TC – Condução através de configuração
cilíndrica
Consideremos um cilindro vazado submetido à uma diferença de temperatura entre a superfície
interna e a superfície externa, como pode ser visto na figura:

O fluxo de calor que atravessa a parede cilíndrica poder ser obtido através
𝑑𝑇
𝑞ሶ = −k. A
𝑑𝑟
𝑑𝑇
Onde é o gradiente de temperatura na direção radial .
𝑑𝑟

Para configurações cilíndricas a área é uma função do raio :


𝐴 = 2𝜋𝑟𝐿
𝑑𝑇
Substituindo temos: 𝑞ሶ = −k. 2𝜋𝑟𝐿
𝑑𝑟
Para as mesmas condições em regime permanente sem geração de energia, a distribuição de um sistema
cilíndrico é logarítmica e não linear tal qual a parede plana sob condições iguais. Assim o equacionamento de
Fourier para sistema de coordenadas radiais (cilíndricas) é:

𝑑𝑇 𝑑𝑇
𝑞𝑟 = −𝑘. 𝐴𝑟 . = −𝑘 2𝜋𝑟𝐿
𝑑𝑟 𝑑𝑟
Onde A=2πrL, que é a área normal a direção da transferência de calor. Empregando a distribuição de
temperaturas em função dos raios internos e externos do tubo na equação de Fourier, obtêm-se a expressão
para a taxa de transferência de calor na direção radial:
𝑇1 − 𝑇2
𝑞𝑟 = 2𝜋𝐿𝑘 𝑟
𝑙𝑛 2ൗ𝑟1

Dessa expressão, teremos que a resistência térmica de uma parede cilíndrica é definida por:
𝑟
𝑙𝑛 2ൗ𝑟1
𝑅𝑡𝑐𝑖𝑙,𝑐𝑜𝑛𝑑 =
2𝜋𝐿𝑘
TC – Condução através de configuração
cilíndrica
Fazendo a separação de variáveis e integrando entre T1 em r1 e entre T2 em r2,
e integrando, chega-se a:

O conceito de Resistência também pode ser aplicar à parede cilíndrica:


e o fluxo de calor em parede cilíndrica composta de várias
camadas:
Ex 3 : Condução em tubo cilíndrico
Um tubo de aço ( k = 35 kcal/h.m.°C ) tem diâmetro externo de 3”, espessura de
0,2”, 150 m de comprimento e transporta amônia a -20 °C.
Para isolamento do tubo existem duas opções : isolamento de borracha ( k = 0,13
kcal/h.m.°C ) de 3” de espessura ou isolamento de isopor ( k = 0,24 kcal/h.m.°C ) de
2” de espessura. Por razões de ordem técnica o máximo fluxo de calor não pode
ultrapassar 7000 Kcal/h. Sabendo que a temperatura na face externa do isolamento
é 40 °C, pede-se :
a) As resistências térmicas dos dois isolamentos;
b) Calcule o fluxo de calor para cada opção de isolante e diga qual isolamento deve
ser usado;
TC – Condução em configuração esférica
Consideremos uma esfera oca submetida à uma diferença de temperatura entre a superfície
interna e a superfície externa, como pode ser visto na figura:

𝑑𝑇
𝑞ሶ = −k. A
𝑑𝑟

Integrando para este caso, o fluxo de calor em parede esférica:


Transferência de Calor
por Convecção
Transferência de Calor por Convecção
O calor Transferido por convecção, na unidade de tempo, entre uma superfície e um fluido,
pode ser calculado por:

𝑞ሶ = ℎ𝐴∆𝑇
onde q = fluxo de calor por convecção,
A= área de transferência de calor
∆𝑇= diferença de temperatura entre a superfície Ts e
a do fluido num local bastante afastado da
superfície T∞;
h = coeficiente de película
Coeficiente de película h
Podemos então representar graficamente a resistência térmica por um circuito elétrico.
Mecanismos Combinados de Transferência de calor
- Condução e Convecção
4:
Ex. 5:
Um chip de silício medindo 5mm de lado e 1 mm de espessura está inserido num substrato
cerâmico. Em regime permanente o chip tem uma potência elétrica de entrada de 0,225W. A
superfície do chip está exposta a um fluido refrigerante a 20°C. O coeficiente de transferência de
calor por convecção entre o chip e o refrigerante é 150 W/m²K. Se a transferência de calor por
condução entre o substrato e o chip for desprezível, determine a temperatura do chip, em °C.
Ex. 6
A parede externa de um edifício tem 0,1 m de espessura e possui uma condutividade térmica de
0,55W/m.K. A temperature da parede diminui linearmente de 21 °C para T2 na superfície
externa. A temperature relativa ao ar ambiente externo é de -4 °C e o coeficiente de
transferência de calor por convecção é 29,0 W/m²K. Determine:
a) A temperature da superfície externa;
b) A taxa de transferência de calor através da parede por m² de área de superfície.