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DESERDAÇÃO

CONCEITO
 Art. 1.961. Os herdeiros necessários podem ser
privados de sua legítima, ou deserdados, em
todos os casos em que podem ser excluídos da
sucessão

 Deserdação é o ato unilateral pelo qual o


testador exclui da sucessão herdeiro necessário,
mediante disposição testamentária motivada
em uma das causas previstas em lei.
 Paraexcluir da sucessão os parentes colaterais
não é preciso deserda-́los; “basta que o
testador disponha do seu patrimônio sem os
contemplar”.

 Herdeiro necessário é o que tem direito à


legítima correspondente à metade da herança.

 Somente em casos excepcionais e expressos


permite a lei que o autor da herança prive seu
herdeiros necessários não só́ da porção
disponível como até mesmo da legítima,
deserdando-os por meio de testamento, que é
a única forma admitida, ou por indignidade.
DESERDAÇÃO INDIGNIDADE
 Ambos os institutos têm o mesmo fundamento – a
vontade do de cujus –, com a diferença que,
para a indignidade, o fundamento é vontade
presumida, enquanto a deserdação só́ pode
fundar-se na vontade expressa do testador.

 Não obstante as semelhanças apontadas,


indignação e deserdação não se confundem.
Têm pontos de coincidência nos efeitos, mas
diferem na sua estrutura.
 Distinguem-se basicamente:
 a) Pela sua causa eficiente. A indignidade decorre
da lei, que prevê̂ a pena somente nos casos do art.
1.814 do Código Civil. Na deserdação, é o autor da
herança quem pune o responsável, em
testamento, nos casos previstos no aludido
dispositivo, bem como nos constantes do art. 1.962.
 b) Pelo seu campo de atuação. O Código Civil de
2002 continua a tratar a deserdação como um
instituto da sucessão testamentária. Assim, pode-se
afirmar que a indignidade é instituto da sucessão
legítima, malgrado possa alcançar também o
legatário, enquanto a deserdação só́ pode ocorrer
na sucessão testamentária, pois depende de
testamento, com expressa declaração de causa
(art. 1.964).
 c) Pelo modo de sua efetivação. A
exclusão por indignidade é postulada por
terceiros interessados em ação própria e
obtida mediante sentença judicial (CC, art.
1.815). A deserdação, todavia, como foi
dito, se dá por testamento, com expressa
declaração da causa (art. 1.964).
CAUSAS
 Causas que podem ser alegadas pelos
ascendentes em relação aos seus
descendentes:
• Art. 1.962. Além das causas mencionadas
no art. 1.814, autorizam a deserdação dos
descendentes por seus ascendentes:
• I - ofensa física;
• II - injúria grave;
• III - relações ilícitas com a madrasta ou com o
padrasto;
• IV - desamparo do ascendente em alienação
mental ou grave enfermidade.
Inciso I – ofensa física
 ainda que tenha acarretado somente lesões
corporais de natureza leve e independentemente
de condenação criminal.
 Ver artigo 935, do CC: “A responsabilidade civil é
independente da criminal, não se podendo
questionar mais sobre a existência do fato, ou
sobre quem seja o seu autor, quando estas
questões se acharem decididas no juízo criminal.”
 Não se exige a reiteração. Basta uma única
ofensa física, para que a hipótese de deserdação
seja cogitada.
 Cabem as excludentes da ilicitude do ato, como a
legítima defesa.
Inciso II – injúria grave
 levar em conta as características pessoais dos
envolvidos, tais como formação moral, nível social
e cultural da família, bem como o ambiente em
que vivem.
 ofensa moral à honra, dignidade e reputação da
vítima, sendo praticada por palavras ou escritos,
tais como cartas, bilhetes, telegramas, bem como
por meio de gestos obscenos e condutas
desonrosas;
Inciso III - relações ilícitas
com a madrasta ou com o
padrasto
 nãoexige que haja relações sexuais, cópula ou
adultério.

A expressão “relações ilícitas” abrange, também,


outros comportamentos lascivos, que envolvem
namoro, libidinagem, intimidade, luxúria e
concupiscência.
Inciso IV - desamparo do
ascendente em alienação
mental ou grave enfermidade
 pode abranger a falta de assistência material,
espiritual ou moral.
 Não se caracteriza a primeira quando o herdeiro
não tem possibilidade de fornecer os recursos
necessários.
 alienação mental, a deserdação será́ possível se
o desassistido recuperar o juízo, uma vez que a
deserdação somente pode ser determinada em
testamento válido.
 Causas que podem ser alegadas pelos
descendentes em relação aos seus
ascendentes:
• Art. 1.963. Além das causas enumeradas
no art. 1.814, autorizam a deserdação dos
ascendentes pelos descendentes:
• I - ofensa física;
• II - injúria grave;
• III - relações ilícitas com a mulher ou
companheira do filho ou a do neto, ou com o
marido ou companheiro da filha ou o da neta;
• IV - desamparo do filho ou neto com
deficiência mental ou grave enfermidade.
pressupostos
A existência de herdeiro necessário.

 Vontade do testador expressamente


manifestada no testamento válido – art. 1964,
CC.

 Motivo da deserdação deve ser um dos


arrolados em lei (1814, 1962 e 1963 - numerus
clausus).

 Propositura de ação ordinária – ação de


deserdação
Prazo para alegar e provar a
veracidade da deserdação
 Quem deve alegar?
 R: artigo 1965, CC – herdeiro ou quem puder ter
proveito com a deserdação.

 O que fazer?
 R: artigo 1965, CC – provar a veracidade da causa
alegada pelo testador, por via ordinária.

 Qual é o prazo?
 R: parágrafo único do artigo 1965, CC – 04 anos, a
contar da abertura do testamento.
Efeitos da deserdação
 os efeitos da deserdação, ante a idêntica
natureza da penalidade imposta nos casos de
indignidade, hão de ser também pessoais, não
podendo ir além da pessoa que se portou de
forma tão reprovável.
Considerações finais
 Deve ser pleiteado em ação ordinária
própria.

a declaração de deserdação no
testamento, por si só não produz os
efeitos desejados pelo testador,
NECESSITANDO obrigatoriamente que o
herdeiro ou o beneficiado prove a
veracidade da causa.