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COAGULAÇÃO, FLOCULAÇÃO E FLOTAÇÃO

“If we live as if it matters and it doesn’t matter, it doesn’t matter.


If we live as if it doesn’t matter, and it matters, then it matters.”

The Precautionary Principle. International Conference on an


Agenda of Sciences for Environment and Development into the
21st Century, Vienna, Austria (1991)
Coagulação
Adição e mistura rápida de um coagulante, da qual resulta desestabilização
do colóide e de sólidos diminutos em suspensão, agregação inicial das
partículas desestabilizadas.
As partículas (limos, argilas, bactérias, vírus, ácidos fúlvicos e húmicos,
minerais e matéria orgânica particulada) em solução aquosa, que
contribuem para a cor e turbidez.

Floculação
Consegue-se por agitação lenta que tem por finalidade agregar partículas
Desestabilizadas de forma a constituírem um floco facilmente sedimentável –
“condicionamento físico”

Precipitação química
Conseguida pela precipitação de sólidos e de sais dissolvidos através da
modificação química da solução, por acção química ou física.
Coagulação é uma operação unitária
responsável pela desestabilização das
partículas coloidais em um sistema aquoso,
preparando as para a sua remoção nas etapas
subsequentes do processo de tratamento.

Estado coloidal, com partículas com tamanho


variando de 1 m a 200 m.
Ordens de grandeza do diâmetro médio
do material em suspensão (micrómetro
m)

Viroses 0.005 – 0.01


Bactérias 0.3 – 3.0
Pequenos coloides: 0.001 – 0.1
Grandes coloides: 0.1 – 1
Solo: 1 – 100
Areia: 500
Floco: 100 – 2000
A remoção de partículas coloidais deve,
passar por uma etapa preliminar a fim
de alterar as condições do sistema coloidal
de forma a possibilitar a coalescência das
partículas, formando assim, aglomerados de
partículas mais facilmente removíveis do
meio

Remoção de Promoção coalescência


partículas coloidais de
uma suspensão
2 partículas ligadas por polímeros
Quando o meio de dispersão (fase contínua) é a água, as partículas
coloidais são carregadas de cargas negativas e daí decorre que a maior
parte dos despejos industriais e todos os despejos urbanos e despejos
agrícolas apresentarem essa característica.

Devido à carga eléctrica das partículas, os sistemas coloidais são


extremamente sensíveis à presença de electrólitos introduzidos no meio, os
quais, através de mecanismos de ligação e adsorção na superfície da
partícula coloidal, anulam as forças de repulsão entre as partículas coloidais.
Sabe-se que, em certos casos, o soluto dessas soluções pode precipitar por
efeito da adição de quantidades relativamente pequenas de electrólitos
(sulfato de alumínio).
 Na coagulação, é prática corrente o uso de sais inorgânicos, como
agentes coagulantes, pois foi verificado que o seu efeito depende da
valência do ião carregado de carga eléctrica contrária à carga das
partículas coloidais, ou seja, quanto maior a valência do ião maior será
a sua capacidade de coagulação – preferem-se íões de alta valência
(Fe+3 e Al+3) como agentes de coagulação dos sistemas coloidais nos
quais a água é a fase contínua.
Devido à hidrólise decorrente da presença desses iões na água, há
sensíveis variações das características físico-químicas do meio, ou
seja, pH e condutividade eléctrica.
Quando usados em quantidades excessivas, ocorre a formação de
grandes massas de precipitado de eliminação muito difícil.
É frequente a utilização de agentes coagulantes naturais tanto de
natureza inorgânica (ex.: sílica activada) e de natureza orgânica (amido,
alginatos) e ainda de produtos sintéticos (polímeros) conhecidos como
polieletrólitos.
Substâncias Coagulantes

a) agentes coagulantes inorgânicos:

os agentes coagulantes inorgânicos mais utilizados são os sais de alumínio e de


ferro. Por razões económicas, o sulfato de alumínio (alúmen) e o cloreto férrico
(FeCl3). são os mais utilizados. A coagulação é função principalmente dos produtos
de hidrólise desses sais na água. Por exemplo, no caso do sulfato de alumínio, em
pH = 4,0, a espécie predominante é o Alhidratado.
Se, por outro lado, 4,0 < pH < 7,0 predominarão espécies do tipo:
[Alx(OH) 2,5x]0,5 x+
b) agentes de coagulação orgânica: esses agentes são não só agentes de
coagulação mas também aceleradores (promotores) de floculação. Nesta categoria,
além dos já citados, incluem-se os polieletrólitos que são substâncias poliméricas que
contêm grupos ionizáveis na sua constituição química.
Em função da característica iónica do seu grupo activo, esses polieletrólitos podem
ser classificados em catiônicos, aniônicos ou ainda de polianfófilos.
O propósito da floculação é formar agregados ou flocos do material finamente
dividido.

Apesar de não ser usada rotineiramente, a floculação de efluentes por agitação


mecânica ou com ar pode ser levada em consideração quando se deseja:
_ aumentar a remoção de sólidos suspensos de DBO nos decantadores
primários;
_ condicionar efluentes industriais;
_ melhorar a performance de decantadores secundários de processos de
lodo activado.
FLOTAÇÃO

visa a remoção de partículas em suspensão e/ou flutuantes (fase dispersa) de um


meio líquido (fase contínua) para o caso em que a densidade da fase dispersa é
menor que a da fase contínua.
Trata-se de processo físico muito utilizado para a clarificação de efluentes e a
consequente concentração de lodos, tendo como vantagem a necessidade reduzida
de área e como desvantagem um custo operacional mais elevado devido à
mecanização.
A flotação deve ser aplicada principalmente para sólidos com altos teores de óleos e
graxas e ou detergentes.
A flotação não é aplicada aos efluentes com óleos emulsionados, a não ser que os
efluentes tenham sido coagulados previamente. Além de ser um processo unitário
utilizado no nível primário de tratamento, é aplicado também na etapa de
espessamento de lodo.
A remoção do material flotado pode ser realizada por escoamento superficial como
nos decantadores ou por raspagem superficial.
Alguns problemas no sistema de flotação podem aparecer, os quais estão
relacionados aos defeitos de instalação e construção dos flotadores.
Defeitos Conseqüências

Presença de bolhas grosseiras (ar Perturbação da camada de lodo


não dissolvido). flotado (escuma), causando a sua
Relação entre o ar dissolvido e os sedimentação.
sólidos em suspensão não Sedimentação e arraste de lodo.
satisfeita. Arraste de lodo ou óleos.
Tempo de retenção reduzido ou Sedimentação e arraste de lodo
turbulência na câmara de flotação.
Tempo de retenção excessivo na
câmara de flotação.
a) FAI
A flotação por ar induzido é conseguida através da agitação
violenta do meio (agitador mecânico ou borbulhamento de
ar directo) e a consequente formação de espuma na
superfície da célula de flotação.

b) FAD
A flotação por ar dissolvido também denominada flotação
quiescente, cujo emprego vem sendo gradativamente
ampliado no tratamento de despejos, visando a:
1. remoção de óleos e graxas bem como a remoção de partículas de
baixa densidade (fibrilas de celulose).
2. espessamento de lodos.
A FAD pode ser realizada de 2 formas:
_ flotação à vácuo;
_ flotação sob pressão.
Quando o meio de dispersão (fase contínua) é a água, as
partículas coloidais são carregadas de cargas negativas e daí
decorre que a maior parte dos despejos industriais e todos os
despejos urbanos e despejos agrícolas apresentarem essa
característica.
Coagulation is the addition and rapid mixing of a coagulant, the resulting destabilization
of colloidal and fine suspended solids, and the initial aggregation of the destabilized
particles (“chemical conditioning”).