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A fotografia como símbolo

Antropologia Visual
Gabriel O. Alvarez
• A fotografia é uma representação. Segue os
princípios da câmera obscura, utilizada para
realizar representações realistas.
• Como representação, a fotografia pode
ser analisada como símbolo.
• Diversas abordagens da lingüística e da
semiologia podem servir de referencia
para este debate.
Saussure

• Saussure, Lingüística estrutural analisada


o símbolo a partir de um esquema binário:
Significante / significado.
Pierce

• Os símbolos podem ser de diferentes


tipos: ícones, índices e símbolos
Semiótica de Peirce

Signo ou Representamen
Representa ou se refere à algo. Se dirige à alguém, cria na mente da pessoa
(Intérprete) um outro signo, equivalente ou talvez um signo mais desenvolvido.
Substituto e representação de um objeto. Conteúdo similar com o objeto.

Interpretante
O signo criado pelo intérprete é o interpretante do primeiro signo. Um signo dá
nascimento a outro signo. Um pensamento dá nascimento a outro
pensamento.

Objeto
Coisa representada. O signo está em lugar de algo: seu objeto (real,
imaginário ou inimaginável).

Ex.: Objeto – flor; Signo – a palavra “flor”; Interpretante – idéia construída de


“flor” a partir do signo
Segunda tricotomia dos signos

Ícone
Um signo que é uma imagem. Caracteriza-se por uma associação de
semelhança, independe do objeto que lhe deu origem, quer se trata de
coisa real ou inexistente.

Índice
Um signo que é um indicador. Relaciona-se efetivamente com o objeto,
por contigüidade. Aquilo que desperta a atenção num objeto, num fato,
é seu índice. Permite, por via de conseqüência, a contigüidade entre
duas experiências ou duas porções de uma mesma experiência.

Símbolo
Um signo que é uma abstração de algo concreto. Refere-se ao objeto
que denota em virtude de uma lei, e portanto, é arbitrário e
convencionado. A possível conexão entre significado e significante não
depende da presença (ou ausência) de alguma similitude. Enquanto o
índice define contigüidade, o símbolo, não.
Signo

Ícone
Possui um caráter que se torna significativo mesmo quando seu
objeto não existe. EX: um traço de lápis num papel que
representa uma linha geométrica.

Índice
Perderia instantaneamente seu caráter se seu objeto fosse
removido. Mas não perderia esse caráter se não houvesse
interpretante.

Símbolo
Perderia seu caráter se não houvesse um interpretante.

Nada é um signo ao menos que seja interpretado como um


signo.
Ícones e Hipoícones

Ícone
Um representamen cuja qualidade representativa é uma Primeiridade, uma
qualidade que o ícone possui como coisa que o torna apto a ser um
representamen.
É um signo que é uma imagem de seu objeto. Representa seu objeto
predominantemente por uma associação de similaridade, independe do objeto
que lhe deu origem, quer se trata de coisa real ou inexistente.
O Ícone prescinde do objeto para significar. Designado como substantivo:
hipoícone.

Classes de Ícones
Imagens – Pintura, escultura, fotografia, etc.
Diagramas – Gráficos, fórmulas matemáticas, etc.
Metáfora – Girassol
A Matemática e a Arte são icônicas, possuem a mesma natureza, são
discursos cuja significação prescinde da realidade.

PRIMEIRIDADE é uma qualidade sensitiva, ou sensação percebida (um


orgasmo, um soluço, por exemplo). Resume-se na idéia daquilo que
independe de algo mais. A primeiridade caracteriza os fenômenos singulares,
idiossincráticos, excludentes. Os sentimentos ou as qualidades puras incluem-
se na categoria das primeiridades.
• A fotografia como técnica
• A fotografia como ícone
• Fotografias de estudo, icone e alegoria
• Fotografia de XXXX, tomada
em 1900, num estudo em
Manaus. A mesma ou
imaginário sobre Amazonas
ao ser publicada em Europa.
"um símbolo uma vez nascido, se difunde entre a gente. Através
do uso e da experiência, seu significado cresce..."
Na segunda feira,
na igreja de São
Lazaro, os fieis vão
a tomar banho de
pipocas para obter
a proteção do
Orixá.

“Só Omolú tem esta flor”


A representação
de Omolú está
relacionada aos
ancestrais.
No seu xaxará
carrega eguns.
Os eguns ou
egun-gun são os
espíritos dos
ancestrais.
No candomblé da
nação ketou eles
recebem seu culto
nos terreiros de
egun.
“Aqui teve casos de
polícia que ia aí a
prender pai de santo e
quando chega lá, dá
ordem de prisão e
viraram no santo. O
santo veio pra
envergonhar ele, para
mostrar a ele que ele
não poderia fazer aquilo.
Tá entendendo? O Santo
desceu no policial,
aconteceu. Você sabe
disso, não sabe?”
Edição mexicana, dezembro de 2008