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AS ORGANIZAÇÕES E O

DESENVOLVIMENTO
SUSTENTÁVEL – A TRAJETÓRIA
DE UMA CONVENÇÃO

Disciplina
RESPONSABILIDADE SOCIO-AMBIENTAL E
SUSTENTABILIDADE
(Foco em: POLÍTICA AMBIENTAL,
SOCIEDADE E ORGANIZAÇÕES PÚBLICAS)
Processo de constituição do
capitalismo: economia versus
sociedade
 Houve uma aparente emancipação da economia em relação
à sociedade mas no mundo real: economia e sociedade
estão entrelaçados e nessa relação o mercado se apresenta
como uma instituição imperfeita e dependente.

 Uma falha do mercado (facetas mercantil, industrial e


financeira) que vem chamando atenção crescente é a sua
incapacidade de dar respostas concretas, justas e duradouras
aos conflitos de natureza socioambiental.

 Contexto atual: um quadro de conflitos - agravamento da


degradação dos ecossistemas impulsionado pela
industrialização, intensificação das disputas pelo acesso e
uso dos recursos naturais e dos territórios.
Situação nas últimas décadas
principalmente a partir de 1980
 Esse processo assumiu proporções alarmantes, impondo o
seu enfrentamento a empresas, governos e sociedades.

 Surge então uma nova convenção que se popularizou com o


termo de “Desenvolvimento Sustentável”. Essa convenção
mostrou-se capaz de alterar as regras da concorrência
capitalista, obrigando as organizações (sobretudo as
multinacionais) a adquirirem competência para administrar
conflitos e demandas sociais de maneira a se manterem
competitivas.

 Nascem portanto o “ambientalismo empresarial” e mais


recentemente a RSE organicamente vinculados às
contradições do próprio capitalismo.
Objetivos do texto
 Apesar de não se deter ao debate sobre o
modelo de desenvolvimento versus crise
ambiental, a autora não ignora essa relação
e sugere o enfrentamento à magnitude do
problema.

 Procura descrever e analisar as principais


motivações, características e estratégias
que pontuaram este processo, destacando o
papel e a da atuação da empresa na
interface entre o social e o ambiental.
Breve histórico do “ambientalismo
empresarial”
 1972 – Primeiras Concepções sobre o Meio
Ambiente: Conferência das Nações Unidas sobre o
Meio Ambiente realizada em Estocolmo – primeiro alerta
científico para o mundo dos riscos ambientais causados
pelo modelo de desenvolvimento vigente - legitimidade
mundial da questão ambiental (relatórios encomendados
pela ONU).

 Posição do Brasil na Conferência – controle da poluição


= entrave ao progresso. Articulou-se a vinda de indústrias
altamente poluidoras nos seus países de origem,
confiando-se na maleabilidade das leis ambientais
brasileiras. Cubatão exemplo de local receptor dessas
indústrias, mais tarde destacando-se no mapa das cidades
mais poluídas do mundo.
Caracterização da “pressão
da sociedade”
 Organização da sociedade no combate ao
desmatamento, a poluição e outras formas
de degradação ambiental (através de ONGs,
movimento ambientalista, etc., Denúncias de
especialistas com base científicas, etc.)

 Restrições legais e ação regulatória e fiscal


do Estado (Política ambiental, leis, por
exemplo a Lei dos Crime Ambientais, lei do
direito do consumidor, etc.).
FORÇAS DE PRESSÃO da sociedade
induziram um processo de mudança do
segmento empresarial ao longo das
décadas

 1. buscou-se compreender que o custo financeiro e


reputacional associado ao passivo ambiental e às
reparações ambientais é mais alto do que os investimentos
da organização em meio ambiente (medidas preventivas),
pois influenciam a percepção da opinião pública sobre a
empresa dificultando a implementação de novos projetos e
a renovação de contratos;

 2. nova postura do empresariado: se por um lado, o


atendimento às normas ambientais representa um custo
alto, por outro lado, os acidentes e crimes ambientais
provocam escândalos corporativos que abalam a
confiança dos investidores, consumidores e acionistas
refletindo-se na queda das vendas e no valor das ações da
empresa.
FORÇAS DE PRESSÃO da sociedade
induziram um processo de mudança do
segmento empresarial ao longo das
décadas
 3. tem-se cada vez mais acreditado no risco iminente de uma
crise ambiental sem precedentes, crença essa alimentada pelo
impacto das mudanças climáticas (posturas catastróficas,
céticas, idealistas, etc. O importante é ter fundamentos
cientificamente comprovados, pelas pesquisas empíricas
atualizadas de procedência confiável).
 4. estudiosos alertam para um futuro próximo que ameaça o
estoque de reservas naturais. Por exemplo, o fato de que o
estoque de reservas naturais é o que vai determinar o uso de
novos recursos e do desenvolvimento de novas tecnologias nas
firmas. Resultado: a alocação de recursos será orientada pela
disponibilidade física de recurso natural, trazendo resultados
restritivos à atuação das firmas (Hart, 1995).

 5. A definição e rigor na implementação de uma política de


sustentabilidade ambiental recairiam, inevitavelmente sobre os
agentes econômicos, particularmente as empresas do setor
produtivo.
Efeitos no mundo empresarial

 Esse cenário preocupou inicialmente diversos segmentos produtivos de


grande porte (multinacionais) particularmente de natureza extrativista, e
neste segmento estão as indústrias de petróleo e gás, as quais, além
consumirem fontes não renováveis e de suas impactantes operações
off-shore, e provocarem uma série de impactos nos ecossistemas
marinhos, são responsáveis por elevadas taxas de emissão de
poluentes e por acidentes ambientais de grandes proporções.

Exemplo: Em 1989, o navio Petroleiro Exxon Valdez no Alasca que


provocou o derramamento de 11 milhões de litros de óleo bruto - o
maior da história americana, foi um divisor de águas na história da
regulamentação ambiental, porque levou o governo norte-americano a
aplicar o método de valoração contingente com o objetivo de avaliar a
extensão dos danos e obrigar a Exxon Corporation a idenizar as
vítimas.
Efeitos no mundo empresarial
 As gigantes do petróleo tentam mudar a sua imagem pública,
desgastada por décadas na liderança de emissão de CO 2.
anunciando investimentos vultosos como em energia renovável e
metas ambiciosas na redução de emissões. Todas querem ser
reconhecidas hoje como empresas de energia.
Exemplos: A Shell – se reposicionou estrategicamente para responder
ao dilema da mudança climática, anunciando publicamente seus
investimentos nessa direção.

A British Petroleum – optou por assumir a liderança mundial de


tecnologia de energia solar no contexto empresarial.

O Plano Estratégico da Petrobrás divulgou o alcance de metas


para aumentar as fontes renováveis de energia (biogás).
Revisão de valores no
segmento empresarial ou nova
estratégia nos negócios?

 Mesmo que seja no plano da retórica, os diversos segmentos empresariais


deixaram para trás o discurso de que cuidar do meio ambiente é um “mal
necessário” e passaram a admitir que o meio ambiente é “parte integrante do
negócio”. Esse é um caminho para uma exigência hoje que é a “licença social
para operar” que representa o consentimento da sociedade local para que a
empresa se instale e explore os recursos de uma determinada região;

 Preocupação com os ativos intangíveis aumenta cada vez mais a importância da


estratégia nos negócios. Isso faz com que o meio ambiente acabe se beneficiando
em virtude das preocupações dos gestores com o risco da abalar a reputação da
organização, pois uma vez atingida, pode significar um prejuízo financeiro
incalculável.

 Exemplo: Pesquisa realizada na Grã-Bretanha junto a 847 executivos revelou


que a reputação é o ativo mais importante para o sucesso da organização e
também o mais difícil de ser substituído ou recuperado, levando em torno de
dez anos para gerar retorno ou podendo chegar a falência
Revisão de valores no segmento
empresarial ou nova estratégia nos
negócios?

 A revisão de valores relacionados com o


meio ambiente mesmo que nem sempre
acompanhada de um questionamento
profundo no meio empresarial sobre o
padrão de produção (capitalista), sugere
que na visão do empresariado o
desenvolvimento sustentado é um projeto
em construção e de longa duração.
Trajetória do conceito de
Desenvolvimento Sustentável
 1972 - Concepções básicas sobre o Meio Ambiente
foram reunidas na Conferência de Estocolmo.

 1987 - O conceito que ficou mundialmente


consagrado de desenvolvimento sustentável foi
proferido pela então primeira ministra da Noruega, a
ex-secretária geral da ONU, Gro Harlem Brundtland,
por ocasião da Comissão Mundial sobre Meio
Ambiente e Desenvolvimento: “aquele que atende as
necessidades do presente sem comprometer a
possibilidade de as gerações futuras atenderem às
suas próprias necessidades”. Estudos geraram o
Relatório “Nosso Futuro Comum”.
Trajetória do conceito de
Desenvolvimento Sustentável –
 1992 – a Eco-92 ou Rio 92 (RJ) – Conferência das Nações Unidas para o
Meio Ambiente e Desenvolvimento foi o grande marco histórico para o
ambientalismo empresarial. Simboliza a culminância de um processo de
discussão sobre a sustentabilidade ambiental nas suas mais diversas formas
de manifestação, seja científica, empresarial, popular ou política. Foi a partir
desse evento que soaram mais fortemente os alarmes anunciando o estado
terminal de um modelo de desenvolvimento que cresceu em choque com a
dinâmica da natureza.

 A rápida disseminação dos resultados da Rio-92 gerou uma inquietação


mundial generalizada, forçando o setor produtivo a dar uma resposta
consistente ao problema, em grande medida, criado por ele próprio (o modelo
de produção capitalista). Deu-se a internacionalização do Business Council for
Sustainable Development (BCSD), acrescentando-se o “World” – WBCSD que
tornou-se uma das mais representativas entidades empresariais dedicadas à
causa do desenvolvimento sustentável.
“Change Course” (Stephan
Schmidheiny)
 “Mudando de Rumo” foi o livro escrito pelo fundador do
WBCSD, considerado um marco na história do ambientalismo
empresarial, pois representa a primeira resposta do segmento
empresarial à causa ambiental com propostas concretas.
Representando cerca de 200 empresas (entre elas
multinacionais) de 20 setores econômicos e 35 países. Nesse
livro o autor aponta as competências que o setor privado tem
para desenvolver um projeto de transformação econômica
global no qual as empresas iriam gerenciar as mudanças
pretendidas, ou seja, seriam as protagonistas. O problema
que o livro gerou é que o autor coloca em pólos opostos
empresas e governos, contrariando interpretações que
defendem relações sinérgicas entre esses atores e as
responsabilidades de ambos.
Repercussão no Brasil

 No Brasil, o envolvimento do empresariado


nacional às questões ambientais começou alguns
anos depois, tendo sido impulsionada pela criação,
em 1997, do Conselho Empresarial Brasileiro de
Desenvolvimento Sustentável (CEBDS),
representação brasileira do WBCSD. Foi liderado
durante muito tempo pelo empresário Fernando
Almeida, que escreveu vários livros.
A convenção de mercado
 Os atores sociais estabelecem convenções (pressuposições)
para enfrentar um ambiente caracterizado por um alto grau de
incerteza e risco, as quais, uma vez generalizadas, funcionam como
parâmetros relativamente flexíveis que sinalizam o provável cenário
do futuro, novo ambiente no qual as ações econômicas se moverão.

 A convenção do desenvolvimento sustentável, assim como outras


convenções, nasceu a partir de uma crença difundida na sociedade
de que a sustentabilidade ambiental é um imperativo para a
sobrevivência do atual padrão de desenvolvimento econômico.
Contudo a viabilização de uma sustentabilidade, pelo setor produtivo
tem sido lenta, gradativa e irregular.

 Por exemplo, nas atividades extrativistas e de potencial poluidor, nas


multinacionais, viabilizam-se mais ações devido a maior influência
das forças de pressão da sociedade e magnitude dos custos
associados ao passivo ambiental. Por outro lado, é mais difícil
implementar e replicar mudanças nas grandes empresas. As ações
são via de regra reativas e não pró-ativas.
A convenção de mercado
 De qualquer forma, a literatura tem mostrado que existe uma
fronteira diferenciando os setores industriais mais
comprometidos com a causa ambiental como os setores
químico, siderúrgico, minerador, papel e celulose e
hidrocarbonetos (petróleo, gás) e energia. Isto se deve não
somente por serem grandes poluidores (por isso mais
vigiados) mas também devido à pressão da sociedade que
cobra mais desses setores.

 Para Vinha, são raros os estudos acadêmicos independentes


e profundos sobre a performance desses setores em relação
à internalização do princípio do DS. O que existe é produzido
e mantido internamente nas empresas.
DS - Convenção ou dogma?

 Dogma - do grego dogmatikós, significa aceitação de


determinada coisa como verdade absoluta e não abre espaço
para discussões. Convenção – sentido social: conjunto de usos
ou costumes estabelecidos ou aceitos pelos indivíduos de
determinado grupo. Sentido jurídico: acordo previsto pelo direito
internacional (ou nacional), referindo-se quase sempre à matéria
técnica resultante de conferência entre as várias nações
interessadas.

 Entende Vinha, diferente de Hoffman (1997) que as transformações


propostas se apresentam mais no plano do discurso do que da
prática, por isso qualificando-se como convenção no sentido de
acordos de natureza corporativista entre grupos específicos,
certas práticas, procedimentos e atitudes destinados a atender a
legislação e facilitar a interação social, não sendo generalizável
para o conjunto da economia.

 Hoffman acredita que o DS se tornou um dogma o que Vinha


discorda pois dogma pressupõe mudança de paradigma sustentada
pela prática, o que para ela o DS ainda não é.
O primado do discurso da Eco-
Eficiência

 A partir da década de 1990 com a Qualidade Total e com a entrada do século


XXI, organismos internacionais e agências multilaterais fizeram recomendações
expressas às empresas para implementarem sistemas de gestão ambiental de
modo a reduzirem ou eliminarem emissões, efluentes e desperdício nas suas
operações.

 Principal obstáculo à adoção de princípios, práticas e códigos de gestão


ambiental: a visão dominante no meio empresaria de que meio ambiente e
lucro eram adversários naturais, o que se provou ser falso.
 Contrapondo-se a essa visão, ficou provado que em poucos anos, as tecnologias
ambientais tinham potencial de reduzir os custos por meio de uma melhor
racionalização dos processos produtivos. Conseqüentemente, houve uma
disseminação rápida da gestão ambiental baseada no gerenciamento da
qualidade total, através da ISO 9000.
 Esse modelo de gestão que se configura como o da Eco-Eficiência tem o
potencial de permitir economia de recursos, incrementar a produtividade e a
eficiência além de possibilitar uma postura mais cooperativa intra e
intersetorialmente induzida pela organização e compartilhamento de tarefas
intrínsecas à gestão ambiental.
A Eco-Eficiência para
Desenvolvimento Sustentável
 WBCSD (World Business Council for Sustainable
Development) situa a Eco-eficiência como proposta
empresarial de atuação na área ambiental na
Conferência do Rio em 1992.
 Definição: “ A eco-eficiência é alcançada mediante o
fornecimento de bens e serviços e preços competitivos
que satisfaçam as necessidades humanas e tragam
qualidade de vida, ao mesmo tempo que reduz
progressivamente o impacto ambiental e o consumo de
recursos ao longo do ciclo de vida, a um nível, no
mínimo, equivalente à capacidade de sustentação
estimada da Terra” (empresário Stephan Schmidheiny,
1996).
A Eco-Eficiência para
Desenvolvimento Sustentável

 A eco-eficiência diferencia as empresas comprometidas de fato


com a questão ambiental daquelas que implementam apenas
reformas simbólicas nos seus “programas ambientais” sem
conseqüências, apenas como propaganda
institucional/marketing e para responder à legislação ambiental
(“lavagem verde”).
 Os certificados mais procurados são os da série ISO 9000 e
ISO 14000. O Social Accountability 8000 (SA 8000) é o primeiro
certificado com reconhecimento internacional, que verifica entre
outros aspectos, as condições de trabalho em toda a cadeia
produtiva. No Brasil, muitas empresas possuem a série ISO,
mas poucas conquistaram o SA 8000 (devido ao elevado custo
de obtenção). Ex. Bahia Sul Celulose, Avon, etc..
Meio Ambiente como Consciência
ou como Estratégia de Negócio? O
Foco no Stakeholder

 A incorporação da visão dos stakeholders (todos os


membros da cadeia produtiva, as comunidades, as ONGs, o
setor público, indivíduos formadores de opinião, outras firmas)
vem emergir como estratégia para o desenvolvimento
sustentável, com poder de impor limites à atuação das
empresas, cobrando-lhes transparência na distribuição de
benefícios sociais.

 Com o fortalecimento do movimento ambientalista e outros


movimentos que envolvem questões ambientais e da cidadania,
hoje agregam-se a esses stakeholders, as vítimas (reais e
potencias) da poluição/danos ambientais.

 Assim delineou-se um conceito ampliado de stakeholders.


Meio Ambiente como Consciência
ou como Estratégia de Negócio? O
Foco no Stakeholder

 Consulta e engajamento dos stakeholders previamente à


instalação de qualquer empreendimento, são um imperativo.

 A consulta aos stakeholders junto com organizações da


sociedade civil é o primeiro nível de pressão para a
adequação das empresas a procedimentos ambientais na sua
atividade econômica.

 Os stakeholders podem também se manisfestar nas


audiências públicas prévias à implementação do
empreendimento

 Eles trabalham junto às pressões de redes de informação para


denunciar as más práticas e disseminar as boas práticas.
Responsabilidade Social Corporativa
e Desenvolvimento Sustentável

 Absorção do princípio de responsabilidade social


corporativa aos preceitos do desenvolvimento
sustentável conferiu uma dimensão mais humana à
eco-eficiência e ampliou a compreensão do conceito ao
estender a ação preventiva de impactos ao conjunto da
sociedade.
 Responsabilidade Social tem o potencial de resgatar
valores morais que a sociedade de um modo geral não
associava às empresas. Mas é na prática que se pode
conferir como isso se materializa no compromisso
permanente dos empresários com a integridade do
meio ambiente e com respeito aos direitos humanos,
na postura ética nos negócios e a transparência na
comunicação com a sociedade.
Responsabilidade Social Corporativa
e Desenvolvimento Sustentável

 A partir de 1997, o Banco Mundial incorporou os


princípios do desenvolvimento sustentável focados no
envolvimento dos stakeholders. O Banco recomenda a
política “licença social para operar”, obtida
principalmente daqueles que estão na área de
abrangência do empreendimento.

 Brasil – se destaca pelo crescimento de empresas que


se consideram comprometidas com o a prática da
Responsabilidade Social. O principal responsável pela
rápida disseminação do conceito foi o Instituto Ethos
de Responsabilidade Social, criado em 1998.
Responsabilidade Social Corporativa
e Desenvolvimento Sustentável

Missão do Instituto Ethos:


 mobilizar, sensibilizar e apoiar as empresas para que elas
incorporem políticas e práticas de responsabilidade social na
gestão dos negócios, incluindo ações de erradicação do
trabalho escravo e trabalho infantil dentre outras ações que
visam garantir os direitos humanos no mundo dos negócios.

 popularizar a publicação do “balanço social” nas empresas:


relatório anual no qual a empresa pública ou privada declara os
projetos sociais e os investimentos financeiros que realizou em
prol do bem-estar das comunidades do seu entorno e do meio
ambiente. Esse Relatório foi criado pelo IBASE (Instituto
Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), ONG criada
pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, com o intuito de
tornar transparente a governos e grupos de interesse a
maneira pela qual a empresa encara a sua responsabilidade
pública.
Responsabilidade Social Corporativa
e Desenvolvimento Sustentável

Segundo o Instituto Ethos, para conquistar minimamente o


atributo de uma empresa socialmente responsável é
necessário:
 manter um diálogo constante com os seus stakeholders;
 prestar contas à sociedade e procurar sempre ir além
da legislação e das normas internacionais, a exemplo
dos direitos trabalhistas definidos pela OIT; ser proativa;
 investir no desenvolvimento pessoal e profissional dos
seus empregados e na melhoria das condições de
trabalho.
Mudanças Institucionais
Decorrentes
 Fundos de Investimentos Socialmente Responsáveis (SRI),
apesar de existirem desde 1960 no mercado financeiro
internacional, teve o seu prestígio ampliado com o boom da
responsabilidade social corporativa. No SRI, os critérios sociais,
ambientais e de governança corporativa são aplicados no
processo de seleção dos melhores papéis.

 BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e


Social) tem condicionado a liberação de financiamentos à
apresentação do alcance de impactos ambientais do projeto
além da divulgação do balanço social da empresa.
A Repercussão do Tema nas
Escolas de Negócios

 Até a primeira metade da década de 1990, o ensino


das escolas de administração não contemplava em
suas disciplinas questões associadas ao
desenvolvimento sustentável. O meio ambiente era
praticamente ausente dessa literatura e a ética nos
negócios relacionada às questões ambientais era
abordada tangencialmente.
 1995 – Michael Porter e Class van der Linde publicaram
na Havard Business Review um artigo intitulado “Green
and Competitive: Ending the Stalemate (imobilismo, beco
sem saída), no qual defendem que a proteção ambiental
não representa ameaça à empresa, mas sim uma
oportunidade capaz de adicionar vantagem competitiva.
A Repercussão do Tema nas
Escolas de Negócios

 A Escola de Negócios da Universidade de Harvard aceitou o


desafio do debate proposto por esse estudo e os de outros
grupos, desde os mais “provocadores” que não vêem
compatibilidade entre ecologia e comércio até os mais
propositivos, vindo mais tarde a incorporar o meio ambiente
nas suas disciplinas.

 O livro de Paul Hawken, Amory e Hunter Lovins (1999)


intitulado “A Road Map for Natural Capitalism”editado no
Brasil com o nome de “ Capitalismo Natural. Criando a
Próxima Revolução Industrial” (ed. Cultrix, SP.) teve muita
aceitação na área de negócios, no meio acadêmico, entre
grupos do segmento empresarial e governamental. Hoje
destacam-se inúmeras Universidades e Escolas de Negócio
já familiarizadas e propondo leituras inovadoras sobre o
tema.
Reflexões Finais
 Existe um distanciamento conceitual entre eco-eficiência
e desenvolvimento sustentável. O primeiro significa a
reorientação do padrão de produção no aspecto
estritamente tecnológico, de acordo com exigências do
mercado, dos órgãos regulatórios, do papel do Estado
nessa caso de coordenador. O segundo representa a
incorporação de aspirações sociais muito mais
abrangentes, que passam tanto pela transformação do
processo de produção industrial quanto por mudanças
negociadas entre os atores. Por essa razão, a dimensão
da responsabilidade social foi associada ao
desenvolvimento sustentável, prometendo uma nova fase
na evolução da trajetória empresarial.