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Análise da Eficácia de Estratégias

Pedagógicas na Inclusão dos Alunos com


Necessidades Educativas Especiais Auditivas:

Caso Escola Primária Completa Guebo-Cidade


de Maputo

Pesquisadora:
Danila Delfina Fernandes Nhacule
Supervisor:
Daniel Ernesto Canxixe
Estrutura do trabalho:
Introdução:
Problematização, Justificativa, Objectivos e perguntas de pesquisa

Capítulo I: Fundamentação teórica;

Capítulo II: Metodologia de Pesquisa;

Capítulo III: Apresentação e discussão de resultados

Considerações finais;

Referência Bibliográfica
Introdução
A temática sobre a Análise da Eficácia das Estratégias pedagógicas na Inclusão de
Alunos com Necessidades Educativas Especiais tem como objecto de estudo
estratégias pedagógicas em escolas inclusivas, numa altura em que se fala muito de
educação inclusiva e, quando assim se fala, nos remete obrigatoriamente em pensar
sobre a natureza de ensono e aprendizagem diante deste grupo alvo.

Pensando sobre estratégias, está relacionado com o processo de transmissão dos


conteúdos e este processo está estritamente vinculado com as habilidades que este
professor têm no domínio destas estratégias inclusivas.
Problematização da Pesquisa
Em termos de problema do nosso objecto de estudo, temos vindo
a constatar que muitos professores têm vindo a queixarem-se das
estratégias emanadas nos documentos que versam sobre inclusão
e as possíveis estratégias a ser usados no âmbito do processo de
leccionação das aulas numa sala de aula em que têm alunos com
NEEA (Ainscow, 1998). A pergunta que tem surgido é: será que
os professores não conseguem interpretar as estratégias na
prática, ou faltam lhes outras habilidades como por exemplo a
língua de sinais?
Os professores que atendem a estes alunos foram treinados em língua de
sinais?

Portanto, esta e outras perguntam surgem na reflexão da (im) produtividade


destas estratégias pedagógicas. Quando se faz distribuição de turmas,
principalmente para as turmas que são iniciais, acontece que ninguém sabe
da situação dos alunos. Já na sala de aula, quando este professor que teve
este aluno na sua turma, confronta-se com a situação, na maioria dos casos
este professor fica estressado porque não sabe como poderá interagir com
este aluno.

Para outros professores, podem não manifestar o estresse. Portanto, nestas


situações, que estratégias têm recorrido e que efeito elas dão no aluno assim
como no professor?
Face a este questionamento, propomos a
seguinte questão de pesquisa:

Até que ponto as estratégias pedagógicas


são eficazes no processo de ensino e
aprendizagem incluindo alunos com
necessidades educativas especiais?
Justificativa

Justifica-se a escolha desta temática por se tratar de um assunto que


afecta directamente a pesquisadora, na qualidade de professora do
ensino primário, de extrema importância compreender e depois
saber se posicionar em casos similares, visto que o número de
alunos com necessidades especiais de diferentes tipologias cresce
cada vez mais nas escolas moçambicanas.

Outra razão prende-se pelo facto da mesma, contribuir no campo


científico para futuras pesquisas, tendo em conta o posicionamento
ou o nível de estresse ou ansiedade que os professores têm tido
quando se apercebem que têm um aluno com necessidades especiais
deste tipo.
Na mesma sequência, poderá contribuir para as
escolas, os pais e a sociedade no geral sobre como
é que os alunos com necessidades especiais são
encarrados por algumas pessoas, principalmente
pelos professores e também pode impulsionar aos
novos pesquisadores na identificação de outras
estratégias mais ou menos viáveis no processo de
transmissão dos conteúdos.
Objectivos
Analisar a Identificar as características de alunos com necessidades
eficácia das
educativas especiais auditivas;
estratégias
pedagógicas Descrever as estratégias pedagógicas eficazes na sala de
na inclusão aula com alunos que apresentam necessidades educativas
dos alunos especiais auditivas;
com
necessidades Investigar com base nas provas e apontamentos dos
educativas alunos com necessidades especiais do tipo auditivo, os
especiais resultados pedagógicos com ou sem aplicação das
auditivas. estratégias pedagógicas que reflectem a inclusão usadas
com frequência nas salas de aulas.
Perguntas de pesquisa
I. Quais têm sido às características frequentes dos alunos com
necessidades especiais do tipo auditivo dentro na sala de
aulas?

(ii) que estratégias pedagógicas têm sido apontadas na


literatura, que os professores podem recorrer quando estão
numa turma inclusiva?

(iii) quais têm sido os resultados destes alunos quando os


professores usam ou não as estratégias pedagógicas inclusivas?
REVISÃO LITERÁRIA

Educação Inclusiva

Necessidades
Especiais
Definição de Conceitos Básicos

Necessidades
Educativas Especiais

Deficiência Auditiva
Temáticas em análise
Características dos alunos com necessidades
educativas especiais auditivas

Causas da deficiência auditiva

Sinais de Alerta

Tipologias e graus de deficiência auditiva

Estratégias pedagógicas do professor com alunos com necessidades


educativas especiais
População e
amostra: Instrumentos
de pesquisa: Técnicas de
Dos 54 analise de
Natureza de professores da Revisão
escola em bibliográfica, resultados:
pesquisa:
estudo, foi observação, A análise por
Mista extraída uma entrevista e categoria.
amostra de 12
professores;
questionário.

Metodologia de Estudo
Apresentação e discussão de resultados
Características demográficas dos participantes da pesquisa

Tabela 01: Dados referentes ao sexo dos participantes


9
Frequências dos participantes em função

8
7
6
do sexo

5
4
3
2
1
0
Masculino Feminino
Gráfico 03: Distribuição dos participantes em função
dos anos de experiência
3.5
Frequências em função dos anos de serviço

2.5

1.5

0.5

0
Menos de 5 De 5 a 10 De 11 a 20 De 21 a 30 de 31 a 40 Mais de 41
Anos Anos Anos anos Anos Anos
Gráfico 04: Dados referentes as habilitações literárias
6
Frequência em função do nível escolar

0
Estratégias pedagógicas de inclusão
A
flexibilização e
adequação Diferenciação
Cooperação Bilinguismo
curricular em pedagógica
função do tipo
de necessidade

A literatura aponta várias estratégias


pedagógicas no processo de ensino e
aprendizagem de alunos com necessidades
educativas especiais, como por exemplo
(RAMOS, 2011; RODRIGUES, 2011,
ARANHA, 2003; BAUTISTA, 1997):
No âmbito da nossa pesquisa, fomos encontrar outra
realidade relativamente as estratégias pedagógicas
inclusivas. Pelas respostas dadas, percebemos que
alguns professores conhecem as estratégias e tentam
implementá-las, outros não as conhecem, e estes, são
propensos em se distanciar destes alunos (alunos com
necessidades educativas especiais auditivas).
Analisando as estratégias que foram mencionadas por estes professores, percebe-se que,
estas, não têm muito impacto para alunos por exemplo com necessidades especiais do tipo
auditivo cujo grau de acometimento está entre 40 a 60 decibéis..

Ainda dentro da análise das respostas que a seguir apresentamos, percebe-se que, estas
enquadram-se na estratégia intitulada “diferenciação pedagógica” mencionada por
RODRIGUES (2011) e ARANHA (2003):

Os dos números acima citados são referentes a um aluno com necessidades especiais visuais
não cego, podendo ver a uma distância de 10 metros o que um outro com visão normal vê
em a 40 metros.
“Coloco-os na primeira fila, dando lhes mais atenção ao
longo da aula.” [entrevistado 01]

“Coloco-os nas carteiras da frente, falando na posição frontal dos alunos,


circulando pouco na sala de aula, usando a voz de forma audível.”
[entrevistado 04]
“Coloco-os na primeira fila, falando devagar permitindo-lhes a
leitura labial e envolvendo-os também nos trabalhos em grupo.”
[entrevistado 09]
“Colocar os alunos na carteira da frente, prestar um pouco mais de atenção
e efectuar acompanhamento mais rigoroso ao comportamento.”
[entrevistado 02]

“Colocar os alunos na primeira fila.” [entrevistado 10]


Esta estratégia pedagógica é muito útil para quem lida com alunos cujo
grau de acometimento da audição ou visão é leve. As respostas dos
nossos participantes da pesquisa revelaram que quase todos têm noção
desta estratégia, mas relativamente a estratégia que diz “flexibilização e
adequação curricular em função do tipo de necessidade”, percebe-se que
nenhum dos nossos entrevistados faz o uso desta na sala de aulas.

Nas aulas assistidas durante a pesquisa, constatou-se que, alguns


professores não fazem o uso das estratégias por eles mencionadas no
questionário que lhes foi aplicado. Estamos a referir as verbalizações dos
entrevistados 02 e 04.
Quando entrevistamos aos professores sobre as estratégias pedagógicas que
usam com frequência na sala de aulas, eles referiam mencionaram as seguintes:

“ Explicar várias vezes e gesticular para melhor percepção.” [entrevistado


01]

“Colocar os alunos na primeira fila, acompanhar rigorosamente o


comportamento, participação na aula.” [entrevistado 06]

“Trabalho em grupo.” [entrevistado 08]

“Falar na posição frontal dos alunos, pouca circulação quando estiver a falar,
aumentar o tom de voz.” [entrevistado 03]

“ Colocar os alunos a frente.” [entrevistado 05]


Pela análise das respostas, podemos dizer que estas estratégias
pedagógicas têm pouco impacto no processo de inclusão de alunos
com necessidades educativas especiais auditivas. Os professores
deviam desenvolver ou dominar as outras restantes estratégias que na
nossa maneira de entender, embora sejam mais exigentes e
complexas, seriam mais eficazes, estamos a referir a língua de sinais,
flexibilização e adequação curricular. Nas respostas dadas nenhum
professor fez referência à língua de sinais, o que nos permite concluir
que não têm domínio deste recurso linguístico único na comunicação
entre ouvintes e os que têm problemas auditivos.
Literatura aponta que quando as estratégias pedagógicas de ensino aos alunos com
NEEA são aplicadas com um propósito e os responsáveis na utilização das mesmas
as conhecem, os resultados são visíveis na pessoa que apresenta necessidades
educativas especiais auditivas. Face ao uso dos recursos pedagógicos de tipo
inclusivo que os participantes da pesquisa dispõem, o gráfico abaixo clarifica.

Estratégias Pedagógicas de Inclusão vs Resultados


de Aprendizagens
Como vimos na revisão da literatura e no decorrer do presente trabalho, a
problemática de domínio de estratégias pedagógicas de ordem inclusiva é bastante
constrangedora principalmente no contexto moçambicano, sendo necessária a
capacitação destes profissionais, apesar de ter domínio em algumas estratégias,
pois, o impacto que estas dominadas têm é insuficiente para suprir as necessidades
educativas dos alunos em questão.

Considerações Finais
Em geral, os resultados obtidos, a nível de estratégias usadas pelos professores na
leccionação aos alunos com NEEA, mostraram que a maioria dos professores: (i) usam uma
única estratégia, que é diferenciação pedagógica mencionada por RODRIGUES (2011) e
ARANHA (2003); (ii) conhecem outras estratégias como por exemplo a língua de sinais, mas
não têm domínio no uso destes recursos pedagógicos no âmbito do processo de inclusão.

No que concerne os resultados oriundo da aplicação destas estratégias na sala de aulas junto
deste grupo alvo, os resultados obtido no presente estudo revelaram que: (i) a maioria dos
participantes classificaram o desempenho pedagógico dos alunos em “suficiente” e “mau” e
nenhum dos participantes teria os classificado de “muito bom” e “bom”; (ii) a maioria dos
professores que fizeram parte da pesquisa referiu conhecer muitos alunos com NEEA com
sérias dificuldades de escrita, leitura e cálculos matemáticos.
Muito obrigada pela atenção dispensada