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TECNICAS DE OBSERVAÇÃO

DO COMPORTAMENTO
POR QUE UM CURSO DE OBSERVAÇÃO?
• A observação é utilizada para coletar dados acerca do
comportamento e da situação ambiental;

• Os dados coletados por observação são usados para diagnosticar a


situação – problema, para escolher técnicas procedimentos a serem
empregados e para avaliar a eficácia dessas técnicas e procedimentos.

• O objetivo da observação determina quais serão os dados a serem


coletados.
Planejar as observações:
• Onde: em que local e situação a observação será realizada;

• Quando: em que momento ela será realizada;

• Quem: Quais serão os sujeitos a serem observados;

• O que: Que comportamentos e circunstância devem ser observados;

• Como: Qual a técnica de observação e registro utilizada


A observação científica é uma observação
sistemática e objetiva
A LINGUAGEM CIENTÍFICA

• Linguagem científica versus Linguagem coloquial;

• O registro do comportamento se da pela a linguagem científica;


EXEMPLOS: Linguagem coloquial

“Deolindo Venta-Grande(era uma alcunha de bordo) saiu do


Arsenal da Marinha e se enfiou pela rua de Bragança. Batiam três
horas da tarde. Era a fina flor dos marujos e, de mais, levava um
grande ar de felicidade nos olhos. A corveta dele voltou de uma
longa viagem de instrução e, Deolindo veio à terra tão depressa
alcançou licença. Os companheiros disseram-lhe, rindo: - Ah,
venta-Grande! Que noite de almirante você vai passar! Ceia, viola
e os braços de Genoveva, Colozinho de Genoveva... Chama-se
Genoveva, caboclinha de vinte anos, esperta, olhos negros e
atrevidos” ( Machados de Assis).
EXEMPLOS: Linguagem científica
“ Deolindo é marujo. A corveta à qual serve encontra-
se no porto, após uma viajem de 6 meses. Deolindo, 10
minutos após ter obtido licença, dirigiu-se à terra. Saia
do Arsenal da Marinha e os companheiros disseram-
lhe, rindo: - Ah! Venta-Grande! Que noite de almirante
você vai passar! Ceia, viola e os braços de Genoveva.
Colozinho de Genoveva... Genoveva é cabocla, tem
vinte anos e olhos pretos. Às três horas da tarde,
Deolindo dirigiu-se à rua de Bragança”.
A OBJETIVIDADE DA LINGUAGEM
RELATO 1 RELATO 2

1) S ANDA À PROCURA DE UM LUGAR PARA SE SENTAR 1) ÔNBUS COM TODOS OS ASSENTOS OCUPADOS. S
DENTRO DO ÔNIBUS, DE PÉ, ANDA EM DIREÇÃO À
PORTA TRASEIRA DO ÔNIBUS.

2) COMO NÃO ENCONTRA, PARA AO LADO DA OITAVA 2)ÔNIBUS COM TODOS OS ASSENTOS OCUPADOS. S
FILEIRA DE BANCOS, ATRÁS DO MOTORISTA. TENTA PARADA, DE PÉ, AO LADO DA OITAVA FILEIRA, ATRÁS
PEDIR UM LUGAR AOS PASSAGEIROS QUE SE DO MOTORISTA. VIRA A CABEÇA EM DIREÇÃO AOS
ENCONTRAM SENTADOS NAQUELE BANCO. PASSAGEIROS QUE ESTÃO SENTADOS NO BANCO.

3) COMO NINGUÊM SE INCOMODA, CANSADA, ELA 3) ÔNIBUS COM TODOS OS ASSENTOS OCUPADOS. S
DESISTE. PARADA, DE PÉ, AO LADO DA OITAVA FILEIRA DE
BANCOS. PASSAGEIROS DO BANCO OLHAM EM
DIREÇÃO À RUA, S EXPIRA FUNDO E FECHA OS OLHOS
UM RELATO OBJETIVO EVITA:
A) Utilizar termos que designem estados subjetivos;

B) Interpretar as intenções do sujeito;

C) Interpretar as finalidade da ação.


A CLAREZA E PRECISÃO

DEVE-SE EVITAR:

• TERMOS AMPLOS: Brincar....

• TERMOS INDEFINIDOS OU VAGOS: Por algum tempo

• Termos ou expressões ambíguas


EXEMPLO
Relato 3 Relato 4

1) Sobre o tapete, a meio metro da mesa de centro, 1) Sobre o tapete está uma bola pequena.
esta uma bola vermelha de 5 cm de diâmetro.
2) Um menino de aproximadamente quatro anos de 2) Uma criança se movimenta em direção à
Idade, anda em direção a bola. bola.
3) De frente para a bola, o menino se agacha e a pega. 3) De frente para a bola, a criança muda de
postura e a pega.
4) Levanta-se. Permanece parado de pé, segurando a 4) Levanta-se. Por algum tempo permanece
Bola por aproximadamente 10 segundos. Parado de pé, segurando a bola.
5) Grita: “ô’’, ‘’ô” e joga a bola em direção á porta. 5) Grita: Grita: “ô’’, ‘’ô” e joga a bola em a
porta.
6) Corre em direção à porta 6) Movimenta-se em direção à bola
EXPRESSÕES FACIAIS
Evitar uso de termos subjetivos:
• Alegre;

• Cansado;

• Triste;

• Preocupado;

• Dentre outros
DESCRIÇÃO DA FOTO 3.1
DESCRIÇÃO DA FOTO 3.2
DEFINIÇÃO DOS OBJETIVOS E PLANEJAMENTO
DO TRABALHO
• O que será observado;

• Quem será observado;

• Aonde a observação ocorrerá;

• Frequência das observações;

• Como serão registrados

• Dentre outros.
• O objetivo do estudo é a diretriz que norteia a observação e a
primeira etapa do trabalho do observador consiste justamente em
estabelecer o objetivo para o qual a observação será realizada.

• Deve especificar de forma clara e objetiva

• O objetivo pode aparecer na forma de pergunta ou na afirmativa com


o verbo no infinitivo.
EXEMPLOS:
1.a. Quais são as brincadeiras que ocorrem no pátio durante o recreio?
1.b. Identificar as brincadeiras que ocorrem no pátio durante o recreio.

2.a. Meninos e meninas brincam de forma diferente?


2.b. Analisar se existem diferenças nas brincadeiras apresentadas por
meninos e meninas.

3.a. Como se desenvolve uma brincadeira?


3.b. analisar como se desenvolve uma brincadeira: início, meio e fim.
Ao planejar uma pesquisa deve-se levar em conta, além do objetivo

do estudo, o conhecimento já existente do assunto, o interesse

específico do observador e as condições possíveis de realização do

trabalho.
O PROTOCOLO DE OBSERVAÇÃO
• Documento de registro
Estão relacionados basicamente a três conjuntos de informações:
a) Identificação geral;

b) Identificação das condições em que a observação ocorre,

c) Registro de comportamentos e circunstancias ambientais.


MODELO DE PROTOCOLO
1. Nome do Observador:
_______________________________________________________
2. Objetivo da Observação:
_______________________________________________________
3. Data da observação:_____________________________________
4. Horário da observação: Início:____________ Término:______
5. Diagrama da situação:

6. Relato do ambiente físico:


___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
7. Descrição do sujeito observado:
______________________________________________________________
______________________________________________________________
_____________________________________________________________
8. Relato do ambiente social:
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
9. Técnica de amostragem e registro:
______________________________________________________________
______________________________________________________________
_____________________________________________________________
10. Registro propriamente dito:
______________________________________________________________
______________________________________________________________
_____________________________________________________________
As condições a serem identificadas são:

• Data;

• Horário da observação;

• Sujeito observado;

• Ambiente físico

• Ambiente social
O objetivo do estudo observacional determina o grau de detalhes

com que o relato do ambiente físico, do ambiente social e do sujeito

será realizado
TÉCNICAS DE AMOSTRAGEM E REGISTRO
Para Altman (1974), destaca os métodos de amostragem no estudo
observacional:
• Enfoque no registro: Como observador focaliza o comportamento.
Pode ser observado com um evento ou como um estado. Evento: são
instantâneos. Estados tem duração mais longa.
Ex:
- O registro do evento locomoção ocorre quando o sujeito começa a
andar ou em um instante definido;
- O estado de locomoção ocorre durante todo o período em que o
sujeito se locomove.
Ao planejar as sessões de amostragem o observador deve especificar
os critérios para o início e término da sessão
O início poderá:

• Ocorrer num tempo certo: Uma vez em uma hora, toda a hora, todas
as horas do recreio.

• Ter um número fixo de amostras por hora: Começando no tempo


escolhido randomicamente em cada hora;

• Ocorrer após um tempo fixo do término da amostra anterior

• Ocorrer quando um particular comportamento for apresentado.


O termino da sessão poderá ser delimitado:
• Por um período fixo de tempo;

• Por um número fixo de comportamentos, após uma classe particular


de interação ter terminado

• Até o sujeito não ser mais visto.


Número de indivíduo focalizado na sessão, de
Acordo com Carvalho (1992):
• Focais: Um indivíduo particular é focalizado durante um período
inteiro da amostra. Pode ser utilizado critérios seja por sorteio ou
comportamental.

• Varredura: Todos os indivíduos são focalizados, em sequência casual,


no tempo mínimo que for necessário.

• Epísódios: é feita por tempo variável, de um episódio. Ex. Brincadeira,


agressão,etc.
AS TÉCNICAS DE REGISTTRO
A OBSEVAÇÃO E REGISTRO PODE SER:

• Direta: O observador focaliza o comportamento do sujeito, ou melhor,


as ações apresentadas pelo sujeito num determinado espaço de
tempo.

• Indireta: Utiliza o produto o comportamento do sujeito. Ex: escrito,


desenhos, pintura, produções intelectuais, etc.
FORMAS DE REGISTRO
• Registro cursivo: É aquele em que o observador registra os eventos,
tais como eles se apresentam, cuidando apenas do uso da linguagem
científica.

• Registro categorizado: O observador trabalha com categorias pré-


definidas.

• Registro contínuo: Registro de um período ininterrupto de tempo de


observação, registrar o que ocorre na situação, obedecendo à
sequência temporal em que os fatos se dão.

• Registro por amostra de tempo: Registro em determinados períodos


de tempo. Ex: 20 em 20 segundo; 1 em 1 hora.....
• Registro contínuo cursivo: registro por um período ininterrupto

• Registro contínuo categorizado: o observador registra categorias,


previamentes definidas, na sequencia em que elas ocorrem. Ex:
limpeza (li), Locomoção (lo), farejamento (fa) e imobilidade (i). Ao
registrar o comportamento do rato ficaria: li,fa,lo,i, lo, etc.
Registro de evento:
• O observador define os comportamentos a serem observados e
procede a contagem à contagem do números de vezes que o
comportamento ocorre:

PERÍODOS 0..................2 2....................4 4....................6 TOTAL

LIMPEZA /// // // 7

FAREJAMENTO //// /// / 8

LOCOMOÇÃO / /// 4

IMOBILIDADE / 1
REGISTRO DE DURAÇÃO
• O registro de duração é também um registro contínuo categorizado.
Registra o tempo de duração do comportamento.
• Utiliza um cronômetro ou um relógio de marcação.
Ex:
A) cronômetro: 10”-5”-12”-8”-9”= 44seg

B) Relógio com marcação de segundos: 10-20, 26-31, 42-54, 56-04, 25-


34= 44 seg.
Registro cursivo em amostra de tempo
• A sessão é dividida em intervalos de tempo;
• No início ou no fim de cada intervalo observa o que o sujeito esta
fazendo e registra
EX:

Observar o comportamento de alunos e professores em sala de aula.


• 10 em 10 segundos olhar em direção do sujeito e registrar o
comportamento do sujeito.
REGISTRO CATEGORIZADO EM AMOSTRA DE
TEMPO
LISTA DE ASSINALAR:
O comportamento são anteriormente definido e a sessão de
observação divida em intervalos de tempo.

EX:

Fala (F), contato físico (CF), contato visual (CV) e manipulação de


objetos (MO). Intervalo de 10 segundos.
Categorias 10 20 30 40 50 60

F / /

CF / / /

CV / / / /

MO / /
REGISTRO DE INTERVALO
• O observador registra a ocorrência do comportamento em cada um
dos períodos. Fala (F), Contato visual (CV), Contato físico (CF).
1 min 0/10 10/20 20/30 30/40 40/50 50/60

F X X X X

CV X X X X

CF X X

2 min 0/10 10/20 20/30 30/40 40/50 50/60

F X X X X

CV X X X X

CF X X
Registro de memória
• Diário: O observador registra o que o sujeito faz, ou melhor, o que
sucede em cada dia sou sessão. Ex: Relata tudo o que ocorreu em
uma sessão de psicoterapia.

• Anedótico: É a descrição sucinta de determinados episódios. Ex:


estudas as brigas dos irmãos. Solicitar a mãe o momento da briga.
Quem brigou motivo da mesma.
EVENTOS FÍSICOS E SOCIAIS

• O observador está interessados em obter dados referentes não só da


características próprias do comportamentos - duração, frequência,
formas etc.

• Esta interessado também nas circunstancias em que o


comportamento ocorre, o observador pode identificar as relações
funcionais entre os eventos.
EVENTOS FÍSICOS E SOCIAIS
• A identificação e descrição de relações funcionais permite ao cientista
analisar, predizer e alterar o comportamento, se for o caso, os eventos
observados. Ex: Investigar o choro compulsivo da criança.

• A indicação das circunstancias sobre as quais o comportamentos ocorre é


uma informação importante para o entendimento do fenômeno.

• A descrição das condições, isto é, de quando (data é horário da


observação) e onde (ambiente físico e social) a observação foi realizada, e
quem foi observado.

• Os comportamentos de uma pessoa não só alteram as condições do


ambiente, mas, por sua vez, também são afetadas por alterações que
ocorrem neste ambiente.
• Os eventos físicos: Mudança no ambiente físico, podem vir antes ou
após um comportamento. Os eventos que ocorrem antes de um
comportamento e se relacionam a este comportamento são
denominados de eventos antecedentes. Os eventos que vem após o
comportamento e se relacionam a ele são denominados de eventos
consequentes. Ex:
Eventos antecedentes Comportamento do Sujeito Eventos consequentes

S pressiona o interruptor... O ambiente se ilumina ou


escurece

Som do telefone................... S pega o telefone.


S diz: “alô”.

A porta bate e se fecha........... S se levanta


S tranca a porta
• Eventos sociais são os comportamentos das outras pessoas presentes
no ambiente. Os eventos sociais podem ocorrer antes ou após um
comportamentos do sujeitos.
• Em geral o observador registra os eventos sociais:
1. Quando a pessoa emite um comportamento em relação ao sujeito
ou ao grupo do qual o sujeito faz parte.
a) S, segurando os pacotes, passa em frente a uma loja.
Um dos pacotes cai no chão.
Um vendedor da loja pega o pacote/diz: - “oi moço, o sr deixou cair
este pacote”.
S vira-se, anda em direção ao vendedor, pega o pacote/diz: - muito
obrigado”.
b) S está no tanque de areia cavoucando um buraco, juntamente com
três outras meninas.
A professora se aproxima do grupo/diz: - Quem quer ouvir estória?”
S e as meninas gritam: - “Eu, eu, eu...”

• OBS: No primeiro exemplo, o comportamento do vendedor foi


registrado porque foi dirigido ao sujeito: no segundo exemplo, o
comportamento da professora foi registrado porque foi dirigido ao
grupo do qual o sujeito faz parte.
EVENTOS ANTECEDENTES COMPORTAMENTO DO SUJEITO EVENTOS CONSEQUENTES
1.a) S segurando pacotes passa em frente a Um dos pacotes cai no chão
Um vendedor da loja pega o pacote/diz: - uma loja...................
“oi, moço, o Sr deixou cair este pacote”...

S virar-se
S anda em direção ao vendedor.
S pega o pacote/diz: -”Muito obrigado”

1.b) S está no tanque de areia, cavoucando


um buraco com outras três crianças.
A professora se aproxima do grupo/diz: -
Quem quer ouvir estória?
S e as outras crianças gritam: “Eu,
eu,eu...............................
2. a) S escreve no caderno,
J pega a borracha de S................. S diz: - “devolva logo” J balança afirmativamente a cabeça

3. a)
J passa no corredor................................... S olha em direção a J.

3. b)
Um grupo de crianças pula amarelinha... S anda em direção às criança.
MORFOLOGIA E FUNÇÃO DO COMPORTAMENTO

• Morfologia: diz respeito á forma do comportamento, isto é, postura,


aparência e movimentos apresentados pela pessoa.

• Função: diz respeito ás modificações ou efeitos produzidos pelo


comportamento no ambiente.
EXEMPLOS:

• Quando relata-se que M esta com o ombro caído e pálida, ou move a


cabeça lateralmente para a direita, você esta focalizando os aspectos
morfológicos.

• Quando diz que M se aproxima da janela, ou que M abre a bolça,


você esta enfatizando os aspectos funcionais dos comportamentos,
isto é, os efeitos produzidos no ambiente.

• Mistas: Ênfase em ambas.