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ORGANIZAÇÃO JUDICIÁRIA

( Pressupostos processuais*)
Pressupostos processuais: Requisitos necessários para que o juiz possa apreciar o mérito
da causa, possa julgar favorável ou desfavoravelmente o pedido do autor.

Dizem respeito à relação processual,


disciplinados na lei processual.

Condições de procedência da ação: Requisitos necessários para que o tribunal possa


julgar a ação favoravelmente ao autor, possa acolher o pedido do autor.

Dizem respeito à relação substantiva,


regulados na lei substantiva

Condições de existência da ação: Requisitos necessários de possibilidade da ação.


Dizem respeito à relação processual,
*DPCD págs 115 e segs disciplinados na lei processual.
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Pressupostos processuais

Positivos Negativos
Têm que se verificar para que o juiz Aqueles cuja verificação impede o juiz
possa apreciar o mérito da causa. de apreciar o mérito da causa

 Competência
 Caso julgado (exceção)
 Personalidade judiciária
 Capacidade judiciária  Litispendência
 Legitimidade processual
 Interesse em agir
 Constituição obrigatória de advogado
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PERSONALIDADE JUDICIÁRIA Susceptibilidade de ser parte (11º), ou seja, de demandar


ou ser demandado.

Importa distinguir “parte”


Princípio da .
equiparação à em sentido formal de
Critério de aferição personalidade jurídica (11.º n.º 2). “parte” em sentido
material.

-Herança jacente (noção artº 2046:º CC) Herança indevisa.


-Patrimónios autónomos semelhantes (à herança). Exige-se a indeterminação dos
sujeitos ( p.e. arts 952 e 2033.º);
-Associações sem personalidade jurídica e comissões especiais (195º e 199 CC)
Situações de extensão -Sociedades civis (980º CC);
-Sociedades Comerciais irregulars ( arts 36.º e segs do CSC);
(12.º) -Condomínio resultante da propriedade horizontal (arts 1433.º, nº 6 e 1437.º CC);
-Os navios, nos casos especialmente previstos.
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Atribuição de personalidade judiciária ativa e/ou passiva


Situações de extensão a entidades que integram pessoas coletivas, mas que
(13.º) não são dotadas de personalidade jurídica.

Entendemos que não há extensão,


Controversa é a situação do Estabelecimento
pois o titular do património
Individual de Responsabilidade Limitada
autónomo está determinado.
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Consequências da falta de personalidade judiciária:

Indeferimento liminar da Petição Inicial (590.º).


Por regra: Insanável

Absolvição do réu (parte em sentido formal) da instância


[577.º, al. c), 576, nº 2, 278.º, nº 1 al. c]. No despacho
saneador (595.º).
Exceções:
a) Falta de personalidade judiciária das sucursais, agencias, filiais, delegações ou representações (14.º), fora
das situações previstas no artº 13.º;
b) Morte do Demandado (ainda que antes de proposta a ação); Morte do “autor” antes de proposta a ação,
mas depois de ter constituído mandatário para o efeito (351.º).
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CAPACIDADE JUDICIÁRIA Susceptibilidade de estar, por si, em juízo (15º, nº 1), ou seja,
de, por si mesmo, agir em processos pendentes em tribunal.

Sem necessidade de representação ou assistência.

“…tem por base e por medida a capacidade de exercício de


Critério de aferição direitos” (15º, nº 2). Às limitações da capacidade de exercício
corresponderão idênticas limitações à capacidade judiciária.
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Representação das entidades dotadas de personalidade jurídica


coletiva e (logo) judiciária: Nestas situações, em rigor, não está
em causa qualquer incapacidade
judiciária, ou seja, uma limitação
decorrente de uma incapacidade de
 Sociedades e (outras) Pessoas Coletivas: (25º) exercício.

Sociedades Comerciais: regem-se pela disciplina jurídica de cada tipo de sociedade, estatuída no
CSC
Associações, Fundações e Sociedades Civis: 163º e 996º, CC
Designação de representante
especial (n.º 2 25.º).
 Estado: Cabe, em regra, ao Ministério Público (24º)
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Representação de entidades não dotadas de personalidade jurídica,


mas com personalidade judiciária:

 Patrimónios autónomos: pelos seus administradores (26º);


 Sociedades e associações, sucursais, agências, filiais ou delegações: pelas pessoas
que agem como diretores, gerentes ou administradores (26º);
 Herança jacente: por um administrador ou um curador (2048º, CC);
 Condomínio: pelo administrador (1437º, nº 2, CC);
 Bens doados ou legados a nascituros: por quem os administra (2237º a 2239º ex vi
artº. 2240º, CC) que pode ser o próprio doador (art.º 952º, nº 2, CC).
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MEIOS DE SUPRIMENTO DA INCAPACIDADE As partes só podem estar/agir em juízo por


intermédio dos seus representantes ou
autorizados pelo seu curador (16º, nº1).
MENORES são representados:

 Pelos progenitores que exerçam o poder paternal: (16º, nº 2 e nº 3; 1877º, 1878º e 1881º, CC).
Se houver desacordo entre os progenitores na representação do menor: (18.º)
Subsidiariamente: pelo tutor (artigos 1921º ss, CC)

INTERDITOS são representados:


 Pelo tutor: (art.º 139º e art.º 143º, CC)

INABILITADOS são assistidos:


 Podem intervir na ação e devem ser citados quando tiverem a posição de réus (19.º) São, por
regra, assistidos pelo curador (art.º 153º, CC)
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INCAPAZES (sem representantes ou em caso de conflito de interesses)

Não tendo representantes legais ou sendo necessária a nomeação de um curador especial, deve
ser requerida a sua nomeação ao tribunal competente (17º; artigos 1921º ss, CC)

Havendo urgência na nomeação de um representante (ou curador para o inabilitado) deve requerer-
se um curador provisório no tribunal competente para a ação.

Este tribunal será igualmente competente para a nomeação de um curador especial quando:

a. Existirem conflitos de interesses (art.º 1881º, nº 2, CC);


b. Existir norma que especialmente o determine (arts 1846º, nº 3, 1870º e 1891º, CC);
c. Ocorra uma impossibilidade de facto de se proceder à citação ( 20º).
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(a quem cabe requerer o suprimento da falta…) SE A INCAPACIDADE JUDICIÁRIA DISSER RESPEITO:

Ao autor Ao réu

A nomeação de um curador deve ser É sobre o autor que recai o ónus de


promovida pelo M.P. ou por qualquer parente requerer a nomeação de curador
sucessível (17º, nº 4). (17º, nº 4).

Quanto aos Incertos: Ministério Público (22º)


Incapazes e Ausentes: Sempre que se mostre necessário: Ministério Público (21º e 23º).
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MODOS DE SUPRIMENTO DA INCAPACIDADE


A incapacidade Judiciária e a Irregularidade de
representação são sanáveis (27º, nº 1).

Autor Réu

Intervenção e ratificação do processado pelo Intervenção ou citação do seu representante


seu representante ou curador (27º, nº 2). ou curador (28º, nº 2).

Verificada uma situação de incapacidade judiciária não suprida (seja activa ou passiva) o
Juiz da causa deve providenciar pelo seu suprimento (28º).
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CONSEQUÊNCIAS DO NÃO SUPRIMENTO

Regra geral:  Absolvição do réu da instância, quando a incapacidade disser


respeito ao autor;
 Absolvição do réu da instância quando o incapaz é o réu, e o
não suprimento da incapacidade for imputável ao autor

Se o não suprimento disser respeito ao: Autor: absolvição do réu da instância


[278º, nº 1, al. c)];

Réu: sendo a ausência de intervenção ou


citação imputável ao autor (17º, nº 4): Não sendo … imputável ao autor, incumbe ao
absolvido da instância [278, nº 1, al. c)] Ministério Público a representação (21º) e, caso
este não conteste, o processo seguirá à sua revelia.
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Identico regime: nos casos de citação ou intervenção do representante em que estes não
ratifiquem nem renovem os actos praticados.
incumbe ao Ministério Público a
representação (21º) e, caso este não
conteste, o processo seguirá à sua revelia.
Estando a parte devidamente representada:

Mas faltando alguma autorização ou deliberação é dado um prazo para a obter,


suspendendo-se os termos da causa. Não sendo a falta sanada dentro do prazo:
…se era ao representante do réu que incumbia sanar a
o réu é absolvido da instância, quando a
falta, e a mesma não tiver sido sanada, o processo
mesma devesse ter sido obtida pelo autor (
segue como se este não deduzisse oposição/revelia
29º, nº 1)
(29º, nº 2)
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EM QUALQUER CASO (de incapacidade não suprida ou de irregularidade de representação),

É afastada a consequência da absolvição do réu da instância:

Sempre que nenhum outro motivo obste a que se conheça do mérito da causa
e a decisão deva ser inteiramente favorável ao incapaz (278º, nº 3)

Exemplo: “A” intenta ação contra “B” menor. A incapacidade não é suprida, por causa imputável
ao autor.

O juiz pode conhecer do mérito da causa, se a consequência for a absolvição total do pedido.