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Gabriela Martins

Letícia Bandeira
PARQUE OLÍMPICO Ludmilla Spagnolo
Nívea Scheffer
Thayla Marson
“Porém ocupar um lugar significa tomar possessão dele. Construir implica a consumação do
lugar. Assim, o construir sempre traz consigo uma certa violência, queira ou não sobre o lugar”
- Juan Borches (Arquitetura, Teoria, Lugar)
CONTEXTO DAS OLÍMPIADAS
 PAÍSES EMERGENTES E EM DESENVOLVIMENTO
 OS “LEGADOS”:

 Inspirar as massas a prática da educação física


 Turismo no país/ cidade sede
 Renovação urbana
 Ampliação de acessos a equipamentos urbanos e serviços
 Promover a imagem do País
CONTEXTO DAS OLÍMPIADAS
XXXI – QUESTIONÁRIO DE CANDIDATURA – COI (COMITÊ OLÍMPICO
INTERNACIONAL)

 AVALIAÇÃO TÉCNICA DE CADA CIDADE


 Conjunto de Instruções
 Avaliação de 17 Itens

AMBIENTE LEGAL FACILITADOR


AMBIENTE LEGAL REGULATÓRIO
CONTEXTO DAS OLÍMPIADAS
 Desde 1993, Administrações municipais voltadas para esse evento
 Elaboração do Plano Estratégico da Cidade do Rio de Janeiro – PEC RJ, na
gestão municipal de César Maia
 Uma empresa catalã assumiu a direção executiva do Plano; que foi
conduzido pela prefeitura e empresas de maneira absolutamente autoritária
e fechada à participação popular.
 Marco inicial do modelo de gestão empreendedora neoliberal no RJ.
LEGADO ‘PAN OLÍMPICO’
Marina da Glória
Velódromo
Estádio de Remo – Lagoa Rodrigo de Freitas
Arena Multiuso

ARENA MULTIUSO
Arena Multiuso
Estádio Jornalista Mario Filho
Parque Deodoro
Parque Deodoro
Parque Aquático Maria Lenk
Estádio Nilton Santos
Vila Pan-americana
LEGADO SOCIAL DO PAN
 Processo marcado por problemas;
 Orçamento foi de 390 milhões de reais, porém ao final do evento foram
computados certa de 3,5 bilhões;
 Os governos federal e municipal contribuíram com 78% do custo dos jogos,
enquanto o setor privado contribuiu apenas com 4,3%.
O PROJETO
Parque olímpico
Parque olímpico
Parque olímpico
AGENTES ENVOLVIDOS
 GOVERNO COMO O MAIOR INVESTIDOR
 FALTA DE TRANSPARÊNCIA NA DISTRIBUIÇÃO DO DINHEIRO
 EMPRESAS PRIVADAS
 COMITÊ RIO 2016, CONSULTÓRIA INTERNACIONAL, EKS/JBD, ESCRITÓRIO BCMF

 Nomes Fantasias
IMX, ODEBRECHT, E AEG, COMITÊ RIO 2016
“[...] A primeira mudança no padrão de atuação das empresas privadas que passam de
executoras de grandes obras, a gestão de equipamentos públicos” Orlando Alves dos
Santos Júnior, Christopher Gaffney
Vila dos Atletas
Vila dos Atletas

VILA DOS ATLETAS


VILA DOS ATLETAS

“A sociedade deve participar e se beneficiar dos resultados sociais e


econômicos decorrentes do evento promovido disfrutando dos benefícios de ser
cidade-sede. A política de eventos deve mobilizar os valores sociais autênticos da
localidade, a fim de que estes sejam sustentáveis e permanentes” (CANTON)
“Os eventos tornam-se impulsionados por toda a infraestrutura gerada e ao
mesmo tempo impulsionadores, responsáveis em grande parte pelo
crescimento e desenvolvimento das cidades”.
NOVA RODADA DE MERCANTILIZAÇÃO
GOVERNANÇA URBANA
Neoliberal

Relação promíscua entre poder público e o poder privado:

-PPPs
-Intervenção por exceção
LEGISLAÇÃO
ESTATUTO DA CIDADE LEI 10257 – PARTICIPAÇÃO POPULAR

“Plano diretor é o Instrumento básico de um processo de planejamento municipal


para a implantação da política de desenvolvimento urbano, norteando a ação dos
agentes públicos e privados.” (ABNT, 1991)

“O Plano Diretor pode ser definido como um conjunto de princípios e regras


orientadoras da ação dos agentes que constroem e utilizam o espaço urbano.”
(BRASIL, 2002, p. 40).
LEGISLAÇÃO NACIONAL E INTERNACIONAL
VIOLADA
MOBILIDADE URBANA
MORADIA
SEGURANÇA PÚBLICA
Orçamento

15%
19%

66%

COJO Plano do legado Matriz de responsabilidade


MOBILIDADE URBANA
IMPACTOS NO DIREITO À MORADIA
IMPACTOS NO DIREITO À MORADIA
• Os investimentos nos projetos de reestruturação das cidades que sediam grandes
eventos esportivos poderiam ser uma oportunidade para consolidar o direito à moradia
adequada.

• Porém, o que acontece é uma política de valorização imobiliária.


A Acidade
cidadedodoRio
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metroquadrado
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maiscaro
carododopaís
país.
VALORIZAÇÃO IMOBILIÁRIA
• Para os imóveis vendidos na cidade no período de 2008 a 2014 a valorização do
metro quadrado foi de 65%.

• Vidigal: favela da zona sul que recebeu UPP em 2012, e teve uma valorização de
477,3% no valor do metro quadrado no período de 2008 a 2014.
VALORIZAÇÃO IMOBILIÁRIA
Poder público como agente do processo de desapropriação de espaços:
•A política de valorização imobiliária acontece a partir dos investimentos realizados
ou incentivados pelo poder público.
• Essa valorização de determinadas áreas leva a expulsão – direta ou indireta – de
populações de baixa renda.
REMOÇÕES
• Negociações marcadas por ameaças e coações.

• Pagamentos de indenizações irrisórios.

“Três mil e quinhentas famílias foram removidas por obras e projetos ligados aos
megaeventos esportivos, e mais cinco mil ainda estão sob ameaça de remoção.”
(CASTRO, NOVAES, 2014).
Casas marcadas para remoção na Vila União de Curicica
Protesto em casa demolida na Vila Autódromo
REMOÇÕES
• A política de reassentamento teve como base a utilização de moradias do Minha
Casa Minha Vida para faixa 1 de renda.

• Essas habitações estão concentradas em áreas distantes, com baixa cobertura de


infraestrutura urbana.

• Problemas relacionados à qualidade da obra; e controle por grupos milicianos.


REMOÇÕES
• O que se percebeu foi um processo de relocação dos pobres na cidade em direção
às áreas periféricas e ABERTURA DE NOVAS FRONTEIRAS PARA O CAPITAL
IMOBILIÁRIO, seja onde essas pessoas foram realocadas, seja de onde elas foram
retiradas.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
CONSIDERAÇÕES FINAIS
• O debate sobre a realização de megaeventos esportivos é na verdade uma
discussão sobre o projeto de cidade, no caso do empreendedorismo neoliberal.

• Dessa forma, a implementação do projeto olímpico fortaleceu uma visão de cidade


orientada para os processos de acumulação do capital.
“Muitos estudiosos, como Pierre Bourdieu (1997), têm admitido a tendência
da contemporaneidade à realização de megaeventos esportivos. No entanto,
segundo ele, tem ocorrido uma espetacularização exacerbada. Os eventos têm se
convertido, segundo sua visão, em produtos comerciais, sujeitos às necessidades
da mídia em obter audiência e, mais do que isso, sujeitos à lógica de mercado das
grandes marcas que desejam atingir seus públicos e vender seus produtos.”
REFERÊNCIAS
- Artigo Megaeventos esportivos e seus legados: uma análise dos efeitos institucionais da
eleição do Brasil como país-sede. Renata Maria Toledo, Jonathan Grix e Maria Tarcisa Silva
Bega. Disponível em http://www.scielo.br/pdf/rsocp/v23n56/0104-4478-rsocp-23-56-
0021.pdf.
- Artigo O projeto Olímpico da cidade do Rio de Janeiro: reflexões sobre os impactos dos
megaeventos esportivos na perspectiva do direito à cidade. Demian Garcia Castro e Patrícia
Ramos Novaes. Disponível em
http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/10.109/3563.

Artigo Eventos Esportivos: a repercussão midiática dos Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de
Janeiro – Brasil. Revista Hospitalidade. São Paulo, v. X, n. 2, p. 408 - 421, dez. 2013.
- Artigo Empreendedorismo Urbano no contexto dos megaeventos esportivos: impactos no
direito à moradia do Rio de Janeiro. Demian Garcia Castro Patrícia Ramos Novaes
- Artigo Megaeventos esportivos e seus legados: uma análise dos efeitos institucionais
da eleição do Brasil como país-sede. Renata Maria Toledo, Jonathan Grix e Maria
Tarcisa Silva Bega http://www.scielo.br/pdf/rsocp/v23n56/0104-4478-rsocp-23-
56-0021.pdf
- Artigo O Projeto Olímpico da Cidade do Rio de Janeiro: reflexões sobre os
impactos dos megaeventos esportivos na perspectiva do direito à cidade. Demian
Garcia Castro, Christopher Gaffney, Patrícia Ramos Novaes, Juciano Rodrigues, Carolina
Pereira dos Santos e Orlando Alves dos Santos Junior.