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DISCURSO

MAINGUENEAU:
 Tomado em sua acepção mais ampla, aquela que ele tem
precisamente na análise do discurso, esse termo designa
menos um campo de investigação delimitado do que um
certo modo de apreensão da linguagem: este último não é
considerado aqui como uma estrutura arbitrária, mas como
a atividade de sujeitos inscritos em contextos
determinados. Nesse emprego, discurso não é susceptível
de plural: dizemos ·o discurso·, "o domínio do discurso”
etc. Por supor a articulação da linguagem sobre
parâmetros de ordem não linguística, o discurso não pode
ser o objeto de uma abordagem puramente linguística.

 (MAINGUENEAU, Dominique. Discurso. In: ______. Termos-chave da
Análise do discurso. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 1998. p. 43-45.)
FAIRCLOUGH:
 Ao usar o termo 'discurso', proponho considerar o uso de
linguagem como forma de prática social e não como
atividade puramente individual ou reflexo de variáveis
situacionais. Isso tem várias implicações.

Primeiro, implica ser o discurso um modo de ação, uma


forma em que as pessoas podem agir sobre o inundo e
especialmente sobre os outros, como também um modo de
representação. Trata-se de uma visão do uso de linguagem
que se tornou familiar, embora frequentemente em termos
individualistas, pela Filosofia linguística e pela Pragmática
linguística (Levinson, 1983).
 Segundo, implica uma relação dialética entre o discurso e
a estrutura social, existindo mais geralmente tal relação
entre a prática social e a estrutura social; a última e tanto
uma condição como um efeito da primeira. Por outro
lado, o discurso é moldado e restringido pela estrutura
social no sentido mais amplo e em todos os níveis: pela
classe e por outras relações sociais em um nível
societário, pelas relações especificas em instituições
particulares, como o direito ou a educação, por sistemas
de classificação, por várias normas e convenções, tanto
de natureza discursiva como não-discursiva, e assim por
diante.
 Os eventos discursivos específicos variam em sua
determinação estrutural segundo o domínio social particular
ou o quadro institucional em que são gerados. Por outro lado,
o discurso é socialmente constitutivo. Aqui está a importância
da discussão de Foucault sobre a formação discursiva de
objetos, sujeitos e conceitos. O discurso contribui para a
constituição de todas as dimensões da estrutura social que,
direta ou indiretamente, o moldam e o restringem: suas
próprias normas e convenções, como também relações,
identidades e instituições que lhe são subjacentes. O discurso
é uma prática, não apenas de representação do mundo, mas de
significação do mundo, constituindo e construindo o mundo
em significado.

 (Discurso e mudança social, p. 90-91)


 Programa Rede de Vizinhos da Polícia Militar – um discurso sobre a violência e
sobre a imagem da polícia