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Economia

Unidade 4- Comércio e Moeda

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COMÉRCIO
(Distribuição)

Os bens passam por algumas fases até estarem à nossa disposição.

Produção Distribuição Consumo

Distribuição é o conjunto de atividades económicas que visam fazer


chegar o produto do local de produção até aos consumidores finais. É
uma atividade intermediária entre a produção e o consumo.

Circuito de distribuição é o itinerário percorrido por um produto


desde o local desde o local de produção até ao consumidor final.

Canal de distribuição designa cada um dos distribuidores


(intermediários) que atuam ao longo deste itinerário.

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COMÉRCIO
(Distribuição)

Distribuição

Comércio Logística

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COMÉRCIO
(Distribuição)

Comércio

1.Grossista 2. Retalhista

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COMÉRCIO
(Distribuição)

1. Grossista: contacta diretamente com o produtor, adquirindo os


produtos em grandes quantidades, armazenando-os e vendendo-os a
outras grossistas e a retalhistas a grosso. Ex. a Makro.

2. Retalhista: adquire os produtos junto do grossista, oferecendo-os


aos consumidores nos locais e nas quantidades de que eles
necessitam.

Circuito de distribuição é o conjunto de etapas percorridas pelos


bens ou serviços, através dos diversos agentes económicos com
diferentes funções, desde o seu lugar de produção até serem
colocados à disposição do consumidor,.

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COMÉRCIO
(Distribuição)

Os vários circuitos de distribuição distinguem-se pela sua extensão, isto


é, pelo número de agentes económicos envolvidos.

Circuitos de distribuição:

1.Circuito Ultracurto

Produtor Consumidor

Quando o produtor oferece diretamente os seus produtos ao consumidor, como


é o caso de grande parte das vendas ao domicílio.

Ex: Avon

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COMÉRCIO
(Distribuição)
2. Circuito Curto

Produtor Retalhista Consumidor

Quando o número de intermediários entre o produtor e o consumidor se resume


apenas ao retalhista que compra produtos aos fabricantes e os coloca à
disposição dos consumidores, assumindo neste caso o produtor a função de
grossista.

Ex: Supermercados

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COMÉRCIO
(Distribuição)

3. Circuito Longo

Produtor Grossista Retalhista Consumidor

Quando intervêm dois ou mais intermediários entre a produção e o


consumo, desempenhando diferentes funções. Circuito mais utilizado
em produtos de grande consumo.

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COMÉRCIO
(Distribuição)
A- Tipos de Comércio- quanto à forma de organização

1.Comércio independente - constituído por retalhistas autónomos, muitas vezes


empresas familiares, normalmente de pequenas dimensões, com um único ponto de
venda.

2. Comércio integrado (ou organizado)


a) Integração empresarial - caracteriza-se pela constituição de uniões entre
os vários intervenientes (grossista e retalhista) que, por vezes, pertencem à mesma
organização empresarial. Este tipo de comércio surge da necessidade de fazer face à
concorrência.

b) Comércio associado - caracteriza-se pela constituição de alianças entre


empresas do mesmo setor e do mesmo nível de comercialização. São exemplos
as centrais de compras.

c) Franchising- Consiste num contrato entre franchisador e franchisado que,


utilizando a mesma marca, se mantêm jurídica e financeiramente independentes,
aplicando políticas de gestão comuns.
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COMÉRCIO
(Distribuição)
B- Tipos de Comércio- quanto à estratégia de comercialização

1- Comércio tradicional - é uma forma de compra e venda num


ambiente de proximidade entre vendedor e cliente, que se verifica em
espaços de pequena e média dimensão, onde vamos e compramos
através de uma base sólida de confiança, tanto na qualidade como na
escolha seletiva dos produtos.

Vantagens: a proximidade a todo o tipo de produtos, muitas vezes


produzidos pela nossa população, o que é um fator de emprego, estabilidade
e prosperidade para as famílias e que contribui fortemente para a qualidade de
vida das povoações e manutenção dos seus centros tradicionais. Absorve
uma boa parte da mão-de-obra ativa da população laboral e representa, ainda,
um apoio fundamental ao setor turístico e ao abastecimento das zonas rurais,
bem como das zonas históricas das nossas cidades.

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COMÉRCIO
(Distribuição)

O Comércio tradicional ajuda a:


Combater a desertificação populacional dos centros históricos e turísticos das
nossas cidades, bem como das zonas rurais; combater a marginalidade
através da constante movimentação da população elevando o nível de
segurança e harmonia entre a sociedade e a área comercial; proporcionar
uma zona saudável de lazer e maior animação cultural; defender a nossa
cultura, identidade, hábitos e costumes.

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COMÉRCIO
(Distribuição)
2- Hipermercados e supermercados- aqui se comercializa uma vasta
gama de produtos, desde os alimentares até ao vestuário, eletrodomésticos,
papelaria, etc.

Localizam-se em centros urbanos ou na sua periferia, bem como em centros


comerciais.

Funcionam em regime de livre serviço e distinguem-se pela área de venda de


cada um bem como pelo número de artigos comercializados.

Os supermercados discount (Lidl, Minipreço) têm crescido muito nos últimos


tempos. Comercializam produtos de marcas próprias, oferecem poucos serviços
ao cliente, o sortido é reduzido, o mobiliário e a decoração são modestos e o
número de trabalhadores é baixo. Apostam em vender muito, a preços baixos.

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COMÉRCIO
(Distribuição)
3-Centros Comerciais- Um Centro Comercial é um empreendimento de comércio
integrado num edifício ou em edifícios contíguos, planeado, construído e gerido como
uma única entidade, compreendendo unidades de comércio a retalho e áreas comuns,
com um mínimo de 500 m2 de Área Bruta Locável (ABL) e 12 lojas.

Centro Especializado: Formato integrado em empreendimento fechado ou a “a céu


aberto”, sendo classificado segundo o tipo de retalho especializado ou outra atividade
dominante e a dimensão.

Retail Park: formato que inclui lojas a retalho especializado, com acesso direto ao
parque de estacionamento comum ou a áreas pedonais, sendo classificado segundo a
sua dimensão.

Outlet: é a denominação para o novo mercado de vendas a retalho, no qual os


produtores e industriais vendem os seus produtos, geralmente grandes marcas,
diretamente ao consumidor e a preços mais reduzidos. São restos de coleção ou
produtos com pequenos defeitos.

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COMÉRCIO
(Distribuição)
4- Grandes Armazéns - oferecem no mesmo local diversas categorias de produtos
arrumados em secções, funcionando cada secção quase como uma loja especalizada.

Ex: El Corte Inglês

5- O Comércio Especializado - este tipo de comércio especializa-se num produto,


no cliente, produtos afins (relacionados), num produto/tema, etc.

Produto: talho
Cliente: loja para crianças
Produtos afins: telemóveis e acessórios
Num produto/tema: praia

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COMÉRCIO
(Distribuição)
C- Tipos de Comércio- quanto aos métodos de vendas

Venda direta Venda à distância

Por
Na loja
correspondência

Porta a
porta/domicílio Por catálogo

Ambulante Comércio
eletrónico

E-commerce M-commerce

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Moeda
(noção de moeda)
Noção de moeda:

Moeda é um bem de aceitação generalizada que representa o


valor dos bens, funcionando como um intermediário nas
trocas.

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Moeda
(noção de moeda)
No início dos tempos, não existia moeda em papel ou em metal. As transações
eram feitas de forma direta, ou seja, eram trocados produtos por outros
produtos.

A economia das sociedades existentes há 2000 e 3000 anos A.C. vivia do


sistema da troca direta de bens e serviços. Este sistema só funcionava se as
trocas fossem poucas e se houvesse «dupla coincidência de necessidades».
Quer isto dizer que, que se um pastor tivesse necessidade ou vontade de
peixe, ele iria trocar com um pescador que tivesse necessidade de carne ou de
leite.

BEM BEM

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Moeda
(noção de moeda)

Desvantagens da troca direta:


1º - Dupla coincidência de desejos e disponibilidades:
Se alguém possuísse leite e quisesse trocar por arroz, teria que
encontrar uma pessoa que estivesse na situação inversa, isto é que quisesse
leite e possuísse arroz. Esta necessidade de coincidência de desejos e
disponibilidades levava a que a troca dos produtos se efetuasse com muitas
dificuldades.

2º - Atribuição de valor aos bens:


Uma vez ultrapassado o obstáculo da coincidência de desejos, havia agora
que acordar sobre quantos kilos de leite teria que dar em troca do arroz. Isto
era outro problema que surgia com frequência.

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Moeda
(noção de moeda)

Desvantagens da troca direta:


3º - Divisibilidade ou fracionamento dos bens:
Se para alguns bens a divisão não constituía um problema, para outros
bens como, por exemplo, os animais, a sua divisão era difícil de efetuar.

4º - Transporte dos bens:


Era difícil o transporte de bens mais pesados, sendo os animais e
grandes quantidades de produtos agrícolas os exemplos mais
evidentes nas sociedades primitivas.

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Moeda
(noção de moeda)

Desvantagens da troca direta:


5º - Elevado número de transações :
Para que se obtivesse o bem desejado, era necessário, realizar, por
vezes, um grande número de transações e transporte por longos percursos.

6º - Perecibilidade de alguns bens :


Por vezes era difícil conservar alguns bens (o vinho azeda e o cereal
apodrece).

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Moeda
(evolução da moeda)
Os inconvenientes da troca direta seriam ultrapassados com a introdução de
metais preciosos, principalmente o ouro e a prata como instrumento de troca
com valor. Surgiam, então, as primeiras moedas com forma metálica.

A troca passa a ser indireta, porque surge um terceiro bem que funciona
como intermediário na troca dos bens e/ou serviços. A moeda é aceite pela
generalidade das populações e termina com as desvantagens da troca
direta.

BEM Moeda BEM

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Moeda
(evolução da moeda)

Moeda –mercadoria: bens utilizados como moeda por serem de grande


procura na época.
Desvantagens: alguns bens não eram divisíveis e outros deterioravam-se.

Moeda metálica: inicialmente não cunhada, constituída por pedaços de


metais, normalmente preciosos, como o ouro e a prata, era pesada aquando das
transações para lhe determinar o valor. Posteriormente, passou a ser cunhada
(trazia inscritos o seu valor e podia também aparecer com determinados
símbolos).
Vantagens em relação à moeda-mercadoria: maior durabilidade, maior
divisibilidade e maior facilidade no transporte.

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Moeda
(evolução da moeda)

Moeda-papel: Este tipo de moeda é constituída por certificados de depósito


(notas de Banco) correspondentes a um determinado valor monetário que
ficava à guarda dos cambistas. O seu aparecimento deveu-se ao enorme
desenvolvimento do comércio e consequente aumento da necessidade de
metais, assim como aos incómodos e riscos do seu transporte, por vezes, em
longas viagens.
É constituída por três modalidades diferentes que correspondem a três
épocas diferentes:

Moeda representativa
Moeda fiduciária
Papel-moeda

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Moeda
(evolução da moeda)

Moeda representativa (a partir dos Descobrimentos): assim chamada porque


a quantidade de notas emitidas era equivalente ao valor das moedas
depositadas. Assim as notas eram convertíveis, isto é, podiam, em qualquer
momento, ser trocadas pelo metal.

Moeda fiduciária (sec. XVIII): Passaram a circular mais notas do que a


quantidade de metal depositado. A circulação das notas era feita com base na
confiança (fidúcia) que o público tinha nos bancos. Estes eram obrigados a
converter as notas em ouro assim que fosse exigido por qualquer cliente. Se
todos os clientes dos bancos se apresentassem ao mesmo tempo para
converter as notas em ouro, estes não teriam possibilidade de o fazer.

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Moeda
(evolução da moeda)

Papel-moeda (sec XIX): Para resolver o problema da moeda fiduciária, os


governos criaram bancos emissores (Ex. atual Banco de Portugal) em quem
confiaram a emissão de moeda e, simultaneamente, decretaram a
inconvertibilidade das notas em ouro e estabeleceram o valor da moeda-papel
emitida.

Apareceu assim o papel-moeda, de curso forçado, isto é, as notas são


inconvertíveis e de aceitação obrigatória. Circulam e são aceites, não porque
o público confie na sua convertibilidade, mas porque o Estado o impôs.

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Moeda
(evolução da moeda)

Formas atuais de moeda:

Moeda- escritural: Traduz-se em registos contabilísticos pelos bancos nas


contas dos seus clientes, que previamente constituíram um depósito à ordem.
É um tipo de moeda mais recente que resulta dos depósitos bancários
previamente efetuados pelas empresas e pelos particulares e que pode ser
movimentada através de cheque, cartões de débito e de crédito.

Para além da moeda escritural, entre nós circulam atualmente a moeda


divisionária ou de trocos (moeda metálica) para pagamentos de baixo valor
e o papel moeda que são as notas de banco para pagamentos de valor mais
elevado.

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Moeda
(importância da moeda)

A utilização da Moeda na economia permite:

 O alargamento das trocas;


 A especialização do trabalho;
 O aumento da quantidade e variedade dos bens;
 O progresso económico, pois permite aplicações futuras.

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Moeda
(funções da moeda)

A moeda apresenta as seguintes funções:

 Meio de pagamento – qualquer dívida pode ser paga em moeda, já que


esta é de aceitação generalizada pelo que, em consequência, o devedor
fica definitivamente liberto dessa obrigação;

 Unidade de conta ou medida de valor – serve para exprimir o valor dos


bens, ou seja, o preço de cada bem vem expresso na moeda, permitindo,
inclusivamente, comparar o valor dos bens.

 Reserva de valor – pode ser conservada para posterior utilização, ou seja,


não sendo gasta, permite ao seu detentor a aquisição de bens no futuro.

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Moeda
(desmaterialização da moeda)
A desmaterialização da moeda significa a perda do seu conteúdo
material. Hoje a moeda circula sob a forma de pedaços de papel impressos
com um valor inscrito superior ao do material em que é feita.

Mais recentemente a moeda escritural e a moeda eletrónica (transações


realizadas através de terminais de computador) evidenciam a evolução do
processo de desmaterialização da moeda.

• Cartões de crédito e de débito


• Transferências bancárias
• Banca on-line
• Multibanco
• Comércio eletrónico
• Pagamento de serviços via internet

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Moeda
(O Euro – a moeda única europeia)
O Euro é a moeda que 12 países da União Europeia (U.E.) decidiram adotar
em comum a 1 de Janeiro de 2002. Os países que adotaram o euro (até
2004) foram: Portugal, Espanha, França, Itália, Alemanha, Irlanda, Luxemburgo, Áustria,
Holanda, Bélgica, Finlândia e Grécia. A Eslovénia juntou-se em 1 de janeiro de
2007. Chipre e Malta aderiram em 1 de Janeiro de 2008, a Eslováquia também se uniu à
zona euro no primeiro dia de 2009, e por último, foi a vez da Estónia adotar a moeda
única, em 1 de janeiro de 2011.

Estes países criaram assim um espaço comum onde circula a mesma moeda,
por isso, se designa por Zona Euro.

De fora da Zona Euro ficaram a Dinamarca, a Suécia e o Reino Unido, por não
pretenderem aderir , o que não significa que no futuro o não venham a fazer.

Para fazer parte da Zona Euro, os países tiveram que cumprir com um
conjunto de critérios necessários para convergir das antigas moedas nacionais
para a moeda única europeia.
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Moeda
(O Euro – a moeda única europeia)
Critérios de convergência nominais:

Estabilidade das taxas de câmbio das moedas nacionais durante pelo


menos dois anos;
Estabilidade dos preços, ou seja, a inflação não pode exceder em 1,5% a
média da inflação dos 3 países da UE com menor taxa de inflação;
Défice orçamental, a diferença entre as despesas e as receitas do
Orçamento do Estado deve ser igual ou inferior a 3% do PIB;
Dívida pública, tem de ser igual ou inferior a 60% do PIB;
Taxa de juro a longo prazo, não podem exceder em 2% a média das
taxas dos três países da UE com inflação mais baixa.

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Moeda
(O Euro – a moeda única europeia)
Vantagens do Euro para os cidadãos:
Facilita a comparação entre os preços dos produtos nos países
comunitários.
Reduz os custos nas deslocações, no turismo e nos negócios, visto que
não se torna necessário realizar câmbios de moedas entre países da zona
euro.
A moeda torna-se mais estável, provocando estabilidade do poder de
compra dos europeus.
Permite obter empréstimos mais favoráveis, porque os juros tendem a
baixar.
Ao criar uma economia mais estável estimula o crescimento económico,
que é um fator positivo para a criação de emprego.

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Moeda
(O Euro – a moeda única europeia)

Vantagens do Euro para as empresas:


O euro elimina os custos cambiais dentro da zona euro.
A redução dos riscos cambiais e os custos das operações financeiras tende
a fazer baixar os preços.
Facilita o comércio entre os países da UE.
Permite obter empréstimos mais favoráveis, porque os juros tendem a
baixar, estimulando o crescimento das empresas.

Alice Teixeira 33
Moeda
(O Euro – a moeda única europeia)

Desvantagens do Euro (sobretudo na fase transitória):


Sobrecarga de informação para o consumidor final, devido à dupla fixação
de preços.
Custos de preparação da introdução do euro por parte do sector bancário;
Elevado investimento em caixas automáticas, máquinas de contagem de
moedas e notas, parquímetros, máquinas registadoras, etc,.
Dupla contabilização e utilização de dois sistemas de pagamentos
diferentes.

Os governos perdem a
PRINCIPAL
capacidade de controlar
DESVANTAGEM
a taxa de câmbio.

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O Preço dos Bens
Vimos anteriormente que a moeda é a unidade de valor utilizada na
troca dos bens, sendo que é em moeda que são fixados os preços dos
bens e dos serviços que compramos.

O preço de um bem ou de um serviço é a quantidade


de moeda que é necessário despender para o obter.

A moeda expressa o valor de troca de um bem e não o seu valor de


uso. (ver Pdf)

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O Preço dos Bens

Valor de uso é diferente do valor de troca.

O primeiro é uma avaliação subjetiva da satisfação que a posse e a utilização


de um bem proporciona, num determinado momento e contexto social.

O segundo compara um bem com outro ou outros que podem ser adquiridos.
Como essa comparação é geralmente feita através da moeda, o valor de troca
de um bem coincide com o seu preço.

Alice Teixeira 36
O Preço dos Bens
A formação do preço de um bem (pricing) é um processo no qual
intervêm um conjunto de fatores dos quais se destacam:
 Os custos de produção envolvidos na produção do bem, quer sejam
custos fixos quer custos variáveis;

 O número de compradores e de vendedores: se uma empresa opera


sozinha no mercado, terá mais possibilidade de fixar o preço do que aquela
que opera num mercado em que existem muitas mais, podendo o
comprador escolher aquela que oferece um preço mais baixo;

 O preço dos outros bens quer sejam sucedâneos, quer sejam


complementares.

Alice Teixeira 37
O Preço dos Bens
 A intervenção do Estado, através da fixação de preços máximos
(medicamentos) ou mínimos (salário mínimo) ou ainda através da aplicação
de impostos indiretos (que faz aumentar o preço do bem) ou da concessão de
subsídios (que faz reduzir o preço do bem).

 A imagem de marca do bem, pois a empresa pode pretender afirmar-se


no mercado através de uma estratégia de preços mais elevados, de forma
a criar uma imagem de prestígio.

Alice Teixeira 38
A Inflação – noção
Podemos falar de inflação quando se verifica:

 Uma subida generalizada do preço de todos os bens e serviços (e


não só de um bem ou de um grupo de bens e serviços);

 Uma subida sustentada e continuada dos preços (e não uma subida


ocasional ou sazonal).

Inflação é a subida generalizada e contínua


do nível médio do preço dos bens e serviços.

Alice Teixeira 39
A Inflação
 Pela procura, quando se verifica um excesso de procura* relativamente à
oferta*;

 Pelos custos de produção, porque um aumento do custo dos salários,


das matérias primas e de outros encargos levam a que as empresas
tenham necessidade de refletir no preço dos bens esse aumento dos
custos para manterem a margem de lucro (diferença entre o preço de venda e o
preço de custo).

*procura é a quantidade de bens e serviços que os consumidores estão dispostos a


comprar a um determinado preço e oferta é a quantidade de bens e serviços que os
produtores estão dispostos a vender a um determinado preço.

Alice Teixeira 40
A Inflação
Estes dois acontecimentos estão interligados:

Se os preços sobem devido a um aumento da procura, os trabalhadores


reclamam aumento dos salários, e estes, ao subirem (caso não haja aumento
da produtividade), provocam um aumento dos custos de produção que leva à
subida dos preços o que pode levar a uma espiral inflacionista.

Analisar o esquema do manual pag. 160

Alice Teixeira 41
Tipos de Inflação
 Moderada – quando os preços sobem lentamente, apresentando taxas anuais de
um só digito (inferior a 10%).
 Galopante – quando os preços começam a subir de forma mais acelerada, a
taxas de dois ou mais dígitos. Os impactos desta subida são tão mais graves
quanto os valores que atinge, pois podemos estar a falar de valores na ordem das
dezenas, mas também das centenas.
 Hiperinflação – quando os preços sobem descontroladamente, atingindo valores
muito elevados, da ordem dos quatro ou mais dígitos.

Pode-se ainda falar de inflação esperada – quando os agentes económicos


têm a expectativa de um aumento da inflação no futuro muitas vezes passam a
ter comportamentos que antecipam a inflação, isto é, provocam uma subida
imediata da inflação.

Alice Teixeira 42
Outras situações de variação
dos preços

Desinflação: desaceleração do ritmo de crescimento dos preços.

Deflação: é uma quebra generalizada dos preços dos bens e serviços


associada a diminuição da procura, da produção e do emprego. Esta situação
encontra-se associada a períodos de estagnação económica, em que a oferta
é superior à procura não havendo capacidade para escoar a produção.
O consumo baixa consideravelmente bem como o investimento.

Estagflação: é uma fase económica que se caracteriza por um abrandamento


do crescimento económico sem, contudo, se verificar um abrandamento da
inflação. Corresponde a um período em que se verifica simultaneamente uma
elevada taxa de inflação a par com um elevada taxa de desemprego

Ler e analisar textos sobre estas questões pag 161

Alice Teixeira 43
Causas da Inflação
 Excesso de moeda em circulação – quando a quantidade de moeda em
circulação aumenta sem o correspondente aumento da produção de bens e
serviços, os preços têm tendência a subir em virtude do aumento da
procura.
 Aumento dos custos de produção – provocado quer pelo aumento dos
salários sem o correspondente aumento da produtividade quer pelo
aumento dos preços das matérias-primas essenciais ao processo produtivo,
acaba por se estender à generalidade dos bens e serviços (é o caso do
aumento dos preços do petróleo).
 Expectativas dos agentes económicos – a criação de um clima
inflacionista contribui, frequentemente, para o agravamento do próprio
processo inflacionário porque leva os agentes económicos a tentarem
antecipar os aumentos de preços, antecipando consumos (no caso dos
consumidores) ou açambarcando produtos, à espera que o preço aumente
(no caso dos produtores).
Alice Teixeira 44
Consequências da Inflação
 Desvalorização ou depreciação da moeda – se os preços sobem, isso
significa que o consumidor, com o mesmo número de unidades
monetárias vai passar a poder comprar menos bens e serviços porque o
seu preço subiu, logo, a moeda perdeu valor.

 Diminuição do poder de compra – com o seu rendimento mensal, as


famílias têm um determinado poder aquisitivo, isto é, um determinado
poder de compra que se vai deteriorando à medida que os preços vão
subindo. Ela é muito mais gravosa para as famílias com rendimentos
fixos ou cujos os rendimentos aumentam proporcionalmente menos que
o aumento dos preços, como normalmente acontece com os
pensionistas, por exemplo.

Alice Teixeira 45
Nível de vida e custo de vida
O nível de vida é avaliado pelo conjunto de bens e serviços que uma
pessoa pode adquirir com o seu rendimento. Está relacionado com o poder de
compra na medida em que quanto mais poder de compra o indivíduo tiver,
maior é o seu nível de vida e vice-versa.

O nível de vida depende do custo de vida, isto é, do nível geral de preços e,


assim, se verifica que estes três conceitos se encontram interrelacionados.

Alice Teixeira 46
Inflação e valor da moeda
Sendo o preço a quantidade de moeda que temos que gastar para
obter um determinado bem ou serviço, se o seu preço aumenta, isso
significa que teremos de dar uma maior quantidade de moeda para o
obter, o mesmo é dizer que o valor da moeda se depreciou pois aquela
quantidade já não é suficiente para pagar o valor desse bem ou
serviço.

Inflação e poder de compra


A inflação reflete-se também direta e indiretamente no poder de
compra das pessoas. Consideremos que o rendimento da população
se mantém constante, logo um aumento generalizado do preço dos
bens e serviços irá traduzir-se numa menor capacidade de adquirir
bens e serviços, ou seja numa deterioração do seu poder de compra.

Alice Teixeira 47
A medida da Inflação - IPC

Os preços sofrem alterações, sob a forma de aumentos ou de diminuições.


Para se medir a evolução dos preços existe um índice que explica as
alterações ocorridas – o Índice de Preços no Consumidor (IPC), que é um
indicador que mede as variações nos preços dos bens e serviços de qualidade
constante que as famílias consomem.
Este índice é calculado com base num “cabaz de compras” que é um
Conjunto de bens e serviços representativo da estrutura de consumo de uma
população, num determinado período de tempo. Calcula-se, então, o preço
desse cabaz num determinado ano, que escolhemos como ano-base, e,
depois, no ano que queremos analisar e comparamos.

Alice Teixeira 48
A medida da Inflação - IPC
Suponhamos que o dito cabaz, em 2000, custava 2500€, e passou a
custar, em 2001, 2575€.

preço do cabaz no ano 2001


IPC2001/2000 = x 100
preço do cabaz no ano base (2000)

IPC2001/2000 = 2575 x 100 = 103


2500

IPC2001/2000 = 103
O valor de 103 para o IPC 2001/2000 significa que aquilo que no
ano 2000 se podia comprar com 100€ (o índice do ano-base é sempre
100) passa a comprar-se em 2001 com 103€.
Esta é a forma mais utilizada de medir a inflação.
Alice Teixeira 49
A medida da Inflação - IPC
Como se calcula o IPC:

1º - Através de inquéritos realizados junto de uma amostra significativa


de famílias de várias regiões do país, determinam-se as
quantidades de cada bem que cada família consome durante um
ano e o respetivo peso que ocupam nas despesas familiares,
constituindo-se assim “um cabaz de bens e serviços”.

2º - Calcula-se o preço desse “cabaz” para um determinado ano


considerado como base (ano base);

3º - Calcula-se o preço do mesmo cabaz para o ano que se pretende


analisar;

4º - Relaciona-se o preço dos dois “cabazes” obtidos.

Alice Teixeira 50
A medida da Inflação - IPC
Exemplo:
Consideremos por hipótese que o preço do cabaz em 2002 era de
750€ e que em 2003 era de 1000€. Procederíamos da seguinte forma:

IPC03/02 = 1000 x 100 = 133,3


750

Este resultado significa que:


 O que se comprava em 2002 por 1€ compra-se em 2003 por 1,33€;

 Os preços aumentaram 33,3%.

Da mesma forma se pode avaliar a variação do preço de um bem


I ano x/ano base = Preço do bem no ano x100
Preço do bem no ano base
Alice Teixeira 51
Importância do índice de
preços
Permite:
 Calcular a inflação;

 Negociar salários;

 Indexar as reformas ao valor da inflação;

 Avaliação da política de preços pelo governo;

 Calcular o consumo real (quantidades)das famílias, eliminando o efeito de


subida dos preços;
 Medir a competitividade da economia.

Alice Teixeira 52
Taxa de Inflação/IPC
Considerando o exemplo (diapositivo nº 50) podemos calcular a taxa de inflação
da seguinte forma:

Tx Inflação do ano N = IPC N – IPC N-1 x100


IPC N-1

133,33 – 100 x100 = 33,33% em que a taxa de inflação representa a taxa de


100 crescimento do IPC entre dois momentos

Alice Teixeira 53
Taxa de Inflação Homóloga

A taxa de inflação mensal, que compara a variação dos preços no


consumidor entre dois meses consecutivos

Alice Teixeira 54
Taxa de Inflação/IPC

Tx Inflação do mês n = IPC do mês n – IPC do mês n-1 x100


IPC do mês n-1

Alice Teixeira 55
Taxa de Inflação Homóloga

A taxa de inflação homóloga, que compara a variação do preço do


“cabaz” num determinado mês, com o preço do “cabaz” no mesmo
mês do ano anterior (mês homólogo).

Alice Teixeira 56
Taxa de Inflação/IPC
Taxa de inflação homóloga mensal

Tx Infl. homóloga do mês n = IPC do mês n do ano N – IPC do mês n do ano N-1 x100
IPC do mês n do ano N-1

Alice Teixeira 57
Taxa de Inflação Média Anual

A taxa média de inflação ou taxa de inflação média anual,


que expressa a média das taxas homólogas dos últimos doze
meses .

Ler o 4.6 da pag 166 do manual

Alice Teixeira 58
Taxa de Inflação/IPC
Taxa de inflação média dos últimos 12 meses

Tx Infl. média dos últimos 12 meses

= IPC médio dos últimos 12 meses– IPC médio dos 12 meses anteriores x100
IPC médio dos 12 meses anteriores

Alice Teixeira 59
A Inflação em Portugal e na
União Europeia
- Deterioração( agravamento) das condições de vida dos cidadãos, em geral,
e daqueles que auferem(recebem) rendimentos fixos em particular.
Ex: Indivíduos que vivem de:
- Juros de capitais depositados
- Rendas
- Pensões de reforma
- Subsídios de desemprego

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