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Fundação Universidade Federal de Rondônia – UNIR

Núcleo de Ciências Humanas


Departamento de línguas Vernáculas
Programa de Pós-Graduação em Letras
Mestrado Acadêmico em Letras

FILOSOFIA DA CIÊNCIA: INTRODUÇÃO AO JOGO E SUAS


REGRAS
ANÁLISE DO CAPÍTULO 10
AS CREDENCIAIS DA CIÊNCIA

DISCIPLINA: EPISTEMOLOGIA DOS ESTUDOS CULTURAIS PÓS - CRÍTICOS


MESTRANDO: JEFERSON APARECIDO LIMA DE OLIVEIRA
Kant, Comte, Freud e Marx, todos eles acreditam no
advento de uma ciência livre de emoções.

 Kant denunciava as paixões como “cancros da razão pura”.


Comte falava dos três estágios do pensamento: o mais primitivo,
habitado por mágicos e sacerdotes e representado pela
imaginação, enquanto o último era constituído de cientistas,
sábios o bastante para amordaçar a imaginação. Entre os dois, a
fase do pensamento metafísico. Freud caminha na mesma
procissão e saúda o pensamento científico como o que,
definitivamente, abandonou as fantasias e se ajustou à realidade.
 Entretanto, eles estavam errados. As teorias nascem com os
sonhos, as fantasias, em meio à visão dos místicos, ao prazer
de charutos, ao lazer de caminhadas, ao amor intelectual pelos
objetos. As pessoas acham que na ciência as ideias se impõem
pelo peso das evidências. Errado. No início, o cientista que
pela primeira vez contempla uma nova verdade se vê numa
aterradora solidão. O inovador está só. E contra a sua visão se
levanta o peso de centenas, por vezes milhares de anos.
Incontáveis experiências bem-sucedidas.
 A ciência é uma entre muitas outras atividades com que se
ocupam as pessoas comuns. Assim sendo, também
apresenta características constantes no senso comum,
como é o caso do dogmatismo. A ciência é dogmática.
Novas ideias são impostas a contragosto. Geralmente, a
Igreja é descrita como a vilã em oposição ao “mocinho”.
Todavia, contra Galileu falava a ciência da época,
acidentalmente incorporada na Igreja.
 E como os cientistas chegam às descobertas? No momento
que uma ideia nova é gerada, o cientista conta com apenas
duas coisas para sustentá-la: primeiro, o amor com que ele a
concebeu; segundo, a promessa que lhe faz a nova visão,
de abrir novos campos. Não existe um método para a
descoberta de uma teoria, mas como no discurso científico
só entram proposições sobre as quais se pode tomar uma
decisão quanto a serem verdadeiras ou falsas, essas teorias
podem ser metodicamente testadas.
 É somente o teste das declarações que irá tornar possível a
decisão de serem elas verdadeiras ou falsas. Se houver uma
declaração qualquer que não possa ser testada, essa mesma
declaração estará fora do jogo em que é fundamental poder dizer
“falso”, “verdadeiro”.
 “Falso” e “verdadeiro”, porém, que jamais podem ser afirmados
com absoluto grau de certeza. Não há verificabilidade de teorias, e
sim a testabilidade delas. Uma teoria somente pode ser testada,
sendo que os únicos testes possíveis são aqueles que,
eventualmente, podem demonstrar a falsidade de seus
enunciados.
 Não se quer dizer que uma teoria só pode ser considerada
científica se for provada falsa. Ao contrário: se uma teoria
não puder ser provada falsa, eventualmente, isso significa
que ela não pode ser corrigida pela experiência. Tal critério é
decepcionante. Na realidade, o que queremos é a verdade.
E é justamente isso que nos é negado. Apenas podemos
chegar a um talvez.
 A testabilidade, portanto, pode mostrar que uma teoria é
falsa ou que talvez seja verdadeira. Para fins práticos,
entretanto, o talvez é satisfatório. Concluindo este item,
podemos dizer que a credencial de qualquer declaração,
para que ela tenha entrada no submundo da ciência, é a sua
falsificabilidade, porque não há métodos que nos permitam
concluir acerca de sua verdade de forma definitiva. Podemos
ter certeza quando estamos errados, mas nunca podemos
ter certeza de estarmos certos.
 Diante de tudo isso, concluímos que o cientista
não é o dono da verdade.