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DIREITO PENAL IV

Aula 5

Prof. Me Renato A de A Philippini


LEI DE DROGAS / ANTIDROGAS
LEI Nº 11.343, DE 23/08/06
LEI DE DROGAS / ANTIDROGAS
LEI Nº 11.343, DE 23/08/06

▪ Revogou a Lei nº 6.368/76, que se referia a


substancias entorpecentes, expressão tecnicamente
incompleta.

▪ Passou a utilizar o termo DROGAS.


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▪ As DROGAS podem ser divididas em 3 espécies:

1 – ENTORPECENTES (psicolépticas): depressoras do


sistema nervoso central; causam torpor, sono, moleza.

Ex: morfina, barbitúricos, ópio, clorofórmio.


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2 – ESTIMULANTES (psicoanalépticas): excitam o


sistema nervoso central; causam agitação.

Ex: êxtase, cocaína, crack, anfetaminas (rebite).


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3 – ALUCINÓGENAS (psicodislépticas): perturbam o


sistema nervoso central; causam despersonalização, em
menor ou maior grau (alucinação).

Ex: sintéticos (LSD); derivados da maconha (haxixe,


THC); derivados de indólicos (cogumelo e outras
plantas)
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▪ Para os fins da Lei 11.343/06, o conceito de droga


encontra-se no art. 1º, parágrafo único:

Parágrafo único. Para fins desta Lei, consideram-se


como drogas as substâncias ou os produtos capazes de
causar dependência, assim especificados em lei ou
relacionados em listas atualizadas periodicamente pelo
Poder Executivo da União.
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▪ Portanto, para que seja droga pela Lei 11.343/06  2


requisitos:

1 – conter o princípio ativo (capacidade de causar


dependência física ou psíquica)
+
2 – constar em lista legal ou regulamentar (norma
penal em branco)  Portaria 344/98 da Secretaria de
Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde.
 rol taxativo (não admite analogia ou interpretação
extensiva).
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▪ Art. 28 – Crime de posse de drogas para uso


pessoal.
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▪ Art. 28 – Crime de posse de drogas para uso


pessoal.

5 Verbos (núcleos) :

Adquirir (ganhar; trocar, comprar)


Guardar
Manter em depósito
Transportar
Trazer consigo

Obs: a doutrina entender ser possível a tentativa apenas na modalidade


“adquirir”
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▪ “para consumo pessoal” (elemento subjetivo do tipo)

▪ “sem autorização ou em desacordo com


determinação legal ou regulamentar” (elemento
normativo do tipo – exige um juízo de valor)
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▪ “para consumo pessoal” (elemento subjetivo do tipo)

 encontra-se na mente do autor. Mas a lei fornece


elementos para tal aferição (art. 28, §2º)

“§ 2º Para determinar se a droga destinava-se a


consumo pessoal, o juiz atenderá à natureza e à
quantidade da substância apreendida, ao local e às
condições em que se desenvolveu a ação, às
circunstâncias sociais e pessoais, bem como à conduta e
aos antecedentes do agente”
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▪ Critérios para avaliar se é “para consumo pessoal”


(art. 28, §2º):

1- quantidade e qualidade da droga (ajuda a


fundamentar, mas não é exclusivo).  adoção do
critério do reconhecimento judicial (e não do critério
da quantificação);

2 – os antecedentes, a personalidade, a condição social


do autor;

3 – o local e as condições da ação.


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▪ Objetividade jurídica do art. 28  saúde pública.

O uso não é incriminado, é atípico  veja os 5 núcleos


do artigo 28  aplicação do princípio da alteridade ou
transcendentalidade  a lei só vai punir se a conduta
transcender a figura do autor e atingir outro (altero).

A posse para uso é crime. Conforme o STF, pune-se o


perigo social da circulação de drogas; para o Supremo,
os crimes de drogas são de perigo abstrato/ presumido,
não importando a quantidade.
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▪ A detenção para consumo imediato é atípica (“tapa na


caximbeta”).
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▪ Plantio para consumo pessoal

Art. 28,§ 1º Às mesmas medidas submete-se quem,


para seu consumo pessoal, semeia, cultiva ou colhe
plantas destinadas à preparação de pequena
quantidade de substância ou produto capaz de causar
dependência física ou psíquica.

Obs: Convenção de Viena, 1971 – para fins ritualísticos


ou religiosos, não é crime.
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▪ Penas (tanto do caput quanto do §1º). Aplicação


isolada ou cumulativa:

- Admoestação verbal
- Prestação de serviços comunitários (até 5 meses ou
10, no caso de reincidência)
- Comparecimento obrigatório a cursos

Não-cumprimento  máximo uma multa (40-100 dias-


multa – de 1/30 a 3x salário mínimo)

Despenalização (da priv. de lib.) / Desencarcerização.


Não houve descriminalização (é crime, gera
reincidência)
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▪ Competência do JECRIM, com todos os seus


benefícios.

Art. 69, Lei nº 9.099/95 – Não há APF. Ainda que o autor


não se comprometa a comparecer ao Juizado, pois não
há pena privativa de liberdade.

Prescrição – 2 anos
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▪ Art. 33 – Tráfico de drogas


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▪ Art. 33, caput – 18 tipos/ núcleos:

Importar, exportar, remeter,


preparar, produzir, fabricar,
adquirir, vender, expor à venda, oferecer, ter em
depósito,
transportar, trazer consigo,
guardar,
prescrever, ministrar, entregar a consumo ou fornecer
drogas

 Não há necessidade de lucro.


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▪ Art. 33, caput – trata-se de um tipo misto (contém


vários núcleos)  alternativo ou cumulativo ?
Alternativo, principio da consunção [alternatividade]
(caso haja nexo, preparação ou consequência),
respondendo por 1 único crime.
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▪ Fornecer droga para criança / adolescente.

Princípio da especialidade  se for droga, art. 33, Lei


11.343 / qualquer outra substância 243, ECA (gasolina,
cola de sapateiro)
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▪ Pena: Pena - reclusão de 5 a 15 anos e pagamento de


500 a 1.500 dias-multa.

Art. 44. inafiançáveis e insuscetíveis de sursis, graça,


indulto, anistia e liberdade provisória, vedada a
conversão de suas penas em restritivas de direitos
(STF).
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▪ Art. 33, §1º, Figuras equiparadas (mesmas penas)


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▪ Art. 33, §1º, I – Tráfico de matéria-prima

I - importa, exporta, remete, produz, fabrica, adquire,


vende, expõe à venda, oferece, fornece, tem em
depósito, transporta, traz consigo ou guarda, ainda que
gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com
determinação legal ou regulamentar, matéria-prima,
insumo ou produto químico destinado à preparação de
drogas;

Não precisa visar lucro. Não precisa estar ter princípio


ativo , nem constar na Portaria 344 (por exemplo, éter e
acetona). Não precisa o dolo de produzir.
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▪ Art. 33, §1º, II – Plantio para tráfico

II - semeia, cultiva ou faz a colheita, sem autorização ou


em desacordo com determinação legal ou regulamentar,
de plantas que se constituam em matéria-prima para a
preparação de drogas;
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▪ Art. 33, §1º, III – utilização de local para fins de tráfico.

III - utiliza local ou bem de qualquer natureza de que tem


a propriedade, posse, administração, guarda ou
vigilância, ou consente que outrem dele se utilize, ainda
que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo
com determinação legal ou regulamentar, para o tráfico
ilícito de drogas.
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▪ São hediondos – art. 33, caput e §1º, I, II e III.


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Outros crimes
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▪ Induzimento, instigação ou auxílio ao uso

Art. 33, § 2º Induzir (dar a ideia), instigar (reforçar ideia


preexistente) ou auxiliar (apoio, sem ser o fornecimento)
alguém ao uso indevido de droga:

Pena - detenção, de 1 a 3 anos, e multa de 100 a 300


dias-multa.

Sobre pessoa determinada. O uso deve ser efetivo


(cabe tentativa).
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▪ Uso compartilhado de drogas

§ 3º Oferecer droga, eventualmente e sem objetivo


de lucro, a pessoa de seu relacionamento, para
juntos a consumirem:

Pena - detenção, de 6 meses a 1 ano, e pagamento de


700 a 1.500 dias-multa, sem prejuízo das penas
previstas no art. 28.