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MEMÓRIA COLETIVA

Maurice Halbwacs
INTRODUÇÃO

 Na medida em que os homens multiplicam suas


relações, cada um deles toma cada vez mais
noção de sua individualidade.
 Se o social se confunde com o consciente, deve se
confundir também com a rememoração em todas
as suas formas.
MEMÓRIA COLETIVA E MEMÓRIA INDIVIDUAL

 Fazemos apelo aos testemunhos para fortalecer


ou debilitar, mas também para completar o que
já sabemos de um evento sobre que já estamos
informados de alguma forma embora algumas
circunstâncias estejam obscuras.
 E a primeira circunstância a que podemos apelar
é nós mesmos.
 Se o que vemos hoje tomasse lugar no quadro de
memórias antigas essas lembranças se
adaptariam ao conjunto de nossas percepções
atuais.
 Tudo se passa como se confrontássemos diversos
depoimentos. Como concordam no essencial,
mesmo com algumas divergências, é possível
reconstruir um quadro de lembranças de forma a
MEMÓRIA COLETIVA E MEMÓRIA INDIVIDUAL

 Nossa impressão pode apoiar na nossa lembrança


e na lembrança dos outros. Assim, nossa
confiança na evocação será maior, como se uma
mesma experiência fosse recomeçada por várias
pessoas.
 Nossas lembranças permanecem coletivas e são
lembradas pelos outros, mesmo que se tratem de
acontecimentos em que somente nós estejamos
envolvidos, pois nunca estamos sós.
 Não é necessários que outros estejam lá, que se
distingam de nós, pois temos sempre em nós uma
quantidade de pessoas que não se confundem.
 Minha lembrança não está só, pois trago o que
MEMÓRIA COLETIVA E MEMÓRIA INDIVIDUAL
 Eles me ajudam a lembrar, pois me volto para ele,
adoto temporariamente seu ponto de vista, entro no
seu grupo, sofro seu impulso e encontro muito mais
ideias a que não teria chegado sozinho.
 O autor começa a abordar o esquecimento pelo
desapego do grupo. Ele fala que para recordar ou
relembrar, as testemunhas, indivíduos presentes
sobre uma forma material e sensível são dispensáveis.
Aqui acho que testemunha é o “ele”, o sujeito a que se
refere a lembrança.
 As pessoas podem descrever fatos e lugares em que,
segundo elas, estivemos, sem que nos lembremos.
 Ele mais tarde alega que não basta que eu tenha
participado, que outras pessoas também ou tenham
apenas visto e depois me contado para que eu possa
me lembrar.
MEMÓRIA COLETIVA E MEMÓRIA INDIVIDUAL
 O autor fala que as imagens impostas pelo meio
podem alterar a nossa impressão de um fato antigo.
As lembranças acrescentadas podem até mesmo
serem fictícias.
 Pode ocorrer o contrário: o relato de terceiros pode ser
mais verdadeiro do que o que achamos que
lembramos.
 O relevante é que tanto em um como em outro, as
lembranças se fundem a nossa.
 O autor defende que sempre haverá a necessidade de
ter uma rememoração nossa para que haja uma
massa de lembrança.
 Ou seja, mesmo que haja a impressão de que sem o
depoimento de outras pessoas eu não me lembraria do
fato, quando há somente essa contribuição externa,
não se tratará de uma lembrança.
MEMÓRIA COLETIVA E MEMÓRIA INDIVIDUAL
 Segundo o autor, temos pontos em comum com
aquelas testemunhas, participamos de um mesmo
grupo, nos identificamos com eles e confundimos
nossas lembranças com as deles. Não perdemos o
hábito de pensar e de lembrar como membros daquele
grupo.
 Pelo que eu entendi, quando se deixa de participar do
grupo, ou quando o grupo deixa de existir as
lembranças se esvaem. E ainda, quando não distinção
das ações.
 Exemplo do mestre: para os alunos é fácil se lembrar
de algum fato das aulas; eles tem a mesma idade,
frequentam os mesmos lugares, grupos e até mantem
contato depois da escola. O professor não. Apenas dá
sua aula. E sempre a mesma aula. O que não marca
destaque. Acabou o ano, nova turma, mesmos fatos.
Não existe grupo permanente do qual o professor faça
parte, para repensar, se recolocar e se recordar.
MEMÓRIA COLETIVA E MEMÓRIA INDIVIDUAL

 Todas as recordações que poderiam nascer


apoiavam uma sobre as outras do grupo e não em
relações exteriores.
 A memória tem duração limitada pela força das
coisas e pela duração do grupo. Mas algumas
comunidades derivadas desse grupo podem ainda
existir, mantendo alguma lembrança e fazendo os
outros tentarem se lembrar, mas não se lembram
por terem sido excluídos do grupo.
MEMÓRIA COLETIVA E MEMÓRIA INDIVIDUAL
 Ao mesmo tempo em que tentarão nos fazer lembrar,
mas não conseguiremos por não estarmos mais postos
em contato, nos relacionando; também nós nos
lembraremos daquilo que somente nós tivemos
contato, impressões que somente nós tivemos.
 A memória individual então é oposta à coletiva e é
condição necessária e suficiente para o ato de lembrar
e de reconhecer lembranças? O auto diz “de modo
algum”.
 A memória coletiva é suprimida quando não fazemos
mais parte do grupo cuja memória ele conservava. É
preciso que minha memória tenha contato com as
demais, ela não pode ter cessado de concordar com as
memórias do grupo, fazendo com que as lembranças
que nos recordam possam ser reconstruídas sobre um
fundamento comum.
MEMÓRIA COLETIVA E MEMÓRIA INDIVIDUAL

 É necessário que essa reconstrução se opere com


dados que estão tanto no nosso espírito como no
de outros.
 As lembranças passam de um para outro, por isso
que devem fazer parte de uma mesma sociedade.
Somente assim elas podem ser reconhecidas e
construídas. Tanto no caso de não
compartilharmos uma memória trazida pelo
grupo, por não mais mantermos o contato,
quando no caso de só nós lembrarmos, pois essa
lembrança pode nos ser fictícia ou produzida pela
nossa reação pessoal.
 A memória coletiva abrange a minha e a deles.
MEMÓRIA COLETIVA E MEMÓRIA INDIVIDUAL

 Há a possibilidade de uma memória estritamente


individual?
 Até aqui temos que só conseguimos nos lembrar
se nos colocarmos no ponto de vista de um grupo
de que fazemos parte; um grande número de
lembranças aparecem quando recordadas por
outros homens; e que é possível falar de memória
coletiva mesmo quando eles não estão presentes
materialmente, justamente porque evocamos um
acontecimento que teve lugar na nossa vida, na
vida do grupo.
MEMÓRIA COLETIVA E MEMÓRIA INDIVIDUAL
 Uma memoria coletiva é estabelecida pelo contato das
minhas memorias com a dos outros. Assim se a
lembrança recordada por terceiros não é suficiente
para me fazer lembrar isso é porque ha muito não
fazemos parte do grupo que a conserva.
 Ao mesmo tempo nossa memoria individual não pode
ser conhecida apenas pela gente...essa é uma acepção
que gera possibilidade de outras influencias criarem
ate ilusões. Ate ela deve ser construa sobre dados ou
noções em comum que se encontram tanto em nosso
espírito como no dos outros.
 Elas passam destes para aqueles e vice versa e isso só
será possível se eles fizerem parte de uma mesma
sociedade. Só assim uma lembrança pode ser
reconhecida e construída.
MEMÓRIA COLETIVA E MEMÓRIA INDIVIDUAL

 Da possibilidade de uma memoria estritamente


individual: concedemos ao que uma lembrança
aparecera porque foi recordada por outro homem;
ou q mesmo que esse homem não esteja presente
falaremos de memoria coletiva quando evocarmos
um acontecimento que teve lugar na vida de um
grupo que considerávamos e que consideramos no
momento em q nos lembramos do ponto de vista
desse grupo.
 E desde que ele não questione essa condição de
lembrar por um grupo para continuarmos a fazer
parte desse grupo.
MEMÓRIA COLETIVA E MEMÓRIA INDIVIDUAL
 Mesmo sozinho em casa o homem se vê como pertencente a
um grupo. Mas será q tem como ele se lembrar sem q essa
lembrança esteja relacionada a um grupo porque o evento
em que ela se reproduz foi recebido por nos quando
estávamos sós? E digo sós não só na aparência mas na
essência, sem que a imagem se desloque para qualquer
grupo.
 A memoria coletiva não explica todas as lembranças e não
explica por si só a evocação de qualquer lembrança.
Haveria então na base da lembrança um estado de
consciência puramente individual - diferente de percepções
em que entram pensamentos sociais - tal que admitiremos
que se chame intuição sensível.
 É necessário haver algo de nós algo nosso e não apenas
material de terceiros na constituição da memoria. Essa
memoria estaria livre de imagem pensamento de homens e
grupos que nos rodeavam. São sensações de reflexo dos
objetos exteriores. É assim que acontece com as lembranças
da infância, pois não temos qualquer relação ou esteio com
algum grupo.
MEMÓRIA COLETIVA E MEMÓRIA INDIVIDUAL

 Nas lembranças de adulto podemos cair na


mesma ilusão: acharmos que ela é pura, mas no
fundo encontrarmos a relação do indivíduo com
um dado grupo, que os pensamentos de um e de
outro se encontrem em seu espírito.
 E ainda dentro desta questão, como saber qual a
impressão gerada, se um só tem ao outro?
 Essa lembra está compreendida dentro de dois
quadros e um impede de ver o outro. A atenção
está fixada apenas em seu ponto de contato.
 Quando percebemos dois pensamentos, eles se
tocam porque existem em dois grupos, de onde
são tirados, sem notar que consideramos esses
dois grupos, porém cada um no ponto de vista do
outro.
MEMÓRIA COLETIVA E MEMÓRIA INDIVIDUAL
 No primeiro plano da memória de um grupo se destacam as
lembranças dos acontecimentos e das experiências que
concernem ao maior número de seus e que resultam quer
de sua própria vida quer de suas relações com os grupos
mais próximos, de contato mais frequente com ele.
 Agora, aquelas que concernem a um pequeno grupo ou a
um único membro que estejam compreendidas em sua
memória – já que ao menos em uma parte se isso se produz
dentro de um limite – passam para o ultimo plano.
 Mesmo que haja contato total, correspondência total entre
dois elementos, torna-se necessário uma identificação para
o que, de sua experiência, que era estranho a um ou a
outro, se achasse assimilado em seu pensamento comum.
 Na verdade, dois indivíduos que estão longe, mesmo
compartilhando todas as informações deixarão passar
alguma coisa do que vão experimentar na sociedade e grupo
em que estão.
MEMÓRIA COLETIVA E MEMÓRIA INDIVIDUAL
 Um grupo entra em relação com outro. Há acontecimentos
que resultam de contatos semelhantes, contatos
permanentes ou que se repetem com frequência e se
prolongam durante uma duração bastante longa.
 Ele nos dá um exemplo que nos ajuda a perceber isso:
pense em uma família que vive há muito tempo em uma
cidade. Temos aí os dois quadros de um indivíduo: um
pertencente à família outro à cidade. Assim, temos
lembranças comuns aos dois grupos, pertencentes aos dois
quadros. Isso obviamente porque ele pertence aos dois
quadros. Mas também há momentos, de acordo com os
interesses, que se referem hora à família, hora à cidade. E
se o indivíduo se mudar, ele terá dificuldade em se lembrar
daquilo que ele só se lembrava porque estava submerso nas
duas correntes de pensamento coletivos; agora experimenta
quase que exclusivamente um deles, apenas.
 É preciso que haja uma combinação entre esses dois
quadros para que a lembrança seja construída e
MEMÓRIA COLETIVA E MEMÓRIA INDIVIDUAL

 Na parte da lembrança individual como


interferência para a lembrança coletiva ele
começa relatando que frequentemente atribuímos
a nós mesmos lembranças como se elas não
tivessem outra origem que não em nós, em nossas
reflexões, ideias, paixões, que nos foram
inspirados por nosso grupo.
 Isso porque estamos tão afinados com os demais
que não sabemos onde começa e onde terminam
as vibrações, em nós ou nos outros.
 Cada vez mais sentimentos, pensamentos e
reflexões nossas são de grupos e achamos que
estamos sendo livres.
 Obedecemos a influências sociais sem
percebermos.
MEMÓRIA COLETIVA E MEMÓRIA INDIVIDUAL
 Muitas das vezes as diferentes correntes coletivas se
cruzam em nós e produzem sentimentos complexos, onde
queremos ver acontecimentos únicos, que não existirá a
não ser para nós.
 As influências sociais são mais complexas por serem mais
numerosas e entrecruzadas.
 As vezes limitamo-nos a observar que nosso passado
compreende duas espécies de elementos: aqueles em que é
possível evocar quando queremos e aqueles que não
atendem ao nosso apelo.
 Os primeiros estão no domínio comum, são familiares,
facilmente acessíveis para mim e para os outros.
 A ideia que representamos mais facilmente, composta d
elementos tão pessoais e particulares quanto quisermos, é a
ideia que os outros tem de nós; e os acontecimentos que
estão mais presentes são aqueles mais gravados na
memória do grupo mais próximo de nós.
 Conseguimos acessar e nos lembrar quando
quisermos, pois nos apoiamos nos outros,
MEMÓRIA COLETIVA E MEMÓRIA INDIVIDUAL

 Já os que não podemos acessar livremente,


quando bem entendermos, são lembranças que só
cabem a nós.
 No caso dos primeiros, todos os elementos, todas
as ligações entre esses elementos nos são
familiares, estando em grupos em que estamos
livres para passearmos.
 No caso das segundas, os grupos que a trariam
para nós estão mais distantes; estamos em
contato com eles de modo intermitente. Não
sabemos os caminhos pelos quais esses grupos se
comunicam. E são esses caminhos que nos trazem
as lembranças que nos dizem respeito.
MEMÓRIA COLETIVA E MEMÓRIA INDIVIDUAL

 Essas lembranças pessoais, que parecem não


pertencer a ninguém senão a nós mesmos, podem
se encontrar em meios sociais definidos e ali se
conservar. E os membros desses grupos de que
não fazemos parte saberiam nos mostrar, se os
interrogássemos como necessário.
 A memória coletiva tira sua força e duração de
um grupo de homens que se lembram, enquanto
membros do grupo.
 Dessa massa de lembranças comuns que se
apoiam umas sobre as outras não são as mesmas
que aparecerão com a mesma intensidade para
cada um deles.
MEMÓRIA COLETIVA E MEMÓRIA INDIVIDUAL

 Cada memória individual é um ponto de


vista sobre a memória coletiva. Esse ponto de
vista depende do lugar que eu ocupo e este lugar
depende das relações que eu mantenho com
outros meios. Ao tentarmos explicar essa
diversidade voltamos a uma combinação de
influências que são todas sociais.
 Dessas, muitas são complexas e assim não
depende de nós fazê-las aparecer.
 A sucessão de lembranças, mesmo daquelas que
são mais pessoais, explica-se pelas mudanças que
se produzem em nossas relações com diversos
meios coletivos.
MEMÓRIA COLETIVA E MEMÓRIA HISTÓRICA
 A oposição aparente entre memória
autobiográfica e histórica.
 Então há duas maneiras de organizar uma
lembrança: uma agrupada em torno de uma pessoa,
que a considera em seu ponto de vista e outra
distribuída no interior de uma sociedade grande ou
pequena de que elas são outras tantas imagens. Uma
memória individual e outra coletiva, então.
 Na memória individual, as lembranças tomariam
lugar no quadro de sua personalidade, de sua vida
pessoal. Assim, as lembranças comuns com outras não
seriam consideradas a não ser sobre o aspecto que lhe
interessa, na medida em que se distingue dela.
 Na memória coletiva ele se comporta como membro de
um grupo que contribui para evocar e manter as
lembranças impessoais na medida em que estas
interessam ao grupo.
MEMÓRIA COLETIVA E MEMÓRIA HISTÓRICA

A memória individual pode se apoiar na coletiva


para confirmar suas lembranças, se confundindo
com ela, mas segue o seu caminho, com esse
aporte exterior assimilado a sua substância. A
memória individual não está isolada, recorrendo
a palavras e ideias que o indivíduo recorre do
meio. Ela é limitada no espaço e no tempo.
A memória individual envolve memórias
coletivas, mas não se confunde com elas. Se uma
memória individual a penetra, deixa de ser
pessoal. Também é limitada no espaço e no
tempo, mas de forma diferente da individual. Há
limites mais restritos, pois depende de algo
emprestado.
MEMÓRIA COLETIVA E MEMÓRIA HISTÓRICA

 É daí, desse ponto em que, em uma memória os


limites de tempo e espaço estariam ligados a
mim, mesmo que minhas lembranças se
apoiassem na coletiva, que na verdade deve
tomar-se de que elementos e informações
emprestadas da sociedade, que ele definirá uma
memória autobiográfica e outra histórica.
 A primeira se apoia na segunda pois a história de
nossa vida faz parte da geral. A segunda seria
com certeza mais ampla que a primeira, mas não
nos representaria o passado, a não ser por uma
maneira esquemática e resumida. A
autobiográfica traria um quadro mais contínuo e
denso.
MEMÓRIA COLETIVA E MEMÓRIA HISTÓRICA

 Os acontecimentos e as datas que constituem a


substância mesma da vida do grupo não podem
ser para o indivíduo senão exteriores, com os
quais ele não se relaciona a não ser para se
afastar de si.
 O tempo social é exterior às durações vividas
pelas consciências. Os acontecimentos só são
registrados por nós depois.
 Não é da história aprendida, mas sim da história
vivida que se constitui a memória. História é um
conjunto sucessivo cronológico de acontecimentos
e datas e que faz com que um período se distinga
dos outros.
MEMÓRIA COLETIVA E MEMÓRIA HISTÓRICA

 A memória coletiva envolve então a história de


caráter impessoal dessa precisão abstrata e dessa
relativa simplicidade onde a memória individual
se apoiará.
 As lembranças coletivas vem aplicar-se sobre as
individuais para adquirir uma visão mais
cômoda e segura. Mas é preciso que as memórias
individuais estejam lá senão nossa memória
funcionaria sem causa.
 Não há como existir memória sem quadros. De
um lado que só teria palavras da linguagem e
algumas noções emprestadas da vida prática e de
outro que só teria um quadro histórico sem
memórias, sem ser construído ou reconstruído
dentro das memórias individuais.
MEMÓRIA COLETIVA E MEMÓRIA HISTÓRICA

 É da lembrança que vemos brilhar alguma forma


de significação histórica.
 Os quadros coletivos da memória não se resumem
em datas, nomes e fórmulas. Eles representam
correntes de pensamento e experiências onde
reencontramos nosso passado.
 Ao lado da história do passado, há uma história
escrita que se perpetua e se renova a través do
tempo.
 Os costumes modernos repousam sobre antigas
camadas que afloram em mais de um lugar.
MEMÓRIA COLETIVA E MEMÓRIA HISTÓRICA
 É no passado vivido bem mais que no passado aprendido
pela historia escrita que podera se apoiar sua memoria. Se
no inicio ela não distinguiu esse quadro e os estados de
consciência que ali se desenrolam é bem verdade que pouco
a pouco a separação entre p seu pequeno mundo interior e a
sociedade que a envolve (a criança) se operará em seu
espirito.
 A historia vivida tem tudo o que é preciso para constituir
um quadro vivo e natural em que O pensamento pode se
apoiar para conservar e reencontrar a imagem de deu
passado.
 A lembrança é uma reconstrução do passado com dados do
presente e além disso é preparada com reconstruções feitas
de épocas anteriores, onde a imagem de outrora
manifestou-se bastante modificada já.
 A parte do histórico é bem maior na nossa memória, pois
desde o início estamos em contato com os adultos
encontrando muitos meios de encontrar e precisar muitas
MEMÓRIA COLETIVA E MEMÓRIA HISTÓRICA

 Será que é preciso reconstruir a noção histórica


de um acontecimento que realmente aconteceu
mas do qual não temos nenhuma lembrança?
Quando eu recrio um quadro histórico é suficiente
para dizer que eu tive uma lembrança? Se só se
essas lembranças não fossem lembranças
reavivadas por declarações e testemunho. Mas ai
vem outra pergunta: quantas lembranças não são
criadas apenas de testemunhos e pensamos se
lembranças rememoradas? A lembrança é uma
imagem engajada em outra imagem. Uma
imagem reportada no passado.
MEMÓRIA COLETIVA E MEMÓRIA HISTÓRICA

 Lembranças simuladas.
 A imagem se transforma e se adequa a realidade.

 As imagens que compõem minha lembrança


mudam porque outras se sobrepõem e porque eu
também mudei. Meu ponto de vista se deslocou,
hoje ocupo um lugar diferente na família. Mas
sempre há uma imagem q vai se sobrepujar.
 Não ha na memoria vazio absoluto...regiões do
passado saídas de nossa memória se sorte que
toda a imagem que ali projetamos não pode
agarrar-se em nenhum elemento de lembrança
descobrindo-se imaginação pura e simples ou
representação histórica que nos pareça exterior.
MEMÓRIA COLETIVA E MEMÓRIA HISTÓRICA
 Para Bergson o passado se encontra inteiramente dentro de
nossa memoria, tal como foi para nós, porem alguns
obstáculos como o comportamento de nosso cérebro impede
que evoquemos dele todas as partes.
 As imagens de nosso passado estão em nosso espirito ( na
parte inconsciente) com o paginas impressas de um livro
que pudéssemos abrir ainda que não abríssemos mais. Para
Halbacks as imagens não estão em uma galeria submersa
de nosso pensamento imagens prontas, mas sim na
sociedade onde estão todas as.
 Indicações necessárias para reconstruir tais partes de
nosso passado, que representamos de modo incompleto ou
ate que cremos que venham de nossa memória. Mas
quando não lembramos ou lembramos diferente daqueles
que participaram do mesmo evento preenchemos
lacunas...mas o que acontece é que o cérebro se desviava
dessa região por que nela não encontrava muitos vestígios.
MEMÓRIA COLETIVA E MEMÓRIA HISTÓRICA

 Uma vez que nos indiquem o caminho que temos


que seguir esses traços se evidenciam, se ligam
uns aos outros. Eles existem sendo mais
marcantes na
 Quadros longínquo e meios próximos. Lembre
que para que memoria do outro venha reforçar e
completar a nossa é preciso que as lembranças
desse grupo se relacionem com eventos de nosso
passado.
 Memoria histórica é a sequencia dos
acontecimentos dos quais a historia nacional
guarda a lembrança memoria dos outros. Ela não
representa a memória coletiva.
MEMÓRIA COLETIVA E MEMÓRIA HISTÓRICA

 A memória coletiva não se confunde com a


memória histórica. São termos opostos.
 A história é a compilação dos fatos que ocuparam
maior espaço na memória dos homens. Mas tudo
aprendido em livros, nas escolas, os
acontecimentos são escolhidos, aproximados e
classificados de acordo com regras e necessidades.
A história começa quando acaba a tradição,
memória social.
 Enquanto subsiste, uma memória não pode ser
fixada
MEMÓRIA COLETIVA E MEMÓRIA HISTÓRICA

 A memória coletiva se distingue da historia por


dois aspectos: primeiro é uma corrente de
pensamento contínuo, de uma continuidade que
nada tem de artificial, já que retém do passado
apenas aquilo que esteja vivo ou que seja capaz
de viver na consciência do grupo. Ela não
ultrapassa os limites do grupo.
 A memória coletiva é contínua. Mesmo com os
fatos e as rupturas, ela parece não ser
interrompida. Ao contrário, na história essa
continuidade é interrompida por linhas claras.
 Na história, presente e passado são períodos que
não se opõem, distintamente. Apesar de o
passado não existir mais, para o historiador, ele
tem tanta realidade como o presente.
MEMÓRIA COLETIVA E MEMÓRIA HISTÓRICA

 A memória da sociedade se estende até onde a


memória dos grupos que a compõe vai. E se ela se
esquece é a lembrança que os grupos guardavam
desaparece.
 Memórias coletivas, centros de tradição. Há
muitas memórias coletivas. Essa é outra
diferença da história, pois a história é única.
 O mundo histórico é um oceano no qual fluem
todas as histórias parciais.
 Não há memória universal, pois toda ela é
limitada por um tempo e por um espaço.
MEMÓRIA COLETIVA E O TEMPO

 A divisão social do tempo – a sucessão do tempo e


seu ritmo são devidas a uma ordem necessária
segundo a qual se encadeiam os fenômenos de
natureza material e do organismo.
 Além disso, as divisões do tempo seguem
convenções e condutas.
 Todo o ser dotado de consciência teria o
sentimento da duração, já que nele se passariam
estados diferentes.
 A duração é a sequencia desses estados. Eu
poderia pela passagem do tempo e seus
indicadores fazer cortes e divisões. Mas tenho que
considerar que a minha memória se toca com a de
outros indivíduos. Assim, seriam produzidos
cortes na minha duração e na deles.
MEMÓRIA COLETIVA E O TEMPO

 Crítica ao subjetivismo Bergsoniano:


 Primeiramente, ele pede para que consideremos
estes estados que se sucedem como distintos uns
dos outros, mas de uma maneira diferente que a
das coisas materiais.
 São presos por uma corrente contínua que se
esvai sem que haja entre um e outro uma linha
de separação bem definida.
 A memória não tem alcance sobre os estados
passados e não os restitui em sua realidade de
outrora senão na razão de que elas não os não os
confunde confunde entre si nem com os antigos
nem com os recentes.
MEMÓRIA COLETIVA E O TEMPO
 Os estados são diferentes entre si, mas desligados das
sequencias dos outros retirados das correntes onde
estavam entranhados como poderiam ser
considerados diferentes de qualquer outro estado
igualmente considerado a parte?
 Toda essa separação significa que estamos separando
esses estados no espaço. E no espaço, mesmo sendo
diferentes, comportam analogias. As diferenças que
levantamos entre eles se determinam em relação a
tantos gêneros comuns dos quais participam tanto
uns quanto outros.
 Ao contrario, a corrente na qual os pensamentos estão
entranhados no interior de cada consciência não é um
meio homogêneo como o espaço, onde a forma não se
confunde com a matéria e o continente assume a
função de conteúdo.
MEMÓRIA COLETIVA E O TEMPO

 Nos diversos estados de consciência (ele aqui chama a


atenção que o termo “estado” é errado, pois o que há
na consciência são movimentos ou pensamentos num
devir) só distinguimos qualidades por abstração, já
que o interessante aqui é a unidade de cada um deles
e que eles são como pontos de vista na totalidade da
consciência, não existindo entre eles gêneros comuns.
Qualquer tentativa de comparação romperia a
continuidade da serie.
 Mas é essa continuidade que explica que uns lembram
os outros. É porque são todos diferentes que os
estados individuais formam uma série contínua. Toda
a semelhança introduziria uma descontinuidade. É
porque são diferentes que as lembranças evocam
umas as outras.
MEMÓRIA COLETIVA E O TEMPO

 O que está dentro da duração são os


pensamentos, não os objetos, então eu não saio de
mim. Uma voz de outra pessoa me traria dois
pontos de vista, o meu e o da outra pessoa que
também tem uma consciência que dura.
 Uma pessoa de fora pode quebrar então a
continuidade de minha duração e impor uma
representação.
 Há em toda a percepção sensível a tendência a se
exteriorizar. Expulsa o pensamento do circulo
estreito da consciência individual de onde ele se
escoa, considerando o pensamento como podendo
ser representado em várias consciências.
 A simultaneidade impede que achemos que as
durações são individuais.
MEMÓRIA COLETIVA E O TEMPO
 Falando de tempo agora, o tempo nos importa aqui
somente na medida em que nos permitir nos lembrar
e conservar dos acontecimentos que ali se produziram.
 Tempo abstrato é o tempo de bergson, vivido, sem
qualquer tipo de consciência. Aqui os homens se
abrem a um conjunto ou grupo. Isso porque o tempo
tem que se esvaziar pouco a pouco da matéria, o que
possibilitaria distinguir suas partes e assim servir a
um número crescente de seres diferentes. Teríamos
aqui um meio inteiramente uniforme, próximo ao
espaço. Aqui, nessa superfície lisa restam apenas os
acontecimentos que não tem data e não mudam de
natureza.
 O tempo real se aproxima do social e é composto por
divisões.
MEMÓRIA COLETIVA E O TEMPO

 O tempo universal envolve todos os


acontecimentos que ocorreram em todos os
lugares do mundo.
 Lembrando: a memória histórica retém as
diferenças, que marcam a passagem súbita de um
estado que subsiste para outro que subsiste. A
história é um resumo que resume as evoluções de
períodos extensos.
 A multiplicidade e heterogeneidade das durações
coletivas.
 A história vai além dos limites da memória
coletiva, ou seja, não atingindo mais os
acontecimentos e as pessoas.
MEMÓRIA COLETIVA E O TEMPO

 Dizem que a história se interessa pelo passado,


mas na verdade esse “passado” é o que não está
no domínio do pensamento de nenhum grupo
atual.
 O tempo é uma serie sucessiva de fatos ou de
diferenças. Mas é ilusório achar que uma serie de
diferenças ou de acontecimentos definirá um
tempo mais longo o u mais curto. Os
acontecimentos dividem o tempo, mas não o
preenchem. A noção de rapidez aplicada ao tempo
não apresenta significação definida.
 É no tempo de determinado grupo que o espírito
se apoia para reconstruir uma lembrança. Só ele
pode representar esse papel, tendo em vista que
ele apresenta caráter contínuo. Ele advém de um
MEMÓRIA COLETIVA E O TEMPO

 Mas esse tempo não se confunde com os


acontecimentos que ali ocorreram. E também
não se reduz a um quadro homogêneo e vazio.
Nele está inscrita a marca de acontecimentos de
outrora na medida em que respondem ou
respondiam ao interesse de um grupo.
 E mesmo que não tenha ninguém desse grupo
presente materialmente, continuo a receber dele
influência. Isso desde que guarde algo que me
permita me posicionar do ponto de vista dos
membros desse grupo. De me envolver em seu
meio, em seu próprio tempo e de me fazer sentir
no coração do grupo.
MEMÓRIA COLETIVA E O TEMPO

 Lembrando que o que constitui esse grupo é


essencialmente um interesse, uma ordem de
ideias e de preocupações que se particularizam e
se refletem em certa medida nas personalidades
de seus grupos, mas que não são bastantes gerais
e impessoais para conservar seu sentido para
mim.
 É a partir desses elementos que construo as
imagens. Se penso em alguém que já morreu, é
porque me coloco numa corrente de ideias que
nos foram comuns e que subsiste para mim
mesmo que essa pessoa não esteja mais lá. Mas
devem se conservar em mim as condições para
que eu possa ainda me recolocar.
MEMÓRIA COLETIVA E O TEMPO

 Ainda elas se conservam porque não são


estranhas a outras pessoas em comum.
 Se eu me lembrar de algo e um amigo se lembrar
de algo mais distante é porque organizamos
nossos pensamentos em centros de interesses que
não são mais completamente os mesmos.
 Os indivíduos pertencem a vários grupos e
dividem vários pensamentos sociais e seu olhar
mergulha em vários tempos coletivos. As
consciências concentram durações variadas e se
decompõem em diversas correntes de pensamento
que tem origem nos próprios grupos. A
consciência individual é apenas o local de
passagem dessas correntes, o ponto de encontro
dos tempos coletivos. O pensamento se move no
MEMÓRIA COLETIVA E O TEMPO

 As impressões não nos fazem sair de nós mesmos,


fazem parte de nosso corpo, mas não nos deixam
alcançar o passado. A memória se originam e tem
curso no pensamento dos diversos grupos aos
quais nos ligamos.
 As consciências do passado, o tempo e a imagem
subsistem e se imobilizam. O tempo dura dentro
de certos limites variáveis conforme os grupos.
 O tempo é real na medida que tem um conteúdo,
isto é, oferece um conteúdo de acontecimentos ao
pensamento, é limitado e relativo, porém tem
realidade plena. É muito amplo para oferecer às
consciências individuais um quadro
suficientemente respaldado pra que elas possam
dele dispor e encontrar suas lembranças.
MEMÓRIA COLETIVA E O ESPAÇO
 Há memória no espaço, na disposição das coisas.
Quando um grupo está inserido em um espaço ele o
transforma a sua imagem, ao mesmo tempo em que se
adapta e às coisas materiais que a ele resistem.
 A imagem do meio exterior e das relações estáveis que
ele mantém consigo passa ao primeiro plano da ideia
que faz de si mesmo, penetrando elementos de sua
consciência, comandando e regulando sua evolução.
 O lugar recebeu a marca do grupo e vice e versa. As
ações do grupo podem se traduzir de modo espacial.
Cada lugar do espaço tem um sentido que é inteligível
apenas para os membros do grupo, porque cada
espaço que ele ocupou corresponde a aspectos da sua
estrutura e da vida de sua sociedade, ao menos
naquilo de mais estável que havia nela.
 Não há memória coletiva que não se desenvolva num
quadro espacial.
MEMÓRIA COLETIVA E O ESPAÇO

 O espaço é a realidade que dura. Nossas


impressões se sucedem uma a outra e nada
permanece em nosso espírito. Não seria possível
compreender como recuperar o passado se ele não
permanecesse no meio material que nos cerca. É
sobre nosso passado que devemos depositar nossa
atenção, para que apareça essa ou outra
categoria de lembrança.
 Qualquer princípio que invoquemos para
assegurar o direito de propriedade, ele só irá
adquirir valor se a memória coletiva intervir para
garantir aplicação. Mas a memória que
possibilita a permanência no espaço apoia-se
nessa mesma permanência. As pessoas duram
porque as coisas duram.
MEMÓRIA COLETIVA E O ESPAÇO

 Pensar no espaço como meio para lembrar e


assim viver a experiência nostálgica.
 Não é certo portanto que para se lembrar é
preciso ir para fora do espaço. Pelo contrário,
somente que, em razão de sua estabilidade, dá-
nos a ilusão de não nos mudar através do tempo e
de encontrar o passado no presente. O espaço é
suficientemente estável para durar sem
envelhecer.
MEMÓRIA COLETIVA E O ESPAÇO
MEMÓRIA COLETIVA E O ESPAÇO
MEMÓRIA COLETIVA E O ESPAÇO

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