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ESTRUTURA CONCEPTUAL

O Sistema de Normalização Contabilística para


pequenas Entidades
Formação CTOC – Setembro de 2009
Domingos Cravo
CONCEITOS E ESTRUTURAS GERAIS
 Uma definição possível:

Estrutura conceptual é “um sistema coerente de


objectivos e fundamentos inter relacionados que se
situam na vanguarda de um corpo de normas
consistente, e que prescreve a natureza, funções e
limites da contabilidade financeira e das
demonstrações financeiras” (FASB, 1976).

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CONCEITOS E ESTRUTURAS GERAIS
 Uma definição possível:

Trata-se de um “produto de e para a regulação


contabilística”, surgindo simultaneamente como
algo de necessário para a alimentar e como uma
justificação do seu próprio funcionamento (Cañibano e
Gonzalo, 1995)

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ESTRUTURAS GERAIS
Estrutura Conceptual

Conjunto estruturado e
hierarquizado de objectivos e de
conceitos inter-relacionados

Normalização
contabilística

Clareza e coerência

Em síntese:
Constitui um quadro de conceitos de
referência e de alicerce à elaboração das próprias
normas. 4
CONCEITOS E ESTRUTURAS GERAIS

EDIFÍCIO
ESTRUTURA NORMATIVA

ALICERCES
ESTRUTURA CONCEPTUAL

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CONCEITOS E ESTRUTURAS GERAIS
 Finalidades:
 Normalizadores;
 Preparadores das Demonstrações Financeiras;
 Utilizadores.

 Considerandos:
 A EC não é uma norma;
 Em caso de conflito entre a EC e uma NCRF prevalece o
disposto na NCRF.

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CONCEITOS E ESTRUTURAS GERAIS
 Elementos de uma Estrutura Conceptual:
- Itinerário lógico-dedutivo -

 Necessidades dos utilizadores


 Objectivos das DF
 Pressupostos subjacentes
 Características qualitativas
 Definição dos elementos das DF
 Critérios de reconhecimento dos elementos
das DF
 Critérios de mensuração dos elementos das
DF
 Conceitos de capital e manutenção de
capital 7
A ESTRUTURA CONCEPTUAL DO SNC

 Âmbito:
 a definição do objectivo das demonstrações financeiras;
 a definição das características qualitativas que
determinam a utilidade da informação contida nas
demonstrações financeiras;
 a definição, reconhecimento e mensuração dos elementos
que integram as demonstrações financeiras;
 os conceitos de capital e de manutenção do capital.

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A ESTRUTURA CONCEPTUAL DO SNC

 Utentes e suas necessidades

 Investidores – preocupados com o risco inerente do negócio e


com o retorno do capital investido;

 Empregados – interessados na lucratividade e estabilidade da


empresa;

 Mutuantes – interessados na recuperação dos valores


mutuados;

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A ESTRUTURA CONCEPTUAL DO SNC

 Utentes e suas necessidades (cont.)

 Fornecedores e outros credores comerciais – interessados em


saber se os seus créditos são cobrados no prazo;

 Clientes – interessados em saber se a empresa tem


continuidade;

 Governos e seus departamentos – interessados na afectação de


recursos geral da economia, na sua regulação e nas políticas
tributárias;

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A ESTRUTURA CONCEPTUAL DO SNC

 Utentes e suas necessidades (cont.)

 Público – interessado nas tendências da economia e no seu


bem-estar, directa ou indirectamente influenciado pelas
empresas...

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A ESTRUTURA CONCEPTUAL DO SNC

 Objectivo das Demonstrações Financeiras

Proporcionar informação acerca da posição financeira,


do desempenho e das alterações na posição financeira de
uma entidade que seja útil a um vasto leque de utentes
na tomada de decisões económicas.

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A ESTRUTURA CONCEPTUAL DO SNC

 Pressupostos subjacentes às Demonstrações Financeiras

 Regime do acréscimo

 Empresa em continuidade

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A ESTRUTURA CONCEPTUAL DO SNC

Características qualitativas das DF


 Compreensibilidade

 Relevância
Materialidade (quantificação/natureza)

 Fiabilidade
Representação fidedigna
Substância sobre a forma
Neutralidade
Prudência
Plenitude

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 Comparabilidade
A ESTRUTURA CONCEPTUAL DO
SNC
 Constrangimentos à informação relevante e fiável

 Tempestividade

 Balanceamento entre benefício e custo

 Balanceamento entre características qualitativas

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A ESTRUTURA CONCEPTUAL DO
SNC
 Constrangimentos à informação relevante e fiável
 Tempestividade

 A demora indevida no relato da informação pode resultar na


perda de relevância.

 A obtenção de informação fiável não deve perder de vista a


tempestividade da sua publicação.

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A ESTRUTURA CONCEPTUAL DO
SNC
 Constrangimentos à informação relevante e fiável
 Balanceamento entre benefício e custo

BENEFÍCIOS > CUSTOS De preparação

UTILIZADORES ENTIDADE

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A ESTRUTURA CONCEPTUAL DO
SNC
 Constrangimentos à informação relevante e fiável
 Balanceamento entre características qualitativas

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A ESTRUTURA CONCEPTUAL DO
SNC
 Imagem Verdadeira e Apropriada/Apresentação
Apropriada

CARACTERÍSTIC NORMAS
AS
QUALITATIVAS

IMAGEM
VERDADEIRA
E APROPRIADA

JULGAMENTO REFERENCIAL
PROFISSIONAL CONTABILÍSTIC
… O…

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A ESTRUTURA CONCEPTUAL DO
SNC
 Elementos das demonstrações financeiras

 Posição financeira
 Activos
 Passivos

 Capital Próprio

 Desempenho
 Rendimentos (Réditos e ganhos)
 Gastos (Gastos e perdas)

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A ESTRUTURA CONCEPTUAL DO
SNC
 Elementos das demonstrações financeiras

 ACTIVO - definição

é um recurso controlado pela entidade


como resultado de acontecimentos passados e
do qual se espera que fluam para a entidade
benefícios económicos futuros.

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A ESTRUTURA CONCEPTUAL DO
SNC
 Elementos das demonstrações financeiras

 Activos
 Recurso controlado …
O controlo económico não pressupõe a propriedade
legal. CONCEITO ECONÓMICO DE ACTIVO
(recurso controlado…)


CONCEITO JURÍDICO-PATRIMONIALISTA DE ACTIVO
(bens e direitos)

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A ESTRUTURA CONCEPTUAL DO
SNC
 Elementos das demonstrações financeiras
 PASSIVO - definição

é uma obrigação presente da entidade


proveniente de acontecimentos passados, d
a liquidação da qual se espera que resulte um
exfluxo de recursos da entidade incorporando
benefícios económicos.

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A ESTRUTURA CONCEPTUAL DO
SNC
 Elementos das demonstrações financeiras

 CAPITAL PRÓPRIO - definição

é o interesse residual nos activos da entidade depois de


deduzir todos os seus passivos.

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A ESTRUTURA CONCEPTUAL DO
SNC
 Elementos das demonstrações financeiras
 Capital Próprio

VALOR CONTABILÍSTICO

≠ Estes
valores são, geralmente,
VALOR DE MERCADO diferentes


VALOR DE LIQUIDAÇÃO

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A ESTRUTURA CONCEPTUAL DO
SNC
Elementos das demonstrações financeiras
 RENDIMENTOS – definição
São aumentos nos benefícios económicos durante o
período contabilístico na forma de influxos ou
aumentos de activos ou diminuições de passivos
que resultem em aumentos no capital próprio, que
não sejam os relacionados com as contribuições
dos participantes no capital próprio.

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A ESTRUTURA CONCEPTUAL DO
SNC
 Elementos das demonstrações financeiras
 Rendimentos
 Réditos
Provêm do decurso das actividades correntes (ou
ordinárias) de uma entidade sendo referidos por uma
variedade de nomes diferentes incluindo vendas,
honorários, juros, dividendos, royalties e rendas.
 Ganhos
Representam outros itens que satisfaçam a definição de
rendimentos e podem, ou não, provir do decurso das
actividades correntes (ou ordinárias) de uma entidade.

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A ESTRUTURA CONCEPTUAL DO
SNC
 Elementos das demonstrações financeiras
 GASTOS – definição
São diminuições nos benefícios económicos durante o
período contabilístico na forma de exfluxos ou
deperecimentos de activos ou na incorrência de passivos
que resultem em diminuições do capital próprio, que não
sejam as relacionadas com distribuições aos participantes
no capital próprio.

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A ESTRUTURA CONCEPTUAL DO
SNC
 Elementos das demonstrações financeiras
 Gastos
 Perdas
Outros itens que satisfaçam a definição de gastos e
podem, ou não, surgir no decurso das actividades
ordinárias da entidade.
 Outros gastos
Gastos que resultam do decurso das actividades
correntes (ou ordinárias) da entidade (ex. custo das
vendas, salários e depreciações). Tomam geralmente a
forma de um exfluxo ou deperecimento de activos tais
como dinheiro e seus equivalentes, existências e activos
fixos tangíveis.
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A ESTRUTURA CONCEPTUAL DO
SNC

 Reconhecimento dos elementos das demonstrações


financeiras

 Reconhecimento é o processo de incorporar no balanço e


na demonstração dos resultados um item que:
 satisfaça a definição de um elemento e
 satisfaça os critérios de reconhecimento.

DESCRIÇÃO
QUANTIFICAÇÃO EM UNIDADES MONETÁRIAS

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A ESTRUTURA CONCEPTUAL DO
SNC
 Reconhecimento de activos
 Um activo é reconhecido no balanço quando:
 for provável que os benefícios económicos futuros fluam
para a entidade e
 o activo tenha um custo ou um valor que possa ser

mensurado com fiabilidade.

 Um activo não é reconhecido no balanço quando:


 Relativamente ao dispêndio incorrido, seja considerado
improvável que benefícios económicos fluirão para a
entidade para além do período contabilístico corrente.
GASTO
NA
DEMONSTRAÇÃO DOS RESULTADOS

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A ESTRUTURA CONCEPTUAL DO
SNC
 Reconhecimento de passivos
 Um passivo é reconhecido no balanço quando:
 for provável que um exfluxo de recursos incorporando
benefícios económicos resulte da liquidação de uma
obrigação presente e
 a quantia pela qual a liquidação tenha lugar possa ser
mensurada com fiabilidade.

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A ESTRUTURA CONCEPTUAL DO
SNC
 Reconhecimento dos elementos das
demonstrações financeiras
 Probabilidade de benefícios económicos futuros
 Fiabilidade da mensuração
Probabilidade R
BENEFÍCIOS de ocorrência E
ECONÓMICOS elevada
FUTUROS C
Estimativas O
incerteza fiáveis N
H
Probabilidade
de ocorrência E
reduzida C
Estimativas E
pouco fiáveis ou impossíveis
R
Eventualmente DIVULGAR
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A ESTRUTURA CONCEPTUAL DO
SNC
 Reconhecimento de rendimentos
 Um rendimento é reconhecido na demonstração dos
resultados quando:
 tenha surgido um aumento de benefícios económicos futuros
relacionados com
um aumento num activo ou com
uma diminuição de um passivo
 e que possa ser quantificado com fiabilidade.

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A ESTRUTURA CONCEPTUAL DO
SNC
 Reconhecimento de gastos
Os gastos são reconhecidos na demonstração dos

resultados quando:
 tenha surgido uma diminuição dos benefícios
económicos futuros relacionados com
uma diminuição num activo ou com
um aumento de um passivo
 e que possam ser mensurados com fiabilidade.

BALANCEAMENTO DE GASTOS COM RÉDITOS


OU
IMPUTAÇÃO SISTEMÁTICA E RACIONAL

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A ESTRUTURA CONCEPTUAL DO
SNC
 Mensuração dos elementos das demonstrações
financeiras

 Mensuração é o processo de determinar as


quantias monetárias pelas quais os elementos
das demonstrações financeiras devam ser
reconhecidos e inscritos no balanço e na
demonstração dos resultados. Isto envolve a
selecção da base particular de mensuração.

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A ESTRUTURA CONCEPTUAL DO
SNC

 Mensuração dos elementos das demonstrações


financeiras
 Bases de mensuração:
 Custo histórico
 Custo corrente

 Valor realizável (de liquidação)

 Valor presente

 Justo valor

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A ESTRUTURA CONCEPTUAL DO
SNC
 Conceitos de capital e de manutenção do capital
 Conceitos de capital
 FINANCEIRO
O capital é sinónimo de activos líquidos ou de capital
próprio da entidade.
 FÍSICO
O capital é visto como a capacidade produtiva da
entidade baseada, por exemplo, em unidades de
produção diária.

Diferentes conceitos de lucro

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LIGAÇÃO DAS NCRF À ESTRUTURA
CONCEPTUAL DO SNC

 No § 10, da NCRF 4
“O órgão de gestão deve consultar e considerar a
aplicabilidade das seguintes fontes, por ordem
indicada:
 os requisitos e a orientação das Normas e Interpretações que
tratam de assuntos semelhantes e relacionados; e
 as definições, critérios de reconhecimento e conceitos de
mensuração para activos, passivos, rendimentos e gastos na
Estrutura Conceptual.”

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