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UNIVERSIDADE ESTADUAL DA PARAÍBA - UEPB

DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO

7º SEMESTRE – MANHÃ
8º SEMESTRE – NOITE
CENTRO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS
2018
HISTÓRIA DO DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO
1.1. Origem

Os primeiros registros de tentativas de resolução de problemas relacionados


às relações de trabalho estão nos Conseils de Proud’Hommes -
literalmente, conselhos de homens prudentes -, da época napoleônica (1806).

O sucesso deste Conselho estimulou outros países europeus a seguir o


exemplo francês, instituindo organismos independentes do Poder Judiciário
.

Normas legais de proteção ao trabalhador começaram a se estabelecer com a


Constituição mexicana de 1917, com 30 artigos dedicados aos direitos
sociais.

Estas normas constaram também do Tratado de Versalhes, de 1919,

A Constituição alemã de Weimar, de 1919, modelo clássico de organização


de um Estado social-democrata, também procurou garantir direitos básicos
ao trabalhador.
HISTÓRICO DA LEGISLAÇÃO TRABALHISTA NO BRASIL

O surgimento da legislação trabalhista e da Justiça do Trabalho


no Brasil veio como conseqüência de longo processo de luta e
de reivindicações operárias desenvolvida no mundo, e sofreu
influência dos princípios de proteção ao trabalhador,
defendidos pelo Papa Leão XIII em sua encíclica Rerum
Novarum, de 1891.
As primeiras normas:Decreto nº 1.313, de 1891, que
regulamentou o trabalho dos menores de 12 a 18 anos.
Em 1907, foi instituída uma lei que tratou da sindicalização
rural.
Em 1917, foi criado o Departamento Nacional do Trabalho
(DNT) como órgão fiscalizador e informativo.
HISTÓRICO DA LEGISLAÇÃO TRABALHISTA NO BRASIL

Para alguns, o primeiro órgão, embora civilista em sua natureza, foi o Tribunal
Rural de São Paulo, criado pela lei estadual nº 1.869, de 10 de outubro de
1922, pelo governador Washington Luís.

O Tribunal Rural foi criado "para conhecer e julgar as questões, até o valor de
quinhentos mil réis, decorrentes da interpretação e execução dos contratos
de locação de serviços agrícolas". Por este motivo autores como Giglio
colocam este Tribunal como tentativa fracassada de pacificar conflitos
trabalhistas.

Outro órgão que somente resolvia dissídios individuais laborais de forma


indireta foi o Conselho Nacional do Trabalho, vinculado ao Ministério da
Agricultura, Indústria e Comércio. O Conselho foi criado em 30 de abril de
1923 e era constituído de 12 membros e atuava como um órgão consultivo
dos poderes públicos para assuntos trabalhistas e previdenciários. O
Conselho não resolvia divergências surgidas nas relações de trabalho.
HISTÓRICO DA LEGISLAÇÃO TRABALHISTA NO BRASIL
Posteriormente foram criadas, em 1932 as Juntas de
Conciliação e Julgamento, órgão administrativo composto
pelos Juízes Classistas, representantes dos empregados e dos
empresários, e por um Juiz Presidente, indicado pelo Governo.
Tais Juntas somente foram retiradas do ordenamento jurídico
brasileiro em 1999, mediante Emenda à Constituição, que
transformou as JCJ em Varas do Trabalho.
A denominação Justiça do Trabalho surgiu na Constituição de
1934.
Apesar da Justiça do Trabalho ter previsão na Constituição de
1934, não foi instalada. A demorada discussão sobre a
representação classista foi uma das razões alegadas para o
fechamento do Congresso Nacional e a implantação do Estado
Novo, em 1937.
HISTÓRICO DA LEGISLAÇÃO TRABALHISTA NO BRASIL
A Constituição de 1937, 10 de novembro de 1937,
que substituiu a de 1934, manteve a Justiça do
Trabalho na esfera administrativa. A sua criação se
deu no dia 1º de maio de 1939 pelo Decreto-lei nº
1.237.
A Constituição de 1946 transformou a Justiça do
Trabalho em órgão do Poder Judiciário.
Finalmente, em 9 de setembro de 1946, por meio do
Decreto-Lei 9.797 a Justiça do Trabalho veio a integrar
o Poder Judiciário, tendo seus julgadores assegurado
as garantias inerentes à magistratura (inamobilidade,
irredutibilidade de subsídios e vitaliciedade no cargo).
CONCEITO DO DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO

Direito processual do Trabalho é o conjunto de princípios,


regras e instituições destinadas a regular a atividade dos
órgãos jurisdicionais na solução dos dissídios, individuais ou
coletivos, entre trabalhadores e empregadores.

Teoria prática – processo que visa solucionar conflitos entre


empregado e empregador. São conflitos de caráter social-
econômico.

Tem o Direito processual inúmeras regras que versam sobre a


matéria. A maioria delas está contida na CLT. o Estado é o
maior criador de normas processuais trabalhistas. A Justiça do
Trabalho é o órgão estatal do Poder Judiciário incumbido de
aplicar as regras processuais trabalhistas. As controvérsias a
serem solucionadas são as dos trabalhadores e empregadores.
FONTES DO DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO
Fonte, numa definição técnico-jurídico ou dogmático,
são os modos de formação e revelação das regras
jurídicas.

Fontes formais – são as formas de exteriorização do


Direito. Exemplos seriam as leis, o costume etc.

Fontes materiais – são o complexo de fatores que


ocasionam o surgimento de normas, envolvendo fatos e
valores. São analisados fatores sociais, psicológicos,
econômicos, históricos etc.. São os fatores reais que irão
influenciar na criação da norma jurídica.
FONTES DO DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO
As fontes podem ser classificadas em:
Heterônimas – são aquelas impostas por agente externo. Exemplo,
Constituição, leis, decretos, sentença normativa, regulamento de empresa
(quando unilateral).

Autônomas – são aquelas elaboradas pelos próprios interessados. Exemplos:


costume, convenção e acordo coletivo, regulamento de empresa (quando
bilateral), contrato de trabalho.

As fontes também podem ser:


Estatais – onde o Estado estabelece a norma. Exemplo: constituição, leis,
sentença normativa.
Extra-estatais – são as fontes oriundas das próprias partes como o
regulamento de empresa, o costume, a convenção e o acordo coletivo, o
contrato de trabalho.
Profissionais – são as fontes estabelecidas pelos trabalhadores e
empregadores interessados, como a convenção e o acordo coletivo de
trabalho
FONTES DO DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO
Quanto à vontade das pessoas, as fontes podem ser:

Voluntárias – são as dependentes da vontade dos interessados, como o


contrato de trabalho, a convenção e o acordo coletivo, o regulamento de
empresa (quando bilateral).

Interpretativas – são as impostas coercitivamente às pessoas pelo Estado,


como a constituição, as leis, a sentença normativa.

É na Constituição que encontramos a competência da Justiça do Trabalho


(art. 114). Abaixo da Constituição, existem as leis ordinárias.
Os costumes, as Convenções Internacionais ou da OIT também podem conter
normas processuais trabalhistas, desde que estas últimas tenham sido
ratificadas por nosso país.

A analogia, a eqüidade, os princípios gerais de Direito e o Direito Comparado


não constituem fontes formais e, sim, critérios de integração da norma
jurídica.
FONTES DO DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO
Quanto à hierarquia, a constituição, em seu art. 59 dispõe quais
são as normas existentes no sistema jurídico brasileiro. Não
menciona que haja hierarquia entre umas e outras. A hierarquia
entre as normas somente viria a ocorrer quando a validade de
determinada norma dependesse de outra, onde esta regularia
inteiramente a forma de criação da primeira norma.
A Constituição é hierarquicamente superior às demais normas,
pois o processo de validade destas é regulado pela primeira.
Abaixo dela encontram-se os demais preceitos legais: leis
complementares, leis ordinárias, decretos-leis (quando existiam),
medidas provisórias, leis delegadas, decretos legislativos e
resoluções.
No Direito do trabalho a hierarquia é a norma mais benéfica para
o trabalhador, desde que a alegação seja razoável e possível.
PRINCÍPIOS DO DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO
Sendo um ramo específico do Direito, o Direito Processual do Trabalho também
tem princípios próprios.

“Princípios de uma ciência são as proposições básicas,


fundamentais, típicas que condicionam todas as estruturações
subseqüentes (José Cretella Jr)”. São os alicerces da ciência.
São as proposições básicas que fundamentam as ciências.
Para o Direito, o princípio é o seu fundamento, a base que irá informar e
inspirar as normas jurídicas.
Princípios não se confundem com peculiaridades. Princípios são,
necessariamente gerais; peculiaridades são restritas. Princípios informam,
orientam e inspiram preceitos legais, por dedução, e podem deles ser extraídos,
via raciocínio indutivo; das peculiaridades não se extraem princípios, nem delas
derivam normas legais.
Princípios dão organicidade a institutos e sistemas processuais; as
peculiaridades não. Princípio seria a regra; peculiaridade, a exceção.
PRINCÍPIOS DO DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO
Os princípios podem ser:
- Gerais (informam o processo de uma forma geral);
- Específicos especiais ou próprios (aplicam-se a um ramo especificamente).
O verdadeiro princípio (específico) do Processo do Trabalho é o Protecionista,
composto pelos princípios informadores de todo processo no direito do trabalho. A
legislação do trabalho visa assegurar a superioridade jurídica ao empregado em face da
sua inferioridade econômica.

Protecionista é o sistema adotado pela lei. Não é a Justiça do Trabalho que tem cunho
paternalista ao proteger o trabalhador, ou o juiz que pende para o lado do empregado,
mas a lei que assim o determina.
O sistema visa proteger o trabalhador. No sistema protecionista, as regras são
interpretadas mais favoravelmente ao empregado, em caso de dúvida.

a) gratuidade do processo – dispensa do pagamento das custas, beneficiando somente


ao empregado, nunca ao empregador.
b) inversão do ônus da prova ou são aceitas presunções que só favorecem o
empregado, em nenhuma oportunidade o empregador.
c) impulso processual ex officio – determinado pelo juiz, na execução, no processo de
alçada da vara.
PRINCÍPIOS DO DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO

d) arquivamento do processo do empregado (art. 844 CLT) – impede


que seja apresentada a contestação e proporcionando que o obreiro
ingresse novamente com a ação.
e) propositura da ação no último local de trabalho – para que possa
ter melhores condições de prova e menores gastos (art. 651 CLT).
f) aplicação da norma ou da interpretação mais benéfica (decorre do
princípio da inversão).
g) “in dúbio pro misero” – em caso de dúvida o juiz deverá decidir em
favor do empregado.
h) “jus postulandi” (direito de postular) – capacidade de ingressar em
juízo com ação, independentemente da constituição de advogado.
Permite o art. 791 da CLT que não só o empregado, como também o
empregador ajuízem a ação pessoalmente e acompanhem os demais
trâmites do processo.
PRINCÍPIOS DO DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO
i) celeridade – em virtude da necessidade do trabalhador receber o mais
rápido possível os salários que lhe foram sonegados.

j) informalidade – não quer dizer que não tenha de observar formalidades,


que não sega uma certa forma, mas sim, que observa numero menor de
formalismos.

l) oralidade – predomínio da palavra falada sobre a escrita.

m) concentração da maioria dos atos processuais em audiência,


decorrência da celeridade e da oralidade.

n) da adequação – as normas processuais do trabalho devem ser


adequadas à finalidade do direito material do trabalho.

o) do tratamento desigual – tendo em vista a desigualdade processual


entre o empregado e o empregador, deve haver tratamento desigual de
pessoas que se encontrem em desigualdade de condições.
PRINCÍPIOS DO DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO
p) teleológico, da finalidade social específica em que o objetivo é impedir
efeitos violentos da questão social, mediante regras constitucionais de
competência da Justiça do Trabalho, determinando a existência de
normas processuais próprias.
q) normatividade jurisdicional, que caracteriza o processo coletivo do
trabalho no Brasil.
r) Princípio da simplificação de procedimentos – cujas peculiaridades
são:
- instituição do perito único;
- toda comunicação processual no processo do trabalho é feita pelo
correio, prescindindo-se do oficial de justiça.
- o oficial de justiça passa a ser também avaliador. No processo do
trabalho o próprio oficial de justiça, ao fazer a penhora, já avalia o bem.
- realização de audiência uma, onde é apresentada a defesa e onde são
produzidas as provas do processo.
- apresentação, pelas próprias partes, das suas contas, sem necessidade
de enviar para contador.
PRINCÍPIOS DO DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO

s) Princípio da subsidiariedade – auxílio. Art. 8° e 769 CLT. É necessário duas


condições:
a) que haja omissão;
b) e que a decisão seja compatível com os princípios do direito o trabalho.

Art. 8º CLT: as autoridades administrativas e a Justiça do Trabalho, na falta


de disposições legais ou contratuais, decidirão, conforme o caso, pela
jurisprudência, por analogia, por eqüidade e outros princípios e normas
gerais de direito, principalmente do direito do trabalho, e, ainda, de acordo
com os usos e costumes, o direito comparado, mas sempre de maneira que
nenhum interesse de classe ou particular prevaleça sobre o interesse
público.
Pu. O direito comum será fonte subsidiária do direito do trabalho, naquilo
em que não for incompatível com os princípios fundamentais deste.

Art. 769 CLT: nos casos omissos, o direito processual comum será fonte
subsidiária do direito processual do trabalho, exceto naquilo em que for
incompatível com as normas deste título.
PRINCÍPIOS DO DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO
t) Princípio da inadmissão de inépcia da inicial – art. 321/CPC + súmula 263
TST.

Art. 321. O juiz, ao verificar que a petição inicial não preenche os requisitos dos
arts. 319 e 320 ou que apresenta defeitos e irregularidades capazes de
dificultar o julgamento de mérito, determinará que o autor, no prazo de 15
(quinze) dias, a emende ou a complete, indicando com precisão o que deve ser
corrigido ou completado.
Parágrafo único. Se o autor não cumprir a diligência, o juiz indeferirá a petição
inicial.
Súmula 263 TST: o indeferimento da petição inicial, por encontrar-se
desacompanhada de documentos indispensáveis à propositura da ação ou
não preencher requisito legal, somente é cabível se, após intimada para
suprir a irregularidade em dez dias, a parte não o fizer.

u) Princípio da despersonalização do empregador – arts. 10 e 448 da CLT


determinam que os direitos adquiridos dos empregados não serão
prejudicados com a mudança na propriedade ou estrutura jurídica da empresa.
O empregador é a empresa art. 2° CLT. Logo, os bens a serem perseguidos são
os da empresa. (V. Art. 448-A e seu Parágrafo Único)
PRINCÍPIOS DO DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO
v) Princípio da coletivização das ações – art. 195, § 2° e art. 872, da CLT e o
art. 3º da Lei 8.073/90, autorizam o sindicato a propor, como substituto
processual, ação na Justiça do Trabalho em nome do associado ou membro
da categoria, para adicional de insalubridade ou de periculosidade, ação de
cumprimento de dissídio coletivo.
x) admissão de decisão com ultra ou extra-petição – no processo civil o juiz
não pode julgar fora ou além do pedido e da causa de pedir. O referido
princípio é aplicado no processo do trabalho em certos casos.o art. 467 da
CLT permite ao juiz determinar o pagamento das verbas rescisórias
incontroversas com acréscimo de 50%, caso não sejam pagas na primeira
audiência em que comparecer o réu, ainda que sem pedido do autor
(ultrapetição). O art. 496 da CLT dispõe que o juiz poderá determinar o
pagamento de indenização ao empregado estável, dada à incompatibilidade
do retorno deste ao serviço, mesmo que o empregado só tenha pedido a
reintegração (extra-petição).
z) princípio da conciliação – o juiz do trabalho não é um julgador, mas um
mediador, um conciliador (arts. 764 CLT e 114 CF).
FORMAS DE SOLUÇÃO DOS CONFLITOS TRABALHISTAS

Segundo o prof. Amauri Mascaro Nascimento, são três; autodefesa,


autocomposição e heterocomposição.
7.3.1) Autodefesa – as próprias partes procedem à defesa de seus
interesses. O conflito só é solucionado quando uma parte cede à
imposição da outra. No entanto, não se admite o exercício arbitrário
das próprias razões par a solução dos conflitos entre as partes
envolvidas. Exemplos de autodefesa, no âmbito trabalhista, é a greve e
o lockout.
Obs: A greve muitas vezes não é forma de solução, mas meio de
pressão.

7.3.2) Autocomposição – é a forma de solução dos conflitos


trabalhistas realizadas pelas próprias partes. Elas mesmas chegam à
solução de suas controvérsias sem a intervenção de um terceiro.
As formas autocompositivas são as Convenções Coletivas e os Acordos
Coletivos, acompanhados ou não de mediação.
FORMAS DE SOLUÇÃO DOS CONFLITOS TRABALHISTAS
Pode-se dividir a autocomposição em:
Unilateral – é caracterizada pela renúncia de uma das partes a sua pretensão.
Bilateral – ocorre quando cada uma das partes faz concessões recíprocas, ao que se
denomina de transação. Exemplos são os acordos e as convenções coletivas.
Os acordos coletivos são realizados entre o sindicato de empregados e uma ou mais
empresas.
A convenção coletiva ocorre entre o sindicato de trabalhadores e de empregadores.

7.3.3) Heterocomposição.
Verifica-se a heterocomposição quando a solução dos conflitos trabalhistas é
determinada por um terceiro. Exemplos de heterocomposição são a mediação, a
arbitragem e a tutela ou jurisdição.
Somente após a autocomposição malograda é que se pode utilizar os métodos da
heterocomposição. Assim, a autocomposição é fase preliminar e obrigatória da
heterocomposição.

7.3.3.1) Mediação – a mediação ocorre quando um terceiro, chamado pelas partes,


vem a solucionar o conflito, propondo a solução às partes. O mediador pode ser
qualquer um, não necessitando de conhecimentos jurídicos. O que importa é que
venha mediar o conflito, ouvindo as partes, interpretando o deseja das mesmas,
aconselhando e fazendo propostas.
ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA DO TRABALHO
A Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional 45/2004
que alterou o art. 114 da Carta Magna, ampliou a competência da
Justiça do Trabalho (JT), atribuindo a esta poderes para dirimir
conflitos decorrentes da relação de trabalho e não somente de
emprego, como era a redação anterior.

A relação de trabalho tem uma abrangência muito maior que a


relação de emprego. A relação de emprego é apenas uma das
modalidades da relação de trabalho, ou seja, caracteriza-se pela
relação entre empregado (art. 2º da CLT) e empregador (art. 3º da
CLT).

A relação de trabalho tem caráter genérico e envolve, além da


relação de emprego, a relação do trabalho autônomo, do trabalho
temporário, do trabalho avulso, da prestação de serviço e etc.
ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA DO TRABALHO
O art. 114 da Constituição Federal dispõe sobre a competência
material da Justiça do Trabalho, estabelecendo que compete à
Justiça do Trabalho processar e julgar, dentre outras ações, as
seguintes:
1) ações da relação de trabalho;
2) ações do exercício do direito de greve;
3) ações sobre representação sindical (entre sindicatos,
sindicatos e trabalhadores e sindicatos e empregadores);
4) ações de indenização por dano moral ou patrimonial
decorrentes da relação de trabalho;
5) ações de penalidades administrativas impostas aos
empregadores pelos órgãos fiscalizadores (INSS, Receita Federal,
Ministério do Trabalho e etc.).
6) decidir quanto à homologação de acordo extrajudicial em
matéria de competência da Justiça do Trabalho.
ÓRGÃOS DA JUSTIÇA DO TRABALHO - art. 111 a 116 da Constituição Federal
ÓRGÃOS DA JUSTIÇA DO TRABALHO - art. 111 a 116 da Constituição Federal

Em cada instância da Justiça do Trabalho (acima demonstrado) será proferida


uma sentença judicial ou acórdão (pelo respectivo órgão julgador) das provas
efetuadas pelas partes no processo, que poderá ou não ser alvo de recurso
para a instância superior, tanto por parte da empresa quanto por parte do
empregado.
O recurso é o ato em que a parte manifesta a intenção de ver novamente
apreciada a causa, em geral por órgão diverso do anterior e hierarquicamente
superior a este (princípio do duplo grau de jurisdição), com o objetivo de que a
decisão proferida seja modificada a seu favor.

As Varas do Trabalho (VT), antes conhecidas como Juntas de Conciliação e


Julgamento (JCJ), são os órgãos de 1º grau ou 1ª instância da JT, onde
normalmente se inicia o processo trabalhista.
O julgador das VT são os juízes do trabalho. Nas localidades onde não houver
VT ou que não sejam cobertas por Varas de Trabalho próximas, o juiz de direito
local terá competência trabalhista, ou seja, poderá julgar os processos
trabalhistas destas localidades.
FLUXOGRAMA DO PROCEDIMENTO
TRABALHISTA EM DISSÍDIO INDIVIDUAL
JURISDIÇÃO DAS VARAS DO TRABALHO NA PARAÍBA

Jurisdição Jurisdição
João Pessoa Santa Rita

Outras cidades desta Jurisdição Outras cidades desta Jurisdição


Alhandra - Bayeux - Caaporã - Cabedelo Cruz do Espírito Santo - Lucena -
- Conde – Pitimbu Riachão do Poço - Sapé - Sobrado

Jurisdição Jurisdição
Campina Grande Itabaiana

Outras cidades desta Jurisdição Outras cidades desta Jurisdição


Alcantil - Areial - Aroeiras - Assunção - Barra de Caldas Brandão - Gurinhém - Ingá - Juripiranga -
Santana - Barra de São Miguel - Boa Vista - Mogeiro - Natuba - Pedras de Fogo - Pilar - Riachão
Boqueirão - Cabaceiras - Caturité - Fagundes - Gado do Bacamarte - Salgado de São Félix - São José dos
Bravo - Itatuba - Juarez Távora - Juazeirinho - Lagoa Ramos - São Miguel de Taipu
Seca - Massaranduba - Montadas - Olivedos -
Pocinhos - Puxinanã - Queimadas - Riacho de Santo
Antônio - Santa Cecília - São Domingos do Cariri -
São Sebastião de Lagoa de Roça - Serra Redonda -
Soledade - Tenório – Umbuzeiro
Jurisdição Jurisdição
Mamanguape Areia

Outras cidades desta Jurisdição Outras cidades desta Jurisdição


Baía da Traição - Capim - Cuité de Alagoa Grande - Alagoa Nova -
Mamanguape - Curral de Cima - Itapororoca - Alagoinha - Algodão de Jandaíra - Arara
Jacaraú - Marcação - Mataraca - Pedro Régis - - Esperança - Matinhas - Mulungu -
Rio Tinto
Pilões – Remígio
Jurisdição
Jurisdição
Guarabira
Picuí
Outras cidades desta Jurisdição
Outras cidades desta Jurisdição
Araçagi - Araruna - Bananeiras - Belém -
Baraúna - Barra de Santa Rosa - Cubati -
Borborema - Cacimba de Dentro -
Cuité - Damião - Frei Martinho - Nova
Caiçara - Casserengue - Cuitegi - Dona
Floresta - Nova Palmeira - Pedra Lavrada
Inês - Duas Estradas - Lagoa de Dentro -
- Seridó – Sossêgo
Logradouro - Mari - Pilõezinhos -
Pirpirituba - Riachão - Serra da Raiz -
Serraria - Sertãozinho - Solânea - Campo
de Santana
Jurisdição Jurisdição
Monteiro Itaporanga

Outras cidades desta Jurisdição Outras cidades desta Jurisdição


Amparo - Camalaú - Caraúbas - Congo - Coxixola - Aguiar - Boa Ventura - Igaracy - Conceição -
Gurjão - Ouro Velho - Parari - Prata - Santo André - Coremas - Curral Velho - Diamante - Ibiara -
São João do Cariri - São João do Tigre - São José dos Manaíra - Nova Olinda - Pedra Branca - Piancó -
Cordeiros - São Sebastião do Umbuzeiro - Serra Princesa Isabel - Santa Inês - Santana de
Branca - Sumé - Zabelê Mangueira - Santana dos Garrotes - São José de
Caiana - São José de Princesa - Serra Grande –
Jurisdição Tavares
Patos
Jurisdição
Outras cidades desta Jurisdição Sousa
Água Branca - Areia de Baraúnas - Cacimba
de Areia - Cacimbas - Catingueira - Condado -
Desterro - Vista Serrana - Emas - Imaculada - Outras cidades desta Jurisdição
Junco do Seridó - Juru - Livramento - Mãe Aparecida - Cajazeirinhas - Carrapateira -
d'Água - Malta - Maturéia - Olho d'Água - Lagoa - Lastro - Marizópolis - Nazarezinho -
Passagem - Quixabá - Salgadinho - Santa Paulista - Poço Dantas - Pombal - Santa Cruz -
Luzia - Santa Teresinha - São José de Santarém - São Bentinho - São Domingos de
Espinharas - São José do Bonfim - São José Pombal - São Francisco - São José da Lagoa
do Sabugi - São Mamede - Taperoá - Teixeira Tapada - Uiraúna – Vieirópolis
– Várzea
Jurisdição Jurisdição
Catolé do Rocha Cajazeiras

Outras cidades desta Jurisdição Outras cidades desta Jurisdição


Belém do Brejo do Cruz - Bom Sucesso - São João do Rio do Peixe - Bernardino
Brejo do Cruz - Brejo dos Santos - Jericó Batista - Bom Jesus - Bonito de Santa Fé
- Mato Grosso - Riacho dos Cavalos - - Cachoeira dos Índios - Monte Horebe -
São Bento - São José do Brejo do Cruz Poço de José de Moura - Santa Helena -
São José de Piranhas – Triunfo
COMPOSIÇÃO
DO PLENO
TRT 13ª REGIÃO
EDUARDO SÉRGIO DE ALMEIDA WOLNEY DE MACEDO
PRESIDENTE CORDEIROVICE-PRESIDENT

UBIRATAN MOREIRA DELGADO ANA MARIA FERREIRA MADRUGA FRANCISCO DE ASSIS C. E SILVA CARLOS COELHO DE M. FREIRE

EDVALDO DE ANDRADE PAULO A. MAIA DE V. FILHO LEONARDO JOSÉ V. TRAJANO THIAGO DE OLIVEIRA ANDRADE
OUVIDOR
COMPOSIÇÃO DAS TURMAS DE JULGAMENTO

PRIMEIRA TURMA
 Des. Paulo Maia (Presidente)
 Des. Ana Maria Ferreira Madruga
 Des. Filho Leonardo José Videres Trajano
 Des. Carlos Coelho de Miranda Freire

SEGUNDA TURMA
 Des. Francisco de Assis Carvalho e Silva (Presidente)
 Des. Edvaldo de Andrade
 Des. Eduardo Sérgio de Almeida
 Des. Wolney de Macedo Cordeiro
TRIBUNAIS REGIONAIS DO TRABALHO

TRT 1ª Região - Rio de Janeiro TRT 13ª - Paraíba


TRT 2ª Região - São Paulo TRT 14ª - Rondônia
TRT 3ª Região - Minas Gerais TRT 15ª - Campinas-SP
TRT 4ª - Rio Grande do Sul TRT 16ª - Maranhão
TRT 5ª - Bahia TRT 17ª - Espírito Santo
TRT 6ª - Pernambuco TRT 18ª - Goiás
TRT 7ª - Ceará TRT 19ª - Alagoas
TRT 8ª - Pará TRT 20ª - Sergipe
TRT 9ª - Paraná TRT 21ª - Rio Grande do Norte
TRT 10ª- Brasília TRT 22ª - Piauí
TRT 11ª- Amazonas TRT 23ª - Mato Grosso
TRT 12ª - Santa Catarina TRT 24ª - Mato Grosso do Sul
TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO - TST

Composição do Pleno:
JOÃO BATISTA BRITO PEREIRA – Presidente
RENATO DE LACERDA PAIVA – Vice-Presidente
LELIO BENTES CORRÊA– Corregedor-Geral da Justiça do Trabalho
Ives Gandra Da Silva Martins Filho Márcio Eurico Vitral Amaro
Antônio José de Barros Levenhagen Walmir Oliveira da Costa
João Oreste Dalazen Maurício Godinho Delgado
Maria Cristina Irigoyen Peduzzi Kátia Magalhães Arruda
Emmanoel Pereira Augusto César Leite de Carvalho
Aloysio Corrêa da Veiga José Roberto Freire Pimenta
Luiz Philippe Vieira de Mello Filho Delaíde Alves Miranda Arantes
Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira Hugo Carlos Scheuermann
Maria de Assis Calsing Alexandre de Souza Agra Belmonte
Dora Maria da Costa Cláudio Mascarenhas Brandão
Fernando Eizo Ono Douglas Alencar Rodrigues
Guilherme Augusto Caputo Bastos Maria Helena Mallmann
COMISSÕES DE CONCILIAÇÃO PRÉVIA – Arts. 625-A / 625-H, da CLT

1. Origem das comissões de conciliação prévia

Conciliação é um negócio jurídico mediante o qual as partes resolvem um


conflito, com a intervenção de terceiros.
A Lei no 9.958, de 12 de janeiro de 2000, que entrou em vigorem
13.04.2000, alterou fundamentalmente a Consolidação obreira, na medida
em que inseriu condições para o direito positivo público de ação e permitiu
a execução de título executivo extrajudicial.
A instituição da Comissão de Conciliação Prévia teve origem no Egrégio
Tribunal Superior do Trabalho que, preocupado com imenso volume de
processos (2 milhões e meio), apresentou proposta de reforma do processo
de trabalho.
O projeto de lei sofreu inúmeras modificações até se transformar na Lei n"
9.958/00, que efetivamente veio instituir as Comissões de Conciliação
Prévia de forma geral no âmbito da Justiça do Trabalho.
COMISSÕES DE CONCILIAÇÃO PRÉVIA – Arts. 625-A / 625-H, da CLT

2. Da inconstitucionalidade
Os pontos críticos da citada Lei são o art. 625-D e o parágrafo único do art.
625-E, que veda o acesso ao judiciário, nos títulos conciliados e sem
expressa ressalva, criando um pressuposto processual ou, como entendem
alguns, uma condição da ação, in verbis:

Art. 625-D. Qualquer demanda de natureza trabalhista será submetida à


Comissão de Conciliação Prévia se, na
localidade da prestação de serviços, houver sido instituída a Comissão no
âmbito da empresa ou do sindicato da categoria.
Art. 625-E (...)
Parágrafo único. O termo de conciliação é título executivo extrajudicial e
terá eficácia liberatória geral, exceto quanto às parcelas expressamente
ressalvadas.
COMISSÕES DE CONCILIAÇÃO PRÉVIA – Arts. 625-A / 625-H, da CLT

Contudo, entendemos aí a inconstitucionalidade da Lei, uma vez que o art.


5o, XXXV, assegura irrestritamente o acesso ao judiciário, consagrando o
Estado Democrático de Direito.
Há quem entenda que não se trata de violação à Constituição, mas sim uma
mera condição da ação, surgindo o interesse de agir, somente a partir de
quando tentada a conciliação.
No entanto, o acesso direto e efetivo ao Poder Judiciário é um direito
inviolável do cidadão, em especial no processo trabalhista, onde ainda
vigora o ius postulandi, guarnecido por todas as normas de proteção.
Tanto assim é que tramitam no STF quatro ações diretas de
inconstitucionalidade, desde que em vigor a Lei, ainda sem solução.

3. Fraudes
Conciliação é um negócio jurídico mediante o qual as partes resolvem um
conflito, com a intervenção de terceiros. É, pois, uma transação, e transação
não é renúncia.
COMISSÕES DE CONCILIAÇÃO PRÉVIA – Arts. 625-A / 625-H, da CLT

A par disso, é que recentemente em visita ao Presidente do STF, Min.


MARCO AURÉLIO DE MELLO, o presidente da ABRAT - Associação Brasileira
de Advogados Trabalhistas, entregou pessoalmente um dossiê, cujo
conteúdo dá conta das inúmeras fraudes que vêm ocorrendo em todo o
País, em desfavor do trabalhador.
Os direitos insertos nos contratos de trabalho são direitos fundamentais do
trabalhador, resguardados pelo princípio maior que é o da proteção que
vigora na relação entre patrão e empregado.

4. Violação dos princípios básicos do direito do trabalho


Até se admite que o Judiciário Trabalhista acolha a forma encontrada pelo
Governo de reduzir o volume de processo. Contudo, não pode fazer ouvido
mouco aos gritos da classe trabalhadora, quando violados frontalmente em
seus direitos, sob pena de, além do mais, violar princípios fundamentais.
O art. 8o da CLT assim preceitua:"... decidirão conforme o caso, pela
jurisprudência, a analogia, por equidade e outros 'princípios' e normas
gerais do direito', (grifos nossos)
COMISSÕES DE CONCILIAÇÃO PRÉVIA – Arts. 625-A / 625-H, da CLT

Princípios Específicos do Direito do Trabalho


Violados nas Comissões

Princípio da proteção
Princípio da primazia da realidade
Princípio da irrenunciabilidade
Princípio da razoabilidade

Conclusão

O governo procura a todo modo se furtar da proteção do trabalhador,


beneficiando o capital, o devedor, haja vista os vários projetos tramitando no
Senado, cujo objetivo é atender ao capital externo.
Necessário, pois, que sejam implementadas reformas no Judiciário
Trabalhista, com alterações processuais, mais celeridade aos processos,
propiciando condições humanas e
PROCESSO DO TRABALHO – RESUMO
Espécies de processos judiciais
a) Processo Civil — ressarcimento econômico (patrimônio).
b) Processo Penal — punição (liberdade).
c) Processo Trabalhista — verbas salariais.

Obs.: as diferenças entre as 3 espécies de processos judiciais


encontrados no Direito Positivo brasileiro decorrem do próprio Direito
Material que objetivam atuar.
Processo do Trabalho — características diferenciadoras:
— órgãos próprios de jurisdição;
— função precipuamente conciliatória;
— jus postulandi;
— legislação própria (CLT);
— poder normativo dos tribunais (nos dissídios coletivos);
PROCESSO DO TRABALHO – RESUMO
Processo do Trabalho — características diferenciadoras:
•Gratuidade para o hipossuficiente;
•Inversão do ônus probandi;
•Impulso ex officio;
•Despersonalização do empregador (as
— protecionismo do empregado
alterações na estrutura jurídica da
empresa não afetam os direitos
trabalhistas);
•Jus postulandi das partes;
•Possibilidade de reclamação verbal
Tipos de Processos

Individual — reclamação (verbal ou escrita) — julgada pela Vara do Trabalho,


que profere a sentença.
Coletivo — dissídio coletivo — apreciado pelo TRT ou TST, que prolatam o
Acórdão (sentença normativa, no caso). Visa estabelecer normas e condições
de trabalho (ex.: reajustes salariais, direitos do empregado). É proposto pelo
Sindicato, quando não alcançado o acordo coletivo
PROCESSO DO TRABALHO – RESUMO

Elementos, condições e pressupostos processuais

“A todo o DIREITO corresponde uma AÇÃO, que o assegura” (CC, art. 75).

direito direito
material instrumental
(ao bem) (a tutela do bem)

Ação — poder jurídico de invocar a tutela jurisdicional do Estado.


Direito de ação — direito à prestação jurisdicional do Estado. A violação do
direito material dá origem a outro direito: o de invocar a jurisdição do
Estado. Dirige-se, portanto, contra este.
PROCESSO DO TRABALHO – RESUMO

Elementos, condições e pressupostos processuais

Elementos da ação — servem para individualizá-la, de forma que, havendo duas com
os mesmos elementos, dá-se a litispendência. São:

— ativo —> autor relação


a) Sujeitos Juiz jurídica
—passivo —> réu processual

b) Objeto — direito material violado (pretensão);


c) Causa de pedir — fundamento do direito material (título jurídico hábil para
garantir o direito do autor).
Pluralidade de sujeitos — litisconsórcio (ativo ou passivo).
• Facultativo — comunhão, conexão ou
afinidade de direitos ou obrigações.
Litisconsórcio
(CPC, arts. 113 e 114)
• Necessário — imposto pela lei ou natureza da
lide, cuja solução deve ser igual para todos.
PROCESSO DO TRABALHO – RESUMO
O juiz pode limitar, de ofício, o número de litisconsortes, para facilitar
a tramitação do processo (CPC, art. 113, parágrafo único). E praxe
desmembrar em várias reclamatórias distintas a reclamação plúrima
com elevado número de reclamantes.
Condições da ação:
a) interesse processual (de agir) — ter interesse em obter a tutela do
direito material (supõe a lesão do direito);
b) legitimação — ser titular do direito material (legitimatio ad
causam):
c) possibilidade jurídica do pedido — existir a previsão no
ordenamento jurídico da pretensão do autor.
As condições da ação representam os requisitos obrigatórios para o
exercício desse direito. Em princípio, não há necessidade de previsão
expressa de cada ação (implicitamente, a cada direito objetivo
material violado corresponde uma). A falta de alguma das condições
da ação leva à sua carência (CPC, art. 485, VI).
PROCESSO DO TRABALHO – RESUMO

A ausência das condições da ação ou dos pressupostos


processuais pode ser declarada de ofício pelo juiz em qualquer
grau de jurisdição (CPC, art. 485, § 3o).

Pressupostos processuais:
a) Objetivos: — estar investido de jurisdição (Vara do
Trabalho ou juiz de direito, TRT. TST);
—Referentes ao juiz
— competência;
•impedimento
— imparcialidade
•suspeição

— referentes às partes — capacidade de estarem em juízo


(legitimatio ad processum);
PROCESSO DO TRABALHO – RESUMO
Pressupostos processuais:
b) objetivos:
— inexistência de fatos impeditivos — coisa julgada
(mesmos elementos da ação, no tempo ou
no espaço) — litispendência

— Petição apta
— subordinação do procedimento à lei — Citação regular
— Procuração hábil
Os pressupostos processuais constituem requisitos necessários para estabelecer-
se regularmente a relação jurídica processual. Devem ser examinados, portanto,
antes das condições da ação. A legitimação como condição da ação é ad causam,
isto é, a capacidade de ser titular do direito material, diferente da legitimação
como pressuposto, que é ad processum, quer dizer, capacidade de pleitear em
juízo.
A capacidade de ser parte em juízo supõe a de ser titular de direito (capacidade
jurídica de gozo), a qual, após a Revolução Francesa, Sá reconhecida a todos os
cidadãos, pelo princípio de que todos são iguais perante a lei
CLASSIFICAÇÃO DAS AÇÕES TRABALHISTAS
a) Ações individuais (reclamação) — para a tutela de interesses
individuais e concretos:

— condenatórias — conferem o poder de pedir


a execução judicial. Podem ser:
— de indenização;
— de aviso prévio;
— de saldo de salário;
— de conhecimento — de horas extras, etc.;
— cominatórias — impõem obrigação de fazer
ou de não fazer, sob pena de pagamento de
multa. O juiz pode, de ofício, aplicar multa por
descumprimento dessas obrigações em outras
ações (CPC, art. 814). Ex.:
— ação civil pública para adoção de medidas
de segurança no ambiente de trabalho;
CLASSIFICAÇÃO DAS AÇÕES TRABALHISTAS
a) Ações individuais (reclamação) — para a tutela de interesses
individuais e concretos:
— constitutivas — criam, modificam ou
extinguem um direito ou uma relação
jurídica (eficácia ex nunc, isto é. desde
agora). Exs.:
— inquérito judicial para apuração de falta
— de conhecimento
grave;
— ação de anulação de transferência ilícita;
— declaratórias — afirmam a existência de
uma relação jurídica (eficácia ex tunc, isto
é, desde então). Exs.:
— de relação de emprego;
— de tempo de serviço;
— de qualificação profissional;
CLASSIFICAÇÃO DAS AÇÕES TRABALHISTAS
a) Ações individuais (reclamação) — para a tutela de interesses
individuais e concretos:

—executórias — visam a realização coativa de um direito legalmente certo:

— judiciais — sentença de conhecimento;


— títulos executivos — extrajudiciais — acordos trabalhistas
na DRT; acordos nas Comissões de
Conciliação Prévia

—ações de cumprimento de acordo ou sentença coletiva (processo


semelhante ao de conhecimento, mas com âmbito de discussão mais
restrito);
—cautelares — visam assegurar os resultados da ação principal (supõem a
existência do fumus bani iuris e do perículum in mora).
CLASSIFICAÇÃO DAS AÇÕES TRABALHISTAS
b) Ações coletivas (dissídio coletivo) — para a tutela de interesses
gerais e abstratos:
— de natureza econômica (constitutivas) — criam normas e
condições de trabalho;
— de natureza jurídica (declaratórias) — interpretam as normas
estabelecidas em dissídio anterior.
Obs.: os dissídios coletivos de natureza jurídica prestam-se também à
interpretação da lei em tese (Constituição e leis ordinárias). Porém, como a
sentença neles proferida tem natureza exclusivamente declaratória, o
cumprimento e a aplicação da lei interpretada apenas poderão ser
pleiteados nos dissídios individuais (reclamatórias).

Poder Normativo da Justiça do Trabalho — criar normas de Direito


do Trabalho nos dissídios coletivos, no branco da lei, desde que a
esta não se oponham (supõe a frustração da negociação coletiva e
da arbitragem — CF, art. 114, § 2o).
PETIÇÃO INICIAL E REPRESENTAÇÃO
Petição inicial (dissídio individual) — requisitos (CLT, art. 840 e seus §):
— designação do juiz titular da Vara do Trabalho a que é dirigida;
— qualificação do autor (reclamante);
— individualização do réu (reclamado);
— exposição dos fatos;
— pedido que deverá ser certo, determinado e com indicação de seu valor;
— data e assinatura do autor ou representante;
— valor da causa (Lei n. 5.584/70, arts. 1o e 2o). Requisitos exigidos na Justiça
Comum (CPC, arts. 319 e 320):
— fundamentos jurídicos;
— indicação das provas;
— requerimento da citação do réu;
— documentos.
Atenção: Os pedidos que não atendam ao disposto no § 1º deste artigo serão
julgados extintos sem resolução do mérito. (§ 3º do art. 840 da CLT)
Na Justiça do Trabalho, há a possibilidade da reclamação verbal, em que o
empregado comparece ao fórum para apresentá-la, sendo então distribuída e
reduzida a termo na Secretaria da Junta que a recebeu por sorteio.
MODELO DE PETIÇÃO INICIAL
EXMO. SR. DR. JUIZ DA ___VARA DO TRABALHO DE CAMPINA GRANDE - PARAÍBA

8 LINHAS
D. T., brasileiro, casado, enrolador, titular da CTPS no 4000, série 123, residente e domiciliado na rua das Orquídeas, 19,
Centro, São Paulo, por seu advogado que esta subscreve (doc. 1), vem, mui respeitosamente, à presença de V. Exa., propor ação
trabalhista contra INDUSTRIAL M. LTDA., com sede na rua do Japão, no 12, Centro, São Paulo, CEP 02132-060, de acordo com as razões
a seguir aduzidas. O autor foi admitido em 1-1-87 e dispensado sem justa causa em 18-2-05. Seu último salário mensal era de R$
1.000,00. Optou pelo FGTS na admissão.
Trabalhava das 8 às 18 horas, de segunda à sexta-feira, com intervalo de uma hora.
Entende ter direito a uma hora extra diária com adicional de 50%, e reflexos nos 13os salários (S. 45 do TST), dsr’s (S. 172
do TST), férias (§ 5º do art. 142 da CLT), aviso prévio (§ 5º do art. 487 da CLT) e FGTS (S. 63 do TST) mais 40%.
Pede:
a) uma hora extra diária com adicional de 50% $ 8.181,81
b) reflexos das horas extras em dsr’s, aviso prévio,
férias, 13º salário, $ 1.636,36
c) incidência de FGTS mais 40% sobre a e b $ 1.099,63
(cálculo:
item a $ 1.000,00 : 220 × 50% × 1 h/ dia × 5 dias × 4 semanas × 12 meses × 5 anos
item b 20% de a
item c 11,2% s/ a + b)
Requer a citação da reclamada para contestar a presente postulação, se o desejar, sob pena de revelia e confissão quanto
a matéria de fato, que a final deverá ser julgada procedente, condenando a reclamada na forma do pedido, acrescido de
juros e correção monetária.
Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, sem exclusão de nenhum, especialmente
pelo depoimento pessoal do réu, sob pena de confissão (S. 74 do TST), oitiva de testemunhas, perícias, juntada de
documentos e demais provas que se fizerem necessárias.
Dá à causa o valor de $ 13.000,00.
P. Deferimento.
Campina Grande, ____ de __________ de 2017.
Advogado
OAB nº
AUDIÊNCIA INAUGURAL E CONTESTAÇÃO
a) Audiência inaugural — inicia-se com o chamamento das partes (pregão).
Primeira tentativa de conciliação — aberta a audiência, o juiz titular da Vara
tenta conciliar as partes. Não tendo sucesso, prossegue com o oferecimento
da defesa. Havendo acordo, este é homologado pelo juiz e vale como
decisão irrecorrível, atacável exclusivamente por ação rescisória (CLT, art.
831, parágrafo único).

— do autor — arquivamento da reclamatória. O reclamante poderá propor


novamente a reclamação, mas, se não comparecer outra vez — ficará
impedido por 6 meses de ajuizar nova reclamatória (CLT, art. 732);
— do réu — revelia, com a conseqüente confissão ficta sobre a matéria de
fato.

b) Contestação — é feita, na Justiça do Trabalho, na própria audiência


inaugural. Depois de lida a reclamação, o réu tem 20 minutos para fazer a
defesa oral ou entregar a contestação escrita. O empregador deve pagar na
audiência inaugural os salários incontroversos, sob pena de ser compelido a
pagá-los com acréscimo de 50% no final do processo (CLT, art. 467).
DIREITO DE DEFESA - (CONTESTAÇÃO)
1. REVELIA

Consiste na ausência à audiência inaugural. Tem como conseqüência a


confissão ficta (são considerados verdadeiros os fatos alegados pelo autor).
—A confissão ficta não existe nos dissídios coletivos.
— Confissão provocada — quando uma parte pede o depoimento da
outra, sob essa pena, e esta não comparece (não existe na Justiça do
Trabalho).
— Silêncio — o fato alegado por uma parte e não negado pela outra é
tido como verdadeiro (não basta a negação genérica de todos os fatos).
— O não-comparecimento do reclamante resulta no arquivamento da
reclamação.
— O revel, no final do processo, deve ser notificado da sentença.
— O não-comparecimento na audiência em que deveria depor, sob
pena de confissão, importa na aplicação desta (Súmula 74 do TST).
DIREITO DE DEFESA
2. Defesa, Exceção e Reconvenção
— não contestar a ação;
Ficar inerte: revelia (contumácia)
— não comparecer à audiência

— falta dos pressupostos processuais


(objetivos e subjetivos, relativos às partes);
Direta
— ausência das condições da ação.

Contra o — Inépcia da inicial


Diante da pretensão processo
do Rete., o Redo. pode:
exceções processuais
Resistir:
Indireta (incompetência, impedimento e
defesa e suspeição).
exceção

Contra o
Mérito
DIREITO DE DEFESA
2. Defesa, Exceção e Reconvenção

— negação dos fatos;

Direta
— negação das consequências jurídicas
Resistir: dos fatos
defesa e Contra o
Diante da pretensão Mérito
do Rete., o Redo. pode: exceção
— objeções (pagamento e novação);

Indireta
— exceções substanciais (prescrição,
compensação e retenção).

Contra-Atacar: Reconvenção.
DIREITO DE DEFESA
a) DEFESA — forma direta de resistência. Contra o processo, visa sua nulidade ou a
declaração de carência da ação.

b) EXCEÇÃO — forma indireta de resistência.

— processuais (dilatórias) — visam paralisar ou dilatar o processo


(suspendem o feito, devendo — ser decididas imediatamente);
Espécies
— substanciais (peremptórias) — visam pôr fim ao processo, opondo fatos
impeditivos ou extintivos (podem ser decididas na sentença).

RECONVENÇÃO — é a ação do réu contra o primitivo autor (desde que haja conexão:
seja comum o objeto ou a causa de pedir). A reconvenção é julgada na mesma
sentença que decide a ação principal, e a desistência desta não repercute naquela,
que prossegue (diferentemente do recurso adesivo).

INÉPCIA — Situação verificada quando entre a narração dos fatos e o pedido não há
lógica. Quando há causa e não há pedido ou quando houver pedido sem causa.
Petição ininteligível, de difícil ou impossível compreensão (petição malfeita, risco de
indeferimento liminarmente). A conseqüência é a correção da petição ou a sua
extinção sem apreciação do mérito, conforme arts. 485, inciso I e 330 do CPC.
DIREITO DE DEFESA
3. Impedimento e suspeição
Constituem garantias da imparcialidade do juiz:
a) Hipóteses de impedimento (incapacidade absoluta do juiz) (CPC, art. 144):
— ser parte no processo (ou terceiro interessado);
— ter intervindo anteriormente (perito, MP, etc.);
— ter proferido decisão de 1° grau;
— parentesco do juiz com o advogado;
— parentesco do juiz com a parte;
— ser órgão de administração ou direção de pessoa jurídica parte na causa;
— parentesco entre dois juízes (o que primeiro intervier na causa impede o segundo — CPC, art.
136).
Obs.: a não-decretação de ofício pelo juiz ou a argüição, pela parte, quando descoberto o
impedimento posteriormente, gera ação rescisória (CPC, art. 966, II).
b) Hipóteses de suspeição (incapacidade relativa do juiz) (CPC, art. 145):
— ser amigo íntimo ou inimigo capital de uma das partes;
— as partes serem credoras ou devedoras do juiz ou parentes seus;
— ser herdeiro, donatário ou empregador de uma das partes;
— receber presentes, aconselhar as partes, subministrar meios para atender às despesas do
litígio;
— ser interessado no julgamento em favor de uma das partes;
— motivo de foro íntimo (CPC, art. 145, parágrafo único).
DIREITO DE DEFESA
4. Prescrição

É a perda do direito de ação pelo seu não-exercício no prazo


determinado por lei.
— No Direito do Trabalho é de 5 anos o prazo prescricional no
curso da relação empregatícia e de 2 anos após a rescisão
contratual.
A prescrição interrompe-se com o ajuizamento da reclamatória
(CPC, art. 240 e § 1°; CC, art. 172,1).
DISTRIBUIÇÃO E CITAÇÃO
a) Distribuição — é feita quando há mais de um órgão competente para julgar a ação:
— diversas Varas do Trabalho na mesma cidade;
—nos TRTs e TST, entre os juízes.
— normal;
— por dependência — quando há conexão ou continência entre as
ações ou recursos;
Espécie
— preventa — para o juiz que já conheceu da matéria
anteriormente (ex.: revista para quem deu provimento ao agravo
de instrumento).

b) Citação — é o chamamento do réu para responder à ação.


— postal — é a normal na Justiça do Trabalho, processo de conhecimento, no
estabelecimento do reclamado; presume-se válida 48 horas depois de remetida —
Enunciado Nº 16 do TST);
mandado — citação feito por oficial de justiça (processo de execução, dada a
Formas necessidade da pessoalidade);
— edital — quando não é conhecido o paradeiro do réu (pode ser nomeado um
procurador do trabalho como curador do réu revel não encontrado);
— por hora certa — depois de três vezes não encontrado o réu, o oficial de justiça
marca hora para aparecer (incompatível com o processo do trabalho).
DISTRIBUIÇÃO E CITAÇÃO
Para a citação fora dos limites territoriais do juízo (e prática de outros atos processuais):

— de ordem — para juízo hierarquicamente inferior;


Cartas — precatória — para juízo de igual hierarquia;
— rogatória — para juízo estrangeiro.

Efeitos da citação válida:

— prevenção do juízo;
— induz litispendência;
— toma litigiosa a questão;
— constitui em mora o devedor;
— interrompe a prescrição;
— estabiliza os elementos essenciais da causa.

Obs.: a citação é diferente da intimação, que é o ato pelo qual se dá ciência a


alguém dos atos e termos do processo, para que faça ou deixe de fazer alguma
coisa.
DISTRIBUIÇÃO E CITAÇÃO
As formas de intimação são:

— publicação no órgão oficial (acórdãos) e despachos; no caso de sentenças, a


publicação faz-se na própria audiência de julgamento (Súmula 197 do TST);

— comunicação postal (necessária nos dissídios coletivos;


nos individuais, se a sentença não é juntada aos autos em 48 horas, deve ser feita a
intimação pelo correio — Súmula 30 do TST).
INSTRUÇÃO - PROVAS
Prova — manifestação particular do princípio do contraditório (liberdade
de contradizer com provas),
— Complexo de elementos de que dispõe o juízo para o conhecimento
dos fatos.
— Busca do convencimento do juízo a respeito dos fatos que alicerçam a
pretensão.
— proposição — determinação dos fatos a serem demonstrados e
indicação dos (momentos) - meios de prova;
— admissão—poder que tem o juiz de indeferi-la;
Fase probatória (momentos)
produção — reprodução em juízo dos fatos afirmados pelas partes.
Princípio da hierarquia das provas — não vigora no processo moderno,
sendo o juiz livre para apreciá-las.
—A lei não estabelece hierarquia, mas há meios mais eficazes que outros
para provar-se um fato.
— Se o juiz formar sua convicção por uma determinada prova, poderá
dispensar as outras (CPC, art. 450).
INSTRUÇÃO - PROVAS

•do autor — quanto aos fatos constitutivos do seu


direito;
Ônus da prova (CPC, art. 333)
•do réu — quanto à existência de fatos impeditivos,
modifícativos e extintivos do direito do autor.

 fatos notórios;
 fatos confessados;
 fatos incontroversos (não contraditos ou com
trânsito em julgado em outro processo);
Não admitem prova  presunção iurís et de iure
(CPC, art. 334)  Prova de direito (CPC, art. 376) — quando
alegado direito municipal, estadual, estrangeiro
ou costumeiro (sentença coletiva ou acordo), a
parte deve trazer aos autos os textos indicados.

iurís et de iure: De direito por direito. Presunção que não admite prova em contrário.
Presunção absoluta.
INSTRUÇÃO - PROVAS
a) Depoimento pessoal — interrogatório das partes feito em
audiência. A confissão é meio de prova que decorre do
depoimento em que se reconhecem os fatos alegados pela outra
parte.
— espontânea;
— provocada — quando uma parte pede o comparecimento da
outra para depor, e esta não Confissão — comparece (não
existe na Justiça do Trabalho);
ficta — quando a parte não comparece à audiência em que
deveria depor (Súmula 74 do TST).
b) Documental — documentos públicos ou privados, inclusive
Espécies de prova fotos, filmes ou fitas gravadas, que devem vir com a inicial ou
com a contestação.
A juntada posterior à audiência inaugural somente é permitida
(Súmula 8 do TST):
— para provar fato novo;
— quando ficar demonstrado que houve impedimento de
juntada anterior.
A autenticidade de documento privado pode ser impugnada pela
outra parte (CPC, art. 430); já a validade de documento oferecido
em xerocópia não autenticada deve ser rejeitada de ofício (CLT,
art. 830).
INSTRUÇÃO - PROVAS
c) Testemunhal — terceiro não interessado no processo com
obrigação de depor e de dizer a verdade, informando sobre os
fatos de que tem conhecimento, sob compromisso (3 para cada
parte e 6 no inquérito judicial). Sua inquirição é feita em
audiência e reduzida a termo. Na Justiça do Trabalho as partes é
que levam as testemunhas à audiência (CLT, art. 845). No
processo do trabalho não vige o adágio unus testis, testis nullus.
As testemunhas que tenham parentesco com qualquer das par-
tes, amizade íntima ou inimizade declarada não podem prestar
compromisso, sendo meras informantes (CLT, art. 829). O fato de
a testemunha também litigar contra o mesmo empregador em
Espécies de prova outro processo não é considerado como hipótese de suspeição
(Súmula 357 do TST).
d) Pericial — para provar fatos de percepção técnica, isto é, que
dependem de conhecimento especial (o perito elabora o laudo
pericial, respondendo aos quesitos formulados pelas partes, que
podem também indicar assistentes técnicos para ajudá-lo).

•Exame (sobre pessoas e móveis);


Espécies •Vistoria (sobre imóveis);
•Avaliação (em inventário, etc.).
INSTRUÇÃO - PROVAS
— Perícia obrigatória — insalubridade e periculosidade.

e) Inspeção judicial — o juiz faz o exame direto da coisa material,


em audiência externa (faculdade que possui).

Na falta de provas pode-se decidir com base em:

— Máximas de experiência — surgem pela observação comum


dos fatos da vida (objetivam, não a convicção do juiz, mas a não-
rejeição da ação por falta de provas);
— Indícios — circunstâncias conhecidas e provadas que, tendo
Espécies de prova relação com o fato, autorizam, por indução, concluir-se sobre
outros fatos ou circunstâncias;

iuris tantum — admitem prova em contrário;


• Presunções
iuris et de iure — não admitem prova em contrário.
CONCILIAÇÃO E JULGAMENTO
a) Conciliação — os órgãos da Justiça do Trabalho são
precipuamente conciliatórios. A conciliação entre as partes deve
ser tentada antes de ser julgada a causa e imposta
coercitivamente uma sentença.
antes da instrução;
Conciliação obrigatória renovar depois das razões finais.
— E obrigatória a tentativa de conciliação, sob pena de nulidade
processual. Não será nula a sentença se, ao menos, houver a segunda
tentativa de conciliação depois das razões finais.
— A composição amigável pode ser feita em qualquer fase processual,
sendo homologada, desde que não lesiva ao empregado ou atentatória a
preceito de ordem publica.
— Natureza jurídica da conciliação — atividade estatal semi-jurisdicional
(ato intermediário entre jurisdicional e administrativo): o Estado não
impõe sua vontade, mas apenas sanciona o acordo entre as partes
(verificando a validade da transação); a sentença homologatória
extingue o processo com julgamento do mérito (CPC, art. 269).
CONCILIAÇÃO E JULGAMENTO
b) Julgamento — frustradas as tentativas de conciliação, a Vara do Trabalho
julgará a lide, aplicando o direito à espécie.
— Sentença — é a apresentação da prestação jurisdicional. Sua principal
consequência é a coisa julgada.

DEFEITOS DA SENTENÇA:

ultra petitum — quantitativamente além do pedido (ex.:


deferir mais horas extras do que as pedidas, ainda que a
prova demonstre que o pedido foi inferior ao direito).
extra petitum — qualitativamente diverso do pedido (ex.:
Julgamento deferir aviso prévio, quando se pediu apenas a liberação do
(CPC, arts. 141e 492) FGTS).
citra petitum —qualitativamente ou quantitativamente
aquém do pedido a que se tem direito (ex.: omite o tópico
das horas extras pleiteadas ou as defere em número menor
do que as pedidas e provadas).
CONCILIAÇÃO E JULGAMENTO
Coisa julgada — qualidade da sentença de tornar-se imutável, uma vez esgotados os
recursos que a ataquem ou precluso o prazo para deles utilizar-se.
formal — esgotamento ou preclusão dos recursos, operando só no mesmo processo,
não impedindo que se intente nova ação (sentença não de mérito);
Espécies-
material — imutabilidade quanto a pretensão, produzindo efeitos definitivos fora do
processo e impedindo decisões contraditórias (sentença de mérito).

-Acórdão — é a decisão prolatada por um tribunal.

— relatório
Deve conter: — fundamentação
(CPC, art. 489) (CPC, art. 943) — dispositivo
— ementa
RITO SUMARÍSSIMO
a) Causas — estão submetidas ao procedimento sumaríssimo as reclamações
trabalhistas cujo valor da causa seja de até 40 salários mínimos (é o
procedimento mais célere, criado pela Lei n. 9.957/00, para as pequenas
causas trabalhistas, dispensando, assim, para a Justiça do Trabalho a
criação de juizados especiais de pequenas causas, já que a própria Justiça
do Trabalho é uma Justiça Especial).
b) Características (CLT, arts. 852-A a 852-I):
— petição inicial — o pedido deve ser certo e determinado, indicando
exatamente o que se pretende devido e no seu montante, com o valor
correspondente (ex.: o pedido de horas extras deve indicar exatamente
quantas se postulam por dia e com que valor global);
— inexistência de citação por edital — se o endereço estiver errado, a
reclamação será arquivada, com custas para o reclamante;
— audiência única — deve ser realizada dentro de 15 dias do ajuizamento da
ação, podendo ser o prazo dilatado para a realização de mais uma audiência,
dentro de 30 dias, no caso de ser necessária prova pericial {celeridade
processual);
— proposta conciliatória — pode ser feita em qualquer fase da audiência
(deve o juiz envidar todos os esforços para consegui-la);
RITO SUMARÍSSIMO
— testemunhas — apenas duas para cada parte, trazidas
diretamente para a audiência (somente será intimada se não
comparecer quando devidamente convidada pela parte);
— incidentes e exceções — devem ser decididos imediatamente
na audiência;
— sentença — proferida na própria audiência, dispensado o
relatório (basta o registro em ata, de forma resumida, dos atos,
afirmações e informações úteis à solução da causa).

c) Recursos (CLT, arts. 895, §§ P e 2a, e 896, § 6a):


— recurso ordinário — apreciado em l O dias pelo relator, sem
revisor, com parecer oral da Procuradoria e com acórdão
consistente na própria certidão de julgamento;
— recurso de revista — restrito às hipóteses de contrariedade a
súmula do TST ou violação direta da Constituição Federal.
CONFLITOS COLETIVOS DE TRABALHO
1. FORMAS DE COMPOSIÇÃO DOS CONFLITOS COLETIVOS DE TRABALHO

FORMAS DE COMPOSIÇÃO DOS CONFLITOS COLETIVOS NORMAS


Negociação coletiva
CONVENÇÃO OU
VOLUNTÁRIAS Conciliação
ACORDO COLETIVO
Mediação
Facultativa
Arbitragem LAUDO ARBITRAL
Obrigatória
IMPOSITIVAS
Jurisdição Estatal (Dissídio Coletivo) SENTENÇA NORMATIVA

. DISSÍDIO COLETIVO

Ação para tutela de interesses gerais e abstratos da categoria, visando


geralmente a criação de condições novas de trabalho e remuneração,
mais benéficas do que as previstas em lei. A sentença normativa nele
prolatada põe termo ao conflito coletivo de trabalho.
CONFLITOS COLETIVOS DE TRABALHO
ESPÉCIES CARACTERÍSTICASDE DISSÍDIO COLETIVO

Dissídio coletivo de natureza econômica criação de normas e condições de trabalho


(sentença constitutiva)

Originário: inexiste norma coletiva anterior (CLT, art. 867, parágrafo único, a)

Revisional: pretende a revisão da norma coletiva anterior (CLT, arts. 873 a 875)

De Extensão: visa a extensão a toda a categoria das normas acordadas ou impostas apenas
a parte dela (CLT, arts. 868 a 871)

Dissídio coletivo de natureza jurídica: interpretação de lei ou norma coletiva particular da


categoria (sentença declaratória). É inadmitido para interpretar norma legal de caráter
geral para toda a classe trabalhadora (RITST, art. 313, II)

Dissídio coletivo de greve (natureza mista): quando há paralisação do trabalho; pode ser
instaurado pelo Ministério Público (CLT, art. 856);

Adota procedimento mais célere (CLT, art. 860, parágrafo único); supõe apreciação prévia
do caráter abusivo do movimento (Lei n. 7.783/89), o que lhe dá natureza jurídica, mas
pode discutir as condições de trabalho, o que lhe confere natureza econômica
CONFLITOS COLETIVOS DE TRABALHO
CONDIÇÕES DA AÇÃO COLETIVA
a) Possibilidade jurídica do pedido — supõe a possibilidade de criação de norma coletiva
para a categoria pela via do dissídio coletivo.
— Não têm direito à negociação coletiva (CF, arts. 39, § 2a, e 7a, XXXVI) e aos dissídios
coletivos (STF-ADIn 492-DF) os servidores públicos, uma vez que as vantagens econômicas
apenas podem ser conferidas por lei (CF, art. 61, § l2, II, a\ devendo as despesas dos entes
públicos com seus servidores serem previstas no orçamento (CF, art. 167, ü).
b) Legitimação ad causam — sendo o dissídio coletivo uma ação da categoria, necessita o
sindicato de sua autorização, por meio de assembléia geral convocada especificamente
para esse fim.
— A autorização supõe assembléia com a presença de pelo menos 1/8 dos empregados
associados ao sindicato, sendo aprovada a negociação coletiva e o ajuizamento do dissídio
por 2/3 dos empregados presentes (CLT, arts. 524, 612, parágrafo único, e 859).
c) Interesse processual — supõe a alteração das condições fálicas da prestação de
serviços e do contexto econômico, gerando a necessidade de criação de novas normas
coletivas (CLT, art. 873).
— No dissídio coletivo, não é a lesão ao Direito que gera o interesse de agir, mas a lesão à
Justiça, quando se alteram as circunstâncias fálicas, de modo a tornar injustas as
condições de trabalho e remuneração então vigentes. Assim, há a necessidade de
adequação do Direito à Justiça Social.
CONFLITOS COLETIVOS DE TRABALHO
PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS DA AÇÃO COLETIVA

a) Subjetívos:
— referentes ao juiz —- competência hierárquica — os dissídios de âmbito
regional devem ser ajuizados nos TRTs, e os de âmbito supra-regional ou
nacional, no TST;
— referentes às partes — legitimação "ad processam"— os sindicatos atuam
como substitutos processuais da categoria (Lei n. 8.073/90); as empresas
podem figurar no pólo passivo; o Ministério Publico pode instaurar dissídio
coletivo quando existente greve (CLT, art. 856, e Lei n. 7.783/89, art. 82).
Há litisconsórcio passivo quando mais de uma entidade é suscitada. É comum
quando o suscitante é sindicato de categoria diferenciada, isto é, aquela com
estatuto profissional especial (CLT, art. 511, § 3a), chamando todas as empresas
que contratem esses empregados (ex.: telefonistas, motoristas, etc.).
Como apenas os sindicatos têm legitimidade para propor o dissídio (CLT, art.
534, § 3°), as federações podem compor a lide apenas como assistentes (CPC,
art. 119), ocorrendo o inverso se o dissídio for de âmbito estadual ou nacional.
Obs.: a Justiça do Trabalho, apenas incidentalmente, pode decidir sobre
conflito de representatividade entre sindicatos, para efeito de julgar um
dissídio coletivo concreto.
CONFLITOS COLETIVOS DE TRABALHO
PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS DA AÇÃO COLETIVA
— negociação coletiva prévia — o ajuizamento de dissídio coletivo deve
ser precedido de tentativa de negociação coletiva entre as partes (podendo-se
recorrer à arbitragem antes que ao Judiciário — CF, art. 114, § 1°). Somente a
frustração da negociação é que dá azo ao ajuizamento do dissídio. No caso do
coletivo de natureza jurídica, a prévia negociação não é pressuposto processual
de validade para o seu processamento, uma vez que tal ação não busca a
criação de condições de trabalho. A jurisprudência mais recente da Seção de
Dissídios Cole-tivos (SDC) do TST entende que a exaustão das vias negociais,
expressamente prevista no art. 114 da Constituição, e a autorização da
categoria trabalhadora, nos termos do art. 859 da CLT, são requisitos
indispensáveis ao ajuizamento do dissídio coletivo, independentemente do seu
objeto;
— inexistência de norma coletiva em vigor — o dissídio coletivo só
pode ser ajuizado após um ano de vigência da sentença normativa ou do
acordo ou convenção coletiva (CLT, art. 873);
— prazo de ajuizamento — dentro dos 60 dias que antecedem a data-base
da categoria (CLT, art. 616, § 3°), sob pena de perda daquela (CLT, art. 867,
parágrafo único, a);
CONFLITOS COLETIVOS DE TRABALHO
PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS DA AÇÃO COLETIVA

— requisitos da petição inicial (representação) — deve vir


acompanhada dos seguintes documentos:

 edital de convocação da assembléia geral da categoria;


 ata da referida assembléia;
 lista de presença dos empregados à assembléia;
 certidão da DRT de fracasso da negociação coletiva;
 norma coletiva anterior (quando o dissídio é revisional);
 procuração ao advogado que a subscreve.

Deve conter proposta de solução do conflito, por meio do elenco de


cláusulas que se busca ver instituídas, devidamente fundamentadas
(CLT, art. 858, b), sob pena de não-apreciação da representação ou
da cláusula (PN n. 37 do TST).
CONFLITOS COLETIVOS DE TRABALHO
PROCEDIMENTO NO DISSÍDIO COLETIVO

a) Conciliação — é tentada numa audiência exclusiva para isso. O


presidente do tribunal, não aceitas as propostas das partes, apre-
sentará sua própria solução (CLT, art. 862).
— Havendo acordo, este será levado ao tribunal para ser ho-
mologado.
— Frustrada a conciliação, o processo será sorteado para um dos
juízes do tribunal, sendo por este julgado.
b) Julgamento —é feito pêlos grupos normativos nos TRTs divididos
em turmas ou pela SDC no TST, que prolata uma sentença normativa.
— Sentença coletiva — consequência do Poder Normativo da Justiça
do Trabalho (jurisdição de equidade, que se rege não pelo princípio
da legalidade, mas pelo da discricionariedade, concedendo as
vantagens pleiteadas conforme a conveniência e a oportunidade).
CONFLITOS COLETIVOS DE TRABALHO
PROCEDIMENTO NO DISSÍDIO COLETIVO

— Cria normas e condições de trabalho.


— Vigora erga omnes e não inter partes, assemelhando-se à norma
jurídica por seu caráter geral e abstrato e instituindo novos direitos e
garantias aos trabalhadores.
— A sentença homologatória de acordo coletivo vale como sentença coletiva.
— A Justiça do Trabalho, ao prolatar as sentenças coletivas, opera no
branco da lei, complementando-a.
— Em dissídio coletivo não há que se falar em julgamento ultra ou
extra petita, pois nele não há pedido, mas proposta de conciliação
(CLT, art. 858, b).
CONFLITOS COLETIVOS DE TRABALHO
LIMITES DO PODER NORMATIVO DA JUSTIÇA DO TRABALHO

a) Teto — justa retribuição ao capital (CLT, art. 766); não se podem conceder
cláusulas ou um conjunto de condições que comprometam a viabilidade
econômica da empresa.
b) Degraus — equidade, conveniência e bom senso (o deferimento das cláusulas
não pode ser feito indiscriminadamente com base em precedentes genéricos para
todas as categorias; devem-se levar em consideração as condições laborais de cada
categoria e o conjunto das vantagens a serem concedidas, de forma a que o
indeferimento de determinada cláusula seja justificado, num dado contexto, pela
concessão de outras vantagens no mesmo dissídio, dada a oportunidade e a
conveniência de se alterarem as condições de trabalho vigentes para determinada
categoria).
c) Patamar — Constituição e demais normas legais e convencionais (CF, art. 114, §
2a, in fine): não se podem estabelecer condições de trabalho menos vantajosas do
que as mínimas já garantidas.
Obs.: as normas estabelecidas em acordos ou convenções coletivas devem ser
mantidas nas sentenças normativas que as substituam (CF, art. 114, § 2a), somente
podendo ser revogadas por acordo ou convenção posterior (Lei n. 8.542/ 92, art.
1°, § 1°).
CONFLITOS COLETIVOS DE TRABALHO
PRECEDENTES NORMATIVOS DO TST

Jurisprudência reiterada da Suprema Corte Trabalhista, concedendo


ou negando vantagens laborais às diversas categorias, postuladas
além das já previstas em lei. O TST vinha concedendo, entre outras,
as seguintes vantagens: adicional de 100% para as horas extras;
adicional noturno de 60%; estabilidade provisória ao aposentando,
acidentado ou alistando; aviso prévio de 60 dias; trato de terra para
cultivo ao rurícola; abono de falta para levar filho ao médico;
licença não remunerada ao estudante para prestação de provas;
fornecimento de uniformes, etc. No entanto, recentemente, cancelou
28 de seus 119 Precedentes Normativos (sessão de 13-8-1998).
CONFLITOS COLETIVOS DE TRABALHO
ESPÉCIES DE CLÁUSULAS INSTITUÍDAS EM SENTENÇA NORMATIVA

a) Cláusulas econômicas — são as mais debatidas, concernentes ao reajuste


salarial, aumento real a título de produtividade e fixação do piso salarial da
categoria.
b) Cláusulas sociais — instituem garantias de emprego e vantagens laborais que
não oneram economicamente de forma direta as empresas, tais como abonos de
faltas e fixação de condições menos desgastantes da prestação de trabalho.
c) Cláusulas sindicais — regulamentam o relacionamento do sindicato com as
empresas, fixando contribuições a serem descontadas dos empregados em favor
da entidade sindical, instituindo garantias aos dirigentes sindicais e possibilitando
sua atuação no âmbito das empresas.
11. Instrução Normativa n. 04/93 do TST
Cria a figura do protesto judicial para garantir a data-base (com obrigação de ajuizar
o dissídio em 30 dias); previsão do prazo de 10 dias para emendar representação
incompleta; celeridade (8 dias para o parecer, 10 com o relator, 5 com o revisor, e
10 dias para prolação do acórdão); e defesa com apresentação das condições
financeiras da empresa e da situação econômica do setor.
NULIDADE PROCESSUAL
VÍCIO DO ATO PROCESSUAL (PRATICADO PELO JUIZ OU PELAS PARTES) QUE O
IMPEDE DE PRODUZIR EFEITOS.

Espécies NULIDADE ABSOLUTA NULIDADE RELATIVA


a) defeito que gera ato nulo ato anulável
b) interesse em jogo público (norma imperativa) privado (norma dispositiva)
produz efeito enquanto não anulado
c) efeitos não produz qualquer efeito
pelo juiz
d) sentença anulatória declaratória constitutiva
e) abrangência da sentença erga omnes inter pars
f) quem pode alegar até o juiz e o Ministério Público somente os interessados
g) possibilidade de
não existe pode ser ratificado
ratificação
h) prescritibilidade imprescritível ação anulatória prescreve
— agente absolutamente — agente relativamente incapaz —
incapaz — objeto ilícito — não- defeitos dos atos jurídicos (comum no
i) casos observância da forma legal (é a que concerne à prova e aos acordos):
mais corrente causa de nulidade —erro — dolo — coação —
processual) simulação — fraude
NULIDADE PROCESSUAL
PRINCÍPIOS

a) Princípio do prejuízo — a nulidade apenas será declarada se resultar do


ato viciado prejuízo à parte (pas de nullité sans grief) (CLT, art. 794).
Se o juiz, no mérito, puder decidir favoravelmente à parte que invocou a
nulidade, não a decretará (CPC. art. 282, § 2a).
b) Princípio da finalidade — se o ato atingiu sua finalidade, ainda que não
atendida a forma prescrita em lei. não será declarado nulo (ex.: vício de
citação sanado pelo comparecimento espontâneo do réu à audiência) (CPC,
arts. 188 e 277).
c) Princípio da preclusão — as nulidades devem ser argüidas na primeira
oportunidade de falar nos autos após sua ocorrência (CLT, art.795).
d) Princípio da utilidade — se o ato anulado é premissa necessária dos
seguintes válidos, todos perderão seus efeitos; porém, se não houver
correlação de dependência, poderão ser aproveitados (utile per inutile non
vitiatur) (CLT, art. 798).
RECURSOS NO PROCESSO DO TRABALHISTA
I. Princípios Gerais
Recursos — meios de impugnar as decisões judiciais não transitadas em
julgado.
II. Pressupostos Genéricos
• objetivos:

- previsão legal do recurso; - adequação;


- tempestividade; - preparo;
• subjetivos — sucumbência parcial ou total.
• Interposição — Na Secretaria e no juízo que proferiu a decisão
recorrida.
Duplo grau de jurisdição — garante uma melhor solução do litígio
(saber que a decisão será revista faz com que se julgue melhor).
Problema: distanciamento dos fatos.
RECURSOS NO PROCESSO DO TRABALHISTA
III. Princípios

a) Unirrecorribilidade — de cada decisão só cabe um recurso


(exceções: interposição simultânea de embargos infringentes e
recurso extraordinário ou de recurso especial e recurso extraordinário).

b) Variabilidade — respeitada a tempestividade, há a possibilidade


de se desistir de um recurso e entrar com outro de diferente contra a
mesma decisão (a interposição do segundo faz preexistência do
primeiro) (CPC de 1939, art. 809 — sobrevive como princípio).

c) Unicidade — um recurso só pode ser interposto uma vez contra a


mesma decisão (ex.: os segundos embargos declaratórios são
somente contra o acórdão dos primeiros e não contra o acórdão
principal).
RECURSOS NO PROCESSO DO TRABALHISTA
III. Princípios

d) Fungibilidade — respeitada a tempestividade e


atenuada a adequação, aceita-se um recurso por outro
(CPC de 1939, art. 810 — sobrevive como princípio; CPC,
art. 283— fundamento genérico que poderia ser aplicado
em matéria recursal para justificar a manutenção do
princípio da fungibilidade recursal).

e) Intertemporalidade — recurso novo possui vigência


imediata; um recurso extinto sobrevive em relação ao
processo que o utilizou.
RECURSOS NO PROCESSO DO TRABALHISTA
IV - Efeitos dos Recursos:

— devolutivo — a controvérsia debatida na decisão revisanda é


devolvida à instância superior, que assim conhecerá da causa em tela,
reformando ou mantendo a decisão recorrida;
— suspensivo — quando a eficácia da decisão revisanda fica suspensa
até pronunciamento do órgão revisor;
— regressivo — ocorra nas hipóteses em que o recurso é dirigido ao
órgão prolator da decisão recorrida (embargos de declaração e
infringentes);
— diferido — quando a apreciação do recurso depende da
interposição de outro apelo contra decisão diversa (ex.: recurso
extraordinário manifestado conjuntamente com recurso especial ou
embargos infringentes, dependendo de julgamento prévio destes)
RECURSOS NO PROCESSO DO TRABALHISTA
Juízo de admissibilidade do recurso:

a) a quo — exercido pelo presidente do órgão prolator da decisão, verificando se


preenche os pressupostos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade. Em caso de
trancar o recurso, cabe agravo de instrumento contra o despacho denegatório (se a
admissibilidade ficou restrita a algum tema, não cabe agravo, pois o tribunal
poderá apreciar todas as matérias veiculadas no recurso). Admitido ou trancado o
apelo, pode haver, após o oferecimento de contra-razões ou de agravo, o juízo de
retratação, para destrancar ou denegar seguimento ao recurso (CPC, art. 1010,
parágrafo único);

b) ad quem — exercido pelo órgão julgador do recurso (isoladamente pelo relator


[CPC, art. 932; Lei n. 7.701/88] ou colegiadamente pelo Tribunal), para verificar se
tem condições de ser conhecido.

Contagem do prazo recursal — da intimação da decisão (na própria


audiência, quando presentes as partes) ou de sua publicação no DJ.
RECURSOS NO PROCESSO DO TRABALHISTA
RECURSOS NO PROCESSO DO TRABALHISTA
Litisconsórcio recursal — o recurso interposto por um dos
litisconsortes a todos aproveita (CPC, art. 1005).

Deserção — ocorre quando não há o pagamento das


custas, emolumentos relativos aos traslados ou depósito
recursal. Este deve ser efetuado no valor da condenação,
até o limite de R$ 9.189,00 para o recurso ordinário e
RS 18.378,00 para o de revista, embargos, recurso
extraordinário e recurso em ação rescisória (Ato TST
360/2017), devendo ser realizado na conta vinculada do
empregado e comprovado dentro do prazo recursal.

V. §s 9º, 10 e 11 do Art. 899 da CLT


RECURSOS NO PROCESSO DO TRABALHISTA
O pagamento do depósito recursal deve ser comprovado no
prazo de interposição do recurso (Lei n. 5.584/70, art. 7°). Já as
custas devem ser pagas até 5 dias após a interposição do
recurso (CLT, art. 789, § 4°) e comprovadas em 5 dias após seu
pagamento (CPC, art. 218, § 3º), ou seja, até 10 dias após a
interposição do recurso (Súmula 352 do TST).

Recurso Adesivo — havendo sucumbência recíproca e uma das


partes recorrendo, a outra pode aderir ao recurso da primeira
(CPC, art. 1010, § 1º). O prazo é contado fora do prazo ao
recurso principal (5 dias, a partir do despacho que admitiu o
principal — Súmula 283 de TST). Está vinculado ao principal (se
houver desistência, inadmissão ou deserção do principal, o
adesivo não continua).
MODALIDADES RECURSAIS EM DISSÍDIOS INDIVIDUAIS
a) RECURSO ORDINÁRIO — das decisões das Varas do Trabalha em
reclamações trabalhistas e das decisões dos TRTs em mandados de
segurança e ações rescisórias.
— Prazo — 8 dias. — Pagamento das Custas
— Requisito — depósito recursal do valor da condenação, até o limite
de R$ 9.189,00. Não exige pré-questionamento, una vez que a
devolutividade é ampla e de toda a matéria impugnada, ainda que
não abordada na sentença (CPC, art. 1013).
— Efeitos — apenas devolutivo (devolve toda a matéria de (fato e de
direito), pois já pode ser iniciada a execução provisória. E possível a
apreciação originária de matéria não abordada na sentença, sem que
isso constitua supressão de instância, quando se tratar de omissão
(CPC, art. 1013). A necessidade de devolução do processo à Vara,
para apreciação do mérito, se dá quando esta deixou de examiná-lo
por acolher alguma preliminar de extinção do feito.
MODALIDADES RECURSAIS EM DISSÍDIOS INDIVIDUAIS
b) RECURSO DE REVISTA — das decisões dos TRTs prolatadas em
recursos ordinários, visando uniformizar a jurisprudência trabalhista
em todo o território nacional. (Art. 896 e 896-A da CLT)
— Prazo — 8 dias.
— Requisitos:
— violação direta e literal da Constituição ou de lei federal ou
divergência jurisprudencial (com decisões de outros TRTs, da Seção
de Dissídios Individuais — SDI do TST, ou de súmulas do TST, desde
que a matéria já não seja sumulada em sentido contrário ou
pacificada por jurisprudência iterativa e notória do TST);
— no caso de a norma invocada vir de acordo coletivo, sentença
normativa, lei estadual ou regulamento empresarial, o recurso só é
admissível se a norma tem vigência no âmbito jurisdicional de mais
de um TRT;
MODALIDADES RECURSAIS EM DISSÍDIOS INDIVIDUAIS
b) RECURSO DE REVISTA – (Continuação)

— no caso de a revista ser interposta em processo de


execução de sentença, somente é viável com base em
violação literal e direta de dispositivo constitucional;
— no caso de a revista ser interposta em processo sujeito
ao rito sumaríssimo, somente é cabível com base em
contrariedade a sumula do TST ou violação literal e direta
de dispositivo constitucional;
— complementar o depósito recursal até R$ RS 18.378,00
ou até o acréscimo havido no valor da condenação;
Pré-questionamento (Súmula 297 do TST).
Efeitos — somente devolutivo.
MODALIDADES RECURSAIS EM DISSÍDIOS INDIVIDUAIS
EMBARGOS

a) De Divergência — das decisões das turmas do TST.


— Prazo — 8 dias.
— Requisitos — violação de lei (não se admite por violação do art.
896 da CLT com base em lei a jurisprudência colacionada no recurso
de revistara, ou não, especificamente divergente da decisão do TRT)
e divergência jurisprudencial (com decisões do TST, de outra turma
ou da SDI).
— Efeito — apenas devolutivo.

b) Infringentes — das decisões da SDI do TST em mo rescisória.


— Prazo — 8 dias.
— Requisito — não-unanimidade da decisão (e que aja originário o
processo do TST).
MODALIDADES RECURSAIS EM DISSÍDIOS INDIVIDUAIS
EMBARGOS
c) Declaratórios — para o mesmo órgão prolator da decisão.
— Prazo — 5 dias (CPC, art. 1023).
— Requisito — existência de lacuna, obscuridade ou contradição na decisão.
— Efeito — a regra geral é o efeito meramente regressivo, já que não há
devolução da matéria; no entanto, admite-se efeito modificativo à decisão
quando a sanação de omissão sobre determinado ponto compromete a
decisão anteriormente tomada, por se tratar de matéria prejudicial (Súmula
278 do TST). O STF exige que, nesses casos, seja dada vista à parte contrária,
para contra-razoar os embargos.
— Interrompem o prazo para a interposição do recurso cabível para reforma da
decisão (CPC, art. 1026).
— O relator pode aplicar multa de 1% sobre o valor da causa se os embargos
forem meramente protelatórios e, no caso de novos embargos protelatórios,
elevar para 10% essa multa, cujo depósito prévio é condição para se recorrer
(CPC, art. 1026).
MODALIDADES RECURSAIS EM DISSÍDIOS INDIVIDUAIS
AGRAVOS

a) De Instrumento — dos despachos denegatórios de recursos.


— Prazo — 8 dias (se for para o STF, são 10 dias).
— Requisitos:
— traslado das peças essenciais à compreensão da controvérsia
(despacho agravado, certidão de intimação da decisão agravada,
procuração dos advogados de ambas as partes, petição inicial,
contestação, decisões recorridas, petições de recursos, comprovante
do pagamento do depósito recursal e das custas), cabendo ao
agravado a formação do instrumento de agravo, pela juntada de
cópia das peças exigidas por lei;
— possibilidade do julgamento imediato do recurso trancado, caso
provido o agravo.
MODALIDADES RECURSAIS EM DISSÍDIOS INDIVIDUAIS
AGRAVOS

b) Regimental — dos despachos denegatórios de


recursos dentro do TST (de Presidente de turma,
seção e de relator de recurso de revista).
— Prazo — 8 dias.

c) De Petição — das decisões dos juízes titulares de


Varas do Trabalho em processo de execução de
sentença.
— Prazo — 8 dias.
MODALIDADES RECURSAIS EM DISSÍDIOS INDIVIDUAIS
RECURSO EXTRAORDINÁRIO — das decisões do TST (em geral das
seções; das de turma quando em processo de agravo de instrumento
ou regimental).
— Prazo — 15 dias.
— Requisitos:
— esgotamento das vias recursais trabalhistas;
— prequestionamento da matéria constitucional;
— ofensa literal e direta à Constituição.
— Efeito — apenas devolutivo.

Prequestionamento — é a circunstância de a matéria ou questão


sobre a qual se pretende novo pronunciamento encontrar-se
previamente debatida e analisada na decisão recorrida (requisito
exigido nos recursos de natureza extraordinária).
MODALIDADES RECURSAIS EM DISSÍDIOS COLETIVOS
a) RECURSO ORDINÁRIO (RO-DC) — do TRT para o TST (quando o
dissídio é de âmbito regional).
— Comportava pedido de efeito suspensivo, formulado ao presidente do
TST (Lei n. 4.725/65, art. 6", § l2), que foi vedado pela Lei n. 7.788/89
(art. 7°).
— A conveniência do efeito suspensivo decorre do fato de que:
— inexiste a possibilidade da repetição do indébito caso as cláusulas
que conferiram determinados benefícios pagos pelo empregador sejam
cassadas pelo TST;
— não se justificaria a manutenção da decisão regional no interregno
entre sua prolação e a cassação pelo TST, podendo-se conceder o efeito
suspensivo somente às cláusulas cuja jurisprudência do TST seja
contrária (como era feito durante o período de vigência do § 1° do art.
6a da Lei n. 4.725/65), e não ao recurso ordinário no seu todo.
MODALIDADES RECURSAIS EM DISSÍDIOS COLETIVOS
— Baseado em poder geral de cautela do juiz (CPC, art. 798), o TST
passou a admitir o requerimento da suspensão da decisão regional
mediante medida cautelar, dirigida ao ministro relator no TST, e cujos
fundamentos seriam o periculum in mora decorrente da demora no
julgamento do recurso ordinário (com possibilidade de execução
imediata das cláusulas) e o fumus boni iurís, consistente na
jurisprudência do TST contrária à cláusula.
— Efeito suspensivo (atualmente) — a MP n. 1.079/95 e suas
reedições, até a MP n. l .950/00, atribuiu efeito suspensivo aos
recursos interpostos das decisões normativas da Justiça Trabalhista
(conferido pelo presidente do TST), nos mesmos moldes daquele
existente anteriormente.
b) EMBARGOS INFRINGENTES (E-DC) — do TST para o próprio TST
(quando a decisão da SDC não é unânime) (dissídios coletivos de
âmbito nacional).
RESUMO GRÁFICOS SOBRE RECURSOS
Fluxograma dos recursos em dissídios individuais
Quadros Gráfico dos Pressupostos de Admissibilidade do Recurso de Revista
Quadros Gráfico dos Pressupostos de Admissibilidade do Recurso de Revista
PROCESSO DE EXECUÇÃO
l. Execução provisória e definitiva
Princípio básico — à execução deve preceder uma sentença de
conhecimento ou um título equiparado a uma sentença condenatória.

Judicial — sentença condenatória;


— Acordo nas CCP
Títulos Executivos
Extrajudicial
— Termo firmado com o MPT
O único título executivo extrajudicial que seria cabível na Justiça do
Trabalho seria o termo de compromisso firmado perante o Ministério
Público do Trabalho em inquérito civil público, no caso da multa nele
prevista reverter para os empregados ou para a empresa.
Ação de execução — nova ação (o processo cognitivo já terminou) e
processo autônomo (nova citação, novos autos).
PROCESSO DE EXECUÇÃO
Não há contraditório (não existe audiência, sentença ou
contestação), uma vez que o não cumprimento voluntário da
sentença condenatória leva à constrição judicial (execução forçada).
Só haverá julgamento quando existirem embargos à execução
(processo incidente).

A regra geral é de que a execução deve ser provocada, Salvo exceção


o processo do trabalho, em que ela pode ser iniciada de ofício pelo
juiz titular da Vara do Trabalho quando o exeqüente não estiver
representado nos autos por advogado legalmente consulado.

a) Execução provisória — ocorre quando o recurso interposto contra


a sentença que se quer executar é recebido no efeito meramente
devolutivo (exige extração de carta de sentença).
PROCESSO DE EXECUÇÃO
a) Execução provisória — ocorre quando o recurso
interposto contra a sentença que se quer executar é
recebido no efeito meramente devolutivo (exige extração
de carta de sentença).

Características facultativa:

Limitada — podendo chegar apenas à penhora;


Responsabilidade Objetiva — realizada por conta e risco do
exeqüente
PROCESSO DE EXECUÇÃO
b) Execução definitiva — ação de execução, que prescreve
em 2 anos da data em que transitou em julgado a sentença
condenatória ou o acordo homologado. Pode ser intentada
pela parte ou pelo Ministério Público, assim como também
pelo próprio juiz titular da Vara do Trabalho (que julgou a
ação originária).

Características:
— plena: podendo ser ordenada de ofício pelo juiz (art. 878 -
CLT);
— ilimitada: até a satisfação final do devedor;
— sem responsabilidade do exeqüente: mesmo que a
coisa julgada venha a ser cassada por ação rescisória.
PROCESSO DE EXECUÇÃO
2. Liquidação de sentença
É o procedimento necessário quando a sentença não determina
o valor ou não individualiza o objeto da condenação.
Espécies ( art. 879 – CLT)
— por cálculo — do contador, que depende somente de
operação matemática (os cálculos são homologados pelo juiz);
— por arbitramento — avaliação dos elementos dos autos que
não demandam simples operação matemática
— por artigos — quando há necessidade, para determinar o
valor da condenação, de alegar e provar fato novo (o requerente
apresenta seus artigos, o requerido contesta e o juiz decide).
Art. 879, § 7º da CLT - A atualização dos créditos decorrentes de condenação judicial
será feita pela Taxa Referencial (TR), divulgada pelo Banco Central do Brasil, conforme
a Lei nº 8.177, de 1º de março de 1991.
PROCESSO DE EXECUÇÃO
3. Embargos à Execução
Processo incidente que visa impugnar a sentença que fixou
o valor da condenação ou assegurar que a execução se
realize na forma da lei, garantindo assim os direitos do
executado.
Devem ser opostos em 5 dias, após garantida a execução (o
art. 884 da CLT fala que é da data da intimação da
penhora).
Só quando opostos embargos à execução é que o juiz
profere sentença no processo de execução.
Art. 884, § 6º da CLT - A exigência da garantia ou penhora não se aplica às
entidades filantrópicas e/ou àqueles que compõem ou compuseram a diretoria
dessas instituições.
PROCESSO DE EXECUÇÃO
Penhora — ato pelo qual o juízo retira do patrimônio do exe-
cutado tantos bens quantos bastem para a satisfação do débito
nascido com a sentença condenatória.
Há bens impenhoráveis (CPC, art. 833). Os depósitos do FGTS
são impenhoráveis.
Depósito judicial — o juiz nomeia um depositário para
guardar os bens móveis penhorados. O depositário infiel, que
não os devolve quando solicitado, pode sofrer prisão civil
decretada pelo juiz titular da Vara do Trabalho.
Avaliação da penhora — ato pelo qual o oficial de justiça-
avaliador atribui um valor aos bens penhorados. A avaliação só
poderá ser repetida quando houver erro ou dolo do avaliador
ou se verificar uma diminuição do valor dos bens após a
avaliação (CPC, art. 873).
PROCESSO DE EXECUÇÃO
Penhora
Obedece a uma hierarquia de bens (só ao executado cabe
mudar a preferência para melhor):
— dinheiro;
— pedras e metais preciosos;
— títulos da dívida pública;
— móveis;
— veículos;
— semoventes;
— imóveis;
— navios e aeronaves;
—direitos e ações.
PROCESSO DE EXECUÇÃO
Arrematação — venda em praça dos bens penhorados pelo maior
lanço. Deve ser anunciada por edital (supõe licitação) e feita in totum
(todos os bens penhorados para um único comprador).
Leilão — quando os bens penhorados não forem arrematados por
um único comprador, mas vendidos separadamente em praça.
Adjudicação — é a entrega dos bens penhorados ao exeqüente, que
se satisfaz com eles, caso não sejam vendidos.
Embargos de terceiro — quando o proprietário ou possuidor do bem
penhorado ou arrematado, não sendo parte no processo, toma
ciência da turbação do seu bem e busca, por esse meio, recuperá-lo
(CPC. arts. 1.046a 1.054).
Podem ser opostos a qualquer tempo no processo de conhecimento.
No processo de execução, até 5 dias após a arrematação ou
adjudicação.
Agravo de petição — recurso contra a sentença do juiz titular da Vara
do Trabalho que, em processo de execução, que julgou os embargos .
PROCESSO DE EXECUÇÃO
Precatório — forma pela qual se processa a execução contra a Fazenda
Pública (CF, art. 100; CPC, arts. 534).
Nos processos trabalhistas em que a executada for a União, os Estados ou
os Municípios, bem como suas autarquias, fundações e empresas públicas,
deverá o empregado requerer perante o TRT, TST ou STF (conforme a última
decisão prolatada) a expedição do ofício requisitório da verba necessária à
satisfação do precatório (pois os entes públicos, sujeitos ao princípio da
previsão orçamentária das despesas, devem incluir no orçamento a verba
necessária à satisfação de seus débitos judiciais).
O dispositivo constitucional que toma privilegiado o crédito judicial trabalhista
(dado seu caráter alimentício) não afasta do procedimento do precatório tal
crédito, mas apenas o dispensa do princípio geral de observância da ordem
cronológica de ingresso (dando-lhe, assim, precedência sobre os demais créditos):
a inafastabilidade do procedimento do precatório decorre da impenhorabilidade
dos bens públicos (não se podem constranger as entidades públicas mediante
execução por meio de penhora).
FLUXOGRAMA DO PROCESSO DE EXECUÇÃO

MARTINS FILHO, Ives Gandra. Manual de Direito e Processo do Trabalho. São Paulo: Saraiva
PROCESSOS ESPECIAIS
l. AÇÃO RESCISÓRIA
A ação rescisória é o meio que pode ser utilizado para desconstituir
sentença transitada em julgado (CPC, arts. 964 a 969; CLT, art. 836).
a) Origem — a ação rescisória tem sua matriz originária na restitutio in
integrum do Direito Canônico, na qual se podia rediscutir decisão transitada
em julgado.
b) Decisão rescindenda — a sentença passível de rescisão é a de mérito
(CPC, art. 966, caput), ou seja, aquela que decide a questão de direito
material objeto da lide e não questão meramente processual (ex.: acórdão
do TST que não conhece de recurso de revista por irregularidade de
representação não pode ser rescindido; deverá ser atacado pela rescisória o
acórdão do TRT que negou o direito de empregado, dando provimento ao
recurso ordinário da empresa). No entanto, pode uma questão processual
ser objeto de ação rescisória - desde que consista em pressuposto de
validade de uma sentença de mérito (litispendência, ilegitimidade de parte,
cerceamento de defesa, ausência de fundamentação etc.).
PROCESSOS ESPECIAIS
A descisão rescindenda é aquela que por último apreciou a questão
meritória da causa (ex.: se a sentença da Vara do Trabalhe foi mantida pelo
acórdão do TRT, é este último que deve ser atacada pela ação rescisória). A
indicação errônea da decisão rescindenda (ex.: pedir a rescisão da sentença,
quando foi substituída pelo acórdão do TRT) leva à extinção do processo
sem julgamento do mérito, por impossibilidade jurídica do pedido.
As decisões meramente homologatórias de cálculos (como também
as meramente homologatórias de arrematação, adjudicação ou
remição) na fase de execução não comportam ação rescisória, por
não ter havido controvérsia que revestisse o despacho, da natureza
própria de uma sentença judicial.

c) Competência funcional — varia conforme qual tenha sido a última


decisão de mérito da causa:
— TRT — competente para rescindir as sentenças de 1a instância e os
acórdãos do próprio Tribunal;
PROCESSOS ESPECIAIS
— TST — competente para rescindir apenas seus próprios acórdãos
(sua competência está assegurada também no caso de decisões que
não tenham conhecido de recurso, quando, examinando arguição de
violação de lei, aplica sua jurisprudência sumulada ou afasta,
fundamentadamente, a pretensa ofensa ao dispositivo de lei
invocado).
d) Prazo decadencial — a ação rescisória deve ser proposta dentro de
2 anos do trânsito em julgado da decisão rescindenda (CPC, art. 975);
apesar de ser prazo decadencial, se terminar em sábado, domingo ou
feriado, poderá a ação ser proposta no primeiro dia útil após o seu
transcurso (precedentes do STF).
O prazo decadencial conta-se do trânsito em julgado da ultima decisão da
causa, seja ela de mérito ou não (Súmula 100 do TST), salvo no caso de
intempestividade do recurso que atacou a decisão rescindenda, uma vez
que, nesse caso, o trânsito em julgado dá-se ao término do prazo para
interposição do recurso (precedentes do TST).
PROCESSOS ESPECIAIS
O trânsito em julgado pode ser parcial, quando não se recorre contra todas
as matérias que foram objeto da condenação (ex.: a sentença condena ao
pagamento das diferenças salariais decorrentes dos Planos Bresser, Verão e
Collor; a empresa recorre ordinariamente apenas em relação aos Planos
Verão e Collor, e, posteriormente, interpõe recurso de revista apenas
quanto ao Plano Collor; há 3 datas distintas para contagem do prazo
decadencial, conforme o plano econômico que se ataque, em face da
ausência de recurso quanto a ele).
Durante o período de vigência da MP n. l. 577/97 e de suas reedições (até a
suspensão liminar da norma pelo STF), o prazo para ajuizamento da ação
rescisória ficou dilatado para 5 anos (MP n. l. 577/97) e 4 anos (MP n.
l.753), sendo que as ações rescisória propostas nesse período, ou seja,
quando ainda não havia transcorrido o biênio prescricional na data da
edição da primeira medida provisória ampliativa do prazo, tiveram o
benefício da dilatação do prazo, uma vez que a liminar suspensiva deferida
pelo STF contra a medida provisória teve efeitos apenas ex nunc, não
atingindo as ações rescisórias propostas sob sua égide (precedentes do
TST).
PROCESSOS ESPECIAIS

Hipóteses de cabimento — tendo em vista a


importância à que se reveste a coisa julgada,
protegida constitucionalmente conta os ataques
inclusive do legislador (CF, art. 5a, XXXVI), O
ordenamento jurídico admite como cabível a ação
rescisória apeias em situações de extrema
gravidade, que maculam extraordinariamente o
pronunciamento jurisdicional do Estado, elencando-
as no art. 966 do CPC:
PROCESSOS ESPECIAIS
INCISO HIPÓTESE DESCRIÇÃO E CONDIÇÕES
Prevaricação do juiz Prolatar a sentença para satisfazer interesse de sentimento pessoal (CP, art.
319).
Concussão do juiz Exigir, para si ou para outrem, vantagem pais prolatar a sentença (CP, art.
I 316).
Corrupção do juiz Aceitar vantagem para prolatar a sentença eu! favor da parte que a oferece
(CP, art. 317). Nos 3 casos, quando o julgamento é em Tribunal, o voto do
juiz corrupto deve ser influente no resultado final.
Impedimento do juiz Decisão prolatada por juiz que se encontrava numa das situações do art.
II 134 do CPC (a rnera suspeição não enseja rescisória).
Incompetência absoluta Em razão da matéria, da pessoa ou da hierarquia (a incompetência relativa
do juiz não enseja rescisória).
Dolo da parte Procedimento de má-fé da parte, que consegue induzir em erro o juiz ao
III vencedora decidir.
Colusão entre as partes Conluio entre as partes para obter, com o processo, um fim vedado pela lei
(fraude à lei).
IV Ofensa à coisa julgada Decisão que re-julga causa já anteriormente julgada.

Violação literal de lei Sentença que diz exatamente o contrário do que dispõe a lei (a violação de
V cláusula de acordo ou convenção coletiva não enseja rescisória).
Prova falsa A falsidade da prova deve emergir de processo criminal ou ser provada na
VI própria ação rescisória.
Documento novo E aquele existente à época da prolação da sentença rescindenda, mas que a
VII parte ignorava ou de que não pôde fazer uso, e que seja suficiente para lhe
obter pronunciamento favorável.
Confissão inválida Supõe vício de vontade na confissão e que esta seja fundamento fático
exclusivo da decisão.
VIII Desistência inválida Renúncia a direito com vício de vontade.

Transação inválida Acordo havido no processo que se encontra maculado por vício de vontade
das partes.
Erro de fato 0 juiz considera existente fato inexistente ou vice-versa, ainda que
IX e houvesse documento demonstrando o contrário. Para que ocorra, não pode
§§1" haver, no processo, controvérsia sobre o fato, pois nesse caso teria
e 22 ocorrido error in judicando (má apreciação da prova e não erro de fato).
PROCESSOS ESPECIAIS
A não indicação do inciso do art. 966 do CPC no qual se fundamenta a
rescisória ou a sua indicação errônea não toma inepta a petição inicial da
rescisória, dado o princípio do iura novit cúria, desde que dos fatos e pedidos
formulados seja possível verificar em qual das hipóteses ela se enquadra. O
que não se admite é a ausência de indicação expressa dos dispositivos legais
que o autor pretende violados, no caso de fundar sua rescisória no inciso V do
art. 966 do CPC.
f) Prequestionamento — no caso de rescisória fundada em violação de lei, os
dispositivos tidos como violados deverão ter sido debatidos na decisão
rescindenda, ou, ao menos, a matéria neles visada deverá ter sido enfrentada
(ex.: se a rescisória vier fundada em ofensa ao art. 5°. XXXVI, da CF, esse
dispositivo constitucional deverá ter sido pre-questionado na decisão
rescindenda. sendo, no mínioD, necessário que a questão constitucional senha
sido apreciada à luz do direito adquirido, que é uma das matérias versadas no
referido precato). Trata-se de exigência da Súmula 298 do TST. O
prequestionamento somente é prescindível quando se tratar de lesão ocorrida
na própria decisão rescindenda, por julgamento extra/citra/ultra petita
PROCESSOS ESPECIAIS
g) Matéria controvertida — outro requisito para a ação rescisória fundada
em violação de lei é que a questão objeto do dispositivo tido por vulnerado
não fosse controvertida à época da prolação da decisão rescindenda
(Súmulas 83 do TST e 343 do 57?). Havendo controvérsia a respeito da
questão, não se pode falar em ofensa à literalidade do preceito, em face da
interpretatividade da controvérsia. No entanto, se a decisão é posterior à
edição de sumia ou orientação Jurisprudencial do TST, não há mais que se
falar an matéria controvertida.
Em se tratando de ação rescisória fundada em violação de &-positivo
constitucional, não se aplica o óbice das Súmulas 83 do TST e 343 do STF,
uma vez que não pode haver controvérsia em matéria constitucional
(precedentes do TST e do STF).
h) Depósito prévio e multa — o depósito prévio de 5% sobre o valor da
causa, que se converte em multa a favor da parte contraria no caso da
improcedência da rescisória (CPC, arts. 968, II, e 970), não se exige no
processo do trabalho, em face da hipossuficiência do empregado (Súmula
194 do TST).
PROCESSOS ESPECIAIS
i) Medida cautelar e antecipação de tutela — não obstante o comando do
art. 969 do CPC (que estabelece que a rescisória ao suspende a execução da
sentença rescindenda), a jurisprudência tem admitido a suspensão da
execução por meio de ação cautelar, quando demonstrada a possibilidade
de sucesso da rescisória e o perco da demora no seu julgamento. O que não
se admite é a concessão de tutela antecipada, pois a desconstituição da
coisa julgada não pode ser antecipada (a única exceção seria a da rescisória
fundada em ablação da coisa julgada, pois os bens em conflito — decisões
estatais transitadas em julgado — são de igual valor, optando-se pela
decisão que tivesse maior probabilidade de subsistir).
j) Duplo juízo — a ação rescisória comporta um duplo juízo de mérito:
— juízo rescindente (judicium rescindens) — no qual se verifica a ocorrência
de algum dos vícios capitulados no art. 966 do CPC, que maculam a decisão
rescindenda a ponto de justificar a sua rescisão;
— juízo rescisório (judícium rescisoríum) — no qual o Tribunal, uma vez
rescindida a sentença, coloca-se na situação em que se encontrava a causa
no momento em que proferida a decisão viciada e profere nova sentença
para substituí-la.
PROCESSOS ESPECIAIS
2. Mandado de segurança
O mandado de segurança é a garantia constitucional instituída a partir de 1934
para proteger direito líquido e certo contra ato de autoridade praticado com
ilegalidade ou abuso de poder (CF, art. 5°, LXIX; Lei n. l.533/51).
a) Origem — concebido originariamente por Rui Barbosa (como habeas corpus
civil) para ampliar as hipóteses de proteção constitucional contra as
arbitrariedades praticadas por autoridades públicas, tendo em vista que o habeas
corpus apenas contemplava a hipótese de privação da liberdade, enquanto que o
novo instituto serviria para defesa imediata contra atentados a outros direitos que
não apenas o direito de ir e vir (liberdade de locomoção).
b) Natureza jurídica — o mandado de segurança é uma ação mandamental
que tem por objeto um provimento jurisdicional limitado a coibir o abuso de
autoridade, pelo qual se compele a administração pública à prática de ato ou se
manda à autoridade coatora que se abstenha da prática do ato coator (não tem por
finalidade condenar a autoridade, constituir ou declarar direito, mas apenas fazer
cessar a coação). Depois do habeas corpus, tem prioridade de julgamento nos
tribunais, pelo dano irreparável que pode ocorrer ao impetrante com a
manutenção temporal do ato coator.
PROCESSOS ESPECIAIS
c) Requisitos — a impetração de mandado de segurança pressupõe:

— existência de direito líquido e certo — o processo de mandado de segurança


não comporta dilação probatória (instrução com oitiva de testemunhas ou
realização de perícias), pois requer prova pré-constituída (documentação que
demonstre, de plano, com segurança e certeza, o direito violado do impetrante);
— prática de ilegalidade ou abuso de poder— o desrespeito a dispositivo legal deve
ficar patente, devendo o impetrante indicar qual ou quais as normas legais que
foram vulneradas;
— ato de autoridade — o mandado de segurança tem como pólo passivo
autoridade pública, inclusive pessoas físicas ou jurídicas que, sem integrarem
qualquer esfera da administração pública, exerçam função delegada do Poder
Público (Lei n. 1.533/51, art. 1º, § 1a); e
— inexistência de recurso administrativo ou judicial — havendo outro meio de
impugnação do ato. o mandado de segurança toma-se incabível, pois não é
sucedâneo de recurso (Lei n. 1.533/51, art. 5a, II). O fato de o recurso existente não
ter efeito suspensivo não autoriza a impetração do mandado de segurança, na
medida em que a suspensão da execução pode ser obtida através de ação cautelar
incidental.
PROCESSOS ESPECIAIS
d) Hipóteses na Justiça do Trabalho — ilegalidade praticada por juiz,
ministro ou serventuário da Justiça Trabalhista (as mais comuns são
referentes à execução trabalhista, quando determinada penhora de
bens pelo juiz do trabalho, ou à antecipação de tutela para reintegração
de empregado não estável, quando concedida antes da prolação da
sentença).
e) Prazo — 120 dias, contados da ciência do ato coator (decadencial).
f) Competência — dependendo da autoridade coatora, é do TRT (contra
juízes e serventuários das Varas e TRTs) ou do TST (contra ministros ou
serventuários do TST).
g) Mandado de segurança preventivo — o mandado de segurança
pode ser impetrado não apenas quando o ato coativo se tenha
consumado, mas também quando haja fundado receio de que a coação
venha a ocorrer (ex.: mandado de penhora expedido, mas ainda não
efetuada a penhora, pode ser atacado por mandado de segurança
preventivo, quando demonstrada a ilegalidade da penhora),
PROCESSOS ESPECIAIS
3. Mandado de segurança coletivo

É o impetrado por entidade de classe em defesa dos seus membros,


cujo resultado é extensivo a toda a categoria interessada (a im-
procedência da segurança por deficiência de prova não gera coisa
julgada material).

8. Ação civil coletiva


Instituída pela Lei n. 8.078/90 para a defesa dos interesses individuais
homogêneos (que possuem uma origem comum), visando sentença
genérica para reconhecer o nexo causal lesivo da conduta do réu e
permitir a execução mediante habilitação posterior de todos os
atingidos pela lesão, com vistas à obtenção de uma indenização.
PROCESSOS ESPECIAIS
9. Ação anulatória
Instituída pela Lei Complementar n. 75/93 para declaração de
nulidade de cláusulas de contratos, acordos e convenções coletivas
que violem as liberdades individuais ou coletivas ou os direitos indi-
viduais indisponíveis dos trabalhadores (art. 83, IV). Ex.: anulação de
cláusula de acordo coletivo de trabalho prevendo desconto
assistencial impositivo em favor de sindicato sobre toda a categoria.
PROCESSOS ESPECIAIS
11. Reclamação com pedido de indenização por dano moral
Possibilidade que tem o empregado de postular, em reclamatória. a fixação
de uma indenização, quando lesado pelo empregador, em sua intimidade,
honra ou imagem (CF, art. 5a, V e X: CLT. art. 483, a, b e e). O mero
sofrimento psicológico decorrente da contração de moléstia laborai (ex.:
lesão por esforço repetitivo) não constitui dano moral, quando não ferida,
pelo empregador, a dignidade do empregado. Poderiam constituir lesões
morais perpetradas na relação de trabalho:
— instigação à esterilização ou óbice ao casamento, para evitar o
afastamento da empregada por gravidez;
— forma indigna de fazer revista nos empregados na saída do trabalho,
para prevenir furtos;
— controle nos banheiros;
— adoção de "listas negras" onde figurem os nomes de empregados que
tenham demandado judicialmente contra alguma empresa do ramo;
— punições disciplinares injustas, que denigram a imagem do empregado;
etc.
PROCESSOS ESPECIAIS
12. Antecipação da tutela
Introduzida pela Lei n. 8.952/94, que reformou o Código de Processo Civil,
permite que no processo de conhecimento seja deferida antecipadamente
a tutela ao objeto do litígio, em condições semelhantes à medida cautelar
(diferentemente da medida cautelar, pode ter caráter satisfativo e ser
concedida nos autos do processo principal). Seus pressupostos são a
verossimilhança do direito e o fundado receio da ocorrência de dano de
difícil reparação (CPC, art. 300).
A tutela antecipada se aplica também às obrigações de fazer e não fazer
(ex.: reintegração no emprego, com multa diária pelo descumprimento —
CPC, art. 1024). No caso de dirigente sindical afastado, suspenso ou
despedido, a reintegração pode ser obtida através de simples liminar (CLT, art.
659, X).
13. Ação de consignação em pagamento
Prevista como procedimento especial no CPC (arts. 539-549), pode ser
utilizada na Justiça do Trabalho pelo empregador para depositar em juízo
salários ou verbas rescisórias que o empregado esteja recusando-se a
receber, para evitar os efeitos da mora.
PROCESSOS ESPECIAIS
14. Medidas cautelares
Ação cautelar — assegurativa — visa garantir que o objeto litigioso
permaneça inalterado durante a pendência do processo (impedir o
dano irreparável).

Requisitos:
— plausibilidade do direito (Fumus boni iuris);
— ameaça sobre o direito (periculum in mora).

Espécies:
a) inominadas — que derivam do poder geral de cautela do juiz (CPC, art.
297);
— jurisdicionais (ligadas a um processo principal):
— arresto; — sequestro;
— busca e apreensão; — caução;
— exibição;
PROCESSOS ESPECIAIS
b) nominadas
— atentado;
— administrativas (que não se prendem a um processo principal,
sendo satisfativas em si mesmas):
— justificação;
— antecipação da prova;
— protestos, notificações e interpelações.

Obs.: conforme exista ou não o processo principal, temos:

— cautelares administrativas não incidentais;


— cautelares judiciais
— incidentais (nos autos do processo principal);
— não incidentais (em que ainda não existe o processo principal, mas
este deve ser proposto em 30 dias).
PROCESSOS ESPECIAIS
Competência — do juiz da causa principal, Procedimento cautelar —
pode ser instaurado antes ou no curso da reclamação.
A parte contrária pode, ou não, ser ouvida.
A providência cautelar pode ser revogada, suspensa, modificada ou
substituída mediante manifestação do interessado e audiência da
parte contrária (por isso nunca faz coisa julgada material; aia eficácia
é rebus sic stantibus).

Procedimentos cautelares específicos

a) Arresto (CPC, art. 301) — constrição de bens suficientes para


segurança da dívida até que se decida a causa, uma vez provada a
intenção do devedor de ausentar-se ou alienar seus bens para tão
saldar a dívida. Essencialidade de prova literal de dívida líquida e
certa para sua concessão.
PROCESSOS ESPECIAIS
b) Sequestro (CPC, art. 822) — conserva determinada coisa,
retirando-a das mãos dos litigantes e fazendo o seu depósito. Tem
cabimento quando a situação concreta implica a ocorrência de lesões
de difícil reparação.
c) Caução (CPC, art. 826) — depósito em dinheiro ou bens em
garantia, quando se deseja a prática de determinado ato que possa
prejudicar a parte contrária, caso a sentença seja-lhe favorável.
d) Busca e apreensão (CPC, art. 839) — de pessoas ou coisas,
determinada sem audiência da outra parte.
e) Exibição (CPC, art. 396) — de coisa móvel, documento ou
escrituração comercial em mãos da parte contrária ou de terceiro.

Obs.: não se aplicam no Processo do Trabalho os procedimentos


previstos nos arts. 693 (alimentos provisionais (homologação do
penhor legal) do Código de Processo Civil.
PROCESSOS ESPECIAIS
f) Produção antecipada de prova (CPC. art. 381) — inquirição de
parte ou testemunha que tiver de se ausentar ou que, pela idade ou
doença, se presuma possa vir a falecer antes; exame pericial quando
se presume que será mais dificultoso uma vez iniciada a ação principal.
g) Arrolamento de bens (CPC, art. 381) — depósito em mãos de
terceiro nomeado pelo juiz dos bens arrolados (fundado receio de
extravio ou de dissipação destes). Só tem aplicação ao credor, no
Processo do Trabalho, nas hipóteses de herança Jacente.
h) Justificação (CPC, art. 381) — de fato ou relação Jurídica (para
constar em documento ou servir de prova em processo).
i) Protesto, notificação e interpelação (CPC, art. 301) — ato do
credor de advertir o devedor (exteriorização da vontade); procede-se
por mandado (inclusive correio).
j) Posse em nome do nascituro — exame de gravidez da mulher do
de cujus, para garantia dos direitos do nascituro.
PROCESSOS ESPECIAIS

k) Atentado — evitar a inovação do estado de fato da lide


(restabelecer o estado anterior). Ex.: despedida do em-
pregado durante a reclamação.

Obs.: não se aplicam no Processo do Trabalho os


procedimentos previstos ns CPC: (alimentos provisionais),
(homologação do penhor legal) e (protesto e apreensão de
títulos) do Código de Processo Civil.