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Economia Brasileira – Profa.

Renata Zambelli

A Economia Agroexportadora

Universidade São Francisco


Agosto/2010
1. Economia Agroexportadora:
definição e características

 Economia baseada na produção e exportação de


poucos produtos primários;

 Trata-se de um Modelo de Desenvolvimento voltado


para fora;

 Crescimento da economia brasileira depende das


condições do mercado, demanda e preços
internacionais.
1. Economia Agroexportadora:
definição e características

 Trata-se de um modelo de desenvolvimento onde há


a economia brasileira estabelece uma relação de
total dependência em relação ao mercado externo;

 Brasil: apesar de figurar entre os maiores


produtores de café, não controla os preços
internacionais do produto. Os preços são
determinados por grandes companhias atacadistas,
compradoras de café;
1. Economia Agroexportadora:
definição e características
 O crescimento interno, no modelo agroexportador,
está totalmente condicionado às condições do
mercado internacional;

 Crescimento Externo, Demanda Externa,

Preços Internacionais, Exportações de café,

Crescimento da Economia brasileira.


1. Economia Agroexportadora:
definição e características

 Todas as atividades econômicas, no modelo de


desenvolvimento voltado para fora, dependem
do setor exportador;

 A economia brasileira apresenta elevada


vulnerabilidade face às oscilações da economia
mundial.
1. Economia Agroexportadora:
definição e características

 O setor exportador é o setor dinâmico da economia


– os demais setores contam com baixa
produtividade;

 Trata-se de um modelo econômico com alta


concentração de renda, terras e capital;

 Há descompasso entre a base produtiva e a


Estrutura de consumo – o que se produz é
radicalmente diferente do que se consome;

 Vasta Pauta de Importações X Pequena Pauta de


Exportações.
1. Economia Agroexportadora: resumo
de características

 Modelo de Desenvolvimento voltado para fora;

 Alto peso do Setor Externo na estrutura econômica;

 Motor do crescimento: Demanda Externa;

 Descompasso entre Base produtiva e Estrutura de


consumo interna.
1. Economia Agroexportadora em
imagens: o preparo para a colheita
1. Economia Agroexportadora em
imagens: o preparo para a colheita
1. Economia Agroexportadora em
imagens: o preparo dos grãos
1. Economia Agroexportadora em
imagens: o advento das ferrovias na
segunda metade do século XIX
1. Economia Agroexportadora em
imagens: a exportação
2. As oscilações de preços na Economia
Cafeeira

 Os preços do café se comportam de maneira cíclica,


fazendo com a Renda nacional tenha o mesmo
comportamento.

Maturação, Oferta > Demanda

Preços Preços
Is Is
2. As oscilações de preços na
Economia Cafeeira
 Com as altas do preços, os cafeicultores realizam
mais investimentos. Contudo, o período de
maturação do café leva de 3 a 4 anos;

 Na fase da maturidade das lavouras, a Oferta passa


ser maior que a Demanda, ocasionando queda nos
preços;

 O comportamento cíclico dos preços se reflete


também em oscilações na Renda Nacional.
2. As oscilações de preços na
Economia Cafeeira
 Tendência à queda dos preços dos produtos
primários: ao longo do tempo, os produtos
primários tendem a valer menos em relação aos
produtos manufaturados (valor agregado);

 Na Economia Agroexportadora, tal afirmação implica


que: ao longo do tempo, nossas necessidades
de importação tornam-se mais caras.

 Numa economia agroexportadora acontece a


chamada Deterioração dos Termos de Troca.
2. A deterioração dos Termos de
Troca
 Conceito desenvolvido por Raúl Prebisch em 1948,
em O desenvolvimento econômico da América Latina
e alguns dos seus principais problemas, apresentada
na Conferência da CEPAL (Comissão Econômica para
América Latina e Caribe);

 Termos de Troca: taxa pela qual as exportações são


trocadas pelas importações:

Valor médio unitário das exportações


Valor médio unitário das importações
2. A deterioração dos Termos de Troca

 Essa relação mostra se um dado volume de


exportações permite pagar um volume maior ou
menos de importações;

 Tese de Prebisch: Num país onde não há indústria


as importações sempre serão mais caras;

 Razões: os produtos primários não contam com valor


adicionado e tem demanda decrescente (quando
aumenta a renda de um indivíduo, o que irá
aumentar é a demanda de produtos manufaturados);
2. A deterioração dos Termos de Troca
 Produtos manufaturados: têm os preços crescentes
porque contam com valor adicionado;

 Ao longo do tempo: países agroexportadores


(América Latina de passado colonial) ganham menos
com suas exportações e gastam mais com suas
necessidades de importações;

 Os países agroexportadores da América Latina


tendem sempre a sair perdendo no jogo do
Comércio Internacional.
3. Políticas de Defesa da Economia
Agroexportadora

Uma vez que os preços internacionais são a


variável-chave na determinação da Renda e do nível
de Emprego nacionais, as políticas de defesa são
fundamentais para evitar os efeitos negativos das
oscilações.
3. Políticas de Defesa da Economia
Agroexportadora

 A Desvalorização Cambial: a desvalorização


protege, em moeda nacional, os lucros do setor
cafeeiro quando os preços internacionais caem,
sustentando assim, os lucros dos produtores.

Exemplo numérico 1 Exemplo numérico 2


Exemplo numérico 1 Exemplo numérico 2
Momento 1= preço de Momento 2= preço de
U$15 /saca 25 mil réis /saca
Taxa de câmbio 1= U$ 1 Taxa de Câmbio 2= US$
X $15.000 10/saca
Lucro 1= 225 mil-réis Lucro 2= 250 mil réis
3. Políticas de Defesa da Economia
Agroexportadora

 Com a desvalorização do câmbio, o lucro em moeda


nacional é mantido.
 Problemas da prática: esconde os sinais do
mercado de queda de preço. A manutenção dos
lucros induz os cafeicultores a mais investimentos e
acontece a tendência à superprodução;
 As importações passam a ser mais caras –
socialização das perdas.
3. Políticas de Defesa da Economia
Agroexportadora

 Política de Valorização do café: instituída no


Convênio de Taubaté (1906), consistia em reter
parte da produção de café do período em estoques.

Resultado esperado: com uma menor quantidade de


café ofertada no mercado, espera-se uma
recuperação dos preços.

Idéia: utilizar os estoques para “recolher” o excesso


de oferta na safra e “desovar” o café retido na
entressafra.
3. Políticas de Defesa da Economia
Agroexportadora

 Resultado esperado dos estoques: evitar as


oscilações de preços ocorridas nas safras e
entressafras;

 Obter um preço mínimo para os estoques de café;

 Problemas: - O que fazer com os estoques;


- Quem financia os estoques?
(financiamento externo)
3. Políticas de Defesa da Economia
Agroexportadora

 A política de valorização do café foi realizada


inicialmente em 1906, durante a Primeira Guerra
Mundial (1914-1918) e, em 1924, foi adotada uma
política de valorização permanente do café
(estoquem era realizada sempre que necessário).

 Tendência à superprodução;
3. Políticas de Defesa da Economia
Agroexportadora

 A manutenção da renda do setor cafeeiro não era


convertida, necessariamente, em aumento da
remuneração dos trabalhadores do setor; havia
somente aumento do número de trabalhadores
empregados (grande contingente fora do mercado de
trabalho: ex-escravos e trabalhadores livres
espalhados pelo território).

 Quando das quedas nos lucros do setor, um grande


contingente de trabalhadores ficava sem posto de
trabalho.
A Economia Agroexportadora em
Imagens: o homem
A Economia Agroexportadora em
Imagens: o homem
Bibliografia

 GREMAUD, Amaury Patrick. Economia Brasileira


Contemporânea. 5ª ed. São Paulo: Atlas,
2004.Capítulos 13.
Exercício

“A economia brasileira, ao instalar-se a república,


encontra-se plenamente integrada ao
capitalismo internacional através da divisão
internacional do trabalho. O modelo agrário-
exportador, baseado na monocultura do café,
fazia do Brasil um país periférico e dependente
do mercado internacional.”

VIZENTINI, Paulo. Os liberais e a crise da


República velha. São Paulo: Brasiliense, 1983.