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Da clínica do sujeito à clínica do discurso

a possível contribuição da Escola de Louvain


para (mais) uma criminologia crítica

Riccardo Cappi
UEFS - UNEB
INTRODUÇÃO
Trabalho sobre alguns grandes conceitos da Escola de Louvain

Rupturas, complexidade e reflexividade

Exigências epistemológicas, éticas e políticas

Não pretensão à exaustividade

Sustentação de posições críticas em criminologia a partir de leituras


clínicas

Estrutura

1) Elementos da história da Escola de Louvain


2) A clínica fenomenológica de De Greef
3) Cristian Debuyst e a clínica interdisciplinar
4) Uma clínica dos discursos? Abordagem empírica: pesquisa sobre o
debate parlamentar referentes à redução da maioridade penal
1. HISTÓRIA DA ESCOLA DE LOUVAIN – ELEMENTOS

• Primeira escola de “Ciências criminais” belga fundada em


1929
• Lei de Defesa social  positivismo criminológico, trabalhos
com inimputáveis e semimputáveis: conhecimento objetivo,
periculosidade, previsão de reincidência
• Necessidade de formação científica dos profissionais do setor
• De Greef é o 1º professor de antropologia criminal
• Diversos âmbitos de pesquisa
• Curso de criminologia com quatro polos: direito penal,
psicologia criminal, bio-psiquiatria criminal, sociologia criminal
2. A CLÍNICA FENOMENOLÓGICA DE ETIENNE DE GREEF

• Médico psiquiatra
• Trabalhos com “débeis mentais”  perspectiva fenomenológica
• Experiência clínica na penitenciária
• Psicologia do “delinquente” / do “ homem normal”
• Abandono da pesquisa fatorial e diferencial
• O ato compreendido do ponto de vista do sujeito
“ Melhor solução para um problema vivenciado”

 Psicocriminogenese
1) Uma “démarche” particular

• Fenomenologia >< criminologia positivista etiológica


• “Ensaio sobre a personalde do débil mental”
 foco nas “maneiras de ver”
• Compreensão do ponto de vista do sujeito
• Estudo do sujeito e da sua vida
• Tests (diferenciais e objetivantes) >< Entrada no quadro
de referencia do sujeito (suspendendo o próprio)
• Duplo axioma:
- Identidade fundamental, destino comum
- Diferença irredutível, singularidade e zona de não comunicação
• Drama humano: é a cena onde se encontram os destinos
• Dimensão de mistério  modéstia intelectual e reflexividade

“Na tentativa de impossível coincidência consigo cada um pode se


encontrar no outro”
2) Dois modos de (re)conhecimento: a simpatia e a defesa

• “Instintos de defesa e de simpatia” (1947)


• Ambivalência fundamental do ser humano em relação aos outros e ao
mundo  dois grupos de instintos, funções não corrompíveis: maneiras
fundamentais de conhecer a alteridade, modalidades de ligação

 Instinto de defesa: desvalorização, hostilidade, redução, agressão


 Instinto de simpatia: valorização, aproximação

• Dependem de uma infraestrutura biológica, uma “disposição a ser


emotivamente sensível que permite tomar consciência da situação
onde se vive e operar uma “escolha” que acompanha a impulsão
vivenciada ou a contaria”

• Modos de ligação // modos de conhecimento (da ciência, das


instituições)
• Distinção da esfera biológica e determinismo // pulsão freudiana
• Projeção: atribuição de características a um dado objeto (// ciência?)
3) A clínica do criminólogo

• II Congresso internacional de criminologia (1950)


• Tomada de distância dos saberes criminológicos dominantes e da
criminologia etiológica:

 “Eles pensam que o homem é o lugar onde acontecem coisas


biológicas, psicológicas ou sociológicas e que as ações são o
resultado dessas coisas que acontecerem nele”
 Crítica ao determinismo e a “ausência” do sujeito
 O homem delinquente deve ser abordado num “elã de simpatia
completa” que permita de encontrar, sem aprovar, a linha dele
estabelecer uma comunicação
 Abandonar esquemas e categorias preconcebidas
 Encontro entre duas pessoas, duas subjetividades

“Resistir à simplificação criminal de reduzir o homem a uma inteligência


e uma vontade”
3) A clínica do criminólogo

Estudo a partir da consciência do sujeito: acessar a perspectiva


particular do outro, a partir da qual o comportamento toma sentido

Qualidade da relação que inscreve na duração que permite acessar ao


universo de senso que permite entender como, mesmo nos casos mais
graves, o delito “é a melhor escolha operada pelo sujeito”

Autonomia em relação às demandas institucionais  confiança e


emergência, na relação, da maneira de estar no mundo e com o outro

Reconhecer essas modalidades fundamentais e aceitá-las são


condições para resolver adotar novos caminhos

“Liberar os indivíduos dos elementos que tornam impossível uma vida de


relação e perturbam os engajamentos dele face ao drama humano”

A organização dos “instintos” é ligada a história, as interações e ao


ambiente
4) Prática clínica na penitenciária

• Prioridade do exame clínico: entra em contato com o “eu” do


sujeito
• Consideração do outro como pessoa, que produz sentidos ><
conjunto de características causais

 Pode reconsiderar o olhar que põe sobre o mundo

• Análise de sujeitos ocupando diversas funções no sistema


• Espírito clínico não é só do psicólogo
• Bases para uma intervenção sócio-clinica  considerar as
dinâmicas sociais e da prisão

• “O objetivo do trabalho clínico não é de tratar a delinquência mas


tentar atender as demandas de um individuo ou grupo de
indivíduos”
 efeitos colaterais facilitados
3. A CLÍNICA INTERDISCIPLINAR DE DEBUYST
Trabalhos de Debuyst inscritos inicialmente no âmbito clínico do estudo
da passagem ao ato, para abordar a reação social em seguida

1) Leitura da conduta agressiva

2) Abordagem epistemológica : problemática do “conhecimento”: como é


que se chega a perceber uma situação como ameaçadora?

3) Um a posição na discussão dos paradigmas: possilidade de extensão


do raciocínio ao estudo da reação social

4) Abordagens do humano

5) A noção de periculosidade
1) LEITURA DA CONDUTA AGRESSIVA

“Não podemos estabelecer uma relação causal entre a forma


como o sujeito pensa e atua e as circunstâncias da sua vida”
(Manita)
 a conduta entendida como uma resposta de defesa a uma
situação ou a uma pessoa vivenciada como ameaçadora

Considera-se o ponto de vista do sujeito


Criminologia centrada na noção de processos psíquicos,
individuais e interpessoais, ligados às condições sociais –
incluindo o poder - que estão à base das condutas
problemáticas

 ruptura com a perspectiva positivista, diferencial e


correcionalista

Compreensão do fenômeno que contemple a história


(individual e social) e o ponto de vista do sujeito

Cada caso é um caso  “dificuldade” de padronizar o


conhecimento e a resposta
INSTINTOS DE SIMPATIA E INSTINTO DE DEFESA
(De Greef)

Mecanismos psíquicos fundamentais, maneiras de se conectar com o o


“outro” ou com a situação, maneiras primordiais de “ver” ou de
“conhecer”

Instinto de simpatia:

- reconhecimento e valorização do outro


- justificação de atitude de aproximação e cooperação

Instinto de defesa:

- visão do outro como inimigo / perigoso


- projeção de intenções hostis
- visão redutora: eliminação dos elementos positivos do campo de visão
- justificação de uma atitude hostil e de uma resposta destrutiva

 PROJEÇÃO, INTENCIONALIZAÇÃO E REDUÇÃO


LEITURA DA CONDUTA AGRESSIVA

 O ato agressivo decorre de uma visão da alteridade vivenciada


como ameaçadora (“sempre nos defendemos”)

 A curto prazo a resposta é “facilitada” pela ausência de dúvida,


ligada ao instinto de defesa, que aumenta a prontidão do “revide”,
numa perspectiva de eficácia da proteção

 Problemática do conhecimento está em jogo


PROBLEMÁTICA DO CONHECIMENTO

 Epistemologia complexa e dinâmica

 O conhecimento e a definição que temos do real depende da maneira


como nos relacionamos com ele  como se conhece?

 A definição da realidade // nossa maneira de apreendê-l

 ponto de vista específico, que varia com a maneira do observador se


conectar afetivamente com seu objeto de observação

 O conhecimento é sempre deformante, especialmente quando diz


respeito a objetos que atingem afetivamente o observador

“ Todo ato de nomeação, isto é de tradução da experiência em


linguagem, é necessariamente um ato de exclusão, deslocamento,
sacrifício” (Kaminski)
PROBLEMÁTICA DO CONHECIMENTO

 Conhecer e definir uma situação (como perigosa) tem a ver com


maneira de ver estes objetos

Apreensão parcial da realidade

- porque incompleta: toda operação de conhecimento é


igualmente um ato de cegueira

- porque estabelecida a partir de um ponto de vista e de


interesses específicos

A leitura da realidade é estabelecida a partir de elementos que


assumem uma significação para aquele que a produz. O mundo é,
assim, “reconstruído” a partir desses elementos.

 Objeto de conhecimento // Sujeito de conhecimento


 Caráter utilitário do conhecimento (da criminologia)
PROBLEMÁTICA DO CONHECIMENTO

 a situação assume um sentido, a partir do qual será organizada a


reação: aproximação, fuga ou ataque

O conceito de “instinto” torna-se compreensível

liga indissoluvelmente a dimensão cognitiva à dimensão afetiva:

“Minha maneira de perceber e conhecer é afetada pela apreensão


(afetiva) da situação como perigosa”  O conhecimento, de certa
forma, se impõe a nós a partir de algo que “já está alí” (“déjà là”)

Problema da produção de conhecimento em criminologia:

 Quando existe um “sentimento de perigo”, a produção de


conhecimento (do perigo) se torna mais difícil
 O criminólogo tem também uma “passagem ao ato”
 Busca de objetividade >< teorias prévias (// modos de conhecer)
“REAÇÃO SOCIAL” E “PASSAGEM AO ATO”

A reação social pode ser entendida como decorrente de uma maneira de


perceber situações definidas como “perigosas”

 maneira pela qual a sociedade ou um grupo social está percebendo e


agindo frente a grupos entendidos como perigosos

Assim, na produção do conhecimento, na criminologia tradicional, da


academia ou do senso (teórico) comum penal :

“O problema é visto a partir de certas características apenas, que são


precisamente aquelas que permitem que a reação de defesa tenha um
máximo de eficiência” (Debuyst)

 Caráter construído das observações de detentos


 Quadros interpretativos prévios
 Explicação causal // reação de defesa
“REAÇÃO SOCIAL” E “PASSAGEM AO ATO”

Assim como a criminologia clínica nos acostumou a pensar as condutas


de agressão como respostas ligadas a visões deformantes do “outro” ou
da “realidade”, pode-se pensar, mutatis mutandis, que o sistema penal
ou o próprio Estado produzem e sustentam grades de interpretação da
realidade através das quais são observadas as condutas e as pessoas
(definidas como) perigosas ou delinquentes

O mecanismo de conhecimento no âmbito da reação social é parecido


com aquele atribuído ao delinquente pelo qual o outro é brutalmente
reduzido a sua qualidade de inimigo, isto é uma abstração cuja
característica essencial é a de carregar intenções perigosas e
ameaçadoras

 REDUÇÃO E INTENCIONALIZAÇÃO
“REAÇÃO SOCIAL” E “PASSAGEM AO ATO”

Os discursos políticos ou do senso comum, ou mesmo da ciência, sobre


o crime e o “criminoso” sustentados por grades de leitura que atualizam
em maior ou menor medida o “instinto de defesa”

Resposta ao crime // percepção de medo // lógica da defesa

 réplica desvalorizante, hostil e destrutiva.

Contudo: a reação ao crime produzida pelo sistema de justiça criminal,


pode ser entendida, em certa medida, como o resultado de um
“distanciamento” em relação a uma reação muito imediata, ditada pelo
puro instinto de defesa”

 Freios de caráter “racional”, parametrização

 Direito Penal / Criminologia classificatória e correcionalista

 O caráter simplista e redutor não parece superado


“REAÇÃO SOCIAL” E “PASSAGEM AO ATO”

Relação à lei penal

• Consagra um ponto de vista (de um grupo) em detrimento de outros

• Caráter seletivo da norma >< crime natural

• Caráter universalizante >< diferenças individuais

• Redução da complexidade: “homem racional”

• Não existem somente normas ou condutas  existe uma relação à


norma que precisa ser descoberta (ex. responsabilização)

 Rediscussão do objeto da psicologia criminal


ENTRE “REAÇÃO SOCIAL” E “PASSAGEM AO ATO”

Discussão do objeto da criminologia

• Labelling approach: crime definido pela lei penal (única especificidade)


 Oficialização de uma apreciação negativa

• Lei penal como instância de poder entre outras

• Noção de “comportamento problemático”

• Redução do estigma, pontos de vista e afirmação de valor


 resistência à demanda institucional de gestão

• Permanência do objeto e aumento do campo de estudo:


 interações sociais

• Estudos específicos

• Importância das palavras: ex. Delinquência >< autor e vítima


ABORDAGENS DO HUMANO

• Objetividade impossível e desejável


• Reflexividade
• Simpatia e mistério

Problema do reducionismo gerencialista


 do test ao encontro
 do fatorialismo à experiência de reconhecimento
 decentração
 “laço sociopático” (Escola de Lyon)

Livre arbítrio, determinismo e ator social

Consenso: norma como quadro indiscutível, atenção no indivíduo,


correcionalismo  impossibilidade de escuta do sujeito

Estudo da realidade vivenciada  análise de como o grupo social define


e reage
ABORDAGENS DO HUMANO

“Ator social” (1989)

 sujeito inscrito socialmente


 ativo >< determinado
 produção de sentido e tomada de decisão

Criação, transgressão e implementação da norma (Sutherland) são


práticas de atores
ABORDAGENS DO HUMANO

Visão mais trágica

• Fragilidade do ser humano: a valorização do outro não é evidente

• Reflexividade em dois níveis: conhecimento e ação

• Leitura do homicídio // nazismo

• Capacidade do quadro institucional criar as condições de


percepção/construção do outro como semelhante

• Rigor científico >< fineza analítica

• Defesa, simpatia e mistério...


CONCEITO DE “PERICULOSIDADE”

Conceito de “periculosidade”: tentativa de (re)construção da realidade,


com o fim de controlá-la.

As teorias científicas e o senso comum constituem uma ferramenta para


a organização da informação  projeto de controle de determinados
grupos sociais.

 Gestão de indivíduos / grupos identificados como problemáticos, ora


para se proteger, ora para utilizá-los economicamente, ora para
redirecionar a agressividade de um grupo social.

 Criminologia do “ato legislativo” ou do “ato julgante”, podendo ser


entendidos como processos específicos de agressão
APLICAÇÃO: PESQUISA SOBRE OS DISCURSOS PARLAMENTARES
SOBRE A REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL

 Maneiras de ver as situações problemáticas e seus protagonistas


(e as maneiras de pensar as respostas)

Estudo da criação da norma (penal): primeiro passo lógico no campo da


criminologia e da sociologia da justiça penal

Reconstituir o processo que vai da emergência do problema social à


escolha de uma resposta jurídica (penal), através de sua « formatação »
nos discursos, para compreender como e porque se formula essa
resposta

As « fontes » da pesquisa:

As 37 Propostas de Emenda Constitucional voltadas para redução da


maioridade penal e os debates parlamentares que se referem às mesmas,
entre 1993 e 2010
PRIMEIRA FASE DA ANÁLISE

Estudo dos « referenciais cognitivos » mobilizados nos discursos


fávoráveis e contrários à redução da maioridade pénal

Análise de cunho indutivo a utilizando o referencial da « teorização


enraizada nos dados » (« Grounded Theory » de Glaser e Strauss)

 categorizações sucessivas dos dados empíricos


 elaboração de hipóteses

 As oposições relevantes entre as posições remetem às maneiras de:

- definir o problema

- perceber os jovens infratores

- conceber a resposta diante da transgressão


 Elaboração de 4 « discursos-tipo »:

OPOSIÇÃO Discursos favoráveis à Discursos contrários à


INICIAL redução da maioridade redução da maioridade
penal penal

DISCURSO- Punição Punição Proteção Protagonismo


TIPO garantista emancipador

Complexificação da leitura dicotômica inicial


Os 4 discursos:

OPOSIÇÃO Discursos favoráveis à Discursos contrários à redução


INICIAL redução da maioridade da maioridade penal
penal

DISCURSO Punição Punição Proteção Protagonismo


garantista emancipador
Problema Degradação Leitura mais Exclusão social Politização clara
social e moral complexa Falhas das do problema
Dramatização Insegurança políticas públicas Violência
Medo Insegurança estrutural

Jovem Monstro Responsável Pessoa em Inserido nas


infrator Perigoso Parte desenvolvimento dinâmicas sociais
Incurável importante do Responsável e excludentes
problema vulnerável Potencialidades
Respostas Severidade Redução MSE (inclusive MSE
desmedida condicional c/ caráter Crítica do castigo
Neutralização Punição nos punitivo) Participação
Crítica das limites da lei Políticas de Autonomização
garantias Tratamento prevenção
Mudanças
Reabilitação estruturais
SEGUNDA FASE DA ANÁLISE

Mobilização do referencial da « racionalidade penal moderna » (RPM)


como instrumento de leitura dos discursos parlamentares

RPM: « maneira de pensar e fazer em matéria penal que se impõe a partir


do século XVIII » (Álvaro Pires)

a) Obrigação de punir e valorização da (severidade da) pena aflitiva


b) Valorização da exclusão social e da privação de liberdade, em detrimento
de medidas alternativas

 Concepção das medidas de proteção como devendo ser de caráter:


Hostil, Negativo, Abstrato, Atomista

 Mobilização das teorias da pena : Retribuição


Dissuasão
Denunciação
Reabilitação
ECA e MSE: racionalidade diferente?

 Transversalidade da RPM nos discursos parlamentares


DISTANCIAMENTO DA RPM: INOVAÇÃO E REGRESSÃO

Trilogia conceitual que tenta dar conta teoricamente das


« maneiras de pensar (e de fazer) » em matéria penal

INOVAÇÃO: Mudança que promove uma resposta diferente daquela


promovida pela « racionalidade penal dominante » (a RPM)

Menos hostil, menos abstrata, menos negativa, menos atomista


Não centrada na punição (ex: justiça reabilitativa e justiça restaurativa)

REGRESSÃO: Abandono dos princípios moderadores que, contudo,


caracterizam as soluções promovidas pela RPM:

 Desrespeito maciço aos direitos dos infratores


 Ruptura com o principio de legalidade das incriminações
e dos procedimentos
 Desinteresse completo em relação à reabilitação
 Nova categorização dos discursos parlamentares, em função da
« racionalidade » adotada

OPOSIÇÃO Discursos favoráveis à Discursos favoráveis à redução da


INICIAL redução da maioridade penal maioridade penal

DISCURSOS Punição Punição Proteção Protagonismo


garantista Emancipador

ABORDAGEM REGRESSÃO RACIONALIDADE PENAL INOVAÇÃO


TEÓRICA MODERNA
MODALIDADES DE INTERVENÇÃO NA JUSTIÇA PENAL

MODO de IMPOSIÇÃO

« Autoritária » « Legalista » « Participativa »

1. 2. 3.
S Aflição Aflição Aflição legal Aflição
O autoritária (extra-légal)
L
U
Ç 4. 5. 6.
à Reabilitação Reabilitação Reabilitação Reabilitação
O autoritária definida participativa
legalmente
P
E
N 7. 8. 9.
A Restauração Restauração Restauração Restauração
L autoritária prevista participativa
legalmente
“MANEIRAS DE VER” AS SITUAÇÕES PROBLEMÁTICAS E FIGURAS DO
“PERIGO” (aspecto parcial da pesquisa)

Relação entre maneira de se “conectar” às situações de perigo, produção


de conhecimento e forma de intervir

Etimologia de três palavras do “perigo”


 Três figuras do perigo, identificáveis nos discursos parlamentares:

 o « danger » como apreensão da alteridade entendida como


ameaçadora
// Regressão

o « risco » como modalidade parametrizada da percepção do perigo


e da resposta social (jurídica ou criminológica)

// Racionalidade penal moderna

o « perigo » como movimento de conhecimento e de ação aberta à


complexidade, ao “vir a ser” de cada ator, imprevisível

// Inovação
... SUSTENTAÇÃO DE (MAIS) UMA CRÍMINOLOGIA CRÍTICA

 Crítica à criminologia positivista, classificatória e correcionalista, no


próprio campo da criminologia clínica

 Leitura crítica da reação social, à luz dos mecanismos de defesa: estudo


da produção da norma e da sua implementação, como possíveis
modalidades de defesa

 Importância da compreensão das « maneiras de ver » os problemas e


seus protagonistas para discutir as « maneiras de pensar » o controle social

 Pesquisa sobre os “olhares”, sobre as relações de (des)constituição da


alteridade // relações de poder numa dinâmica conflitual

 Criminologia compreensiva: construtivista, complexa, interdisciplinar e


reflexiva

“Há horizontes desejáveis (e indesejáveis) para modificar as « maneiras de


ver », importantes para transformação das « maneiras de pensar (e de
implementar) » as respostas às situações-problema…”
Muito obrigado !!

riccardo@terra.com.br

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