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Samuel Rodrigues de Oliveira Neto

Departamento de Física
Universidade Federal de Sergipe
São 4 equações matemáticas que descrevem:
 A relação entre o campo elétrico (E) e a carga
elétrica (q);
 A relação entre o campo magnético (B) e os polos
magnéticos;
 Como um campo magnético variável produz
corrente elétrica (i);
 Como uma corrente elétrica ou um campo elétrico
variável produzem um campo magnético.
As equações também prevêem a existência de ondas
eletromagnéticas – luz.
 Em 1785, Charles Coulomb enunciou a lei de
𝑞
Coulomb, 𝐸 = 2 , que afirma que a
4𝜋𝜖0 𝑟
intensidade do campo elétrico de uma única
carga elétrica puntiforme q, no vácuo, é
inversamente proporcional ao quadrado da
distância r e tem simetria esférica.
 A área de uma esfera é dada por 𝐴 = 4𝜋𝑟 2 , ou
seja, é diretamente proporcional ao quadrado
da distância r
Então, o que acontece se multiplicarmos a
intensidade do campo elétrico com a área da
esfera para cada distância r ?
𝑞 2
𝑞
𝐸 ⋅𝐴= 2
⋅ 4𝜋𝑟 =
4𝜋𝜖0 𝑟 𝜖0
 Como a carga tem um valor conhecido e a
permissividade elétrica no vácuo é igual a 𝜖0 =
8,85 × 10−12 𝐹/𝑚, então o resultado é uma
constante.
 No eletromagnetismo, essa constante é
chamada de fluxo do campo elétrico, Φ𝐸 , por se
tratar da intensidade do campo elétrico que
atravessa uma superfície.
𝑞
 O resultado Φ𝐸 = vale para qualquer
𝜖0
superfície fechada com uma carga total q
contida em seu interior.
 Desenhando as linhas de força de um campo
elétrico, ele é mais forte quando essas linhas
estão mais próximas, e mais fracas quando
estão mais distantes. O fluxo elétrico Φ𝐸 é uma
medida do número de linhas de campo elétrico
passando por uma área.
 O número de linhas do fluxo elétrico por
unidade de área é chamado de densidade de
fluxo elétrico.
𝑞
 O resultado Φ𝐸 = vale para qualquer
𝜖0
superfície fechada com uma carga total q
contida em seu interior.

 Se a carga for positiva, o fluxo é direcionado


para fora da superfície e também é positivo.

 Se a carga for negativa, o fluxo é direcionado


para dentro da superfície e também é negativo.
O número de linhas
entrando nas
superfícies é igual
para qualquer
superfície fechada.
O fluxo elétrico não
depende do raio e
nem da forma da
superfície.

http://naturezasacana.blogspot.com/2011
/06/campo-eletrico.html
O número de linhas
entrando na
superfície é igual ao
número de linhas
saindo da superfície.
Portanto, Φ𝐸 = 0.
A carga elétrica está
localizada fora da
superfície fechada.

https://qph.fs.quoracdn.net/main-qimg-
34d8fe974c25a1de3cf0de16f424ea5c-c
O número de linhas entrando na superfície é igual
ao número de linhas saindo da superfície.
Portanto, Φ𝐸 = 0.
A carga elétrica líquida é nula.
http://cepa.if.usp.br/e-
fisica/imagens/eletricidade/basico/cap03/
 O fluxo do campo E através de superfície
fechada é devido à carga elétrica contida em
seu interior.

 Cargas elétricas produzem campos elétricos.

 Esse resultado pode ser aplicado em qualquer


situação, por isso ele foi generalizado em uma
das leis básicas do eletromagnetismo, a
chamada Lei de Gauss para o campo elétrico.
 Um ímã permanente, ou uma barra magnética,
tem um polo Norte (N) e um polo Sul (S);

 Se dividirmos o ímã ou a barra em dois


pedaços, verifica-se que cada pedaço
continuará tendo um polo Norte e um polo Sul.

 Se dividirmos cada pedaço infinitamente, cada


pedaço ainda terá os polos Norte e Sul.
As linhas de força
magnética são
sempre fechadas.
 O fluxo do campo magnético Φ𝐵 = 𝐵 ⋅ 𝐴,
através de uma superfície fechada é sempre
nulo, pois o fluxo positivo do polo Norte
cancelará o fluxo negativo do polo Sul, ou seja,

Φ𝐵 = 0

 Ou seja, NÃO existem partículas com cargas


magnéticas ou monopolos magnéticos, como
ocorre com as cargas elétricas.
 Essa afirmação é de fundamental importância
para o entendimento de diversas propriedades
dos materiais magnéticos, principalmente em
gravação de imagem e som, sensores utilizados
em portas automáticas etc.

 Tal propriedade é conhecida como Lei de Gauss


para o campo magnético.
 Em 1820, o físico dinamarquês Hans Oersted
montou um experimento para demonstrar os
efeitos de uma corrente elétrica ao longo de um
fio condutor. Casualmente, havia uma bússola
próxima ao fio e ele percebeu que a agulha
sofria uma deflexão sempre que passava uma
corrente elétrica pelo fio.
 Nascia, assim, a unificação dos fenômenos
elétricos e magnéticos que hoje na Física
chama-se Eletromagnetismo.
https://2.bp.blogspot.com/-
9bSoLvNLOrg/WDCo4nAiPUI/AAAAAAAAOLU/Yd
Y934IvKTY0YHe84AxwE__8jJv0jpBpACLcB/s1600/1.gif
 Após conhecer os resultados de Oersted, em
1831, o físico inglês Michael Faraday ponderou
na seguinte questão:

“Se as correntes elétricas produzem efeitos


magnéticos, será que o fenômeno inverso poderia
ocorrer? Ou seja, um campo magnético é capaz de
produzir uma corrente elétrica em um circuito?”
 Faraday envolveu os lados opostos de um anel
de ferro com fio isolado, formando duas bobinas.
 Uma bobina estava ligada a uma bateria e a outra
estava ligada a um fio que passava próximo a
uma bússola.
 Nada acontecia quando a corrente era constante,
mas toda vez que ele ligava ou desligava a
corrente, a agulha da bússola se mexia.
 Faraday conseguiu então produzir eletricidade a
partir do magnetismo.
http://www.global.tdk.com/techmag/nature/images/vol2Fig03.gif
https://files.askiitians.com/cdn1/images/20141124-
1011182-4752-inductance.gif
http://physiclessons.blogspot.com.br/2013/02/neumann.html
 Um campo magnético variável induz uma
corrente elétrica em outro fio próximo.
 O valor da voltagem (f.e.m.) é proporcional à taxa
de variação do campo magnético.
 A corrente que flui no segundo fio também
parecerá bastante idêntica à que flui no primeiro.
 A corrente elétrica no segundo fio produz um
campo magnético inverso ao original.

ΔΦ𝐵
𝜖=−
Δ𝑡
 Quando o físico francês André Ampère assistiu o
experimento de Oersted na Academia Francesa
de Ciência, em 1820, ele iniciou uma série de
experimentos de interação magnética com fios
condutores paralelos.
 Demonstrou matematicamente que 𝐵 ∝ 𝑖
 Ampère generalizou que o efeito magnético era
o resultado de correntes elétricas circulares e
que o efeito era maior quando os fios estavam
enrolados em forma de bobina.
 Maxwell intuiu que para se obter uma completa
simetria nas equações do eletromagnetismo,
faltava um termo da variação temporal do
campo elétrico que gerasse o campo magnético
 Na segunda metade do século XIX James Clerk
Maxwell (1831-1879) percebeu uma
inconsistência matemática e modificou a lei de
Ampère incluindo um novo termo (corrente de
deslocamento). A equação resultante, conhecida
como a lei de Ampère & Maxwell.
ΔΦ𝐸
𝐵∝𝑖+
Δ𝑡
 Maxwell verificou detalhadamente cada
equação e conseguiu obter um importante
resultado: a previsão da existência das ondas
eletromagnéticas.
 Tais ondas consistem em uma superposição de
variações temporais de campos elétricos e
magnéticos.
 Ele também calculou teoricamente a velocidade
de propagação de uma onda eletromagnética:
1
𝑐= ≈ 3 × 108 𝑚/𝑠
𝜖0 𝜇0
 Revelou a natureza eletromagnética da luz.