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INSTALAÇÃO DE JARDINS

E RELVADOS

MÓDULO Nº1 - JARDINS

Verónica Mariz 1
 História dos Jardins

È fundamental estudar a história dos


jardins, porque ele é o reflexo do
relacionamento humano com a natureza.
A palavra jardim vem de uma junção do
hebreu “gan” (proteger, defender) e
“èden” (prazer, delicia) e expressa de
certa forma a imagem de um pequeno
mundo ideal perfeito.

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 Portanto os grandes jardins da história
são como um vocabulário do desenho
idealizado da paisagem, como cada
civilização desejava que ela fosse.

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O que é um jardim?
 É um espaço planejado, normalmente ao ar
livre;
 É um terreno onde se cultivam plantas
ornamentais, e outras formas da natureza;
 É uma obra de arte, com elementos vivos e
inertes, no qual o homem procura, no
momentos de lazer, um contacto com a
natureza;
 Estão presentes em todo o percurso da
história da humanidade;

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 Ao longo de toda a história ocorrem
transformações que podem ser
caracterizadas pelos estilos de cada época
e cultura;
 Pérsia, China e Egipto foram os locais das
mais antigas civilizações conhecidas, e
são no geral regiões áridas;
 A água sempre foi um recurso
fundamental, e irrigação uma palavra
mágica.

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 Num clima quente e seco, sombra e água são tudo o
que se quer, e assim os primeiros jardins incluíam
tanques canais de irrigação e árvores para sombra;
 O desenho e as plantas utilizadas tinham a
agricultura como referência :
 Árvores frutíferas;
 Condimentos;
 Plantas de uso ritual.

 No Egipto, a religião era um traço marcante nos


jardins dos faraós, com plantas sagradas como o
lótus, o papiro e a tamareira.

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 Estilos de jardins

Existem vários estilos de jardins, que se


diferenciam pelas suas características e
funções.
Dentro da actual classificação de estilos
podemos citar os seguintes:
 Rural
 Contemporâneo

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 Formal
 Colonial
 Mediterrâneo
 Oriental
 Tropical

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 Jardim Rural
• Geralmente adaptado a ambiente rural;
• A pavimentação é bem natural, com
seixos, cascalhos ou brita;
• Os vasos muitas vezes são adaptados de
antigas peças utilitárias tais como cestas,
carrinhos de mão;
• Rodas de carroças antigas e carroças são
utilizadas como peças de adorno;

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• As cercas são de madeira;
• As plantas utilizadas são de textura
delicada de cor, a fim de somarem um
efeito de romantismo.

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 Jardim colonial

• O estilo colonial pode confundir-se com o


rural, uma vez que os seus elementos
decorativos provêm de antigas fazendas, do
tempo colonial;
• Caracterizam-se principalmente, por
incorporar fontes e lagos;
• Um exemplo de um jardim colonial é o
Jardim Colonial de Lisboa, agora chamado
jardim Botânico de Lisboa;

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• Este jardim é um dos mais bonitos da capital;
• Tem uma variada vegetação e raros
exemplares exóticos, tentando preservar
todas as plantas que estão em vias de
extinção ou que já desapareceram por
completo nos seus países de origem;
• Com cerca de sete hectares è principalmente
constituído por árvores exóticas para
promover o estudo da flora das antigas
colónias portuguesas;

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• O primeiro jardim colonial foi criado a 25 de
Janeiro de 1906, no reino de D.Carlos I;
• Em destaque temos um conjunto de
palmeiras plantadas pelo primeiro Presidente
da Republica (Manuel de Arriaga);
• Diversas estufas com bananeiras,
ananaseiros, quineiros e baunilha, o cafeeiro,
anoneira, mandioca, diferentes orquídeas e
muitas outras plantas de distintas origens
como por exemplo Macau.

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• È particularmente rico em espécies
tropicais originárias da Nova Zelândia,
Austrália, China, Japão;
• As cicadáceas são um dos ex-líbris do
Jardim, autênticos fósseis vivos,
representam floras antigas, que na
maioria se extinguiram.

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 Cicadáceas

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 Cicadáceas

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 Cicadáceas

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 Jardim Mediterrâneo
• É um jardim que se assemelha ás áreas
naturais que ocorrem no entorno do mar
Mediterrâneo;
• As plantas utilizadas gostam de pouca rega,
solo pobre e muita luz, plantas como o
alecrim, cipreste, palmeiras, limoeiro;
• Elementos marinhos como conchas são
utilizadas para os passeios ou acabamentos
de canteiros;
• Cerâmicas fazem a pavimentação assim
como fontes e pequenos pátios.

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 Jardim Oriental Japonês
• Este jardim é muitas vezes um jardim em
miniatura, composto por desenho rígido e
simples, arquitectado com bonsais;
• Utiliza magnólias, coníferas, bambus e
pedras em número ímpar;
• Têm sempre um recanto aquático;
• Tem como objectivo pacificar o espírito,
equilibrá-lo em contacto com a natureza e
abri-lo á meditação;

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• O estilo oriental é cheio de simbolismo,
tem como um dos principais fundamentos
o culto pela natureza;
• São características deste estilo presença
de pedras, água formando pequenos
lagos, riachos ou cascatas; assim como
uma lamparina de padra.

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 Jardim tropical
• Repleto de cores e formas sinuosas;
• Utiliza na sua composição plantas com
folhagem e flores coloridas, espécies de
sombra e muitas palmeiras;
• Tenta criar um ambiente paradisíaco de uma
ilha tropical, com a presença de muito verde
e muitas flores;
• Neste estilo é fundamental um gramado, uma
área de sombra e uma lamina de água;
• Sua essência é descontraída e avessa a
podas e simetria;

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 Foi criado pelo paisagista Burle Marx, a
sua principal característica é a utilizazão
de espécies de regiões tropicais e
subtropicais.

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 Jardim Contemporâneo
• É o mais aplicado actualmente;
• É um estilo livre na forma e contêm vasos
pedras e acessórios com formatos
inovadores e materiais novos;
• É um estilo que se aproxima ao estilo
inglês no objectivo de uma integração
entre o jardim e a arquitectura local não
havendo rigidez quanto á sua
composição;

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• Geralmente as pavimentações são lisas,
bem confeccionadas de materiais caros e
nobres, adaptados ao modernismo de
vida;
• Os vasos podem ser quase esculturas.

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 Jardim Desértico ou rochoso
• Tem por objectivo reproduzir uma
paisagem árida;
• É caracterizado principalmente pela
presença de plantas xerófilas, espécies
que desenvolveram a habilidade de
reduzir a perda de água e acumulá-la
para o período de estivagem;

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 Os jardins desérticos podem ser
informais, temáticos ou até
contemporâneos:
 O jardim desértico informal segue linhas
orgânicas, há pouco ou nenhum
acessório;
 O jardim temático está relacionado coma
cultura e as plantas xerófilas de uma
determinada região;

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• É um jardim que requer pouquíssima
manutenção, não exige regas constantes
ou podas;
• As adubações são leves e os replantios
bem esparsos;
• Apesar de simples de manter, este jardim
necessita de um bom sistema de
drenagem, já que as suas plantas não
toleram nenhum tipo de encharcamento;

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• É um jardim marcado pela rusticidade e
próprio para lugares inóspitos, com
insolação directa;
• As forrações com pedrinhas e areia são
muito importantes, elas trazem
naturalidade ao espaço e realçam a forma
das plantas, também são auxiliares na
drenagem do solo;

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 As plantas do jardim desértico têm
geralmente ;ausência de folhas ou folhas
rudimentares (cactos), folhas suculentas
ou folhas fibrosas e finas.

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A partir do renascimento, durante o século
XVI, surgiram 3 estilos de jardins
europeus que influenciaram toda a
jardinagem:
 Italiano
 Inglês
 Francês

Jardins Europeus
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Jardim Francês

 O Jardim Francês é também conhecido


como clássico ou formal;
 É considerado o mais rígido e formal de
todos os estilos e traduz-se em formas
geométricos e simetria perfeita;
 Os jardins mais representantes
embelezam os palácios de Versalhes e
Vau-le-Viconde;

Jardins Europeus
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 Criado no século XVII, durante o reinado de
Luís XIV, o estilo demonstra o domínio do
homem sobre a natureza e valoriza a
grandiosidade das construções;
 Os caminhos nesse jardim caracterizam-se
por serem largos e bem definidos, com
cercas vivas e arbustos compactos, verdes e
perfeitamente topiados;
 As pedras são pouco utilizadas e restringem-
se a pedritas ou lajes nos caminhos;

Jardins Europeus
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 As curvas francesas são muito utilizadas,
de forma organizada e simétrica sem
perder a formalidade;
 As roseiras, tulipas e azaléias reinam
majestosamente, colorindo e quebrando o
ar bucólico e sisudo deste jardim;
 Outras flores podem ser escolhidas,
principalmente as originárias de clima
temperado e mediterrâneo;

Jardins Europeus
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 Os arbustos verdes, ciprestes e pinheiro têm
lugar de destaque neste jardim;
 Devido á intensa necessidade de podas, o
jardim francês é considerado de alta
manutenção e custo, que pode ser
amenizado com plantas de crescimento lento
e moderado;
 Elementos como lagos, bancos, colunas,
esculturas, etc. também podem fazer parte
deste jardim ; desde que se integrem no
estilo;

Jardins Europeus
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 Ao contrário de outros jardins, o jardim
francês exige adornar construções de
estilo sóbrio e formal.
 Exemplo de plantas: tuias, ciprestes,
tulipas, viburno, buxinho, hera, lavanda.

Jardins Europeus
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 Jardim do Palácio de Versalhes

Jardins Europeus
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 Jardim Francês

Jardins Europeus
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Jardins Europeus
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Jardim Inglês

O jardim inglês é considerado como uma


revolução contra os padrões rígidos e
simétricos de outros estilos;
 Valoriza a paisagem natural, com formas
curvas e arredondadas, tanto no relevo,
como nos caminhos e na construção dos
maciços e bosques;

Jardins Europeus
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 Neste estilo é fundamental a utilização de
gramados extensos, com amplas
alamedas;
 O parque não é totalmente plano e as
ondulações do terreno devem ser
valorizadas;
 Formas geométricas ou rectas não são
utilizadas;
 As árvores e arbustos são dispostas de
acordo com o porte e a coloração;

Jardins Europeus
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 Plantas que exigem muita manutenção e
reformas assim como arbustos topiados não
são utilizados neste estilo de jardim;
 Outros elementos são bem vindos neste
jardim acrescentando charme e naturalidade,
como árvores mortas, rochedos e pequenas
colinas, clareiras, lagos, riachos, etc.;
 Neste jardim devemos ter a sensação de
andar num bosque antigo e natural, com
pouca intervenção do homem.

Jardins Europeus
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 Jardim Inglês

Jardins Europeus
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Jardins Europeus
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Jardim Italiano

 Este jardim caracteriza-se pela utilização


de frutíferas, flores, estátua e fontes num
contexto bastante clássico e funcional;
 Embora seja semelhante ao jardim
francês, o estilo italiano tem o calor dos
países mediterrâneos, quebrando a
formalidade excessiva com “licença
poética”;

Jardins Europeus
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 Neste jardim formas topiadas de buxinhos e
viburnos combinam-se perfeitamente com
estátuas de deuses e árvores frutíferas como
laranjeiras e macieiras;
 As cercas vivas conduzem os caminhos para
os pontos principais de contemplação;
 Não pode faltar o elemento água, na forma
de uma fonte chafariz ou espelho de água,
normalmente é o ponto central de
contemplação do jardim;

Jardins Europeus
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 As plantas escolhidas devem ser de origem
mediterrânea ou temperada, capazes de
aguentar o frio e a seca, mas muito floríferas
na primavera;
 Outros elementos também se unem
harmoniosamente a este jardim, como vasos
cerâmicos, esculturas, arcos, pontes, bancos,
etc., sempre traduzindo um clima romântico
e clássico;
 Sugestões de plantas: viburno, buxinho,
lavanda, alecrim, laranjeira, limoeiro, roseira.

Jardins Europeus
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Jardins Europeus
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Jardins Europeus
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 Buxinho e Viburno

Jardins Europeus
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 Jardim do Paço Episcopal

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 O jardim do Paço Episcopal é um dos mais
extraordinários jardins barrocos portugueses;
 Foi construído no século XVIII, por iniciativa
do primeiro Bispo de Castelo Branco, D.João
de Mendonça;
 O jardim é único pela sua originalidade e
elegância;
 De inspiração barroca, entre as suas
alamedas de buxos encontram-se numerosas
estátuas de granito representando as quatro
partes do mondo então conhecidas (Europa,
Ásia, África e Índia);

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 Os signos do Zodíaco, as estações do ano
e os seus meses estão também presentes
na forma de esculturas;
 Do seu grande lago, onde dar á cascata
de Moisés, partem duas escadarias
monumentais a dos reis dos apóstolos;
 De destacar que na evocativa dos Reis de
Portugal, as representações dos Filipes da
terceira Dinastia foram esculpidos em
menores dimensões.

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 Jardim do Paço Episcopal

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