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Os governos Fernando

Collor de Mello e Itamar


Franco e os novos desafios
da inserção internacional
Divisões Subsequentes
 Contexto Mundial
 Governo Collor
 Governo Itamar
 Resumo do período
CONTEXTO MUNDIAL: O FIM DA
GUERRA FRIA
 Fim da Guerra Fria:
 Desmoronamento de regimes comunistas na Leste Europeu; a reunificação
da Alemanha e a desintegração da URSS
 Fim do antagonismo ideológico, político-econômico e militar do
bipolarismo.

 A partir de 1991:
 Expansão do capitalismo; presença única da hegemonia estratégica norte-
americana
 Três novos espaços econômicos: EUA, Europa unificada e o Leste Asiático,
dinamizado pelo Japão

 Contexto final do século XX


 Pax Americana I  Pax Americana II
 Era da Revolução Industrial II  Era da Informação
CONTEXTO MUNDIAL: O FIM DA
GUERRA FRIA
 Amaury Porto de Oliveira:
Esse autor afirma que desde o final dos anos 1980 uma nova estrutura passa a ser
formada e Estados Unidos e a ex-URSS não são mais formas potências hegemônicas, abrindo
espaço à formação de uma multipolaridade. Decorre de tal afirmação que os países pequenos
e médios possuem maior liberdade e desde que em seu contexto interno haja união para
atingir tal fim.

 Novo diálogo
 Norte-Sul: “Endividamento e limitação à soberania a ausência de independência
dos países não detentores de forças produtivas.”
 Sul-Sul: demonstra que ainda há a possibilidade de união entre países em
desenvolvimento frente às relações de subordinação, contribuindo para uma
nova ordem internacional multipolar e anti-hegemônica.
CONTEXTO MUNDIAL: O FIM DA
GUERRA FRIA
 Transformação nas relações de produção
 Ênfase em três áreas econômicas:
- Estados Unidos, Europa e Leste Asiático.
- No Leste Asiático há diferenciação em duas
formas de desenvolvimento: o capitalismo
japonês e o capitalismo internacional chinês.
A POLÍTICA EXTERNA DE
FERNANDO COLLOR
(1990-1992)
GOVERNO COLLOR:TRANSFORMAÇÕES NA POLÍTICA
EXTERNA BRASILEIRA

 O Governo Collor iniciou-se em janeiro de 1990, defendendo a necessidade de


transformar a política externa brasileira, a fim de adaptá-la ao novo contexto
no qual o pensamento neoliberal predomina, buscando nessa perspectiva a
inserção competitiva na economia mundial.
 Quatro novas diretrizes
1) Foco em parcerias operacionais com a tríade (Japão, EUA e União Europeia), bem
como o Mercosul
2) Nichos de oportunidade: busca-se preencher os vãos que surgiram com o fim da
Guerra Fria a fim de estabelecer novas relações econômicas e políticas
3) Adaptação criativa: adoção de uma postura adequada à realidade internacional da
época (neoliberal)
4) Visão de futuro: inserção internacional como reflexo dos valores e aspirações nacionais

 Diretrizes traduzidas na prática: três objetivos


 “Garantir a inserção e adaptação do país aos novos contornos da economia global;
manter relações positivas com o EUA; desfazer o caráter terceiro-mundista do
Brasil”
GOVERNO COLLOR: INSERÇÃO INTERNACIONAL

 De 1930 a 1990 afirmava-se: imperou-se a diplomacia autonomista, contudo


com a ascensão de Collor esta se transformaria;
 A inserção econômica de Collor no plano internacional foi considerada por
alguns como “impulsiva e unilateral”.
 Pós Guerra Fria: aceitação do discurso globalizante e abertura à nova ordem
neoliberal, que pensava-se ser fundamental para a modernização do país.
 Reformas e inserção na economia internacional:
 Diminuiu barreiras à entrada de capital estrangeiro e redução das tarifas para
produtos importados;
 Eliminação da burocracia que controlava a remessa de lucros para o exterior;
 Facilitou-se a entrada e saída de capital;
 A promessa de uma economia estabilizada contribuiria para que os investimentos
estrangeiros retornassem ao país;
 Privatização de empresas estatais;
 Renegociação da dívida externa;
 Dificuldades na condução do processo decisório envolvendo os diversos grupos
políticos econômicos do país e a crise de ética no poder executivo impediu as
reformas econômicas internas;
GOVERNO COLLOR: INSERÇÃO INTERNACIONAL

 A questão ambiental
 Anfitrião da Conferência das Nações Unidas para o Meio
Ambiente;
 Discurso brasileiro agregou o tema do desenvolvimento ao
debate sobre meio ambiente;
 Conduziu os trabalhos de modo a substituir o confronto pela
cooperação ambiental no diálogo Norte-Sul;
 Direitos Humanos
 Em 1992, aderiu a dois Tratados Gerais de proteção aos
Direitos Humanos da ONU; participou da Convenção de
Direito Humanos da OEA e da Convenções Internacionais
contra a discriminação racial e da mulher, contra tortura,
sobre direitos das crianças e do refugiado
 Em 1993, Conferência Mundial de Direitos Humanos
GOVERNO COLLOR: AGENDA
POSITIVA COM OS EUA
 Escolha pela convergência com países desenvolvidos com ênfase nos
Estados Unidos, no que concerne primordialmente a questões
econômicas, comerciais e financeiras, pois o governo deveria
demonstrar confiança e credibilidade aos demais países.

 Nessa fase afirma-se que houve um encolhimento da diplomacia


brasileira, pois privilegiou-se os Estados Unidos e a América Latina
relegando os demais países a um segundo plano. Por tal motivo, a
tentativa de espalhar a ideia de “Brasil potência” foi deixada de lado.

 Ao contrário do que vigorava desde 1970 até então, enfatizou-se a


segurança nacional a frente a coletiva.

 Conclusão: no governo Collor foi posta de lado a autonomia decisória


e passou-se a adotar uma política mais subserviente seguindo a via do
“Estado Normal” que traz efeitos negativos ao país, pois interrompe
as estratégias de promoção do desenvolvimento e da formação do
Estado logistico.
GOVERNO COLLOR: AGENDA
POSITIVA COM OS EUA
 Presidente Collor: deslumbramento com um mundo unipolar;

 Brasil acomodou-se placidamente às norma exigidas pelos


Estados Unidos
 Os países da América Latina acreditavam que essa nova
configuração iria fazer com que os EUA viesse a auxilia-los em
seus desenvolvimentos econômicos e sociais.

 A iniciativa das Américas “programa” desenvolvido pelo


presidente George Bush iria de maneira oposta ao pensado por
tais países, pois visava manter o controle sobre a região,
buscando o enfraquecimento das relações América Latina e da
Europa.
 Houve resistência interna contra maior adequação das políticas
brasileiras às norte-americanas, que se traduziram em
diferenças na política externa.
GOVERNO COLLOR: RELAÇÕES COM A AMÉRICA
LATINA
 Maior aproximação bilateral Brasil-Argentina como
resposta às medidas tomadas principalmente pelos
EUA na região. Marcada por uma integração com
acordos baseados na abertura para o mercado
exterior.
 A estratégia brasileira foi criar uma maior
aproximação entre os países da América do Sul, com
o objetivo de enfrentar a tentativa de criação de
uma área de livre comercio hemisférica por Bush,
porém sem buscar romper com os Estados Unidos.
 Logo em seguida, buscou-se aproximar o Mercosul
com a União Europeia.
GOVERNO COLLOR: NEGAÇÃO DA AGENDA
TERCEIRO-MUNDISTA E DE PARCERIAS
ALTERNATIVAS

 Declínio da relação Brasil – África


 Ocorrendo de forma acelerada nos intercâmbios,
persistindo apenas em pontos seletivos, os quais eram de
finalidade restritas a poucas regiões, países e temas.
 Em vista a crise da África, as relações comerciais foram
sendo prejudicadas, paralelamente houve uma
desconstrução gradual do discurso culturalista.
 Redução do número de diplomatas servindo no continente
africano e no comércio entre as partes.
GOVERNO COLLOR: NEGAÇÃO DA AGENDA
TERCEIRO-MUNDISTA E DE PARCERIAS
ALTERNATIVAS

 Relação Brasil – China:

 A relação entre os países estava apresentando avanços, contudo


o Brasil não estava conseguindo fazer com que suas relações
com a China acompanhassem o ritmo do progresso registrado na
inserção deste país nos cenários político e econômico
internacionais.

 Esvaziamento nas relações acerca do projeto de construção


conjunta de satélites de sensoriamento remoto e no setor de
trocas comerciais.
GOVERNO COLLOR: NEGAÇÃO DA AGENDA
TERCEIRO-MUNDISTA E DE PARCERIAS
ALTERNATIVAS

 Relação Brasil – Japão


- Em um primeiro momento, essa relação fora considerada
prioritária, contudo, devido a redução da demanda por
matérias primas e a reorientação dos investimentos japoneses a
outros países (região asiática) resultou em esfriamento e
acomodação da relação bilateral.

 Relação Brasil – Rússia


 Aproximação lenta e gradual.

 Similitudes entre as partes (área social, recursos


naturais, entre outros fatores).
GOVERNO COLLOR: RECUPERAÇÃO DAS
LINHAS GERAIS DA POLÍTICA EXTERNA
BRASILEIRA
 Dificuldade do Itamaraty para se adaptar às mudanças do Sistema
Internacional.

 Com a consolidação da democracia no Brasil, com as dificuldades


de implantação das propostas neoliberais de Collor e com o
surgimento de novos debates sobre políticas para o país, o
Itamaraty sofreu com uma perda de paradigmas, levando a um
dissenso na elaboração da política externa.

 A agenda externa passou a ser debatida e cada vez mais, tanto no


âmbito intra quanto intersocietal
RECUPERAÇÃO DAS LINHAS GERAIS DA
POLÍTICA EXTERNA BRASILEIRA

 Dividiam-se os grupos no interior do


Itamaraty, sobretudo na relação Brasil –
EUA, questões da agenda como o meio
ambiente, integração regional, propriedade
intelectual e tecnologia.
A POLÍTICA EXTERNA DE
ITAMAR FRANCO
GOVERNO ITAMAR: A
RECUPERAÇÃO DAS TRADIÇÕES
 O presidente Itamar decidiu dar prioridade à agenda interna, diante
das dificuldades em conciliar ideias neoliberais e os projetos
neodesenvolvimentistas, delegando a atores de grande prestígio
político e à quadros tradicionais do Itamaraty a condução da política
externa brasileira.
 Ao mesmo tempo em que foram mantidas políticas iniciadas por
Collor, foram reafirmados princípios tradicionais da política externa
brasileira tais como a busca do desenvolvimento, não- alinhamento,
multilateralismo, democracia, e exercício da ética e busca pelos
interesses nacionais.
 O governo Itamar adotou uma presença mais crítica, ativa e
protagonista perante a sociedade internacional e no processo de
regionalização na América do Sul, além de alcançar novos parceiros
estratégicos.
GOVERNO ITAMAR: ATUAÇÃO NO
PLANO MULTILATERAL
 Destaque em ações na ONU, defesa de três agendas:
- Promoção do desenvolvimento, da democracia e do
desarmamento, reforma do conselho de segurança e promoção da
paz.
- Almeja ser membro permanente do Conselho de Segurança como
representante da América Latina
- Participação em missões de paz da ONU, com o objetivo de
inserir o Brasil no debate sobre os principais problemas
internacionais e na tomada de decisões da comunidade
internacional
GOVERNO ITAMAR: ATUAÇÃO NO
PLANO MULTILATERAL
 Destaque na II Conferência Mundial de Direitos Humanos em
Viena em 1993, insistindo “nas relações entre direitos
humanos, democracia e desenvolvimento, no fortalecimento da
cooperação internacional em matéria de direitos humanos, na
indivisibilidade destes últimos e na prioridade do combate
nacional à fome e à miséria que vitima parcela significativa da
população” p.69

 Adesão à OMC
 Afirmava o apoio do Brasil às organizações
multilaterais mas não anuência à postura dos países
desenvolvidos perante a liberalização
GOVERNO ITAMAR: O BRASIL NO
ESPAÇO SUL-AMERICANO
 O governo Itamar continuou e expandiu a integração latino-
americana em andamento
 Dificuldades na construção do Mercosul visto a preferência da
Argentina por parceria política com os Estados Unidos
 Fracasso do Brasil em tornar o Mercosul um meio político e
econômico que favorecesse os interesses nacionais brasileiros e
o tornasse uma liderança
 1994 lançou se os termos da união aduaneira do Mercosul e a
negociação à proposta norte americana na criação da Alca
 O Brasil foi o único país americano a dizer não às iniciativas
estadunidenses, como a Inicativa das Américas (1991) ,O Nafta
(1992), e a Alca (1994).
GOVERNO ITAMAR: RELAÇÃO
COM EUA
 Retomada da política de não alinhamento
automático com os EUA

 Reestruturação da dívida com o FMI

 Retomada da história positiva entre os dois


países e relação pessoal afetiva entre o
Ministro FHC e o Presidente Bill Clinton
GOVERNO ITAMAR: RELAÇÃO COM
A RÚSSIA
 As relações bilaterais adquiriram mais força
e amplitude
 Foram assinados acordos sobre defesa do
meio ambiente, prevenção ao uso e combate
a produção e tráfico ilícito de entorpecentes
e substâncias psicotrópicas, nomeação de
adidos militares, proteção e promoção de
investimentos e eliminação de dupla
tributação, além de um protocolo sobre
consultas políticas
GOVERNO ITAMAR: RELAÇÃO
COM A EUROPA
 Programas de cooperação nas área
econômica

 Maior aproximação entre a União Europeia e


o Mercosul
GOVERNO ITAMAR: RELAÇÃO
COM A ÁFRICA
 Buscou maior relevo nas relações com o continente por meio de:
 Promoção do comércio, participação na pacificação do
continente,sobretudo por meio de missões da ONU e aproximação político-
cultural com a comunidade dos povos de língua portuguesa
 Proposta de criação de uma comunidade lusófona

 Busca cooperação também em temas de segurança


 Missões de paz em Moçambique, Ruanda e Angola e sede da III Reunião da
Zona de Paz e cooperação do Atlântico Sul

 Incremento da relação Brasil- África do Sul apesar das semelhanças


dos regimes de industrialização entre as partes e a similaridade entre
os fatores de produção de seus mercados
GOVERNO ITAMAR: RELAÇÃO
COM A ÁSIA
 Prioridade devido ao potencial cooperativo quanto a ciência e
tecnologia e ao crescente mercado de exportação e importação

 E atendia às diretrizes brasileiras de autonomia e multi-


parcerias

 Franco entendimento entre China e a América latina


 De 1992 a 1994 firmados mais de 15 atos internacionais quase
todos nas áreas econômica, educacional, científica e tecnológica,
especialmente na área espacial
 Construção conjunta de um satélite com a China
 Viagem de Itamar à China desmarcada, causa frustrações
RESUMO:COLLOR
 O Governo Collor teve de se adaptar as transformações que
estavam ocorrendo no cenário internacional, tendo como base
nesse sentido um discurso que buscava trazer a modernização
ao país. Para tal, implantou uma política econômica neoliberal.

 Na mesma linha, estabeleceu-se quatro diretrizes: a busca por


parcerias operacionais, por nichos de oportunidades, por
adaptação criativa, pelo emprego de uma “visão de futuro”.

 Em síntese, buscou-se adaptar-se a nova ordem econômica


global: a boa relação com os EUA e a busca por desconstruir o
perfil terceiro-mundista do Brasil.
RESUMO:COLLOR
 Collor rompe com a postura da diplomacia brasileira tradicional, a
qual era baseada na autonomia, pois o cenário interno e o cenário
externo o pressionavam a tomar tal medida.
 Outro ponto importante é o que concerne ao meio ambiente, pois
tanto em âmbito interno quanto em âmbito internacional houve
conquistas. No mesmo caminho afirma-se que questões relacionadas a
direitos humanos foram bem conduzidas pelo governo.
 A atenção enfática dada a relação com os EUA gerou uma certa
complacência às suas práticas dentro do Brasil, porém, após um
período, uma resistência interna, por parte do Itamaraty, procurou-se
desviar o Brasil desse reiterado apoio.
 Esse cenário levou a tentar aproximar a relação do Brasil com os
países da América Latina e posteriormente ampliar as relações do
Mercosul com a União Europeia.
RESUMO: COLLOR
 A relação com África sofreu constante
deterioração, tanto em âmbito diplomático, quanto
cultural e comercial.

 Na Ásia as relações principalmente com China e


Japão não foram sem dúvida aproveitadas.
RESUMO: ITAMAR
 Durante o Governo Itamar buscou-se retomar as linhas
tradicionais da política externa esforçando-se para adaptar-se
ao novo contexto internacional.

 Na busca por reafirmar o multilateralismo, foi dado ênfase na


participação na ONU. Assim foi dada prioridade à questões
como a promoção do desenvolvimento da democracia, do
desarmamento e a reinvidicação da reforma no Conselho de
Segurança Da ONU

 Buscou-se também uma maior integração Sul Americana,


avançando nos processos de integração do Mercosul.
RESUMO: ITAMAR
 Apesar deste avanço na integração regional, houve entraves devido
a divisões internas presentes na Argentina, quanto ao papel do
Brasil no MERCOSUL

 No que diz respeito a relação com os EUA, buscou-se alimentar um


clima de entendimento sem alinhamentos automáticos.

 Com relação a Rússia foi feita uma aproximação lenta e gradual,


buscando-se estabelecer uma futura parceria estratégica.

 Houve um avanço na aproximação com a Europa, principalmente


nas relações entre blocos, visando o aprofundamento dos laços
entre o Mercosul e a UE.
RESUMO: ITAMAR
 Nas relações com a África foi promovida a recuperação das
relações, tanto pelas trocas comerciais, quanto pelas missões
de paz da ONU e pelo dialogo político-cultural.

 A Ásia foi definida como região preferencial da diplomacia, pois


interessava ao Brasil usufruir deste potencial cooperativo
acreditando em uma visão comum, com ênfase em especial na
China.