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ELEMENTOS DE MÁQUINAS

Professor: Adriano A. Trajano


Curso: Engenharia Mecânica
ELEMENTOS DE MÁQUINAS
• A lubrificação hidrodinâmica tem as superfícies de carregamento de carga do
mancal separadas por uma película de óleo, para que não haja o contato
metal-metal.

• Nosso objetivo nesta seção é estabelecermos uma teoria sobre lubrificação


hidrodinâmica que demonstre essa formação de película e como ela se
comporta.
Pressão e forças viscosas atuantes em um elemento de lubrificante

Uma primeira expressão que podemos apresentar é com relação à


velocidade:
u = velocidade em uma altura y, entre as superfícies;
μ = viscosidade absoluta;
y = altura;
h = espessura da película;
dp/dx = variação da pressão pela variação de x (x é direção no sentido tangencial)
U = velocidade da superfície.
Podemos ainda reduzir a equação acima,
quando a pressão é máxima, temos
dp/dx= 0, então:

Gradiente de velocidade do lubrificante


Volume de fluido na direção “x” por unidade de tempo (vazão Q)
EQUAÇÃO RE REYNOLDS

• Lembrar que x é a direção longitudinal, onde seria o local de vazamento


lateral do mancal.

(vazão Q)

• Esta equação é chamada de equação clássica de Reynolds para escoamento


unidimensional.

• Hipóteses foram adotadas nessa formulação: o fluido é newtoniano (óleo),


incompressível, com viscosidade constante, sendo que o fluido apresenta
escoamento laminar.

• A película é fina o suficiente para considerarmos que a variação de pressão ao


longo da sua espessura seja desprezível.
EXERCÍCIO (AVALIAÇÃO OFICIAL II - 2018)
Segundo Trumpler, para considerações de projeto, temos três critérios importantes que
devemos sempre verificar no desenvolvimento de um mancal de deslizamento. Esses critérios
estão relacionados com as variáveis dependentes. Sobre esses critérios de Trumpler,
considere as seguintes sentenças e resolva quais são verdadeiras (V) ou falsas (F).

I. Os três critérios de Trumpler são: espessura mínima da película, temperatura da película e


carga de partida.
II. O critério de Trumpler para a carga de partida não depende do comprimento do mancal.
III. A restrição da temperatura do lubrificante é importante para que o mancal trabalhe em
condições de não apresentar falhas. Com base na sequência de valores lógicos V e F das
afirmações anteriores, marque a alternativa que contém a ordem correta.
A afirmação I é verdadeira, pois Trumpler nos apresentou critérios baseados na espessura
mínima da película, na temperatura máxima da película e na carga de partida.

A afirmação II é falsa, pois a carga de partida é dependente do comprimento do mancal,


conforme a seguinte restrição:
l: comprimento do mancal em mm,
D: diâmetro do mancal em mm,
Wst: carga de partida.
A afirmação III é verdadeira, pois a temperatura acima do critério de Trumpler ( Tmáx< 121oC)
pode comprometer a composição química do lubrificante normalmente aplicado em mancais
de deslizamento e, com isso, provocar falha de funcionamento.
Gráfico para a variável de espessura mínima
Espessura mínima de película (h0/c) (c = folga radial, h0 = espessura mínima da película)
pode ser relacionada graficamente com o número de Sommerfeld.
Taxa de excentricidade ε = e/c (e = distância entre os centros ), e com contornos de
diversos valores da razão ι /d (ι=comprimento da bucha, diâmetro do eixo/munhão).
Gráfico para a variável do coeficiente de atrito
Variável de atrito (r/d) . F (r=raio do eixo, d=diâmetro do eixo/munhão, coeficiente de atrito f)
Número de Sommerfeld
Razão ι/d (ι=comprimento da bucha, d=diâmetro do eixo/munhão).
Gráfico para determinação da pressão máxima de película
Pressão máxima da película, estimada pela determinação da taxa de pressão P/pmax.
Número de Sommerfeld
Razão ι/d (ι=comprimento da bucha, diâmetro do eixo/munhão).
Para um mancal deslizante existem as seguintes considerações de projeto: o eixo existente
na retífica tem um diâmetro de 320 mm, portanto um raio (r) de 160 mm, temos 30
rotações por segundo, uma carga de 350.000 N, um espaço para um comprimento (l ) do
mancal de 160 mm. Vamos adotar como folga c = 0,04 mm, e um óleo com viscosidade (µ)
de 0,02756 Pa.s. Encontrar a excentricidade do eixo (e) e a espessura mínima da película
(h0)

Começamos a resolução pelo cálculo da pressão nominal no mancal, utilizando a equação [3.8]:

Determinamos o número de Sommerfeld:


Cálculo da relação ι/d

Com estes dados, podemos utilizar o gráfico da Figura 3.10

Como temos c = 0,04 mm, podemos encontrar a excentricidade do eixo (e) e a espessura
mínima da película (h0), sendo:
Gráfico para a variável de espessura mínima
Espessura mínima de película (h0/c) (c = folga radial, h0 = espessura mínima da película)
pode ser relacionada graficamente com o número de Sommerfeld.
Taxa de excentricidade ε = e/c (e = distância entre os centros ), e com contornos de
diversos valores da razão ι /d (ι=comprimento da bucha, diâmetro do eixo/munhão).
Condições de estado estável em mancais autocontidos
Condições de estado estável em mancais autocontidos
Nesta condição de mancal autocontido, nossa maior preocupação é determinar
qual será o nível de calor dissipado, para que o sistema não tenha
superaquecimento, ou valores de temperaturas acima do calculado para o
lubrificante do mancal. Assim, temos a seguinte equação:

Hperda = calor dissipado, em J/s ;


ħCR = coeficiente de transferência de calor por convecção e radiação, em W/(m2 . oC);
A = área superficial do compartimento de mancal em m2;
Tb = temperatura superficial do compartimento, em °C;
Tꚙ = temperatura ambiente, em °C.

Para o coeficiente ħCR :


Para o ar parado: 11,4 W/(m2 . oC),
Para o ar movimentado por uma hélice no eixo: 15,3 W/(m2 . oC) .
Mancais autocontidos com lubrificação forçada
• Foi desenvolvido um sistema com circulação forçada, através de
bombeamento do óleo, utilizado no resfriamento do sistema.
• Como o lubrificante é fornecido ao mancal sob pressão, tais mancais são
chamados de mancais com lubrificação forçada, ou mancais hidrostáticos.

• Podemos observar na figura um sistema completo de lubrificação forçada, que


vamos usar para deduzirmos as equações que envolvem a energia térmica.
EXERCÍCIO SEÇÃO 3.3
Um determinado mancal, tem as seguintes características: mancal com canal, furo de alimentação,
sistema de bombeamento com pressão de PS = 200 kPa, reservatório externo mantido a 55 °C,
suporta uma carga de 5 kN, utiliza um óleo de viscosidade de μ = 0,01125 Pa.s; um raio do eixo (r)
de 22 mm, uma folga (c) de 0,05 mm, um comprimento l = 22 mm, e rotação 100 rps. Assim, para
determinarmos se a aplicação está correta, precisamos avaliar qual é o tipo de lubrificação deste
mancal e se ele está adequado para uma temperatura máxima de saída do óleo lubrificante de
120 °C (este valor de temperatura foi determinado pelo cliente em função do equipamento
existente).
EXERCÍCIO SEÇÃO 3.3
Para a identificação do tipo, observamos que o sistema contém bombeamento, então a
lubrificação será forçada e, portanto, temos pressão de lubrificante e um sistema de lubrificação
hidrostática. Outras duas informações também nos conduzem a esta conclusão, sendo que o
mancal possui canal e furo de alimentação. Para avaliarmos se ele está adequado à condição de
temperatura, devemos, então, determinar a variação de temperatura do mancal, sendo:

Para obter a Variável


do coeficiente de atrito

Usamos o gráfico da Figura 3.10, obtemos:

Usamos o gráfico da Figura 3.11 e obtemos o valor de ε = 0,82.


EXERCÍCIO SEÇÃO 3.3
Gráficos de Raimond e Boyd

Figura 3.10 | Gráfico para a variável do coeficiente de atrito


EXERCÍCIO SEÇÃO 3.3

Gráficos de Raimond e Boyd

Figura 3.11 | Gráfico para a variável de espessura mínima


EXERCÍCIO SEÇÃO 3.3

Agora, podemos determinar a variação da temperatura, sendo:

Como o óleo é mantido com a temperatura de 55 °C no reservatório, então:

Concluindo, temos um mancal tipo lubrificação hidrostática que não atende ao limite de
120 °C solicitado pelo cliente. Uma solução mais simples seria reduzir o nível de
temperatura do reservatório o suficiente para atender à temperatura máxima de 120 °C.
EXERCÍCIO (AVALIAÇÃO OFICIAL II - 2018)

I. Quando analisamos a utilização de


lubrificantes podemos apontar como
vantagens principais a possibilidade de reduzir
atrito, desgaste e aquecimento das superfícies
em contato. Já a proteção das superfícies
contra a ferrugem e a vedação adequada do
sistema são objetivos complementares.

PORQUE

II. Não especificamos o lubrificante no projeto


para atender estes requisitos. Eles poderiam
ser obtidos de outros modos, mas já que
temos o lubrificante, o usamos para atender
também este objetivos complementares.
EXERCÍCIO (AVALIAÇÃO OFICIAL II - 2018)

Um sistema com lubrificação forçada, que


também podemos chamar de lubrificação
hidrostática, consiste no aumento de
vazão e aumento da pressão no mancal
em função do bombeamento aplicado.

Quando temos aumento de pressão,


conseguimos melhora na qualidade de
posicionamento do eixo e melhor
estabilização do eixo.
CARACTERÍSTICAS PARA AS CORREIAS PLANAS, REDONDAS E EM V
• As correias são elementos elásticos ou flexíveis utilizados em sistemas de
transporte e na transmissão de potência sobre distâncias comparativamente
grandes.

• Em muitos casos, o uso de correias simplifica o projeto de uma máquina e


reduz muito o custo.

• Podem ser utilizadas em grandes e curtas distâncias;


CARACTERÍSTICAS PARA AS CORREIAS PLANAS, REDONDAS E EM V
CARACTERÍSTICAS PARA AS CORREIAS PLANAS, REDONDAS E EM V
TIPOS DE CORREIAS
Transmissão por correia com e sem reversão

característica de montagem das correias que permita uma configuração com ou


sem reversão do sentido de giro das polias.

montagem sem reversão no sentido de giro,(a) ou seja, a polia movida tem o


mesmo sentido da polia motora.

montagem com reversão no sentido de giro, ou seja, a polia movida tem sentido
contrário ao da polia motora.

(a) (b)

Transmissão por correia plana ou redonda com e sem reversão


Correia na disposição de montagem aberta

θd = ângulo de contato da polia menor em (rad);


θD = ângulo de contato da polia maior em (rad);
D = diâmetro da polia maior em (mm);
d = diâmetro da polia menor em (mm);
C = distância entre centros em (mm).
Correia na disposição de montagem aberta
Correia na disposição de montagem cruzada

θ = ângulo de contato da polia em (rad);


D = diâmetro da polia maior em (mm);
d = diâmetro da polia menor em (mm);
C = distância entre centros em (mm).
Correia na disposição de montagem cruzada
ACIONAMENTO POR CORREIA PLANA
• Assim, para obtermos as equações seguintes, estabeleceremos um modelo que
admitirá que a força de atrito na correia é proporcional à pressão normal ao longo do
arco de contato.

• Antes de apresentarmos as equações, temos que ter em mente que para uma
transmissão por correia plana ou redonda, temos um lado em que a correia tem tração,
chamado de lado tenso, e o outro lado chamamos de bambo, em que temos uma
tensão menor do que a do lado tenso.

Lado tenso e lado bambo de uma correia plana ou redonda


Equações do conjunto polias - correias
Apresentando as equações, temos que a velocidade é dada por:

V = velocidade periférica da correia em (m/s),


d = diâmetro da polia menor em metros (m),
rpm = rotações da polia por minuto,
60 fator de conversão.

w = peso da correia por metro (N/m),


γ = peso específico em (N/m3),
b = largura da correia em (m)
t = espessura da correia em (m).
TORQUE
Podemos definir o torque com a equação:

T = torque em (N.m),
g = aceleração da gravidade em (m/s2),
Hnom = potência nominal em (W),
Ks = fator de serviço,
nd = fator de projeto,
n = rotações por minuto (rpm).
ω1>ω2

Torque2> Torque1