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AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA

INSTITUCIONAL
Os objetos que elegemos para
avaliação não são naturais:
o casamento, a adolescência,
os problemas escolares, a
depressão, o autismo, a
criança, o aluno e o bebê
são efeitos de relações, não
existem em si, constituem-se
no decorrer da história.
Entendemos como institucional aquilo
que se produz em um campo de relações
(por exemplo, relação professor/aluno,
relação médico/paciente), no qual
práticas e saberes são exercidos em
certos lugares.
O indivíduo é
instituído por
relações de saberes,
por práticas, por
relações de poder.
Ele é efeito de um
campo múltiplo de
forças, uma
construção histórica.
O desafio que se coloca é: como considerar, no
trabalho de avaliação psicológica, o campo de
relações institucionais no qual se engendra tanto a
avaliação psicológica como aquilo que se elege como
seu objeto?
“Algumas professoras, preocupadas por não conseguirem
trabalhar com alunos que não estão aprendendo, muitas
vezes requerem um trabalho de avaliação psicológica.
Embora necessitem de elementos para melhor
compreender o que ocorre com esses alunos, é comum
afirmarem que, se tivessem mais tempo para trabalhar
especificamente com os alunos encaminhados, teriam
mais condições de ensinar. Portanto, nesses casos, a
demanda de avaliação psicológica revela a estreita e
perigosa relação entre as condições precárias de
trabalho nas escolas e a necessidade de verificar
funcionamentos singulares que justifiquem as
dificuldades de aprendizagem dos alunos.”
“Podemos ficar indignados com o que certas famílias
vivem, indignados com a produção histórica do fracasso
escolar e com a estrutura precária dos equipamentos de
saúde, mas eles são criados e construídos. São
realidades em um campo de forças produtor de
desigualdade social, de domínio do capital financeiro
na produção de sentidos, de práticas que produzem culpa
nos que se distanciam do modelo, de busca intensa de
elementos biológicos para explicar os fenômenos
sociais.”
Qual seria,
então, a forma
de abordar uma
instituição em
termos de
avaliação
psicológica?
De maneira geral a avaliação
psicológica institucional não se
diferencia tanto da estrutura da
avaliação individual. Portanto,
TRÊS dimensões são essenciais:
1.
A coleta de dados do histórico da instituição:

Assim como é realizada a


anamnese em casos
individuais, é necessária a
compreensão do contexto da
instituição avaliada.
Os instrumentos para essa
coleta de dados também não se
diferenciam muito. Eles seriam
a coleta de documentos, por
exemplo, em uma escola, ler-se-
ia o PPP (Projeto Político
Pedagógico), percebendo os
objetivos da instituição, as
linhas norteadoras de seu
trabalho, etc.
2.
A coleta de dados atuais da instituição:

O que seria o momento de


uma aplicação de testes em
uma avaliação individual, é
esse momento para a
avaliação institucional.
Esse momento é a principal
diferença entre a avaliação
individual e institucional.
A forma de coleta desses
dados geralmente é realizada
por meio de questionários,
entrevistas, observações
sistemáticas, entrevistas
individuais, dinâmicas, etc.
3.
Entrevista de devolutiva:

a diferença para a
individual é que todos da
instituição devem receber
essa entrevista, ainda que
separados em pequenos
grupos.
Essa entrevista servirá para dar a noção de como a
instituição se encontra no momento e, geralmente,
introduz as práticas que serão realizadas afim de
intervir nas dificuldades e potencializar as
habilidades.
Experiências de estágio...