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Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Centro de Tecnologia
Departamento de Engenharia Civil

Professora: Micheline D. Dias Moreira


1.0 – GENERALIDADES:
Quando se fala em instalações elétricas, sempre há uma preocupação a respeito
dos curtos-circuitos, por serem estes os maiores causadores de incêndio nas edificações.

Um curto-circuito, como mostra a figura abaixo, (considerando uma instalação


comum, com os condutores fase e neutro alimentando um motor elétrico), seria o
contato acidental entre fio fase e o fio neutro; isto dará origem a correntes elevadas
porque não há resistência para limitá-las.
2.0 – INTRODUÇÃO:
Os condutores e equipamentos que fazem parte de um circuito elétrico devem
ser protegidos automaticamente contra curtos-circuitos e contra sobrecargas
(intensidades de corrente acima do valor compatível com o aquecimento do condutor e
que poderiam danificar a isolação do mesmo ou deteriorar o equipamento).

3.0 – CLASSIFICAÇÃO DOS DISPOSITIVOS PROTEÇÃO:

Os dispositivos classificam-se conforme o objetivo a que se destinam:

3.1 - Dispositivos que assegurem apenas proteção contra curto-circuito:

Estes dispositivos deverão interromper a corrente, antes que os efeitos térmicos


e mecânicos da mesma possam tornar-se perigosos aos condutores, terminais e
equipamentos.
O tempo de interrupção das correntes resultantes de um curto-circuito que se
produz em um ponto do circuito deve ser inferior ao tempo que levaria a temperatura
dos condutores para atingir o limite máximo admissível.
Assim o tempo necessário “t” para uma corrente de curto-circuito,
de duração de 5 segundos, elevar a temperatura dos condutores até a
temperatura limite para sua isolação é:

t = (k² x S²)/ i²

Onde:
t = duração em segundos da corrente de curto-cicuito;
S= seção do condutor em mm²;
i= valor da corrente de curto-circuito, em (A); e
k= 115 – condutores de cobre cabo isolado com PVC;
k= 135 – condutores de cobre isolados com EPR ou XLPE;
k= 74 – condutores de alumínio isolados em PVC;
k= 87 – condutores de alumínio isolados com EPR ou XLPE.

Os dispositivos empregados na proteção contra curto-circuito são os


fusíveis e disjuntores.
3.1.1 – Fusíveis:
O fusível é um dispositivo de proteção contra
sobrecorrente em circuitos. Consiste de um filamento ou
lâmina de um metal ou liga metálica de baixo ponto de
fusão que se intercala em um ponto de uma instalação
elétrica, para que se funda, por efeito Joule, quando a
intensidade de corrente elétrica superar um determinado
valor, devido a um curto-circuito ou sobrecarga, o que
poderia danificar a integridade dos condutores, com o
risco de incêndio ou destruição de outros elementos do
circuito.
São dispositivos dimensionados para interromper a
corrente de sobrecarga ou curto-circuito. Os mesmos são
constituídos de um material capaz de fundir quando
através dele circula uma corrente acima dos valores
estabelecidos.
Ex.: Se possuímos em nossa instalação um fusível
de 15 ampères, isto significa que pode circular corrente
até esse valor. Se, por qualquer anomalia, esta corrente
for aumentando rapidamente, o fusível se queimará,
evitando curto-circuito na instalação e a possibilidade de
incêndio.
A NBR-5410 estabelece que, para a proteção dos
condutores, o fusível correspondente especificado deverá
ter um valor no máximo igual à capacidade de condução
de corrente do condutor.
3.1.1.1 – Principais características dos fusíveis:

 Operação simples e segura;

 Baixo custo;

 Não permite efetuar manobras;

 São unipolares - podem causar danos a motores caso o circuito não possua
proteção contra falta de fase;

 Não permite rearme do circuito após sua atuação, devendo ser substituído;

 É essencialmente uma proteção contra curto-circuito; e

 Não é recomendável para proteção de sobrecorrentes leves e moderadas.


3.1.1.2 - Principais tipos de fusíveis:

 Fusível de rolha: É um fusível de baixa tensão em que um dos contatos é


uma peça roscada, que se fixa no contato roscado correspondente da
base.

 Fusível de cartucho: É um fusível de baixa tensão cujo elemento é


encerrado em tubo protetor de material isolante, com contatos nas
extremidades. Existe dois tipos: virola e faca.
 Fusível Diazed: É um fuzível limitador de corrente, de baixa tensão,
cujo tempo de interrupção é muito curto. Usado na proteção de rede
de energia elétrica e circuitos de comando, em correntes de 2 a 100A.
 Fusível NH: Limitador de corrente de alta capacidade de interrupção, para
correntes nominais de 6 a 1000A em aplicações industriais. Protegemos
circuitos contra curtos-circuitos e também contra sobrecarga de curta
duração (partidas de motores).
3.1.2 - Disjuntores:
São dispositivos de manobra e proteção, capazes de estabelecer,
conduzir e interromper correntes em condições normais do circuito, e também
conduzir por tempo especificado e interromper correntes em condições
anormais especificadas do circuito, como as de curto-circuito.

3.1.2.1 – Escolha do disjuntor:


Para a escolha do disjuntor devem ser fornecidas pelas fabricantes as
seguintes informações:

a) Tipos (modelos) dos disjuntores:


I - Termomagnéticos (monopolares, bipolares, tripolares e tetrapolares):
Disjuntores Termomagnéticos – Partes componentes
II - Disjuntores DR (dispositivo a corrente diferencial-residual):
constituem-se no meio mais eficaz de proteção das pessoas contra
choques elétricos.
As instalações elétricas sempre apresentam correntes de fuga. Os valores de
tais correntes, que fluem para a terra, dependerá de : qualidade dos
componentes e dos equipamentos de utilização empregados a qualidade da mão
de obra de execução da instalação, a idade e o tipo do prédio. Via de regra, as
correntes de fuga variam desde miliampères até alguns centésimos de ampères.
 Tipos de DR:
 Sensibilidade: Quanto maior o valor da corrente diferencial-residual nominal de
atuação, menor a sensibilidade.
- I∆N ≤30mA – alta sensibilidade(proteção contra contatos diretos e indiretos);
- I∆N >30mA – baixa sensibilidade (apenas proteção contra contatos indiretos)
- Tensão nominal – valor da tensão utilizada nos ensaios de desempenho
do disjuntor, particularmente aqueles destinados a avaliar seu
comportamento em curto-circuito;

- Nível de isolamento ou tensão nominal de isolamento: corresponde a


máxima tensão nominal do disjuntor. A máxima tensão de serviço não
pode ser superior à tensão nominal de isolamento;

- Corrente nominal : A NBR IEC 60364 (Electrical installations of


buildings), base da NBR 5410, define corrente nominal In, como sendo a
corrente que o disjuntor pode suportar ininterruptamente, a uma
temperatura ambiente de referência (normalmente 30◦C). Os valores
preferenciais de In são: 6,8,10,13,16,20,25,32,40,50,63,80,100 e 125A
Disjuntores DR
3.1.2.2 – Funções desempenhadas por um disjuntor:

a) contra curtos-circuitos e sobrecargas, os disjuntores podem ser usados:


A característica de funcionamento de um dispositivo protegendo um
circuito contra sobrecargas deve satisfazer às duas condições:

Onde:
Ip ≤ IN ≤IZ; e Ip = corrente de projeto do circuito;
IZ = capacidade de condução de corrente dos condutores
(Tabela 02 e 03 - PIRELLI, conforme seção do condutor)
IN= corrente nominal do dispositivo de proteção; e
 I2 ≤1,45 IZ I2 = corrente que assegura efetivamente a atuação do dispositivo
de proteção; na prática a corrente I2 é considerada igual à
corrente convencional de atuação dos disjuntores.
b) Proteção contra curto-circuito: São 02 as condições a serem satisfeitas para que
um disjuntor garanta efetivamente a proteção contra curto circuito:

 1ª condição: Sua capacidade de interrupção seja superior ao valor da corrente de


curto-circuito máxima Ik (denominação que é particularmente válida para
disjuntores de circuito – quadro de distribuição e não os disjuntores
intermediários).
 Icn >Ik , onde: Icn = capacidade de interrupção nominal e
 Ics >Ik , onde: Ics = capacidade de interrupção operacional

 2ª condição: A energia específica que o disjuntor deixa passar, durante a


interrupção do curto circuito, deve ser inferior à aquela que o condutor do
circuito protegido pode suportar.
 I²t ≤ k²S², onde: I²t – é a energia específica, ou integral de Joule, que o
disjuntor deixa passar, obtida da característica fornecida pelo fabricante.