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INTRODUÇÃO À ENFERMAGEM

PEDIÁTRICA

D r. C r e s l e Za c a r i a s
D e r m a t o t e ra p e u t a
ENFERMEIRO –2010

Especialista Enfermeiro do trabalho – 2012


Especialista em Dermatologia -2015
Experiência Profissional

 Novembro/2011 à Atual - Secretaria de Saúde de São José dos Pinhais, Consultório


e Ambulatório de feridas complexas.

 Agosto/ 2011 à Atual - Ceap – Centro de Educação Anisio Pedrussi, docente em


curso auxiliar/técnico em enfermagem, técnico em fármacia, técnico em segurança
do trabalho e especialização em enfermagem do trabalho nivel técnico, preparatório
para concursos públicos

 Janeiro/2016 a atual –Faculdades Santa Cruz, docente em enfermagem.

 2010 à 2011 – Secretaria de Saúde do Estado do Paraná, unidade de terapia


intensiva e infectologia do hospital do trabalhador.

 2007 à 2010 - Secretaria da Saude de Curitiba, estratégia em saúde da familia.

 2004 à 2007 -- Hospital do trabalhador, clinica cirurgica, neurocirurgia, ortopedia.


 Francês
 Inglês Intermediàrio.
 Aleitamento Materno –
 Estratégia De Saúde Da Familia
 Farmacologia Aplicada
 Enfermagem em Ortopedia
ENFERMAGEM PEDIÁTRICA
 No século passado as crianças eram consideradas
instrumentos de produção e por isso importava que as
doenças fossem tratadas adequadamente para que as
crianças pudessem voltar logo ao trabalho.

 Era comum que as crianças dos campos fossem tratadas


por suas famílias ou um vizinho experiente, as crianças
negras por seus donos, se estes estivessem dispostos a
providenciar; e as índias, conforme as tradições de cada
tribo.
ENFERMAGEM PEDIÁTRICA

 Apesar de não existirem estatísticas de


mortalidade do período colonial, as doenças
epidêmicas que mais matavam nos Estados Unidos
incluíam varíola, sarampo, caxumba, varicela,
difteria, febre amarela, cólera e coqueluche, além
de tuberculose, doenças nutricionais e os
acidentes.
ENFERMAGEM PEDIÁTRICA

 Na enfermagem, a assistência à criança baseia-se


na promoção da saúde e do melhor
desenvolvimento possível, na prevenção de
doenças e agravos à sua saúde e no tratamento e
reabilitação de problemas existentes
CONCEITO
PEDIATRIA: estuda o crescimento e desenvolvimento da criança até a
adolescência (ASSISTÊNCIA – TRATAMENTO – PREVENÇÃO)

NEONATOLOGIA: de 0 a 28 dias (RN)

PUERICULTURA: até 2 anos (criança sadia)

PERINATOLOGIA: estuda o nascimento e suas ocorrências


(pré-concepção - pré-natal – neonatologia )
PERÍODOS DO DESENVOLVIMENTO

CLASSIFICAÇÃO PERÍODO
RECÉM-NASCIDO 0 – 28 dias
LACTENTE 29 dias – 01 ano
INFANTE 01 – 03 anos
PRÉ-ESCOLAR 03 – 06 anos
IDADE ESCOLAR 06 - 12 anos
PRÉ-PÚBERE 10 – 13 anos
ADOLESCÊNCIA 13 – 18 anos
CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO
DA CRIANÇA

• Todas as crianças são semelhantes, seguindo o mesmo padrão de


desenvolvimento e maturação;

• Constituição hereditária, cultura e suas experiências fazem de cada uma delas


um ser único e distinto;

• Crescimento: Resultado da divisão celular e do aumento do tamanho das


células;

• Desenvolvimento: maturação funcional, capacidade de realização de funções


cada vez mais complexas;

• O crescimento e desenvolvimento são indicadores da saúde da criança e, por


essa razão, o acompanhamento desses processos constitui-se o eixo da
assistência à saúde da criança.
CARACTERÍSTICAS DOS GRUPOS ETÁRIOS
 SÃO CARACTERÍSTICAS PRESSUPOSTAS DE UM DESENVOLVIMENTO NORMAL

 Primeiras semanas: dorme muito, possui uma percepção vaga do outro, às


vezes necessita ficar só para construir seu próprio ritmo vital;

 Segundo mês: sorri à face humana, 1º organizador é o indício de sociabilidade;

 Quinto mês: duplica seu peso de nascimento;

 Sétimo mês: já senta sem apoio;

 Nono mês: ocorre o segundo organizador, a criança começa a estranhar, reage


com choro ao ver outros que não sejam conhecidos. Sinal de que os laços
simbióticos com a mãe estão se afrouxando em direção ao social amplo;
CARACTERÍSTICAS DOS GRUPOS ETÁRIOS
 Onze ou antes: meses engatinha;
 Primeiro ano: triplica seu peso de nascimento, é caracterizado por um
período de construção de uma relação de afeto calorosa e estreita com o
adulto cuidador, que será a base de toda futura estruturação, inclusive de
vir a ser um pai ou mãe suficientemente bons;

 Segundo ano: a criança é exploradora do mundo circundante, ocorrendo a


aquisição da marcha e da linguagem verbal, idade do dizer não e dos
acidentes. Opõe o indicador e o polegar, sendo uma aquisição psicomotora
representativa de uma permissão para iniciar um controle esfincteriano;

 Fase pré-escolar: há o interesse por descobertas, uma extrapolação do


núcleo familiar através de um processo de socialização e enculturação.
Percebe-se também o complexo de édipo, e as crianças são alvo de
doenças transmissíveis;

 Sete anos: em diante é a fase de absorção de conhecimento e


sociabilidade, tendo como desvios presentes nesta fase: distúrbios de
escolaridade (fobia escolar, dislexias, disgrafias, dor abdominal e vômitos
dos escolares) e patologias ligadas à imunidade (febre reumática e
glomerulonefrite difusa aguda).
CLASSIFICAÇÃO DOS RECÉM-NASCIDOS (RN)

 Classificados de acordo com o peso, a idade


gestacional (IG) ao nascer e com a relação
entre um e outro.

 permitir a antecipação de problemas


relacionados ao peso e/ou à IG quando do
nascimento, possibilita o planejamento dos
cuidados e tratamentos específicos, o que
contribui para a qualidade da assistência.
CLASSIFICAÇÃO SEGUNDO A SUA IDADE GESTACIONAL

 RN PRÉ-TERMO
 nascida em um período inferior a 37 semanas de gestação:
 Estatura geralmente inferior a 47 cm;
 Peso geralmente inferior a 2.500 kg (o RN a termo que apresenta este mesmo
peso é chamado de PIG- pequeno para a idade gestacional);
 Edema ocular intenso;
 Membros compridos em relação ao corpo;
 Excesso de lanugem;
 Ausência de vérnix caseoso;
 Testículos geralmente ausentes da bolsa escrotal;
 Intenso edema dos grandes lábios;
 Predisposição à infecções;
 Reflexos deficientes;
 Insuficiência respiratória grave, por formação da membrana hialina e ausência
de substância surfactante dentro dos alvéolos;
 Predisposição à hemorragias.
RN A TERMO
 Nascida entre 37 a 42 semanas da gestação,
 Vérnix caseoso (substância gordurosa e esbranquiçada que recobre o corpo
para proteção da pele);
 Milia sebácea (pequenos pontos de acúmulo de gordura na pele sempre
localizados na face);
 Manchas Mongólicas (manchas azuladas que aparecem geralmente na região
glútea, podendo diminuir ou perdurar por toda a vida);
 Lanugem (pelos finos e felpudos que recobre todo o corpo e desaparecem
após o primeiro mês de vida);
 Fontanelas (partes moles existentes entre os ossos do crânio e que se
fecham com o decorrer do crescimento); as fontanelas deverão apresentar-
se planas;
 A cabeça é grande em relação ao corpo (sendo o perímetro cefálico de 33 á
35 cm normal); pode ocorrer uma sobreposição dos ossos do crânio, devido a
uma adaptação ao canal de parto, voltando a posição normal logo nas
primeiras horas de vida;
 Bossas (saliências no couro cabeludo, que ocorrem devido a pressões
sofridas pelos tecidos durante o trabalho de parto), podem ser edemas ou
hematomas que desaparecem na primeira semana;
RN A TERMO
 Tórax (podem apresentar tumefação dos mamilos);
 O abdômen apresenta-se abaulado pelo aumento fisiológico do fígado e
baço;
 Membros curtos em relação ao corpo;
 Reflexo de moro (hiperextensão dos quatro membros, seguida de
flexão);
 Freqüência cardíaca (FC) em média de 140 bat/min;
 Freqüência respiratória (FR) de 30 a 60 respirações/min, caracteriza-se
por ser uma respiração abdominal superficial;
 P.A aproximadamente de 80 x 40 mmHg;
 O cordão umbilical possue 2 artérias e 1 veia;
 Instabilidade térmica (queda de temperatura caso não seja
corretamente aquecido).
RN PÓS TERMO

 Nascida após 42 semanas de gestação,


 Deslocamento quase total do vérnix caseoso;
 Pele enrugada;
 Pouca lanugem;
 Variação da FC por estar entrando em
sofrimento fetal.
CLASSIFICAÇÃO DE ACORDO COM O PESO

 RN DE BAIXO-PESO: todo bebê nascido com peso igual ou


inferior a 2.500 gramas.

 Nesse grupo há um elevado percentual de


morbimortalidade neonatal, devido à não-disponibilidade
de assistência adequada durante o pré-natal, o parto e o
puerpério e/ou pela baixa condição sócio-econômica e
cultural da família, o que pode acarretar graves
conseqüências sociais
CLASSIFICAÇÃO DE ACORDO COM A
RELAÇÃO PESO / IG
 AIG (adequados para a idade gestacional): são os neonatos cujas
linhas referentes a peso e a IG se encontram entre as duas curvas do
gráfico. Em nosso meio, 90 a 95% do total de nascimentos são de bebês
adequados para a IG;

 PIG (pequenos para a idade gestacional): são os neonatos


cujas linhas referentes a peso e a IG se encontram abaixo da primeira
curva do gráfico. Esses bebês sofreram desnutrição intra-uterina
importante, em geral como conseqüência de doenças ou desnutrição
maternas.

 GIG (grandes para a idade gestacional): são os neonatos


cujas linhas referentes ao peso e a IG se encontram acima da segunda
curva do gráfico. Freqüentemente os bebês grandes para a IG são filhos de
mães diabéticas ou de mães Rh negativo sensibilizadas.
 PARA FACILITAR O ENTENDIMENTO

 Se pesar ao nascer 2000 gramas,


será classificado como pequeno
para a IG (letra B);

 RN com 39 semanas de IG: se o seu


peso ao nascimento for de 3000
gramas, ele será classificado como
adequado para a IG (letra A no
gráfico);

 Se pesar 4000 gramas, será


classificado como grande para a IG
(letra C).
DESENVOLVIMENTO
INFANTIL
CRESCIMENTO X
DESENVOLVIMENTO
 CRESCIMENTO - aumento físico do corpo:
 como um todo ou em suas partes,
 pode ser medido em termos de centímetros ou de gramas.
 Traduz aumento do tamanho das suas células (hipertrofia)
ou de seu número (hiperplasia).

 DESENVOLVIMENTO - conceito amplo que se refere a:


 uma transformação complexa, contínua, dinâmica e
progressiva,
 inclui além do crescimento, a maturação, a aprendizagem e
os aspectos psíquicos e sociais
DESENVOLVIMENTO PSICOSSOCIAL
Processo de humanização, que inter-relaciona:
 aspectos biológicos,
 psicoafetivos,

 cognitivos,

 ambientais,

 sócio-econômicos e culturais,

mediante o qual a criança vai adquirindo maior capacidade de:


*Mover-se, *coordenar,
*sentir, *pensar,
*e interagir com os outros e o meio que o rodeia.
em síntese, é o que lhe permitirá incorporar de forma ativa e
transformadora a sociedade em que vive
ESTIMULAÇÃO ESSENCIAL/PRECOCE
X
TRATAMENTO PRECOCE
ESTIMULAÇÃO PRECOCE / ESSENCIAL - Ações dirigidas à
família, centradas na criança e encaminhada a promover e
enriquecer o ambiente através de:
 estímulos sensoriais, motores e emocionais,

 assim como as condutas adaptativas, de linguagem e processos


cognitivos

TRATAMENTO PRECOCE - Uma vez detectados desvios no


desenvolvimento do bebê capazes de impedir seu prosseguimento
normal, deve ser executado sempre por uma equipe especializada,
sendo indispensável a cooperação dos pais
Benefícios do acompanhamento do
desenvolvimento
• Alcance do potencial do desenvolvimento normal;
• Identificação precoce de desvio do desenvolvimento
normal;
• Tratamento oportuno dos distúrbios identificados;
• Prevenção de disfunções e/ou instalação de seqüelas;
• Recuperação total ou regressão importante de distúrbios
motores, senso-percepto-cognitivos e de linguagem;
• Facilitação de interação afetiva e socialização;
• Melhoria da auto-estima e satisfação pessoal;
• Otimização de custos.
A intervenção

A intervenção tem como objetivo garantir uma melhoria na


qualidade do atendimento e acompanhamento do
desenvolvimento saudável de nossas crianças promovendo
ações que sejam pertinentes e estruturadas.
A intervenção
• Maximizar o potencial de desenvolvimento da
criança globalmente;

• Estimular a conduta adequada à idade e realizar


atividades coerentes;

• Favorecer e estruturar o desenvolvimento


emocional, cognitivo, motor e perceptivo da
criança;

• Motivar, interessar e proporcionar prazer à criança


(o brincar é um fator primordial para o
desenvolvimento infantil);
A intervenção

• Crianças com desenvolvimento mais atrasado


devem ser intensamente estimuladas, mas todas as
crianças devem receber estímulos;

• A criança deve movimentar-se e tornar a manter


posturas ativamente;
A intervenção

• As condições que impedem ou dificultam o


desenvolvimento devem ser afastadas ou
atenuadas;

• Respeitar a maturidade do bebê para cada etapa do


desenvolvimento
MARCOS DO
DESENVOLVIMENTO A
SEREM OBSERVADOS

• 1 MÊS
 Acompanha objeto luminoso
 Tranqüiliza-se ao ouvir a voz humana

• 2 MESES
 Sorri em resposta a rosto humano
 Apresenta choro variado, conforme as
situações (fome, dor, necessidade de
atenção, etc.)
 Sustenta a cabeça (deitada de bruços)
• 4 MESES
 Inicia o balbucio
 Começa a pegar objetos
voluntariamente
 Vira-se em direção ao ruído
 Deitado de bruços segura bem a cabeça e
o tronco apoiando-se nas mãos

• 6 MESES
 Senta com apoio
 Produz barulho batendo em
objetos (tambor, panela, lata, etc.)
 Toca diversas partes do próprio
corpo
• 9 MESES

 Imita gestos e linguagem


(tosse, estalidos)
 Inicia o engatinhar
 Estranha pessoas desconhecidas
 Segura bem objetos, passa-os de uma mão
para outra

• 1 ANO
 Anda com apoio, podendo dar
os primeiros passos sem apoio
 Fala 2 palavras
 Encaixa e desencaixa objetos
 Entende ordens simples (me dá,
vem cá)
• 1 ANO E 6 MESES
 Anda bem e corre
 Associa 2 palavras
 Começa a segurar a colher para comer
 Aponta pelo menos 5 partes do corpo

• 2 ANOS
 Salta com os dois pés, sobe degraus com
apoio
 Fala várias palavras e pequenas frases
 Rabisca livremente
ALGUNS SINAIS DE ALARME
• Apatia ou movimentação intensa e constante
• Crises de apnéia
• Irritabilidade ou choro extremos, sem
consolabilidade / Não sorri aos três meses
• Presença ou história anterior de convulsão
• Dificuldades da alimentação
• Alterações no tônus muscular
• Inexistência de troca de olhares e interação com
a mãe
• Pouco controle da cabeça
ALGUNS SINAIS DE ALARME (cont.)
• Ombros para frente ou para trás exageradamente
(não leva as mãos à frente)
• No colo, quando sentada, tenta constantemente
jogar a cabeça para trás
• Usa somente um lado do corpo
• Dificuldade de realizar movimentos
espontaneamente
• Mãos persistentemente fechadas c/ polegar incluso
• Alterações na quantidade e qualidade do sono
• Movimento oscilatório do globo ocular (nistágmo)
• Estrabismo
ACABOU
Bibliografia

 EDILZA, A Enfermagem em Pediatria e Puericultura.


 Manual Para a Utilização da Caderneta da Criança- MS
 RICCO, Rubens Garcia, Puericultura; princípios e práticas:
atenção integral à saúde.
 EDILZA, A Enfermagem em Pediatria e Puericultura.
 Manual Para a Utilização da Caderneta da Criança- MS
 RICCO, Rubens Garcia, Puericultura; princípios e práticas:
atenção integral à saúde.
 WHALEY E WONG, Enfermagem Pediátrica, 1991 – Editora
Guanabara

 SABERES E PRÁTICAS, Guia para ensino e aprendizagem de


Enfermagem, 2008 – Editora Difusão.