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DESENCARNES PRECOCES

Allan Kardec
Livro dos Espíritos - Questão nº 199

Concluindo com
um lindo e reconfortante texto de Richard Simonetti
Por que motivo a vida é com frequência
interrompida na infância?

“A duração da vida da criança pode ser,


para o seu espírito, o complemento de
uma vida interrompida antes do tempo
devido, e a sua morte é, com
frequência, uma prova, ou uma
expiação, para os pais.”
A desencarnação de pessoas novas provoca na
sociedade uma maior emoção, porque o que se
espera, normalmente, é que se viva na Terra até à
velhice.

No entanto, todos os dias se presencia o regresso à


Pátria Espiritual de gente jovem, sejam crianças,
adolescentes ou jovens adultos.

A maior dor pela qual uma família pode passar,


especialmente os pais, é a de ver os seus seres
queridos que ainda não tinham atingido uma idade
avançada, deixarem este mundo.

CECL - PORTO
Sabemos bem que a desencarnação causa
sofrimento, seja qual for a altura em que se dê,
mas temos plena consciência de que, à medida
que vamos tendo mais idade, o nosso corpo, que
tem um limite – aliás, como tudo neste mundo
material -, acaba a sua jornada deste lado, ao
passo que o jovem ou a criança ainda têm uma
vida inteira para viver.
Dentro das sábias Leis de Deus, o maior consolo que
temos é o de saber que os nossos seres queridos não se
ausentaram definitivamente, já que a vida continua
noutras dimensões, dentro das “muitas moradas da casa
do Pai”, conforme nos ensinou Jesus.

Os nossos parentes, os nossos filhos continuam com os


seus roteiros de vida na Pátria Espiritual, transportando
os seus sonhos, os seus ideais, e a procura da paz e da
felicidade.
Morrer significa, apenas e só, deixar o corpo físico para
nos transferirmos deste mundo para a vida definitiva:
a espiritual.

Os Espíritos Benfeitores ensinam-nos que o pouco tempo


de vida terrestre de crianças e/ou jovens, pode significar o
fim de uma etapa de estudos que a pessoa, por qualquer
motivo (podendo, ser os mais diversos), noutra(s)
encarnação(ões) deixou incompleta, precisando de voltar
a encarnar para a completar.
Indicam-nos, igualmente, que pode também tratar-se de
uma prova para os pais ou familiares mais próximos.
Pais e Familiares que, perante o golpe inesperado, terão
ocasião de reflectir e fazer despertar em si novas e maiores
forças e uma outra compreensão da vida – o que
certamente não fariam se vivessem num clima de
tranquilidade e tudo correndo de feição.

E actualmente uma quantidade enorme de tenras vidas


têm sido ceifadas de vários modos, fazendo correr rios de
lágrimas aos corações saudosos dos que ficam.

É preciso ter uma grande confiança na Providência Divina,


para se acreditar que as coisas acontecem sempre para o
nosso bem, embora no preciso momento possamos não
encarar assim os assuntos e as situações.
Realçando de novo, o que foi explicado anteriormente: os
nossos filhos (parentes) não morreram (o espírito é eterno,
apenas o corpo físico se esgota), só se ausentaram
temporariamente e, um dia, voltaremos a encontrá-los
numa pátria onde a morte, definitivamente não existe.

As lembranças que temos, cheias de dor e de saudade,


devem ser substituídas pelas preces e pela resignação ,
tendo a paciência de esperar pelos reencontros que se irão
dar mais tarde.
Ninguém nos proíbe de chorar por quem parte, no
entanto, tentemos evitar o desespero, a falta de
conformismo e a revolta, para que os nossos sentimentos
perturbados não cheguem até aos seus corações,
causando-lhes dor e preocupação, pois, no sítio onde
estão, também sentem saudades nossas, mas como estão
vivos e confiantes, esperam que também nós aprendamos
a ter confiança em DEUS.

Assim, e como não sabemos o que nos espera no dia de


amanhã, esforcemo-nos ao máximo por ensinar aos
nossos filhos e parentes, que a vida continua fora da Terra.
Ofereçamos-lhes religiosidade, para que
percebam que, muito acima de nós, está
DEUS, coordenando as acções do mundo, a
fim de que tenhamos cada vez melhores
condições para ter uma vida feliz.

Como é óbvio, esta atitude mental irá ajudar-


nos muito a enfrentar todas as situações
inesperadas que nos possam surgir.
DESENCARNAR, embora seja
animicamente doloroso, não é o fim da
vida, mas apenas a transferência da Terra
para o mundo espiritual, onde
continuaremos a viver junto à nossa
família e amigos.

A MORTE, como sendo o fim de tudo,


não existe…
Uma vez que encontramos no Espiritismo
uma consolação, na explicação que nos dá
acerca do porquê dos sofrimentos , temos o
caminho seguro para compreender, resgatar e
aprender que tudo na vida tem uma causa,
absolutamente justa, na variedade dos
destinos humanos.

E com FÉ raciocinada, vivermos confiantes em


DEUS, que não pune e aponta a todos o
caminho do puro AMOR.”
Um lindo e reconfortante texto de Richard Simonetti
PARTIDA e CHEGADA
Richard Simonetti

Quando observamos, da praia, um veleiro a afastar-se da


costa, navegando mar adentro, impelido pela brisa matinal,
estamos diante de um espectáculo de beleza rara.
O barco, impulsionado pela força dos ventos, vai ganhando
o mar azul e nos parece cada vez menor.
Não demora muito e só podemos contemplar um pequeno
ponto branco na linha remota e indecisa, onde o mar e o céu
se encontram.
Quem observa o veleiro sumir na linha do horizonte,
certamente exclamará:
“ Já se foi!” Terá sumido? Evaporado?
Não, certamente. Apenas o perdemos de vista.
O barco continua do mesmo tamanho e com a mesma
capacidade que tinha quando estava próximo de nós.
Continua tão capaz quanto antes de levar ao porto de
destino as cargas recebidas.
O veleiro não evaporou, apenas não o podemos mais ver.
Mas ele continua o mesmo.
E talvez, no exacto instante em que alguém diz:
“ Já se foi!”
haverá outras vozes, mais além, a afirmar:
“Lá vem o veleiro”.
Assim é a passagem desta vida. Quando o veleiro parte,
levando a preciosa carga de um amor que nos foi caro, e o
vemos sumir na linha que separa o visível do invisível
dizemos: “Já se foi!” Terá sumido? Evaporado?
Não, certamente. Apenas o perdemos de vista. O ser que
amamos continua o mesmo. Sua capacidade mental não se
perdeu.
Suas conquistas seguem intactas, da mesma forma que
quando estava ao nosso lado. Conserva o mesmo afecto que
nutria por nós.
Nada se perde, a não ser o corpo físico de que não mais
necessita no outro lado.
E é assim que, no mesmo instante em que dizemos:
“Já se foi!”, no mais além, outro alguém dirá feliz:
“Já está chegando!”
Chegou ao destino levando consigo as aquisições feitas
durante a viagem terrena.
A vida jamais se interrompe nem oferece mudanças
espectaculares, pois a natureza não dá saltos.
Cada um leva sua carga de vícios e virtudes, de afectos e
desafectos, até que se resolva por desfazer-se do que julgar
desnecessário.
A vida é feita de partidas e chegadas. De idas e vindas.
Assim, o que para uns parece ser a partida, para outros é a
chegada.

Um dia partimos do mundo espiritual na


direcção do mundo físico; noutro partimos
daqui para o espiritual!

Num constante ir e vir, como viajantes da


imortalidade que somos todos nós.
Este lindo e confortante texto de Richard Simonetti, traz
muita paz aos que ficam, especialmente em dias da chegada
do ente querido ao seu destino com as “boas vindas” pelos
que lá estão a recepcionar.