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• Romanos 1:1-7 Quando Paulo escreve sua carta aos romanos o faz a

uma Igreja que não conhece pessoalmente, situada em um lugar


onde nunca esteve, a maior cidade do maior império do mundo,
razão pela qual escolhe suas palavras com o maior cuidado. Paulo
começa mostrando seus próprios créditos. (1) Chama-se a si mesmo
escravo (doulos) de Jesus Cristo, termo no qual há dois antecedentes
de pensamento: (a) O título favorito de Paulo para Jesus é SENHOR
(kurios). Este termo em grego se refere a quem tem a posse
indiscutida de uma pessoa ou coisa; significa dono ou proprietário, no
sentido mais próprio e absoluto
• O oposto do termo SENHOR (kurios) é escravo (doulos). Paulo se
considera a si mesmo como escravo de Jesus Cristo, seu Dono e
Senhor. Jesus o tinha amado e se deu a si mesmo por ele, portanto
tem a segurança de já não pertencer-se mais a si mesmo, mas
inteiramente a ele. Sob este aspecto o termo descreve a absoluta
obrigação de amor
• (b) Mas o termo escravo (doulos) tem outro aspecto. No Antigo
Testamento é a palavra comum para referir-se aos grandes homens
de Deus. Moisés foi servo, escravo, doulos do Senhor (Josué 1:2). O
mesmo Josué foi doulos de Deus (Josué 24:9). O título mais arrogante
dos profetas, aquele que os distingue de outros homens, é o ser
servos e
• escravos de Deus (Amós 3:7, Jeremias 7:25). Quando Paulo se chama
a si mesmo escravo de Jesus Cristo está nada menos que se situando
na sucessão dos profetas. A grandeza e a glória destes residia no fato
de ser escravos de Deus, e assim também para Paulo. Assim, pois, a
expressão escravo de Jesus Cristo descreve ao mesmo tempo a
obrigação de um grande amor e a honra de um grande ofício.
Chamado especifico
• (2) Paulo se refere a si mesmo como chamado para ser apóstolo. No
Antigo Testamento os grandes homens foram os que ouviram o
chamado de Deus e responderam a ele. Abraão ouviu o chamado de
Deus (Gênesis 12:1-3). Moisés respondeu ao chamado de Deus
(Êxodo 3:10). Jeremias e Isaías foram profetas porque,
freqüentemente contra sua vontade, foram levados a ouvir o
chamado de Deus e responder (Jeremias 1:4-5; Isaías 6:8-9). Paulo
nunca se considerou um homem que aspirou a alguma dignidade,
mas sim como alguém a quem lhe foi dado uma tarefa. Jesus disse a
seus homens: "Não me escolheram vós , mas sim eu lhes escolhi a
vós" (João 15:16). Paulo nunca considerou a vida em termos do que
ele queria fazer, mas sim do que Deus lhe propunha.
Chamado especifico
• (a) Foi separado por Deus, ao qual imaginava separando-o até antes
de nascer para a tarefa que devia realizar (Gálatas 1:15). Deus tem um
plano para cada homem. Todo homem é uma expressão do
pensamento de Deus. Nenhuma vida humana carece de propósito,
Deus a colocou no mundo para realizar um pouco definido
Chamado especifico
• (b) Foi separado para os homens. Esta é a mesma expressão utilizada
em Atos 13:2, quando o Espírito Santo ordenou aos dirigentes da
Igreja de Antioquia separar a Paulo e Barnabé para a missão especial
aos gentios. Paulo era consciente de ter uma tarefa que devia realizar
para Deus e para a Igreja de Deus.
• (4) No ato de ser separado, Paulo estava seguro de ter recebido duas
coisas. No V. 5 nos diz quais são. (a) Tinha recebido graça. Graça
indica sempre algum dom absolutamente gratuito e totalmente
imerecido. Antes de vir a ser cristão. Paulo esperava obter glória
perante os homens e méritos aos olhos de Deus, por meio do
meticuloso cumprimento das obras da Lei. Agora chega a
compreender que o importante não é o que ele poderia fazer, mas o
que Deus tinha feito. Isto foi expresso assim: "A Lei estabelece o que
o homem deve fazer; o evangelho, o que Deus tem feito." Paulo
compreende agora que a salvação não descansa sobre o que o
esforço do homem pode fazer, mas sobre o que o amor de Deus tem
feito. Tudo foi de graça, gratuito e imerecido.
• (b) Paulo recebeu uma tarefa. Foi separado para ser o apóstolo dos gentios. Ele se
reconhece eleito, não para receber uma honra especial, mas uma
responsabilidade especial. Sabia que Deus o tinha apartado não para sua glória,
mas para realizar uma ação laboriosa. Pode ser que haja aqui um trocadilho.
Antes Paulo tinha sido fariseu (Filipenses 3:5). O mesmo nome fariseu pode
muito bem significar o separado. É possível que os fariseus fossem chamados
assim porque se separaram deliberadamente do povo comum, pois nem sequer
permitiam que o bordo de seu manto roçasse a um homem comum. Os fariseus
se teriam estremecido com apenas pensar que o oferecimento de Deus pudesse
ser dado aos gentios. Para eles os gentios eram "o combustível para os fogos do
inferno". Antes Paulo tinha sido como eles, havia-se sentido separado, de tal
maneira que não tinha senão desprezo para com todo homem comum. Agora se
reconhece separado, de tal maneira que lhe é imposto dedicar toda sua vida a
levar as novas do bom amor a todos os homens de todas as raças. O cristianismo
sempre nos separa; mas não por privilégio, nem para a própria glória, nem o
orgulho, mas para o serviço, a humildade e o amor para com todos os homens.
encarnação
• (a) Um evangelho da encarnação. Paulo fala de um Jesus que era real e
verdadeiramente homem. Um dos maiores pensadores da Igreja primitiva
o resumiu quando disse de Jesus: "Ele se fez o que nós somos, para nos
fazer o que Ele é." Paulo pregava a respeito de alguém que não era uma
figura legendária de uma história imaginária, que não era um semideus,
metade Deus e metade homem. Ele pregava de alguém que era real e
verdadeiramente um com os homens que veio para salvar.
• (b) Um evangelho da ressurreição. Se Jesus tivesse vivido uma vida bela e
fosse morto heroicamente, sendo este seu fim, poderia ter sido contado
entre as figuras grandes e heróicas, mas não teria sido mais que um entre
muitos heróis. O fato de que foi único está garantido para sempre pelo
evento de sua ressurreição. Os outros morreram e passaram, deixando sua
lembrança. Jesus continua vivendo e sua presença conserva ainda eficaz
poder.