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Ocupe Estelita: o movimento de

uma cidade contra as empreiteiras


Cais Estelita

O Cais é uma área de mais de 101,7


mil metros quadrados, com 1,3km de
extensão e se encontra na Ilha de
Antônio Vaz, ao lado do centro histórico
e no caminho para a valorizada zona
sul da cidade do Recife, capital do
Estado de Pernambuco.
Qual é o objetivo das
empreiteiras?

As empreiteiras pretendem construir


12 torres de cerca de 40 andares de
uso estritamente privado no local. O
Projeto Novo Recife é um caso típico
da arquitetura do medo que vemos se
implantar nas cidades brasileiras.
Projeto Novo Recife
• A proposta inicial era construir 12 torres
de até 40 andares, com áreas
residenciais e empresariais;

• Alterado, o Projeto passou a prever a


construção de 13 prédios, que variam
entre 12 a 38 andares;

• 10 edifícios residências, um hotel com


308 leitos, um prédio empresarial e um
flat;

• Os prédios com menor escalonamento


ficarão na área próxima ao Forte das
Cinco Pontas, trecho de construções
históricas do Bairro São José;
Projeto Novo Recife
• 1.042 unidades habitacionais;

• 200 unidades de habitação do


interesse social;

• O Consórcio Novo Recife reúne as


empresas Ara Empreendimentos, GL
Empreendimentos, Moura Dubeux
Engenharia e Queiroz Galvão;

• O perfil dos compradores seriam


médicos do polo dos Coelhos,
técnicos do Porto Digital e
funcionários públicos que trabalham
no Recife Antigo;
Projeto Novo Recife
• Está prevista ainda a construção de
uma ciclovia ligando o Cais José
Estelita até a Avenida Miguel Arraes
(mais conhecida como Avenida
Norte);

• O projeto também planeja custear a


demolição do viaduto do Forte das
Cinco Pontas, que além de livrar a
vista do monumento dará melhor
visibilidade à esplanada do cais José
Estelita
Projeto Novo Recife

• Haverá ainda um centro cultural nos


armazéns, piers públicos, um jardim
público com uma grande área verde
e serviços, de modo que, no acesso
à Baia do Pina, não haverá
privatização, segundo o consórcio;
• Do espaço total, 35% terão
ocupação privada e 65% pública,
com parque, praças, ciclovias, vias e
calçadas, também segundo o
consórcio;
Projeto Novo Recife
• As três casas do terreno se
transformarão em café, livraria e centro
de artesanato, os dois tonéis em
biblioteca e silo cultural, a oficina
eletrotécnica em anfiteatro e os
galpões em espaços culturais;
• O investimento seria de R$ 1,5 bilhão,
com expectativa de gerar R$ 40
milhões em ITBI (Imposto Sobre
Transmissão de Bens Imóveis) e R$ 7
milhões em IPTU (Imposto sobre a
Propriedade Predial e Territorial
Urbana;
Movimento Ocupe Estelita
Movimento Ocupe
Estelita - MOE
É uma mobilização social que pretende
impedir a destinação de uma área de
10 hectares (o Cais José Estelita, na
bacia do Pina, no centro da cidade),
para a construção de um
empreendimento imobiliário orçado em
R$ 800 milhões, o que está expondo o
escândalo da separação entre
desenvolvimento capitalista e
democracia.
Movimento Ocupe
Estelita - MOE
O Movimento #OcupeEstelita não
possui um centro de representação
que possa ser identificado a uma
entidade, partido ou coletivo – embora
o Movimento Direitos Urbanos (DU)
seja um dos mais bem articulados e
encabece parte do diálogo com as
esferas institucionais.
Movimento Ocupe
Estelita - MOE
Ao questionar a demolição do cais
Estelita para a construção um complexo
empresarial e residencial mobiliza não
só moradores da cidade de Recife como
de todo o Brasil e mostra ao mundo o
que a resistência sem violência é capaz.

Manifestantes, ativistas, cidadãos,


famílias completas (neto, filho, pai, avó,
tia, cachorro) e até curiosos integram
uma paisagem diversa e inusitada num
dos pontos mais importantes da cidade.
Movimento Ocupe
Estelita - MOE

No intuito de garantir a legalidade no


processo, o movimento ocupou a área
referida quando os responsáveis pelo
projeto começaram a derrubada de
edificações históricas dentro do
terreno.
Movimento Ocupe
Estelita - MOE

Desde então, a ocupação tornou-


se um espaço de debate sobre os
problemas sociais e urbanos que
Recife enfrenta, além de
proporcionar atividades culturais
e artísticas à população,
fomentando o compartilhamento
do local e a troca de ideias sobre
o uso da cidade.
Privatização do Cais Estelita
Privatização do Cais

A área dos antigos armazéns foi


comprada por R$ 55 milhões em um
leilão, antes pertencente à Rede
Ferroviária Federal, a área passou a ser
do Consórcio de empresas que lançaria o
Projeto Novo Recife algum tempo depois.

Em 2015, por meio da Operação Lance


Final da Polícia Federal, descobriu-se que
o leilão no qual o terreno do Cais Estelita
foi arrematado se deu por meio de
fraude e a Justiça Federal anulou o
processo.
Privatização do Cais

O Tribunal Regional Federal da 5ª


Região suspendeu a decisão cerca de
um mês depois.

Nesse momento o projeto sofreu


alterações, com redesenho de
algumas ações exigidas, incluindo a
criação de um binário para reduzir o
impacto à mobilidade. Em 2016 um
juiz federal novamente anulou o
leilão.
Privatização do Cais
O Estelita representa a história do
fechamento do espaço público no
Brasil, em dois sentidos diferentes,
mas muito entrelaçados. Quer seja
tomado como âmbito da participação
política, quer seja entendido como
lugar de encontro com anônimos e de
vivência coletiva da cidade.
Privatização do Cais
O espaço público está ameaçado
diante da captura do Estado pelas
grandes corporações, no ciclo
neoliberal.

A privatização do Cais e a reação que


ela provocou, através do Movimento
Ocupe Estelita (MOE), tiveram boa
repercussão na imprensa nacional e
internacional, entre outras razões,
porque ambos são sintomáticos do
atual momento político brasileiro.
Demolição
Demolição
No dia 21 de março, o Instituto do Patrimônio
Histórico e Artístico Nacional (Iphan) concluiu o
levantamento histórico do Cais José Estelita,
dentro do processo de licenciamento ambiental
do projeto, finalizando, assim, o embargo
imposto desde 2014 ao projeto. De acordo com
o Iphan, desde o início do embargo, foi feita
uma série de exigências ao consórcio, que
foram atendidas.
A última documentação sobre o caso foi
protocolada no fim de 2018. Após uma análise,
foram liberados três lotes, sendo dois deles
com a condicionante de uma pesquisa
interventiva durante a obra. A autorização foi
publicada no Diário Oficial de 28 de março. A
partir de agora, arqueólogos contratados pelo
Novo Recife devem fazer uma pesquisa, a ser
acompanhada pelo Iphan.
Demolição
O órgão informou, ainda, que a área em
questão não é valorada como
Patrimônio Ferroviária e nem tombada
pela União e, por isso, compete ao
instituto avaliar o impacto do
empreendimento ao patrimônio
arqueológico no escopo do
licenciamento ambiental.
Quatro dias após o fim do embargo, na
manhã da segunda (25), a prefeitura
do Recife expediu um alvará permitindo
a demolição de dois dos armazéns
localizados no Cais José Estelita.
Integrantes do movimento Ocupe
Estelita foram ao local questionar a
legalidade do alvará e se posicionar
contra a demolição.
Demolição

O Consórcio Novo Recife, responsável


pela obra, iniciou a demolição dos
armazéns em 25 de março deste ano,
após um alvará expedido pela
prefeitura do Recife.

Essa foi a segunda tentativa de


demolição, a primeira ocorreu em 22
de maio de 2014, mas foi impedida
pela ocupação do local por meio de
ativistas, que durou cerca de um mês.

.
Demolição

É a primeira etapa das obras do


projeto.
Inicialmente será feita uma
requalificação urbana para abrir o
sistema viário local.
A previsão é que a primeira etapa dure
cerca de quatro anos e meio.
A segunda fase será iniciada ainda no
decurso da primeira fase.
Demolição
À noite, ativistas deflagraram uma
ocupação no local. Segundo eles, há 12
ações na Justiça contra o Projeto Novo
Recife. Os manifestantes acamparam no
local e disseram que só sairiam quando as
máquinas saíssem do terreno.
Na manhã do dia 26 de março, o trabalho
das máquinas também atraiu quem está
em busca de emprego. No início da tarde, a
demolição foi suspensa por determinação
judicial.
Na Ação Civil Pública, o MPPE pediu à
Justiça que a prefeitura se abstenha de
conceder "licença de construção para
empreendimentos localizados na área do
Cais José Estelita" e que o Novo Recife "se
abstenha de praticar todo e qualquer ato
de divulgação e promoção de vendas de
unidades imobiliárias futuramente
disponibilizadas em duas torres".
Demolição
Sobre o assunto, a prefeitura afirmou que,
por meio da Lei 18.138/2015, elaborou um
Plano Específico para Cais de Santa Rita,
Cais José Estelita e Cabanga e que a
legislação "foi construída com ampla
participação popular, tendo sido realizadas
quatro audiências públicas, com um total
de 283 contribuições da sociedade (sendo
80% aproveitadas no plano), além da
tramitação nos espaços institucionais de
participação social como o Conselho da
Cidade e dos debates na Câmara Municipal
do Recife".
Demolição
No dia 28 de março deste ano, o
presidente do TJPE suspendeu a liminar
que proibia a demolição no Cais José
Estelita. Houve protesto e tumulto entre
a Polícia Militar e manifestantes e
algumas pessoas chegaram a subir em
cima de retroescavadeiras para impedir
que o armazém restante fosse ao chão.

Integrantes do Movimento Ocupe


Estelita, que ocupavam a calçada ao
lado do armazém, realizaram atividades
culturais no local antes de desmontar o
acampamento no dia 30 de março,
encerrando a ocupação.
Demolição
No domingo, dia 31 de março de 2019,
o Consórcio Novo Recife finalizou a
demolição dos dois armazéns no Cais
José Estelita. A última parede foi ao
chão por volta das 15h. Depois que a
demolição acabou, os operários do
Consórcio Novo Recife foram liberados e
permaneceram no local os seguranças
da obra.
Cronologia
Cronologia
Quando foi apresentado e Na noite de 21 de maio, o consórcio
de construtoras iniciou a demolição
gerou debate, pois o terreno dos galpões. No dia
de 10,1 hectares abriga seguinte, manifestantes ocuparam o
antigos galpões, estações terreno para impedir as obras. Ainda
ferroviárias e a segunda linha em 22 de maio, a Justiça
de trem mais antiga do Brasil. Federal concedeu liminar proibindo a
derrubada dos galpões.

2008 2012 2013 2014 2015

Em 28 de dezembro, a prefeitura No dia 7 de maio, manifestantes


Realizado leilão no qual o acamparam na casa do
terreno foi vendido para o aprovou novas medidas referentes prefeito Geraldo Julio (PSB). Cerca
ao polêmico projeto, exigindo ações
consórcio por R$ 10 milhões mitigadoras, adotadas para de 200 pessoas passaram a noite
de reais, valor muito abaixo compensar possíveis danos no local para pedir a reabertura de
do preço de mercado. causados pela construção. diálogo sobre o Plano Urbanístico
para a área do Cais José Estelita.
Cronologia
O Tribunal Regional Federal No dia 21 de março, o Instituto do
da 5ª Região (TRF-5) não Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
(Iphan) concluiu o levantamento
encontrou motivos legais histórico do Cais Estelita, dentro do
para impedir a construção processo de licenciamento ambiental do
de prédios no terreno dos projeto, finalizando, assim, o embargo
armazéns. imposto desde 2014 ao projeto.

2016 2017 2018 2019 2019

Em janeiro, o Ministério Público de De acordo com o Iphan, desde o início


Pernambuco entrou com uma ação do embargo, foi feita uma série de
civil pública pedindo a anulação Em 13 de novembro, o Ministério
Público Federal (MPF) recorreu ao exigências ao consórcio, que foram
das reuniões do CDU que
aprovaram o projeto Novo Recife e Superior Tribunal de Justiça (STJ) e atendidas. Em 31 de março foi
que a Prefeitura do Recife se ao Supremo Tribunal Federal (STF) concluída a demolição dos dois
para tentar reverter a decisão do primeiros armazéns do Cais Estelita,
abstivesse de praticar “atos TRF-5, que considerou lícita a
administrativos” na área tendo ruído às 15h a última parede.
aprovação do Projeto Novo Recife.
contemplada no Cais José Estelita.
Arquitetos ativistas e simpatizantes do movimento enxergam que o modelo de
urbanização proposto pelo Consórcio Novo Recife não irá trazer a "vida" defendida
pela propaganda do consórcio ao Cais José Estelita, tornando os espaços públicos
promovidos pelo consórcio de empresas em regiões desertas.

O grupo defende um modelo pelo qual outras faixas sociais podem ser
beneficiadas, em que comércios e serviços devem ser previstos no projeto e
serem voltados para a rua no pavimento térreo, visando assim trazer movimento
às calçadas e possíveis praças.

A mobilização no cais José Estelita foi o estopim que desencadeou mobilizações


em outras áreas da cidade do Recife e Região Metropolitana, envolvendo
questões urbanísticas, como o projeto proposto e cancelado pelo governo de
construir quatro viadutos no coração da cidade do Recife, O projeto Via Mangue,
Shopping RioMar e outros projetos privados.
Seminários de Arquitetura – 9º Período
Professora Anik Sousa

Grupo 4
Emanuel Hitalo Mendes
Gabriela Mota
Lysbela Castro
Marcos Antonio
Mariana Caroline
Sarah Ravenna
Vitória Cardozo
Yago Cruz
Obrigado! -