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FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO

Esta disciplina situa-se no campo da reflexão crítica sobre os


problemas que afetam o homem em suas atividades
relacionadas ao conhecimento e a educação, compreendendo e
avaliando as grandes linhas do pensamento filosófico ao longo
da história. Assim como, conhecer as contribuições dos
filósofos para compreensão do que é o homem, o conhecimento
e sociedade presentes nas abordagens da prática pedagógica.
OBJETIVO 1

Compreender a Filosofia como forma específica de


pensamento destinada a CAPTAR A REALIDADE
através de CONCEITOS cuja finalidade é SUPERAR AS
FRAGMENTAÇÕES que são resultado de impressões
SEM FUNDAMENTO.
OBJETIVO 2

Perceber que a formação universitária, além de preparar


profissionalmente, é a formação do sujeito como
AGENTE SOCIAL, de modo a COMPROMETER-SE
CLARAMENTE com ATITUDES

TRANSFORMADORAS da sociedade.
OBJETIVO 3

Desenvolver a capacidade de REFLETIR


CRITICAMENTE sobre os problemas que afetam o
homem tanto em suas atividades, como em relação ao
conhecimento atual e ao longo da história, particularmente
dos processos de ensinar e de aprender, de modo a
compreender o conhecimento e a própria filosofia como
PROCESSO DE REFLEXÃO SOBRE A REALIDADE.
OBJETIVO 4

Conhecer algumas matrizes filosóficas pertinentes a cada


período histórico. Investigar as concepções de homem, de
sociedade e de natureza, correspondentes a cada matriz
filosófica, para conhecer a concepção de educação delas
derivada. Ter acesso às ferramentas filosóficas (conceitos)
que contribuem para a discussão acerca das questões
educacionais
Para dar conta desses objetivos optou-se por tratar a filosofia
da educação historicamente, através da exposição da
contribuição que alguns filósofos elaboraram ao longo da
história da sociedade ocidental. Como a filosofia em si é
muito ampla e como a educação em si pode ser vista de forma
muito restrita, (...) os capítulos procuraram evidenciar de
forma sucinta às concepções de ser humano, de natureza e de
sociedade. Nosso intuito é de fazer entender que a educação
constitui uma atividade humana essencialmente social.
É preciso realçar a importância da filosofia enquanto
prática reflexiva sobre e na educação. Razão pela qual
reivindicamos que no âmbito do ensino de filosofia da
educação, ou, em qualquer nível de ensino, não basta
ensinar filosofia ou história da filosofia, como comumente
se tem feito, mas é preciso também ensinar a filosofar.
Estas duas dimensões são indispensáveis para a
formação daqueles que se propõem educadores, visto
que toda prática pedagógica está permeada por valores,
crenças e estereótipos que, sob muitos aspectos, podem
determinar ou reforçar formas de pensar e agir
limitadoras da nossa experiência no presente. Nesse
caso, lidar com os processos formativos põe-nos
desafios que vão além da mera exigência do domínio de
conteúdos e técnicas de ensino, mas requer, como afirma
Adorno (1995, p. 121), “uma auto-reflexão crítica”
capaz de contrapor-se à ausência de consciência a
respeito do que somos, do que fazemos, do como
fazemos e do para que fazemos em nossas práticas
educativas.
FINALIDADES DA FILOSOFIA

1) A primeira finalidade consiste em “por em dúvida idéias,


práticas e valores não considerando nada do real como óbvio,
normal, natural, mas problemático” (KOHAN, 1998, p. 101).
Por mais óbvia que seja esta função da filosofia da educação, seu
papel é por em questão, por em dúvida os valores, conceitos e
idéias que foram revestidos pelo manto da certeza e da verdade.
É interrogar, como sugere Folcault (2000, p. 4), sobre o sentido
das verdades e buscar mostrar o caráter arbitrário e violento que
elas exercem sobre nós.
2) Outra finalidade da filosofia da educação é “avaliar os
pressupostos e implicações de valores, saberes e práticas
dominantes” (KOHAN, 1998, p. 104).

Um outro desafio, não menos imperioso, é o de uma


filosofia da educação que interrogue e se contraponha ao
processo de padronização e liquidação do indivíduo
produzido pelos mecanismos da indústria cultural que, como
sabemos, se fazem presentes na escola sob a roupagem da
pedagogia da facilitação, da cultura do resumo, do esquema
e do aprendizado superficial.
Terceira finalidade: A filosofia da educação põe em questão as
formas de pensar excludentes e os irracionalismos que buscam
justificar que se pratique contra o outro, seja ele o negro, a
mulher, o homossexual, o velho, o pobre, a criança etc., todo
tipo de atrocidade, bastando para isso argumentos que os
desqualifiquem, que os vejam como inferiores. Queremos dizer
como isso que a filosofia da educação tem como função colocar
em dúvida os conceitos prévios (os pré-conceitos) que
naturalizam e impedem o estranhamento diante do mundo, tão
fundamental na luta contra a barbárie
Cultura e humanização

Noção de cultura: é o resultado de tudo o que o homem


produz para construir sua existência, seja material ou
espiritual. É a maneira que ele estabelece nas relações entre
si e com a narureza. Podemos perceber isso em como ele
constroi abrigos para se proteger, organiza suas leis,
costumes, como se alimentam, como concebem o sagrado e
como se comportam diante da morte.
Sendo assim, pode-se dizer que a cultura é o conjunto de
símbolos elaborados pelo um povo em determinado tempo e
lugar. Dada a infinita possibiliadade de simbolizar, as
culturas são múltiplas e variadas.
Animal Homem
Vive em harmonia com a natureza Nem sempre isso é possível

Age por instinto Age mediante a razão e sentidos

Possui uma inteligência concreta. Possui uma inteligência abstrata


(submetida ao aqui e agora). Ela é (capaz de produzir cultura).
imediata e prática.

Não inventa, não aperfeiçoa nenhum Inventa, aperfeiçoa e conserva os


instrumento, nem o conserva para intrumentos.
uso posterior.
Não domina o tempo. Sua ação se Está submetido ao tempo: lembra de
esgota no momento em que termina. atos passados, vive o presente, e cria
expectativas para o futuro.
A experiência humana

A transformação que o homem faz na natureza chama-se


trabalho. O trabalho é a ação transformadora dirigida por
finalidadades conscientes. Nesse sentido, o castor, quando
constrói um dique, ou o joão de barro, sua casinha, não estão de
fato “trabalhando”, pois esses atos não são deliberados,
intencionais, nem movidos por finalidades conscientes, mas sim
determinados pelo instinto e idênticos na espécie. Totalmente
diversa é a ação do homem sobre a natureza e sobre si mesmo.
Ao reproduzir técnicas usadas por outros homens e inventar
outras, novas, a ação humana se torna fonte de ideias e por isso
uma experiência propriamente dita.
Cultura e socialização

O processo de socialização se inicia por meio da ação


exercida pela comunidade sobre os homens. É possível dizer
então que a condição humana não resulta da realização
hipotética de instintos, mas da assimiliação de modelos
sociais: o ser do homem se faz mediado pela cultura.

Respeitar as diferenças culturais é importante para evitar o


etnocentrismo, isto é, o julgamento de outros padrões (morais,
estéticos, políticos, religiosos etc) a partir dos valores do seu
próprio grupo.
Cultura e educação

Conforme temos visto, a cultura é uma criação humana. Pois ao


tentar resolver seus problemas, o homem produz os meios para
satisfazer suas necessidades e, com isso, transforma o mundo
natural e a si mesmo. Por meio do trabalho instaura relações
sociais, cria modelos de comportamento, instituições e saberes.

O aperfeiçoamento dessas atividades, no entanto, só é possível


pela transmissão dos conhecimentos adquiridos de uma geração
para outra, permitindo a assimilação dos modelos de
comportamentos valorizados. É a educação que mantém viva a
memória de um povo e dá as condições
para sua sobrevivência material e espiritual.

A educação é, portanto, fundamental para a socialização


do homem e sua humanização. Trata-se de um processo
que dura a vida toda e não se restringe à mera
continuidade tradição, pois supõe a possibilidade de
rupturas, pelas quais a cultura se renova e o homem faz
história.
O PROCESSO DE EDUCAÇÃO

O ato de educar consiste na interligação de três componentes: um


agente (alguém, um grupo, um meio social etc), uma mensagem a
ser transmitida (conteúdos, métodos, habilidades, compentências
etc) e um educando (aluno, grupos de alunos etc).
É de fundamental importância não confundir conceitos como
educação, ensino e doutrinação: a educação supõe o processo de
desenvolvimento integral do homem, isto é, sua capacidade física,
intelectual e moral. O ensino consiste na transmissão de
conhecimentos, enquanto que a doutrinação não respeita a
liberdade dos educandos, impondo-lhes conhecimentos e valores.
Fins da educação

Quais os própositos da educação? É o de formar o guerreiro


(tempos homéricos), ou mesmo desenvolver uma força militar
(Atenas e Esparta), talvez, seja o de formar um indivíduo que se
submeta aos preceitos divinos (Idade Média)?

Quais os fins da educação no mundo contemporâneo? Que tipo de


cidadão brasileiro queremos formar?

As prioridades educacionais são as mesmas quando nos propomos


educar em uma favela ou num bairro de elite?
À quem interessa a educação?
Educação e política

A educação não é um processo neutro, mas se acha


comprometida com a ecnomia e a política de seu tempo.
A educação não pode ser considerada apenas um simples
veículo transmissor, mas também um instrumento de crítica
dos valores herdados e dos novos valores que estão sendo
propostos.
A educação deve instrumentalizar o homem como um ser
capaz de agir sobre o mundo e, ao mesmo tempo,
compreender a ação exercida. A escola não é a transmissora
de uma saber acabado e definitivo, não devendo separar
teoria e prática, educação e vida.
Educação informal: aprendemos no nosso dia a dia, em
casa, na igreja, no trabalho, no esporte, com os amigos,
com o rádio, com a TV e etc. Dentre esta influências,
destacamos a da família e dos meios de comunicação de
massa. A educação não-formal adquiri- se “no mundo da
vida”, via os processos de compartilhamento de
experiências, principalmente em espaços e ações coletivos
cotidianas.

Educação formal: é aquela desenvolvida nas escolas. A


qual é sistemática, politica, intencional.
“A educação abrange os processos formativos que se
desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no
trabalho, nas instituições de ensino e de pesquisa, nos
movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas
manifestações culturais”

LBDEN 9394/96
Concepções de homem

Concepção metafísica: o conceito de homem é compreendido a


partir de uma natureza imutável. Há um modelo a ser atingido.
Kant chegou a dizer que “ o fim da educação é desenvolver, em
cada indivíduo, toda a perfeição de que ele é capaz”. E o
educador polonês Suchodolski chama de essencialista essa
tendência educacional.
Concepção naturalista: nesta concepção há uma forte tentativa
de adequar a metodologia das ciências humanas ao método das
ciências naturais, que se baseia na experiementação, no controle
e na generalização.
Concepção histórico-social: aqui a preoucupação é com o
processo(nada é estático), com a contradição (não linearidade no
desenvolvimento, que resulta do embate e do conflito)
E com o caráter social (o ser do homem se faz permeado
pelas relações humanas e por isso se expressa de formas
diferentes ao longo da história.
Concepção existencialista: o homem é um “ser-para-si”,
abeto à possibilidade de construir ele próprio sua existência.

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