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Sistemas de

Governo:
parlamentarismo
e
presidencialismo
Introdução: sistema de governo
● Maneira pela qual o poder político é dividido e exercido no âmbito de um
Estado
● Varia de acordo com o grau de separação dos poderes:
1. Separação estrita entre os Poderes Legislativo e Executivo
(presidencialismo)
2. dependência completa de governo junto ao Legislativo
(parlamentarismo)
3. semipresidencialismo (presidente compartilha funções com o primeiro-
ministro)
Diferenças
PARLAMENTARISMO PRESIDENCIALISMO

● Executivo e Legislativo têm maior ● regimes republicanos


dependência ● ambos eleitos pelo povo
● Legislativo: formado por um ● clássica separação de poderes
parlamento eleito pelo povo ● presidente é Chefe de Estado e
● Executivo: formado por membros de Governo
do parlamento ● distinção mais clara entre Leg.
● primeiro-ministro: chefe de e Exec.
governo, enquanto o monarca:
chefe de Estado
Sistemas de governo em debate
● “Presidencialismo ou Parlamentarismo: faz alguma diferença?”, de Juan Linz:
duas premissas básicas para a resposta
1. as características institucionais de um sistema de governo moldam o
processo político e o modo de governar
2. as diferenças entre presidencialismo e parlamentarismo são de grau e
não de natureza
○ democracias estáveis(maioria) são parlamentaristas
○ parlamentarismo puro: o governo deriva sua autoridade da confiança do
parlamento
○ presidencialismo puro: reivindicação de plena legitimidade democrática pelo
presidente; caráter bidimensional do cargo
Presidencialismo
Linz: Problemas provenientes da relação
Legislativo x Executivo
● Legislativo como possível opção política oposta a do presidente
○ consequência da rígida separação dos poderes
○ eleição direta pode alçar ao poder alguém que não tem apoio dos líderes partidários nem
da elite política
○ caminho institucional para a personalização de poder: diminuir o controle das elites políticas
sobre o processo de formação do governo
Constituições Presidencialistas
● Executivo poderoso e estável
○ Legitimidade popular
○ Capacidade de oposição ao particularismo dos interesses do Congresso
● Base no temor à personalização do poder
○ Mecanismos de contenção ao potencial arbitrário
■ Reeleição como ferramenta aplicada de forma não universal/uniforme
● Legitimidade dual
○ Não estipulam instâncias que decida quem representa as vontades do eleitorado
Demais fatores caracterizantes do
Presidencialismo
● Caráter de soma zero das eleições
○ Entrega de todas as prerrogativas do Poder Executiva ao vencedor, impotência aos
derrotados
○ Acentuado em sistemas bipartidários
● Descontinuidade temporal
○ Mandato fixo
○ Não reeleição
○ “Wish of vouloir conclure (desejo de concluir)”
Parlamentarismo
● Permissão de mandatos executivos sucessivos e permanência de candidatos
derrotados na eleição a Primeiro Ministro em outros cargos gerais do
Executivo
○ Refrigeramento do sistema político
○ Amenização dos ânimos revoltados da oposição após uma derrota, diminuindo a ansiedade
e impaciência geral, aumentando a governabilidade dos eleitos
○ Redistribuição mais equilibrada do poder
○ presidencialismo: papel da oposição é ambíguo
● Favorecimento da cooperação e maior flexibilidade institucional para
resolução de conflitos
● A diferença se dá no grau, e não na natureza: “presidencialismo introduz
uma maior rigidez no processo político, em contraste com a flexibilidade no
parlamentarismo”.
Presidencialismo x Parlamentarismo
● Rigidez no processo político ● Flexibilidade no processo político
● Chefe de governo (e de Estado) eleito ● Chefe de governo é selecionado pelo
diretamente para um período fixo corpo legislativo e depende da sua
estabelecido pela constituição vigente, confiança, podendo ser afastado por um
não podendo ser removido em voto de desconfiança ou censura
circunstâncias normais ● Poder executivo formado pelo Primeiro
● Poder executivo formado por apenas Ministro e gabinete
uma pessoa (Presidente) ○ Tomadas de decisão no formato de
● Lijphart (1991): Mais propenso a tornar-se colegiado

uma democracia majoritária ● Lijphart (1991): Em oposição ao


○ Prevalece o conflito à colaboração entre presidencialismo, prevalece a democracia
Executivo (unipessoal) e legislativo de consenso
○ Pactos originados do colegiado
Inferioridade do Presidencialismo
Mainwaring: Presidencialismo e a instabilidade
democrática
● Mais forte em sistemas multipartidários
○ Independência do presidente quanto ao legislativo multipartidário: dificuldade na formação
de uma coalizão para apoiar o governo
■ Indução ao surgimento de um executivo fraco por falta de base parlamentar
● Estrita divisão de poderes
○ Imobilização política, manifesto e crise
● Produção de governos minoritários
○ Sem previsão de ferramentas legais para sanar esse problema
● Imobilismo e instabilidade
● América Latina
Instabilidade democrática no sistema
presidencialista bipartidário
● Downs (1957): polarização ideológica reduzida
○ Facilitação na instauração de acordos para a sustentação parlamentar do governo
● Estaticamente mais estáveis que as multipartidárias

● Presidencialismo como inferior ao Parlamentarismo


Conclusões: Inferioridade do presidencialismo

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Como os problemas causados pelas
constituições são resolvidos? Como se
explica o caso dos Estados Unidos: uma
nação ter atingido tal tamanho num sistema
de governo tão precário?
O presidencialismo de Riggs

● Presidencialismo: Regime que garante que o chefe de governo exerça seu


poder independentemente da assembleia eleita
○ Independência baseada no termo fixo do mandato
○ O chefe do governo não pode ser substituído por um voto da assembleia
Dilemas do Presidencialismo
Antagonismo Alta probabilidade
estrutural entre o de paralisia
chefe de governo e decisória do
Fraqueza dos
a Assembleia congresso devido a
partidos políticos
sobrecarga de
agenda

Necessidade do poder arbitral da Suprema Corte

Tal problemática não é presente no Parlamentarismo devido a: I) Possibilidade de deposição do gabinete para
resolver tensões entre Executivo e Legislativo; II) Maior aceitação de propostas do executivo, desobstruindo a
agenda do legistativo; III) Partidos são coesos e disciplinados; IV) Não necessidade de revisão judicial das
disputas entre executivo e legislativo
O caso dos Estados Unidos
● Regras paraconstitucionais
○ “A sobrevivência de um regime não depende apenas da viabilidade de sua Carta escrita, mas
também da força de suas ações não escritas. Assim, a sobrevivência de um regime
presidencialista só pode ser possível se algumas regras não expressas em sua Carta são
seguidas.”
i. Forte liderança exercida pelo presidente;
ii. O papel de ligação forte entre executivo e legislativo exercido pelos membros do
gabinete presidencial;
iii. A indisciplina partidária causada pela primazia dos interesses da clientela eleitoral
sobre os diretórios partidários agindo como reforço a liderança presidencial;
iv. Desobstrução da agenda do congresso pela estrutura dos comitês;
v. Apatia e baixa participação eleitoral diminuindo a pressão e dificultando a organização
dos partidos de oposição;
vi. Tolerância gerada pela indistinção ideológica do sistema bipartidário;
vii. Revisão judicial equilibrando a disputa entre executivo e legislativo.
Sartori: Estados Unidos como exceção
● Problemática do presidencialismo: incapacidade de lidar com governos
divididos
● “[...] o sistema norte-americano funciona, a despeito da sua constituição, não
por causa dela.”
a. falta de adesão a princípios ideológicos
b. partidos fracos e indisciplinados
c. vida política centrada nos interesses locais
● Barganha de favores eleitorais
Semipresidencialismo
● Garante a preservação do processo eleitoral popular com a adição de
características ditas superiores
○ Chefia do governo e do Estado distintos, ambos os chefes compõem o poder Executivo.
○ Chefe de Estado com funções mais significativas do que no Parlamentarismo
○ Divisão de poderes varia de caso em caso
■ França e Romênia: Presidente responsável pela política externa, primeiro-ministro
responsável pela política interna.
○ Coabitação: freios e contrapesos
Critérios da estrutura dupla de autoridade
Primeiro Ministro e gabinete
Independência controlada do Presidente Equilíbrio
sujeitos (ou não) à confiança

Embora independente do Inversamente ao Presidente, o A estrutura dupla de


parlamento, ao presidente Primeiro Ministro e seu autoridade permite diferentes
não é dado o poder de gabinete independem do estruturas de equilíbrio e a
governar diretamente ou Presidente à medida que oscilação de prevalências do
sozinho, tendo que ter suas dependem do parlamento, poder interno ao poder
vontades canalizadas e precisando assim da maioria Executivo, sob a condição de
processadas pelo seu em apoio que sustente a autoridade
governo potencial de cada
componente.
A distribuição dos sistemas de governo pelo mundo
Distribuição pelos cinco continentes: Santos
Distribuição pelos cinco continentes: Lijphart
O Debate sobre os Sistemas de Governo no Brasil
José Murilo de Carvalho, faz uma análise apresenta a ideia que desde o período imperial havia duas
interpretações da carta constitucional:

● Ortodoxa: Poder Moderado Forte – “O rei reina, governa e administra”

Procurando esvaziar o poder do parlamento, dizendo ser diferente da inglesa, e que não fosse absolutista e Liam a
constituição numa direção mais presidencialista

● O caráter neutro do quarto poder – “O rei reina, mas não governa”

Inspirados no parlamentarismo inglês e em Benjamin Constant


Monarquia >> República
A passagem de Monarquia para República, trazia consigo uma agitação na discussão em volta do
desenho institucional mais capaz de resolver os problemas de ordem pública.
“trata-se da primeira grande mudança de regime político após a independência, mas além disso, trata-se
da implantação de um sistema de governo que se proponha, exatamente, trazer o povo para o
proscênio da atividade política.”
Analisando a base social
Porém nos primeiros anos da República, houve um debate onde o ponto central era a relação entre o
indivíduo e a comunidade, o privado e o publico
“Vários pensadores identificavam a ausência do individualismo anglo-saxão como fator explicativo da
incapacidade brasileira para organizar a sociedade política”
Faltava um individualismo movido pelo interesse, base da sociabilidade norte americana.
Então toda discussão vai além dos possíveis equívocos e manobras das elites políticas, trata-se de uma
análise sociopsicológica da base social com a qual se está lidando, bem como sua cultura política.
A realidade no Brasil
Silvio Romero, cientista político da época, utilizou o autor francês Edmound Demoulins, para
caracterizar a psicologia brasileira como sendo de natureza comunitária, em oposição à psicologia
individualista dos anglo-saxões.
Ausência entre os brasileiros do espírito de iniciativa, da consciência coletiva, a excessiva dependência
do Estado
Então a base do debate entre a opção parlamentarista, como forma de superação da crise político-
institucional dos primeiros governos republicanos (os militares deodoro e Floriano) e a manutenção do
centralismo presidencialista terá uma suposta realidade brasileira como argumento de autoridade
Acreditava que apenas observando atentamente a realidade nacional seria capaz de indicar qual sistema
político mais adequado à ordem pública. Como uma adaptação social entre as instituições, o sistema
político e a sociedade, o “meio”.
“Para os parlamentaristas, o Para os presidencialistas, o
presidencialismo era antibrasileiro, parlamentarismo era antibrasileiro
porque contrariava a longa tradição justamente porque não se adaptava à
liberal que sempre lutara contra o nossa tradição de poder pessoal,
arbítrio e o despotismo. predominante desde o Império.”
Já na virada da década de 40/50 outra discussão veio à tona
Antes tratava-se de publicistas discutindo a respeito do “caráter nacional” e suas especificidades, bem
como do melhor sistema de governo, derivando para um debate de constitucionalistas. Que se
baseava na controvérsia em torno da revisão constitucional de 1949, onde existia uma possibilidade
real, ainda que improvável, da aprovação da emenda parlamentarista do deputado da época Raul Pilla.
Visava em rever os dispositivos constitucionais que delineavam nossas instituições políticas e os
mecanismos jurídico-políticos de nosso sistema presidencialista.
O trauma da experiência do Estado Novo e a esperança no sopro democrático trazido pela constituição
de 1946 inspirava os parlamentaristas de então.
Havia um medo dos parlamentares de um executivo hipertrofiado e tal preocupação residia a força de
uma emenda parlamentarista, para que através de uma mudança institucional do sistema, eliminaria
essa possibilidade.
Dentre diversas análises e propostas de qual sistema implantar, não se pode excluir a possibilidade de
que a discussão girava em torno de alguns interesses políticos e partidários, e até mesmo os tempos
conturbados, crises políticas fez com que ainda existisse uma divisão entre os sistemas. No início da
década de 60 houve um esfriamento da discussão resultando em uma solução casuística, com intuito de
resolver o impasse do momento político nacional, e não necessariamente com intuito de analisar a
melhor forma de governo.
Retomada da discussão
80/90 e a “comissão de notáveis”

1. Presidencialista puros (próximo a Constituição de 46)


2. Parlamentaristas puros (Chefe de Estado eleito indiretamente, como na Alemanha Ocidental)
3. Parlamentaristas mitigados (figura de um Ministro-Coordenador, ou um Gabinete com forte influência presidencial)
4. Adeptos do parlamentarismo dual (como o sistema francês)

Em 88 finalmente foi colocada em votação pelo Congresso a proposta de parlamentarismo, que teve sua derrota em 22
de março. Entretanto o momento não estava favorável a adesão do parlamentarismo, pois o país acabava de sair de uma
enorme campanha de massas, as “Diretas já”, favorável ao presidencialismo.

Entretanto já em 92, com o impeachment de FHC, o cenário torna-se ambíguo novamente, pois apresenta os limites do
atual sistema e enfraquece a imagem da figura do presidente perante a opinião pública, e por outro lado, mostra uma
enorme capacidade de resolução política da crise promovida.
Além do Congresso
No início de 90 inicia-se novamente um intenso debate entre jurista, políticos, cientistas sociais, etc,
buscando uma resolução para os problemas político-institucional brasileiro, entretanto este debate
acaba tomando as ruas, e a sociedade será mobilizada para discutir esta recorrente situação, nunca
houve um debate tão amplo na história do Brasil. Contudo, permanecia a dificuldade em se discutir
devido ao caráter extremamente heterogêneo das linhas de entendimento da questão. E também os
interesses envolvidos nos sistemas abordados, ora circunstanciais, casuístas, visando alterar as regras
constitutivas do jogo político pela razão das elites ou até mesmo de discursos a base de um
“doutrinarismo ingênuo”. Polêmica que permanece até nos dias de hoje.
Conclusão
● Mesmo com toda a análise e entre os debates apresentados, seus vícios e virtudes, percebe-se a enorme
controvérsia entre os sistemas de governo, ainda que seja possível verificar certo consenso sobre o
presidencialismo e o parlamentarismo, ou seus modelos mistos ou híbridos de semipresidencialismo, os autores
não chegam uma conclusão absoluta. A controvérsia aumenta na medida em que se discute algo em torno da
ampliação ou adoção de determinado sistema por Estados Nacionais específicos, analisando algumas
características como o contexto social, político e cultural onde operam, resultando em distintas análises e
classificações.
● No Brasil, podemos verificar ao longo de nossa história republicana a grande divergência sobre as virtudes e os
problemas dos modelos parlamentar e presidencial de organizar o governo. Pois...
● Para realizar uma reforma político-institucionais é de extrema necessidade uma grande análise, como inúmeras
falhas e carências, particularmente nos países chamados de terceiro mundo, e que em particular no Brasil, alega-
se a fragilidade de nossas instituições representativas e a instabilidade institucional. Como também déficits de
representação ou a dificuldade em garantir tal governabilidade.
● Independentemente das instituições políticas, sistemas ou forma de governo, regimes, códigos eleitorais ou
partidários, pode-se ter ou não uma estabilidade política, por isso acaba sendo um tema controverso, pois, de
acordo com a experiência mundial, ela não resulta da presença e sim da ausência de certas condições básicas.

Não existem condições suficientes para a democracia, somente condições necessárias.


Sendo assim..
Não há a segurança em promover a estabilidade política através de modificações no sistema de
governo.
Pois não há como prever um conjunto de variáveis não antecipáveis de uma alteração institucional.
Temos diversos exemplos na experiência internacional que deram certo e outros que não, e que tais
mudanças acabam tendo processos muito lento, as vezes de décadas.
E há também um grande conjunto de democracias estáveis que possuem diversos mecanismos
institucionais e sistemas de governo, combinando com diversos regimes políticos, sistemas de governos,
etc.
Ou seja, não há como aplicar um modelo bem sucedido em determinado país, sendo que as condições
são completamente diferentes no Brasil, não há como tomar tal medida de forma apressada, pois exige
uma análise cautelosa e prudente quando se trata de uma reforma ou alterações institucionais.
OBRIGADA PELA ATENÇÃO!
Referências
https://guiadoestudante.abril.com.br/blog/atualidades-vestibular/qual-a-diferenca-entre-parlamentarismo-e-presidencialismo/

https://www.politize.com.br/presidencialismo-sistemas-de-governo/

https://www.politize.com.br/parlamentarismo-sistemas-de-governo/

https://veja.abril.com.br/politica/veja-as-diferencas-entre-parlamentarismo-e-semipresidencialismo/

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